No passado dia 29 de Junho o ciclismo nacional ficou mais pobre, “perdendo” um verdadeiro campeão.
Como é facilmente perceptível, refiro-me a Cândido Barbosa, ciclista profissional, um dos melhores de sempre na modalidade, detentor de um palmarés invejável: 121 etapas ganhas ao longo da sua carreira, 25 das quais em etapas da Volta a Portugal.
Começou bem cedo, ainda em tenra idade, na equipa W52 Paredes Móvel, primeiro como amador, depois como profissional. Enveredando, então, pela profissionalização passa por equipas importantes como Maia Cin, Banesto, LA-Pecol, Liberty Seguros, Benfica e, por último, Palmeiras Resort, onde termina a sua carreira.
Nos primeiros tempos como profissional, Cândido destaca-se essencialmente pelo seu poder de explosão nas chegadas ao sprint. Era temível nos últimos 300m.
Durante anos é visto como o melhor sprinter do panorama velocipédico nacional e um dos melhores da cena internacional, valendo-lhe inclusive a alcunha de “Foguete da Rebordosa”. O contra-relógio é outra das especialidades onde ganha alguma notoriedade, devido aos excelentes tempos que alcança. Porém, tudo isto era ainda insuficiente para quem ambicionava um dia vencer a Volta a Portugal.Cândido tinha perfeita noção que, para alcançar tal desiderato, necessitava de superar a temível e dolorosa montanha, nada simpática para os sprinters.
Sempre pairou sobre o ciclismo nacional e internacional a aparente convicção de que os sprinters já mais poderiam almejar conquistar uma grande prova por etapas, sobretudo provas com mais de 10 dias, visto não estarem aptos a triunfar nas etapas de montanha – é na montanha que se conseguem as maiores diferenças de tempos.
Com o decorrer dos anos, Cândido modifica o seu processo de treino, passa a treinar a maior parte do ano em altitude, criando desta forma automatismos de resistência essenciais para etapas mais duras…aquelas que ano após ano o fazem perder a esperança de um dia chegar ao lugar mais alto do pódio da Volta a Portugal.
Com esta modificação, surgem os resultados (em 1997 conquista a Volta ao Algarve, vencendo todas as etapas) e a ambição de concretizar o sonho. A imprensa, por sua vez, dá uma ajuda e, no arranque de cada nova edição da Volta a Portugal, coloca Cândido como um potencial vencedor da mesma, deixando para trás o estigma de ser o eterno favorito à conquista das etapas em linha.
A verdade é que Cândido nunca conseguiu alcançar o seu grande objectivo. Anos houve em que esteve muito perto, nomeadamente em 2007, porém com a chegada das etapas de alta montanha, onde figuravam a Serra da Estrela e a Senhora da Graça, acabava sempre por comprometer o que de muito bem tinha feito até então, perdendo imenso tempo para os trepadores.
Entre 2005 e 2007 alcança os seus melhores resultados, obtendo 2 segundos e um terceiro lugares na Volta a Portugal. Aliás, em 2005 consegue mesmo discutir o primeiro lugar até ao último dia, ficando a escassos 34,2 segundos do vencedor, Vladimir Efemkin. Nesse ano, com o desempenho apresentado, chega a criar a ilusão de ser possível quebrar o enguiço, contudo não conseguiria mais que um honroso 2.º lugar.
Com 36 anos de idade, Cândido Barbosa decidiu colocar um ponto final numa viagem repleta de sucesso e dedicação.
É por isso justa esta pequena homenagem!

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