quarta-feira, 12 de outubro de 2011

AS QUINAS GELARAM NO FRIO DE COPENHAGA!

Portugal defrontou, ao final da tarde de ontem, a selecção dinamarquesa e acabou por perder o jogo e a qualificação directa para o Europeu de 2012, a realizar na Polónia e na Ucrânia.

Após a chegada de P. Bento ao comando técnico da selecção portuguesa, cinco vitórias em outros tantos jogos colocaram a nossa selecção a um passo do Euro 2012. Esse passo seria dado ontem.

Num jogo semelhante ao de Oslo, no arranque da qualificação, Portugal entrou desconcentrado e amorfo, a deixar jogar, sem pressing sobre o portador da bola. As oportunidades foram surgindo e os dinamarqueses acabaram por marcar.
Daí em diante, a Dinamarca abrandou (sem nunca se desconcentrar) e Portugal cresceu em termos territoriais, terminando a primeira parte junto da baliza de Sorensen. Quando todos pensávamos que Portugal entraria para a 2.ª parte com uma dinâmica forte, a pressionar e empurrar o adversário para o seu reduto, eis que, inexplicavelmente, baixamos os braços e deixamos de lutar. O jogo, terminou com os nórdicos a dispor de três flagrantes oportunidades de golo.
O que mais me incomodou, para além de uma frágil defesa, foi a apatia e resignação demonstrada pelos nossos jogadores. A falta de raça dos três homens da frente, Ronaldo, Nani e H. Postiga, foi confrangedora.
A aliar a isto, uma defesa passe-vite reveladora de uma enorme falta de qualidade: Rolando, o cabo-verdiano, e Eliseu, não são jogadores de selecção. A defesa não transmite serenidade e isso reflecte-se no meio-campo.

Numa equipa como a nossa, estruturada num rompidinho 4-3-3, é obrigatório que os alas apoiem os laterais. O problema é que, tanto Nani como Ronaldo, não gostam de correr sem bola.
Portugal foi uma equipa triste, sem ambição, entregue à teia táctica montada por Morten Olsen. Nunca conseguimos ser um colectivo organizado, rápido nas transições e esclarecido no ataque. O melhor de Portugal resultou de rasgos individuais de alguns dos seus jogadores. Como equipa, fomos zero!!! Levamos um banho táctico.

A dada altura do jogo dei por mim a pensar que o futebol é um reflexo da sociedade em que vivemos: tal como na vida social e política, os nórdicos foram arrumadinhos, disciplinados, bem posicionados no campo, cada um a fazer o que lhe competia e tinha sido ordenado pelo seu treinador, com muita garra e ambição; os latinos, foram burgueses, sobranceiros, convencidos que o favoritismo e o vedetismo ganham jogos.

Claro está que, enquanto os nórdicos fizeram o seu trabalho e estão directamente apurados para o Euro 2012, os portugueses, mais uma vez e também aqui, vão ter uma troika à perna
A verdade é que Portugal não garantiu os serviços mínimos e está em apuros.
Agora, resta-nos esperar pelo play-of e…rezar para que não nos calhe em sorte a fervorosa Turquia. Embora as selecções que estão na calha sejam da segunda linha europeia (Montenegro, Turquia, Bósnia e Estónia), não nos esqueçamos que, ontem, também nós fomos uma equipa de segunda linha.

Fatalmente voltamos a ser o país dos três F’s: Faltou carácter, Faltou responsabilidade e Faltou, sobretudo, qualidade!

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

"TRAVÃO" HELVÉTICO NOS PATINS LUSITANOS!

Terminou, na madrugado de sábado, mais uma edição do Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins, disputado na cidade de San Juan, Argentina, para muitos a capital mundial do hóquei patinado.
Portugal, mais uma vez, quedou-se por um modesto 3.º lugar, tal como havia acontecido há dois anos em Vigo…mas desta vez houve dedo da arbitragem.

Durante fase de grupos Portugal foi deixando aqui e ali mostras de que não teria equipa suficientemente competitiva para ombrear com os colossos mundiais. Porém, a verdade é que foi fazendo a sua obrigação: ganhou todos os jogos da fase de grupos. Aliás, os campeonatos do mundo de hóquei em patins começam a jogar-se, verdadeiramente, a partir das meias-finais.

Chegadas as meias-finais, tocou-nos em sorte a poderosa Argentina. A jogar em casa, num pavilhão que mais parece um estádio de futebol, com capacidade para 6 mil pessoas mas que, nos grandes jogos, alberga cerca de 9 mil pessoas, perspectivava-se um jogo muito difícil, com o público argentino a coagir e intimidar o adversário.

Portugal entrou muito bem, a pressionar o adversário, com rápida circulação de bola, tentando encontrar espaços na área argentina de forma a abrir o marcador, o que viria acontecer na conversão de um livre directo, executado por Caio, e que permitiria a Portugal sair para o intervalo na frente do marcador.
No segundo tempo, entraram para o ringue Portugal, a Argentina e um senhor suíço determinado em colocar a equipa da casa na final!
E foi o que de facto aconteceu! Esse senhor conseguiu: inventar um penalty na área portuguesa; não marcar um penalty na área argentina; mandar repetir um livre directo a favor da selecção argentina que resultou em golo (na primeira marcação, o jogador argentino falhou) e que deu a reviravolta no marcador; e anular um golo claro e limpinho a Portugal. Tudo isto apenas na 2.ª parte! Ufa!!! Foi mau de mais para não parecer propositado.
É curioso que, na 1.ª parte, esse senhor suíço praticamente não soprou no apito, deixando esse trabalho para o árbitro espanhol; na 2.ª parte, vestiu a capa de protagonista e fez o que lhe encomendaram. Vergonhoso!
Porquê convocar um árbitro suíço para uma meia-final tão empolgante e renhida quanto um Portugal – Argentina? Todos sabemos que os melhores árbitros de hóquei patins são portugueses, argentinos, espanhóis e italianos. Para quê um suíço? Não percebo. Ou melhor, percebo mas não aceito!
Este campeonato de mundo não teve verdade desportiva e como tal ficou ferido de justiça

A hegemonia que conquistamos no hóquei patins mundial, numa primeira era, com Jesus Correia, Cristiano Pereira, António Ramalhete ou António Livramento (para os grandes analistas internacionais o melhor jogador de hóquei de todos os tempos) e, numa segunda era, com Realista, Vítor Hugo, Luís Ferreira, Tó Neves, Pedro Alves, Paulo Alves, Rui Lopes, Vitor Fortunato, Guilherme Silva ou Paulo Almeida, que nos permitiu conquistar 15 Campeonatos Mundiais, tem-se esfumado.
Isto acontece porque nos últimos anos a Federação de Patinagem de Portugal, simplesmente, tem perdido influência junto da CIRH, federação internacional que tutela o hóquei em patins.
Só isto explica que, por exemplo, a federação argentina tenha alterado o horário dos jogos de 6.ª feira, nomeadamente o das meias-finais, sem que tenham consultado a federação internacional de hóquei e as várias delegações presentes no certame; ou que se tenha nomeado um árbitro suíço para uma meia-final.

O Hóquei Patins tem perdido visibilidade e protagonismo no panorama internacional e tal deve-se a quem o dirige. Como é possível a CIRH, principal órgão do hóquei mundial, não actualizar diariamente ou semanalmente o seu site?! Este é apenas um exemplo do desprezo com que se tem tratado esta modalidade.

Significa isto que quem dirige os destinos deste organismo só lá está pelo retorno económico e pelo tráfico de influências! Amor ao hóquei?! Não têm certamente!
Portugal, pelo seu percurso histórico, tem, estou certo, responsabilidades acrescidas na curva descendente em que entrou a modalidade e, como tal, está na hora de arrepiar caminho. Caso contrário, o hóquei acabará por “morrer” enquanto desporto de massas!