terça-feira, 27 de setembro de 2011

CLÁSSICO TERMINA EMPATADO!


Na passada 6.ª feira, disputou-se mais um clássico do futebol português.
À entrada para a 6.ª jornada da Liga Portuguesa, FCPorto e SLBenfica encontravam-se lado a lado, na frente da tabela classificativa.

O FCPorto entrou dominador, com muita posse de bola, assumindo as despesas do jogo; o SLBenfica, por sua vez, entrou, tal como tinha acontecido contra o MU, muito receoso do adversário, com uma postura demasiado expectante – parece-me que o excessivo receio demonstrado se deva ao facto de ano transacto a equipa ter revelado uma enorme permeabilidade no processo defensivo.
Resultado: no final do primeiro tempo, o FCPorto jogava um bom futebol, vencia por uma bola a zero e o SLBenfica…aplaudia.

Ao intervalo, JJ “sacudiu” os jogadores da inércia a que se tinham acomodado durante a 1.ª parte e corrigiu o posicionamento táctico de alguns de alguns dos seus pupilos, dando ordens para que a equipa pressionasse mais alto, impedindo dessa forma saída de bola do FCPorto.
Porém, o factor determinante para que a equipa tenha alcançado o empate residiu nas substituições operadas por JJ à passagem do quarto de hora. O treinador decide tirar Nolito e Aimar e lançar B. César e Saviola…e é aqui que JJ “ganha” a Vítor Pereira.

El Conejo, qual coelho tirado da cartola, acaba por mexer de forma decisiva no desenrolar da partida. E porquê? Porque cria dinâmica na equipa. Passa a vir buscar bola ao meio campo, fazendo a ligação com o ataque e apoiando mais Cardozo. Além disso, cria espaços no corredor central o que proporciona o aparecimento das tabelinhas.
O golo de Gaitán acaba por ser uma consequência natural de todas estas alterações. Até poderia ter surgido minutos antes, quando Cardozo falhou na cara de Helton o segundo da sua contenda pessoal.

Não acho nada que o FCPorto tenha feito um partidasso e dado um “sabonete” no Benfica. Aliás, em termos de oportunidades flagrantes de golo, para além dos golos marcados, o Porto teve duas grandes oportunidades e o Benfica uma.
Se analisarmos a primeira parte com algum discernimento, verificamos que o grande ascendente patenteado pelo FCPorto é, em parte, fruto da estratégia montada por JJ, é consentido pelo Benfica. O que não significa que eu concorde em absoluto com ela. Um bloco defensivo demasiado baixo permitiu ao FCPorto um grande domínio territorial, e quando assim é, as probabilidades que o adversário tem de alvejar a baliza contrária são maiores porque o bola circula predominantemente no meio campo do adversário.

Apesar do empate, este futebol encarnado não me entusiasma. Aliás, sou bastante cáustico em relação às últimas exibições do Benfica: acho que a equipa foi muito feliz na forma como empatou o jogo no Dragão, tendo apresentado uma qualidade de jogo muito sofrível. As críticas a essa mesma qualidade, ou falta dela, só não surgiram porque o Benfica conseguiu empatar na casa do seu maior rival. Caso contrário, todos teriam dito cobras e lagartos, quer da equipa quer de JJ.
Este não é o futebol da época 2009/2010. E não é porque, quanto a mim, o meio campo não funciona.
Já tive oportunidade de dizer que ao meio campo do Benfica falta um médio que faça circular a bola e imprima ritmo e velocidade ao jogo. Esse homem seria Aimar, o problema é que não é suficiente, sobretudo em jogos de montra, jogar apenas com ele e com Javi no meio. Daí a necessidade de JJ colocar Witsel.
É verdade que o belga dá ao futebol encarnado maior pressão, maior segurança e maior cobertura na circulação de bola; porém, também é verdade que o ex-Standard de Liège não consegue imprimir um ritmo de jogo alto.
E, paradoxalmente, é aqui que emperra o futebol espectáculo que o Benfica não consegue apresentar. Se por um lado, a equipa apresenta maior segurança e maior consistência defensiva; por outro lado, perde em velocidade e em espectáculo, que aparece a espaços nas transições ofensivas.

INCIDÊNCIAS…

No final do jogo, jogadores e técnico do FCPorto “atiraram-se” ao árbitro, afirmando ter sido o obreiro de tamanha “desgraça” – empatar em casa com o Benfica.
Porém, a postura é desnecessária. Tanto é que no único lance em que admito um erro grosseiro do árbitro, a maior parte dos especialistas entende não ser motivo para vermelho directo a Cardozo – argumentam que o gesto do paraguaio não foi uma agressão (punida com cartão vermelho), mas jogo perigoso, que a leia manda punir com cartão amarelo.
Tenho para mim que a escolha do árbitro como grande responsável pelo empate caseiro se deve ao facto de o FCPorto ter dominado o jogo de forma concludente e não ter conseguido vencer. Como o domínio portista foi tão claro durante a primeira parte, todos se convenceram que o jogo seriam favas contadas e que a vitória não escaparia. Assim não aconteceu e a frustração resultou em revolta…contra o árbitro!

A este respeito, lembro as declarações de alguns jogadores do FCPorto, no final do jogo. Otamendi e VP afirmaram que o árbitro condicionou desde muito cedo o jogo e os jogadores do Porto, ao amarelar os seus jogadores nos primeiros minutos do encontro. Eu recordo: amarelo a Otamendi aos 9 minutos; amarelo a Fucile aos 43 minutos; amarelo a Álvaro Pereira, aos 57 minutos; amarelo a Klébere Fernando, aos 78; e amarelo a J. Moutinho, aos 90 minutos.
Fucile, afirmou ter sido vítima de agressão, por suposto pontapé de Cardozo no…“culo”. Mas ele não se queixou da cara?! Pelo menos foi o que a TV mostrou.
Hulk, também estava muito indignado com o trabalho do árbitro. É curioso que nesse instante se esqueceu do gesto agressivo que teve para com Maxi, tentando dar uma cabeçada ao uruguaio. Segundo as regras, tentativa de agressão é punida com cartão vermelho directo.

Resumindo e concluindo: o FCPorto deixou-se empatar porque, no segundo tempo, Hulk e Álvaro Pereira não estiveram em campo, Moutinho não teve tanto espaço para fazer circular a bola e VP não soube mexer na equipa, enfraquecendo-a decisivamente na zona de pressão ao retirar Guarin e ao colocar Belluschi.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

DRAGÃO SEM CHAMA!



[Depois de uma humilde análise ao Reino do Leão, é chegado o momento de analisar a Chama do Dragão]

Após um início de época semelhante ao anterior, eis que o super favorito FCPorto tropeça à 5.ª jornada, cedendo um empate em Aveiro, diante do Feirense.
A vantagem pontual conquistada logo à 1.ª jornada, por força do empate cedido pelos encarnados, em Barcelos, fazia querer que o FCPorto embalaria para o clássico de amanhã com uma importante vantagem psicológica na bagagem.
Logo aí, os mais incautos, saíram a terreiro afirmando que teríamos mais do mesmo: um Porto arrebatador, a liderar a tabela classificativa desde bem cedo.

Ora, a verdade é que, volvidas quatro jornadas, o cenário alterou-se: o FCPorto escorregou em Aveiro, permitindo ao SLBenfica encostar na frente do campeonato. Motivos para a precoce perda de pontos do emblema azul-e-branco? Simples! Menos Roberto, mais Artur; menos Falcão…mais presunção
Se no final da época passada não hesitei em afirmar que o FCPorto foi a equipa mais competente da nossa Liga; este ano menos pejo tenho em dizer o contrário.
De facto, houve falta de humildade por parte de Pinto da Costa e seus pares na preparação da presente época: primeiro, com a escolha do treinador; depois, com o reforço do plantel; e, por último, na análise aos seus adversários.

ESCOLHA DO TREINADOR

Na época transacta, a escolha de AVB para o comando técnico do clube nortenho revelou-se determinante nas conquistas portistas. Numa primeira leitura, todos nós questionamos a competência e capacidade de liderança de AVB para comandar “tropas de elite”. A verdade é que, finda a época, no museu do Dragão passaram a constar três novos troféus. Pinto da Costa, ao contrário de todas as previsões, tinha apostado num técnico de grande competência.
Porém, o mundo do futebol, como dizem os entendidos, não é uma ciência exacta e como tal nem sempre as escolhas se revelam…as melhores escolhas.

Será que PC se convenceu que seria algum feiticeiro de Oz?! Que qualquer aposta seria de mão cheia?! Como pode um dirigente tão experimentado e conhecedor do fenómeno futebolístico quanto PC acreditar que possuiu o dão da infalibilidade, achando que tudo o que pesca é peixe graúdo?!
Só isso explica que a escolha para substituir AVB tenha recaído em Vítor Pereira. Quando o clube o anunciou, tive a oportunidade de escrever que se tratava da aposta mais arriscada de PC desde que assumiu a presidência do clube, sobretudo em ano de Liga dos Campeões.
O facto de VP ter acompanhado de perto o bom trabalho desenvolvido por AVB na época transacta, não significa necessariamente estar ali um novo fenómeno do futebol mundial, como aconteceu com Mourinho ou, a uma escala menor, com o próprio AVB
O que conquistou VP antes de chegar ao FCPorto?? Nada! Um medíocre técnico de futebol que orientou clubes de pequena dimensão como o Santa Clara ou o Sp. Espinho.

Tenho para mim que VP não tem competência, pelo menos para já, para orientar um clube com a dimensão do FCPorto. Ainda agora, no jogo com o Feirense, não foi apenas o nulo que saltou à vista. O FCPorto até poderia ter ganho, mas isso nunca iria apagar a falta de soluções que a equipa foi demonstrando dentro de campo e que o treinador não foi capaz de contrariar desde o banco. Foi nítida a inépcia de VP face às contrariedades, a incapacidade de mexer na equipa, a inexistência de variações de jogo, a falta de um plano B.

O modelo táctico, imagem e semelhança de AVB, continua a ser utilizado exactamente da mesma forma. O que significa que VP se acomodou ao que foi feito na época anterior…e descuidou a necessidade, premente no futebol, de inovar, por forma a surpreender a estratégia das equipas adversárias.
Não quero com isto dizer que o FCPorto não continuará a vencer e a conquistar títulos, o que se torna é bastante previsível para os adversários!

REFORÇO DO PLANTEL

A composição do plantel foi preenchida com jogadores de qualidade inegável mas…de forma pouco coerente. Não existe soluções do meio campo para a frente. E não existem porque se pensou que Kléber, Hulk e James eram o remédio para todos os males.

Onde está o substituto de Falcão?! Kléber?? Não é Falcão e não o será num futuro próximo! Não seria sensato terem comprado um avançado de área, um finalizador? Ou o dinheiro de Falcão só serviu para encher os bolsos dos administradores? Walter?! Custou 6ME, ainda não jogou no campeonato e não foi inscrito na Liga dos Campeões.

Onde está o substituto de Hulk?! Varela?? Só se for o do ano passado!

Onde estão os substitutos de Rolando ou Otamendi?! Mangala? Tem apenas 20 anos! Maicon? Como adepto benfiquista, agradeço!

Onde está o substituto de Álvaro Pereira?! Alex Sandro?? Eu bem avisei que se tratava de um negócio bastante arriscado. Já está no Olival desde meados de Agosto e a única coisa que deu ao FCPorto foi…despesa com tratamentos médicos. Não digo que não seja um valor de inquestionável qualidade, porém não será nunca um reforço para o presente. Neste momento estão 6,5ME a render tostões!

São incógnitas a mais para quem ambiciona revalidar o título e chegar longe na Liga dos Campeões.
A grande diferença entre este início de época e a anterior é que, no ano transacto, havia um super Varela, um Falcão matador, um Moutinho de grande pulmão, um Hulk supersónico, um Guarin a fazer o que não sabe...Este ano, não existem! Mas também não existem substitutos.
E para mim, é aqui que reside o principal problema!

ANÁLISE AOS SEUS ADVERSÀRIOS

A meu ver, Pinto da Costa, cometeu dois erros neste início de época: permitiu que LFVieira vendesse Roberto(!) J e convenceu-se que os seus rivais, mais uma vez, iriam claudicar.
A verdade é que, no que toca ao Benfica, comprou muito, e porque comprou muito a percentagem de contratar bons jogadores aumentou. Quero com isto dizer que, no meio de tantas contratações, LFV acabou por encontrara as soluções que JJ pretendia.
Além disso, nas primeiras quatro jornadas da época passada, em 12 pontos possíveis, Roberto havia oferecido 6 e Olegário Benquerença 3 (no jogo, em Guimarães).
Parece-me que o Benfica tem o plantel mais equilibrado da Liga, e isso será fundamental ao longo do campeonato, aliás, como se viu na jornada passada: o FCPorto, mexeu e empatou; o Benfica, mexeu e ganhou!

O Sporting, também comprou muito mas em menor qualidade. Daí os maus resultados neste início de época. Contudo, se Domingos se mantiver no clube, a equipa poderá crescer e ainda entrar a na corrida pelo título…embora não acredite muito nessa possibilidade.

Apesar de tudo, o FCPorto continua a ter uma forte equipa, bem capaz de revalidar o título nacional e chegar longe na LC. Muitas vezes, todas estas nuances retóricas se desfazem de sentido após três ou quatro jogos a vencer e a convencer, provocando um embalo psicológico capaz de empurrar uma equipa para uma onda de vitórias impossível de travar. Todos sabemos que a confiança, ou a falta dela, é determinante numa equipa de futebol.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

INTELECTUALISTAS DA TRETA!

Luís Filipe Soares Franco anunciou, na passada 4.ª feira, a intenção de candidatar-se à presidência da Federação Portuguesa de Futebol. De resto, não foi o primeiro a fazê-lo, já que em Agosto último, António Sequeira, antigo secretário-geral da Federação Portuguesa de Futebol e assessor pessoal de Gilberto Madaíl, tinha anunciado a sua candidatura.

Não estou, confesso, em condições de pormenorizar a capacidade (ou a falta dela) de liderança de Soares Franco para ocupar a cadeira de presidente da FPF. Nem é, de resto, o motivo deste apontamento. O pouco que conheço deste candidato, resulta do que oiço e leio, quer enquanto dirigente desportivo (dirigiu, entre outros, o Estoril Praia e o SCP) quer enquanto “empresário de capa de revista”.

O que me motiva neste comentário outros “quinhentos”: a falta de humildade e gentileza que enferma algumas figuras ilustres do nosso país.

Quando todos esperavam que o candidato, Soares Franco, aproveitasse a conferência de imprensa de apresentação da sua candidatura para, de forma muito objectiva e clara, revelar as linhas orientadoras do seu programa eleitoral, eis que este decide, de forma gratuita e ao desbarato, “atacar” um…candidato a candidato, afirmando o seguinte: “Eu não conheço o percurso desportivo do Fernando Seara, para além de ter estado ligado à Associação de Futebol de Lisboa e de ser comentador desportivo, não lhe reconheço outro currículo no futebol português. É de facto uma pessoa indecisa, e uma pessoa indecisa não tem grandes qualificações para decidir ser presidente de uma organização”.

E agora pergunto: para quê isto! Para quê toda esta deselegância! Fernando Seara nem sequer é candidato…Não compreendo!
Esta postura do ex-dirigente leonino só revela duas coisas: falta de confiança e medo. Não acredita nas suas potencialidades, na sua capacidade de liderança e, por isso, sente necessidade de tentar denegrir a imagem de quem não é candidato nem tão pouco está presente para se defender.

Ainda por cima o alvo escolhido foi, no mínimo, infeliz. Se há pessoa que merece todo o respeito e consideração, quer pelo cargo que ocupa quer por se tratar de um homem íntegro e de uma lisura e rectidão inexcedíveis, essa pessoa é Fernando Seara.

Já o Sr. Soares Franco, tem um passado algo titubeante, com o desempenho de importantes cargos de administração em grandes grupos económicos a deixarem-lhe, de presente, alguns processos-crime: foi constituído arguido no processo “Operação Furacão”, enquanto presidente da Opway; foi constituído arguido, por abuso de confiança e burla, no processo de venda de terrenos da família Borges Coutinho; etc. Significa isto que, Soares Franco, não é um homem acima de qualquer suspeita.

Digo isto, sem a intenção de denegrir a imagem pessoal do próprio, até porque não conheço em pormenor os processos e um arguido é suspeito e não criminoso. De qualquer forma, só o faço para demonstrar que não vale a pena atirar pedras quando o nosso telhado é, ou poderá ser, de vidro.

Melhor seria se Soares Franco, de uma forma calma e serena, apresentasse o seu projecto, definindo as linhas mestras do seu projecto: como vai combater o excesso de estrangeiros no nosso campeonato, que impede o recrutamento de jogadores nas selecções jovens; como vai funcionar o “seu” Conselho de Justiça, que tão pálida imagem tem dado nos últimos anos (recorde-se o que aconteceu no caso no túnel da Luz); quando será, finalmente, construída a casa das transferências, para que se acabe de uma vez por todas com a pouca vergonha que acontece em Portugal durante os defesos; se pretende retomar a selecção de Sub-23 ou mantê-la extinta; qual o seu projecto para o desqualificado Estádio Nacional. Tudo e isso e muito mais é o que pretendemos ouvir, quer do candidato Soares Franco quer de todos os outros que eventualmente venham assumir a sua candidatura…porque de malabarismos estamos nós abundantemente fartos!
Mas não! Soares Franco optou por adoptar uma postura de sobranceria e arrogância, impregnada de tiques patrícios e aristocratas.

Faz-me alguma espécie ver estes mensageiros do intelectualismo bacoco tentarem impor as suas ideias, não à custa das suas faculdades e competências mas à custa de eventuais fraquejos de supostos opositores. Mostram-se não pelo que conseguem mas pelo que os outros podem não conseguir.

Aliás, este intelectualismo de Soares Franco deverá decorrer dos tempos em que foi membro do Conselho de Administração da empresa…”Vista Alegre”.

Mais inacreditável ainda é o facto de horas após esta conferência de imprensa, Godinho Lopes, actual presidente do SPC, ter vindo a terreiro descredibilizar por completo a competência e capacidade de liderança de Soares Franco, afirmando que o candidato do SCP à liderança da FPF é…Hermínio Loureiro (ora, pelo que se sabe, Hermínio Loureiro não é, pelo menos por agora, candidato à Federação) e não um ex-presidente do clube.
Mas há mais!
O presidente do Benfica, LFV, deverá apoiar outro candidato que não Soares Franco. Muito provavelmente, Fernando Seara, caso este se candidate.
PC, por seu turno, já afirmou que não apoiará candidatos políticos, numa clara alusão a Fernando Seara, e mais não disse! Porém, é presumível que também não apoie Soares Franco. Ainda estão bem frescos os arrufos entre os dois: “o Papa está a morrer” ou “nunca vi uma girafa dizer coisas acertadas”.
Tenho para mim que PC estará aguardar que surja uma candidatura ao seu jeito, o mesmo é dizer, está à espera que surja na lista de candidatos alguém que possa eventualmente servir os seus interesses. Nos bastidores já se vai falando de Fernando Gomes, o actual presidente da Liga Portuguesa de Clubes…A ser verdade, é uma jogada de mão-cheia: “orientou” na Liga e agora “orienta” na FPF. Está bem visto. 

Significa isto que Soares Franco está sozinho nesta luta, ou pelo menos não terá o apoio de quem verdadeiramente manda no futebol português, nem sequer do seu anterior clube. Assim, é muito difícil ganhar eleições, caro Soares Franco. E já que estamos no arranque do período escolar, olhe, estudasse melhor a lição!

Minudências à parte, a Federação Portuguesa de Futebol, tal como os importantes organismos desportivos portugueses necessitam de um homem digno, sério, capaz de interagir com todos os agentes do futebol…sem que para isso tenha que baixar as calças a alguns.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

ALGO VAI MAL NO REINO DO LEÃO!


Fechou ontem mesmo o mercado de transferências em Portugal e as principais novidades registaram-se para os lados de Alvalade.

Na pré-temporada, tudo levava a querer que a época que se aproximava seria em tudo diferente da anterior: mudanças significativas na estrutura da SAD, no departamento médico, no comando técnico e no plantel. Abria-se, por isso, um novo horizonte...
Porém, três jornadas volvidas, a depressão regressou Alvalade: Domingos passo os jogos, sentado no banco, afagar o cabelo; a direcção parece não estar com o treinador e os jogadores, por sua vez, deambulam pelo campo sem saber ao que vão.

A época começou com um belo presente: a contratação de Domingos Paciência. Parecia ser a chave para o sucesso de um clube que durante anos falhou a contratação de um timoneiro que trouxesse serenidade e competência ao comando técnico da equipa.
Pelo trabalho desenvolvido na Académica e, sobretudo, em Braga, havia razões para acreditar que Domingos Paciência era o homem certo: capacidade de liderança, competência e sistema táctico bem pensado e maturado.

Passo seguinte: reforçar o investimento na equipa por forma a dotar o plantel de maior qualidade.
Compraram muito, de forma discreta e, a principio, com algum critério. Porém, a desconfiança em caras pouco conhecidas como Rinaudo, Schaars, Van Wolfswinkel ou Bojinov pôs alerta os sócios e simpatizantes do clube. Era, por isso, premente envolver os adeptos neste projecto de mudança. De que forma? Contratando dois ou três jogadores de craveira internacional, que trouxessem brilho a equipa. Compraram, então, Capel, Jeffrén e, mais recentemente, Elias. A verdade é que com tudo este turbilhão de contratações, o Sporting adquiriu 16! jogadores…2/3 de um plantel!

Contratados os jogadores, havia agora a necessidade de formar uma equipa que fosse, simultaneamente, competitiva e equilibrada. Ora, nada melhor do que a pré-época para o fazer, e de uma forma calma e pensada.

A verdade é que o campeonato começou, realizaram-se três jogos e o clube registou dois empates e uma derrota. Mas há mais! Para além dos péssimos resultados, a equipa não revelou fui de jogo, entrosamento, nem tão pouco, automatismos…e Domingos, nos seus onzes iniciais, apenas utilizou dois ou três reforços.
A defesa é um crivo, o meio campo não faz circular a bola em velocidade (Schaars tem um motorzinho a gasóleo) e a linha avançada revela um desacerto monstruoso.

Resultado: os adeptos começam a questionar as motivações do treinador para ter ordenado a contratação de um chorrilho de jogadores. Afinal, o técnico não os utiliza. Diferente seria se, durante a pré-época, o onze base do ano transacto tivesse dado garantias de sucesso. Aí, a integração poderia ser efectuada de forma ponderada e progressiva. Ora, não foi o caso.

O que mais salta à vista neste renovado Sporting é a fragilidade de uma defesa muito permeável, cujo reforço parece ter sido descuidado. Leva a querer que a equipa não foi pensada e construída de trás para a frente. Já a pré-época, ao que parece, serviu para coisa nenhuma!
O balão de oxigénio de Domingos começa a esvaziar-se e a margem de erro está atingir a linha vermelha.

O campeonato ainda agora começou e Domingos revela já alguns fraquejos:

por um lado, a pré-época serviu apenas e tão só para viajar pelos EUA e participar em torneios com algum prestigio, olvidando o essencial: integrar convenientemente os reforços;

por outro, não se compreende que, depois de ter apostado insistentemente em Postiga e Djaló os deixe sair para o estrangeiro a preços de saldo. Não foi certamente pelo encaixe financeiro. Aliás, o valor de venda de H. Postiga é…ridículo! E isto levanta muitas dúvidas: afinal, Domingos, contava ou não com os jogadores? Se contava, porque os deixou sair a preço de “rebajas”, ao desbarato? Se não contava, porque foram eles titulares nos primeiros jogos do campeonato? Ou será que cedeu aos assobios dos sócios?! (lembro que Postiga e Djaló eram, por estes dias, os mal amados da afficion leonina). Qualquer uma delas é demasiado má.

Além de tudo isto, o discurso do clube que, no seu todo, não é coerente: o presidente, atira-se sistematicamente aos árbitros, culpando-os pelos maus resultados do clube; o treinador, prefere, e bem, penalizar e criticar o desempenho dos seus jogadores.

Ajudar à festa, há que reconhecê-lo, estão arbitragens bastante infelizes e penalizadoras para o clube verde-branco.
Contudo, os dirigentes leoninos não se podem refugiar sistematicamente neste “bode expiatória”, pois, a ser assim, tal desresponsabilizará psicologicamente os jogadores, não se sentindo a raiz do problema mas antes as suas vítimas.
Lembro que esta estratégia foi utilizada pelo clube vizinho, com muito maus resultados: passou um terço do campeonato a desculpar os erros do Roberto com erros de arbitragem e quando acordou já era tarde.


A verdade é que algo vai mal reino do Leão!