Portugal defrontou, ao final da tarde de ontem, a selecção dinamarquesa e acabou por perder o jogo e a qualificação directa para o Europeu de 2012, a realizar na Polónia e na Ucrânia.
Após a chegada de P. Bento ao comando técnico da selecção portuguesa, cinco vitórias em outros tantos jogos colocaram a nossa selecção a um passo do Euro 2012. Esse passo seria dado ontem.
Num jogo semelhante ao de Oslo, no arranque da qualificação, Portugal entrou desconcentrado e amorfo, a deixar jogar, sem pressing sobre o portador da bola. As oportunidades foram surgindo e os dinamarqueses acabaram por marcar.
Daí em diante, a Dinamarca abrandou (sem nunca se desconcentrar) e Portugal cresceu em termos territoriais, terminando a primeira parte junto da baliza de Sorensen. Quando todos pensávamos que Portugal entraria para a 2.ª parte com uma dinâmica forte, a pressionar e empurrar o adversário para o seu reduto, eis que, inexplicavelmente, baixamos os braços e deixamos de lutar. O jogo, terminou com os nórdicos a dispor de três flagrantes oportunidades de golo.
O que mais me incomodou, para além de uma frágil defesa, foi a apatia e resignação demonstrada pelos nossos jogadores. A falta de raça dos três homens da frente, Ronaldo, Nani e H. Postiga, foi confrangedora.
A aliar a isto, uma defesa passe-vite reveladora de uma enorme falta de qualidade: Rolando, o cabo-verdiano, e Eliseu, não são jogadores de selecção. A defesa não transmite serenidade e isso reflecte-se no meio-campo.
Numa equipa como a nossa, estruturada num rompidinho 4-3-3, é obrigatório que os alas apoiem os laterais. O problema é que, tanto Nani como Ronaldo, não gostam de correr sem bola.
Portugal foi uma equipa triste, sem ambição, entregue à teia táctica montada por Morten Olsen. Nunca conseguimos ser um colectivo organizado, rápido nas transições e esclarecido no ataque. O melhor de Portugal resultou de rasgos individuais de alguns dos seus jogadores. Como equipa, fomos zero!!! Levamos um banho táctico.
A dada altura do jogo dei por mim a pensar que o futebol é um reflexo da sociedade em que vivemos: tal como na vida social e política, os nórdicos foram arrumadinhos, disciplinados, bem posicionados no campo, cada um a fazer o que lhe competia e tinha sido ordenado pelo seu treinador, com muita garra e ambição; os latinos, foram burgueses, sobranceiros, convencidos que o favoritismo e o vedetismo ganham jogos.
Claro está que, enquanto os nórdicos fizeram o seu trabalho e estão directamente apurados para o Euro 2012, os portugueses, mais uma vez e também aqui, vão ter uma troika à perna
A verdade é que Portugal não garantiu os serviços mínimos e está em apuros.
Agora, resta-nos esperar pelo play-of e…rezar para que não nos calhe em sorte a fervorosa Turquia. Embora as selecções que estão na calha sejam da segunda linha europeia (Montenegro, Turquia, Bósnia e Estónia), não nos esqueçamos que, ontem, também nós fomos uma equipa de segunda linha.
Fatalmente voltamos a ser o país dos três F’s: Faltou carácter, Faltou responsabilidade e Faltou, sobretudo, qualidade!

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