Ontem, no Estádio Municipal de Barcelos, fez-se finalmente justiça.
Depois de a 01 de Agosto de 2006 a Comissão Disciplinar (CD) da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) ter penalizado o Gil Vicente FC com a despromoção à Liga de Honra, de forma totalmente injusta, eis que o galo novamente se levanta.
Corria a época 2005-2006. Estávamos no dia 07 de Maio de 2006 e disputava-se, no Estádio Municipal de Barcelos, a última jornada da Liga Portuguesa de Futebol que permitiria a Gil Vicente FC ou C.F. Os Belenenses ocupar a última vaga de permanência na 1.ª divisão.
O conjunto de Barcelos haveria de sair vencedor desse encontro, derrotando dentro de campo a equipa do Belenenses, então orientada por José Couceiro, obtendo dessa forma a tão almejada permanência no principal escalão do futebol nacional.
Tudo parecia estar de acordo com os princípios mais elementares da justiça, contudo, eis que a 01 de Agosto do mesmo ano LPFP decide “decidir”, despromovendo o clube de Barcelos, alegando para tal que a inscrição do jogador Mateus teria sido feita de forma incorrecta.
A decisão caiu que nem uma bomba na cidade, sobretudo porque todos havíamos percebido que o Belenenses tinha sido derrotado justamente dentro de campo e só manobras de bastidores permitiram manchar tal feito.
Seguiram-se um sem número de processos judiciais, clamando-se justiça, porém, a verdade é que o clube estava, de facto, na 2.ª Liga.
O Presidente de então, e que ainda hoje se mantém, manifestou toda a sua revolta, afirmando que o clube estava a ser vítima do poder económico e político instalado a sul do país (…não foi bem por estas palavras mas queria dizer o mesmo).
Custou em demasia ao clube e às gentes de Barcelos esta decisão, sobretudo porque a equipa tinha sido competente dentro do campo, assegurando a manutenção.
Ora, anos passaram mas o sentimento de revolta continuou a pairar por Barcelos e isso, ontem, foi demasiado nítido. O povo percebeu-o e decidiu manifestá-lo, deslocando-se ao estádio para, perante todo o país, através das câmaras da Sportv, entoar bem alto o seu grito de revolta.
Embora não seja um confesso seguidor do clube da minha terra, fiz questão de no dia de ontem dar o meu apoio à equipa [Nestas coisa há que não ser hipócrita. À anos que não ia ao estádio…Ora, não é por ter ido ontem que passei a ser um grande aficionado do clube. Continuo a ser benfiquista! Poderá parecer um discurso ignorante, afinal deveria guardar em lugar de destaque para o clube que mais precisa do meu apoio, contudo, não o consigo fazer de forma pura…Quando em pequeno, nunca me alimentaram a paixão pelo clube, logo, hoje não o sinto. Porém, não foi por isso que ontem não deixei de prestar o meu apoio, num momento tão importante para o clube e para a cidade. O que não faço é, agora, no momento de glória, vangloriar-me com o feito alcançado, se no momento da depressão me “escondi”].
O momento era importante e a direcção percebeu isso, colocando os bilhetes a preços bastante acessíveis, permitindo com isso que o estádio estivesse, como se diz na gíria do futebol, “a rebentar pelas costuras”.
Quem teve no estádio percebeu que uma parte significativa dos adeptos não estava lá pelo espectáculo de futebol em si, estava lá…pela importância do momento. Haviam pessoas de todos os quadrantes etários, sinal de que o que estava em causa era orgulho em ser barcelense, em repor a verdade dos factos.
Senti que as pessoas queriam mostrar ao país que a cidade, na imagem do seu clube, se havia erguido após o arrombo sofrido e que a mesma não havia esquecida a injustiça cometida cinco anos antes.
Uma última palavra de agradecimento para treinador e para o presidente: o primeiro, porque demonstrou, pelas duas vezes que passou por cá, ser um técnico competente, com ideias claras de jogo; o segundo, porque lutou contra tudo e contra todos. Lutou contra o poder instalado no futebol (não em Lisboa, porque o poder no futebol não está instalado numa região mas em pessoas) mas também lutou contra as pessoas de Barcelos. Quantos de nós não fizemos troça do discurso menos ortodoxo e assertivo do Sr. Fiúza. Foi alvo de chacota em tudo quanto era imprensa falada e escrita. A verdade é que soube esperar e dar o troco. Fez aquilo que provavelmente nenhum de nós acreditava e que tanto prometeu: devolver o Gil Vicente ao principal palco do futebol nacional.
Por tudo isso, Sr. Presidente, os nossos sentidos Parabéns!!!

