segunda-feira, 30 de maio de 2011

O GRITO DA REVOLTA!


Ontem, no Estádio Municipal de Barcelos, fez-se finalmente justiça.

Depois de a 01 de Agosto de 2006 a Comissão Disciplinar (CD) da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) ter penalizado o Gil Vicente FC com a despromoção à Liga de Honra, de forma totalmente injusta, eis que o galo novamente se levanta.
Corria a época 2005-2006. Estávamos no dia 07 de Maio de 2006 e disputava-se, no Estádio Municipal de Barcelos, a última jornada da Liga Portuguesa de Futebol que permitiria a Gil Vicente FC ou C.F. Os Belenenses ocupar a última vaga de permanência na 1.ª divisão.
O conjunto de Barcelos haveria de sair vencedor desse encontro, derrotando dentro de campo a equipa do Belenenses, então orientada por José Couceiro, obtendo dessa forma a tão almejada permanência no principal escalão do futebol nacional.
Tudo parecia estar de acordo com os princípios mais elementares da justiça, contudo, eis que a 01 de Agosto do mesmo ano LPFP decide “decidir”, despromovendo o clube de Barcelos, alegando para tal que a inscrição do jogador Mateus teria sido feita de forma incorrecta.
A decisão caiu que nem uma bomba na cidade, sobretudo porque todos havíamos percebido que o Belenenses tinha sido derrotado justamente dentro de campo e só manobras de bastidores permitiram manchar tal feito.

Seguiram-se um sem número de processos judiciais, clamando-se justiça, porém, a verdade é que o clube estava, de facto, na 2.ª Liga.
O Presidente de então, e que ainda hoje se mantém, manifestou toda a sua revolta, afirmando que o clube estava a ser vítima do poder económico e político instalado a sul do país (…não foi bem por estas palavras mas queria dizer o mesmo).
Custou em demasia ao clube e às gentes de Barcelos esta decisão, sobretudo porque a equipa tinha sido competente dentro do campo, assegurando a manutenção.

Ora, anos passaram mas o sentimento de revolta continuou a pairar por Barcelos e isso, ontem, foi demasiado nítido. O povo percebeu-o e decidiu manifestá-lo, deslocando-se ao estádio para, perante todo o país, através das câmaras da Sportv, entoar bem alto o seu grito de revolta.  
Embora não seja um confesso seguidor do clube da minha terra, fiz questão de no dia de ontem dar o meu apoio à equipa [Nestas coisa há que não ser hipócrita. À anos que não ia ao estádio…Ora, não é por ter ido ontem que passei a ser um grande aficionado do clube. Continuo a ser benfiquista! Poderá parecer um discurso ignorante, afinal deveria guardar em lugar de destaque para o clube que mais precisa do meu apoio, contudo, não o consigo fazer de forma pura…Quando em pequeno, nunca me alimentaram a paixão pelo clube, logo, hoje não o sinto. Porém, não foi por isso que ontem não deixei de prestar o meu apoio, num momento tão importante para o clube e para a cidade. O que não faço é, agora, no momento de glória, vangloriar-me com o feito alcançado, se no momento da depressão me “escondi”].

O momento era importante e a direcção percebeu isso, colocando os bilhetes a preços bastante acessíveis, permitindo com isso que o estádio estivesse, como se diz na gíria do futebol, “a rebentar pelas costuras”.
Quem teve no estádio percebeu que uma parte significativa dos adeptos não estava lá pelo espectáculo de futebol em si, estava lá…pela importância do momento. Haviam pessoas de todos os quadrantes etários, sinal de que o que estava em causa era orgulho em ser barcelense, em repor a verdade dos factos.
Senti que as pessoas queriam mostrar ao país que a cidade, na imagem do seu clube, se havia erguido após o arrombo sofrido e que a mesma não havia esquecida a injustiça cometida cinco anos antes.

Uma última palavra de agradecimento para treinador e para o presidente: o primeiro, porque demonstrou, pelas duas vezes que passou por cá, ser um técnico competente, com ideias claras de jogo; o segundo, porque lutou contra tudo e contra todos. Lutou contra o poder instalado no futebol (não em Lisboa, porque o poder no futebol não está instalado numa região mas em pessoas) mas também lutou contra as pessoas de Barcelos. Quantos de nós não fizemos troça do discurso menos ortodoxo e assertivo do Sr. Fiúza. Foi alvo de chacota em tudo quanto era imprensa falada e escrita. A verdade é que soube esperar e dar o troco. Fez aquilo que provavelmente nenhum de nós acreditava e que tanto prometeu: devolver o Gil Vicente ao principal palco do futebol nacional.

Por tudo isso, Sr. Presidente, os nossos sentidos Parabéns!!!

quarta-feira, 18 de maio de 2011

O VOO PICADO DA ÁGUIA


Agora que a época do Benfica terminou, recaiu sobre mim um sentimento de responsabilidade perante aqueles que vão perdendo algum do seu tempo com aquilo que escrevo.
O título deste texto foi escolhido para personificar a época do Benfica: começou lá bem alto, com enormes expectativas e terminou cá em baixo, bem junto à relva.
           
Aqui fica a minha análise, o mais isenta possível, ao que foi o insucesso desportivo do Benfica durante a presente época:

ÉPOCA EM REVISTA

Como já havia escrito antes, a época não foi de facto bem preparada. Comprou-se sem critério e em função da oportunidade de negócio, apenas para satisfazer comissões chorudas de empresários e outros agentes do futebol…E mais não digo!

A vontade sagaz de festejar um título e com isso tentar diminuir os nossos adversários tolheu a capacidade estratégica dos dirigentes do clube, impedindo que se preparasse a época de forma comprometida e responsável.
A quantidade de jogos realizados durante a pré-época bem como a realização do último jogo três dias antes da final da Supertaça, demonstram a falta de estratégia e planeamento de JJ e seus pares.

Desta forma, a derrota na Supertaça acabaria por confirmar um início de época desastroso, com consequências determinantes: por um lado, desestabilizando uma equipa ganhadora e confiante e, por outro, tornando o principal adversário mais forte, dando-lhe razões para acreditar que o inexperiente AVB teria astúcia suficiente para comandar os seus “soldados”.

Após este início de época comprometedor, seguiram-se três derrotas consecutivas e uma diferença de 9 pontos, à 3.ª jornada. O elixir perfeito para uma equipa, como o FCP, que vinha de uma época desastrosa e que, com um mau arranque, poderia facilmente entrar em “depressão”.
É esta astúcia que, entendo, continua a faltar as “gentes” do Benfica. Aproveitar os passos em falso do adversário, em vez posturas arrogantes e presunçosas.

Depois surgiu a pesada derrota no Dragão que, embora castigadora e humilhante, serviu, ao menos, para aguçar o orgulho dos jogadores, o que permitiu encetar uma série de vitórias consecutivas e alimentar a esperança do título.

Contudo, com o desenrolar do campeonato foi-se percebendo que o FCP estava muito forte, tinha conquistado um balão pontual que transmitia serenidade e confiança à equipa e que não iria, por isso, permitir uma aproximação ao primeiro lugar.
A juntar a tudo isto, sentiu-se que o plantel do Benfica, com as lesões de Sálvio e Gaitan, era curto e, por isso, pouco competitivo.

Porém, o pior estava para acontecer: primeiro, a derrota em casa com o FCP, perdendo também o campeonato e permitindo que estes festejassem o título nacional em nossa casa. O mínimo que teríamos que ter feito era dar-lhes o mesmo tratamento que nos haviam dado na época passado quando tentamos festejar o título no Dragão; depois, a impensável e HUMILHANTE derrota para a Taça de Portugal (posso confidenciar-vos que foi a derrota mais difícil de engolir desde que me conheço…pior que os 7-0 em Vigo); e, por último, a eliminação da Liga Europa, em Braga, quando tínhamos tudo para voltar a um grande palco europeu, a uma grande montra. O Benfica precisava reconquistar o futebol europeu, depois de tantos anos afastado do mesmo. Com todo o respeito que me merece o SCB, esta era uma oportunidade que o Benfica não poderia desperdiçar…e mais uma vez não foi capaz
  
ONDA DE LESÕES

No início da época, talvez pelo excesso de entusiasmo, o plantel parecia razoavelmente equilibrado. A verdade é que com as lesões de Sálvio e Gaitán, rapidamente se perceberam as fragilidades de um plantel mal estruturado, sem segundas opções de qualidade semelhante às primeiras.
Depois, surgiram lesões musculares em catadupa. Não me lembro de num plantel do Benfica tantos jogadores estarem indisponíveis por padecerem de pubalgia.
Urge planear e delinear, atempadamente, a preparação física dos jogadores, trabalho que terá que ser feito por JJ em plena sintonia com o seu preparador físico. Não se podem descurar estes pormenores.

POLITICA DE COMUNICAÇÃO DA SAD

A direcção, na voz do seu director de comunicação, nunca actuou no momento exacto nem com o esclarecimento necessário. Aliás, este não é um problema de agora.
Tudo pareceu ser feito única e exclusivamente para atacar o FCP.
Exemplo disso são as medidas tomadas e comunicadas após o Guimarães – Benfica. É verdade que fomos muito prejudicados nesse jogo mas…depois do que Roberto havia feito nos jogos anteriores tudo o que pudesse ser dito seria visto como uma forma ardilosa de desviar atenções. E de facto pareceu.
Não se pode pedir aos adeptos que “abandonem” a equipa numa altura em que a equipa mais precisa deles, deixando de os apoiar nos jogos, fora de casa; não se pode colocar em causa a continuidade na Taça da Liga e depois agarrá-la como o único troféu conquistado durante a época; não se pode colocar em causa os direitos televisivos contratualizados com a Olivedesportos e depois nada ser feito.
Ainda agora, após o jogo de Braga, LFV demonstrou, mais uma vez, o que é uma politica errada de comunicação. Não tem que falar aos benfiquistas, tem que agir. Se alguma coisa correu mal, à que reunir as “tropas” e discutir internamente o que houver para discutir. Fazê-lo na praça pública…é mais do mesmo.
É importante apostar firmemente num competente director de comunicação. Procurem alguém com experiência na área da comunicação. Todos, menos…João Gabriel!
  
A COMPETÊNCIA DE JJ

Quanto a JJ, não acho que tenha passado de bestial a besta em apenas um ano.
Não o considero, como nunca considerei, um fora-de-série: modelo de jogo demasiado estático e pouco inteligente na forma como afronta os seus colegas de trabalho. Os mind games não são a sua praia…à que ser perspicaz e saber evitá-los. Mas também não será por certo um mau treinador: não nos podemos esquecer que foi ele quem colocou o Benfica jogar um futebol como já não víamos há muitos anos e foi do seu trabalho que surgiram os “milhões” de Ramires, Di Maria, David Luiz e, possivelmente, Fábio Coentrão.

SÁLVIO

Tem-se discutido muito a continuidade deste jogador. Sálvio mostrou ser bastante útil e importante para a equipa, sobretudo, no modelo táctico de JJ. Contudo, espero que os dirigentes não entrem em loucuras. 15M é muito dinheiro para um clube como o Benfica. Se o Atlético de Madrid não baixar o valor, melhor será procurar uma alternativa.

ROBERTO

Pelo que li, o Sr. 8.5 está de saída. Foi um guarda-redes bipolar: ora muito bem ora muito mal. Não sei quem o observou (se calhar, ninguém) mas era facilmente perceptível que lhe faltava, além de muitas outras coisas, o “jeito para a baliza”. Pareceu sempre algo desajeitado na forma como se fazia aos lances, a fazer lembrar os tempos de escola quando os mais aselhas iam para a baliza porque bola não era com eles.
Não só foi um péssimo investimento que jamais será recuperado como deixou aquele posto específico a “queimar”. A ver vamos como se sairá Artur Moraes.

BENFICATV

É impensável um clube da dimensão do Benfica ter um órgão de comunicação oficial tão amador.
O clube enquanto instituição não pode fazer chacota pública dos seus adversários.
Se um adepto pode desejar a morte de um dirigente de um clube rival, um órgão de comunicação oficial de um clube não o poderá fazer. Há que saber viver em democracia e de forma cívica.
Além disso, a forma como se propagandeou a final da Liga Europa não lembra ao diabo:”Marque o 2110 e habilite-se a ganhar bilhetes para ver o Benfica em Dublin”. Não se pode ter esta sobranceria.
Há que repensar toda a linha editorial deste canal, bem como as pessoas que lá trabalham. Há que fazer deste um espaço informativo de qualidade, destinado aos sócios e simpatizantes do Benfica e não um local onde se destilam ódios e rancores.

A PRÓXIMA ÉPOCA

É fundamental preparar a próxima época de forma atempada.
A pré-eliminatória da Liga dos Campeões não pode ser desperdiçada uma vez que os seus milhões fazem muita falta a um clube com um buraco financeiro tão grande.
Quanto à política de contratações, é essencial contratar um guarda-redes (ao que parece, Artur Moraes), um defesa-direito, um defesa-esquerdo, um médio-ala e um ponta-de-lança.
Porque não fazer regressar jogadores como Urreta, Rodrigo ou David Simão, e tentar o mercado nacional?!
Existem excelentes jogadores actuar em Portugal. Sugiro, para a lateral direita, Júnior Caiçára (Gil Vicente FC); para a lateral esquerda, Tiago Pinto (Rio Ave); para médio ala, Urreta (emprestado ao Peñarol); e para a linha avançada, Rodrigo (emprestado ao Bolton…afinal custou 6.5M)
Bem sei que esta não será a linha seguida por JJ porque, mais uma vez, chegará um carregamento de jogadores sul-americanos, contudo, fica a sugestão.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

OBRIGADO, CARLOS GALAMBAS!


Embora as motivações para movimentar este espaço sejam quase nulas, a verdade é que de quando em vez é necessário fazê-lo…e o motivo, esse, é mais do que plausível.

Foi com pena mas, simultaneamente, com grande satisfação que li a notícia da retirada de CARLOS GALAMBAS dos pavilhões nacionais.
Durante anos, sobretudo desde meados dos anos 90, assisti a grandíssimas exibições daquele que foi considerado, durante muito tempo, o melhor pivot do andebol nacional.
Uma carreira brilhante, com passagens por clubes históricos da modalidade como o são o Belenenses, o ABC, o Madeira SAD e o Sporting CP, sem esquecer o Académico de Mafra, onde iniciou a sua carreira.
Embora aparentasse um ar pesado, era aquilo que se chama no mundo do desporto, um falso lento, com rotações muito rápidas e uma noção de tempo e espaço fantásticas para quem jogou grande parte da sua vida de costas para a baliza. Encontrava sempre uma nesga de espaço para receber, rodar e atirar para o fundo das malhas. O seu habitat natural era entre as linhas dos 7 e dos 9 metros…era aí que fazia a diferença.
Foi ao serviço do ABC que alcançou, em 93-94, uma final da Taça dos Campeões Europeus, perdida, é bem verdade, para o Teka Santander.
Fez parte de uma geração inesquecível do andebol português, onde pontificavam, quer na selecção quer no ABC, atletas como Paulo Morgado, Carlos Resende, Álvaro Martins, Filipe Cruz, Viktor Tchikoulaev, entre muitos outros, que durante sobretudo os anos 90 levaram muitos e muitos aficionados ao pavilhão Flávio Sá Leite para gritar “É A..é B..é..ABC”.
Não podia deixar de assinalar o facto, sendo eu um espectador atento do andebol nacional.