Não é meu apanágio utilizar este espaço para falar de pessoas que não intervenientes directos no rectângulo de jogo. Contudo, desta vez não posso deixar de o fazer.
Semanalmente assisto ao programa “Trio d’Ataque”, transmitido pela RTPInformação. Trata-se de um programa televisivo com um painel de comentadores que visa analisar as incidências futebolísticas da semana.
Nele participam como comentadores, Rui Oliveira e Costa (Sporting), Júlio Machado Vaz (SLB) e Miguel Guedes (FCP).Rui Oliveira e Costa é um homem da política que há já vários anos participa nestas andanças. Embora apresente um discurso nem sempre assertivo, procurando quando em vez ser o homem dos grandes raciocínios e das soluções iluminadas, é flexível, o que permite uma discussão sã.
Júlio Machado Vaz, que veio substituir, e bem, António Pedro Vasconcelos, trouxe para o programa aquilo que gosto neste tipo de debates: serenidade, lucidez, clarividência mas também perspicácia, sagacidade e algum sarcasmo, típico de um homem inteligente.Por último, Miguel Guedes, o teenager do Trio, que veio substituir a vaga deixada em aberto por Rui Moreira – anterior representante do FCP.
Para os menos atentos lembro que, a quando da saída de Rui Moreira do programa, o FCPorto boicotou ou tentou boicotar a continuidade da representação portista no mesmo. Porém, Miguel Guedes aceitou o convite endereçado pela RTP, o que se revelou uma tremenda “desautorização” ao seu próprio clube. Como forma de compensar esta pequena facada, Miguel Guedes decidiu adoptar uma postura arrogante, com um discurso birrento, pouco cordial, permanentemente incendiário, com o objectivo claro de atacar e tentar menosprezar o SLB.
As suas intervenções visam apenas e tão só dois aspectos: o ataque permanente ao SLB, ressuscitando lances do passado, não assinalados ou mal assinalados, que hipoteticamente beneficiaram o Benfica; e a defesa sega e, por vezes, patética de todas as intervenções de Pinto de Costa e posições do FCP.
Esta pose vingativa e rancorosa deve-se, em muito, ao facto de Rui Moreira ter abandonado o programa em guerra aberta com António Pedro Vasconcelos. De facto, e tenho que o reconhecer, a postura do cineasta no programa era completamente contrário aquilo que penso dever ser a comportamento de um comentador desportivo.
Sempre que o Benfica perdia, “atirava-se” ao processo Apito Dourado e às suas incidências, não conseguindo desprender-se dos seus óculos vermelhos.É verdade que não me esqueço, nem me posso esquecer, do passado recente do nosso futebol, sobretudo dos nebulosos anos 90, com agências de viagem, árbitros, chocolates e fruta à mistura. Contudo, são “águas” que o mar já levou, que embora tenham deixado um sabor de injustiça, não devem ser evocadas permanentemente para justificar tudo.
Sr. Miguel Guedes, infelizmente, não conseguiu perceber o que um programa de elevado nível quanto este exigia e por isso tem-se prestado a um papel ridículo. Embora represente oficiosamente o seu clube, não deve ser o seu porta-voz.
Não tente ser o novo António Pedro Vasconcelos porque a imitação é ainda pior que a criação.
