(…antes de fazer uma apreciação ao clássico, começo por partilhar convosco um desabafo – para que não digo que só escrevo quando o Benfica ganha…)
Ontem, vimos, em pleno estádio do dragão, a raça do Norte impor-se à fidalguice e presunção lisboeta. Pois é, meus amigos, Lisboa só é capital no mapa, no Norte…trabalha-se!!!
O meu título vem a grande a-propósito, uma vez que, ontem, JJ demonstrou sofrer do síndrome que durante épocas acompanhou Jesualdo Ferreira, no Porto: porquê inventar quando se defrontam adversários fortes.
Foi assim com JF, sempre que defrontou as grandes equipas na CL, ou quando defrontou adversários mais fortes na nossa Liga; é assim com JJ, sempre que defronta adversários de elevado calibre
Esse rótulo de mestre da táctica tira-lhe algum discernimento e obriga-o a ter que tirar um coelho da cartola sempre que o jogo é decisivo, para que possa manter, no mundo da bola, esse tique vaidoso. Exemplos? Liverpool – Benfica, para a Liga Europa, na época passada; Porto – Benfica, para a Supertaça, este ano; o jogo de ontem…entre outros.
Sr. JJ, quando entramos no cenário de guerra (atenção! Nem a tropa fui!) a nossa demonstração de medo é a grande arma do inimigo. Ora, foi isso que demonstrou no jogo de ontem…MEDO!!! Porque se preocupou em demasia com o adversário, dando-lhe sinais claros dessa preocupação, ao ter mexido, como mexeu, no eixo defensivo
Para mim, que não percebo nada disto, a primeira grande qualidade de um treinador de futebol é não inventar…parece-me fundamental para que um treinador tenha sucesso.
Aliás, acho que essa é a grande qualidade de AVB, até porque não acho que esteja ali um grande técnico de futebol. Se não vejamos: no jogo de ontem qualquer treinador de bancada tinha colocado o mesmo onze que AVB colocou…colocou o óbvio e deixou que a qualidade dos jogadores resolvessem. Esta é a grande arma do Porto de AVB: qualidade, muita qualidade dos seus jogadores.
Não pensem que está ali algum Mourinho. Não está! Mourinho, nos dois anos em que esteve no Porto, teve a sua disposição um plantel com muita menor qualidade…e fez milagres.
Vejamos se o tempo me dá ou não razão.
O Benfica, que vinha ganhando rotinas de jogo, como o jogo era de extrema importância, JJ, o que faz?! Ah, inventa! Mas porquê???
Eu pergunto: qual será o jogador da defesa benfiquista mais capacitado para travar o drible e a velocidade de Hulk? Parece-me óbvio: Fábio Coentrão. Na minha opinião um dos cinco melhores laterais esquerdos da Europa. E porquê? Porque é rápido, joga na antecipação, apresenta grande frescura física ao longo de todo o jogo, tem raça e consegue criar grande dinâmica ofensiva - o que obrigaria Hulk a jogar mais recuado, mais próximo de Álvaro Pereira.
O que fez JJ?!
Inventou! Desviou David Luiz para a esquerda e colocou Sidnei no eixo defensivo. Resultado: David Luiz jogou contrariado, sem vontade de jogar naquela posição e com isto perderam-se várias rotinas de jogo.
Costumo ouvir os entendidos falar sobre a vertente táctica do futebol e o que normalmente dizem é que o que importa não são os sistemas mas as suas variantes/rotinas. Ora, JJ manteve o sistema mas...alterou a rotina.
Aquilo que estou a dizer, qualquer treinador de “vau de escada” o dizia. É tão óbvio que custa a perceber.
Quanto ao jogo jogado...
...o FCPorto, apresentou-se muito solto, com dois médios-centro de grande qualidade e muita posse de bola; com dois extremos bem abertos criando espaços no reduto benfiquista, para que pudessem “meter” o drible em velocidade. Aliás, a superioridade portista espelha-se neste pormenor: Gaurin pareceu ser aquilo que, indiscutivelmente, não é, um grande trinco.
Na frente um grande avançado, Falcão, dos melhores da Europa. Não tenho pejo em o dizer!
Imaginem, por exemplo, o Real Madrid com este Falcão, servido por Ronaldo e Di Maria.
Falei em Di Maria??? Que saudades…e dizia eu que ele era um amarrado à bola!
...o Benfica, por sua vez, entrou em campo muito pressionado, devido à importância do jogo, com a sua ala esquerda de "folga" – porque David Luiz não queria jogar na lateral e porque, mais à frente, Coentrão estava indeciso entre ajudar David Luiz e desequilibrar na frente, não fazendo bem, nem uma coisa nem outra.
Este desequilíbrio na esquerda, como se manifestou tão precocemente no jogo, transmitiu duas coisas: por um lado, inquietação em todo a equipa benfiquista e, por outro, deixou a nu, e aos olhos de Hulk e companhia, onde estava a galinha dos ovos de ouro: na esquerda!.
Tudo o que se passou daqui em diante foram pouco mais que consequências da teimosia de JJ. E o pouco mais foi a diferença de qualidade entre alguns jogadores das duas equipas. Um Porto muito mais equipa.
Se continuar a jogar assim será um justo vencedor da nossa Liga
Queria deixar ainda algumas apontamentos:
Primeiro: não gosto de exageros e como tal continuo acreditar que JJ é um bom treinador mas não um fora-de-série, como alguns benfiquistas apregoam;
Segundo: a expulsão de Luisão é inadmissível. Um jogador com a sua experiência e que capitaneia a equipa não pode cair naquele engodo. É óbvio que a abordagem ao lance por parte de Guarin foi provocatória e agressiva, tendo o colombiano se queixado da cara quando o brasileiro “apenas” lhe roçou com o cotovelo no pescoço, mas Luisão não podia responder daquela maneira, sobretudo porque a equipa estava a tentar limpar a má imagem deixada na primeira parte. Porém, para que não restem dúvidas, a expulsão é justíssima, quanto mais não seja, pela atitude: agressão!;
Terceiro: valha-nos o Andebol. Dos três clássicos realizados durante o fim-de-semana (Futebol, Hóquei Patins e Andebol), restou-nos a vitória neste último;
Quarto: as bolas de golf lançadas para o relvado. Uma bola daquelas que acerte na cabeça de um jogador pode matar.
Até breve!
