terça-feira, 26 de julho de 2011

CONSAGRAÇÃO DE RUI COSTA!


Agora que o TOUR DE FRANCE 2011 terminou, com a consagração, nos Champs-Élysées, do australiano Cadel Evas, é oportuno e merecido um sentido tributo ao nosso Rui Costa.

Recordemos…

No passado dia 09 de Julho, assistimos há aparição de mais uma figura que ilustrará, estou certo, o álbum de memórias do desporto português – Rui Costa venceu uma etapa do prestigiado Tour de France.

Depois de Joaquim Agostinho, Paulo Ferreira, Acácio Silva e Sérgio Paulinho, foi agora a vez de Rui Costa, aos 24 anos, deixar a sua marca na maior prova velocipédica do mundo, tornando-se no mais novo ciclista português de sempre a conquistar uma etapa na Volta à França.


Estávamos à entrada dos Pirenéus, a etapa propunha-se a uma fuga, e desde bem cedo ela aconteceu, tal como é habitual neste tipo de percursos de média montanha, onde os ciclistas mais atrasados no pelotão têm a “permissão” do grupo para tentarem a sua sorte.

Rui Costa, sentindo ser o seu dia de glória, tentou e acabou por conseguir integrar a fuga do dia, composta por 9 ciclistas, que rapidamente alcançou uma confortável vantagem para o pelotão.


O grupo de Rui Costa foi rolando lá na frente, perante a indiferença e o ritmo de passeio do pelotão. Ao fim e ao cabo, nenhum dos ciclistas que integrava a fuga colocava em causa a liderança do Tour. Qualquer um deles estava já a imensos minutos da amarela.


À medida que os quilómetros foram sendo ultrapassados, as posições dentro do grupo de fugitivos foram-se definindo.

Pela forma de pedalar e se colocar na bicicleta, Rui Costa demonstrava ser um dos elementos que estaria mais fresco para atacar a ponta final da etapa. Ora, isto era, por si só, pronuncio de que o herói da 8.ª etapa do Tour deste ano poderia ser português.


Quando tudo fazia querer que a decisão da etapa estaria entregue aos homens da frente, onde se incluí-a Rui Costa, eis que a corrida sofre o volte-face: lá atrás no pelotão Vinokourov…havia atacado!

Faltavam 10 quilómetros para o final da etapa e tudo era ainda possível…para mais tratando-se de Vino.


Neste momento, todos aqueles que se encontravam, tal como eu, a seguir a etapa pela televisão, vibrando com a possibilidade de uma vez mais um português entrar na história do Tour, questionaram: seria Rui Costa capaz de impedir a aproximação do ciclista Astana?

Tudo o que de bom tinha sido feito até então poderia estar irremediavelmente comprometido. De todos os ciclistas presentes no pelotão, Vino era o que maior ameaça representava para o grupo da frente.

A etapa estava bem à sua medida. A capacidade de resistência, aliada à estrondosa compleição física, colocavam-no como o ciclista por excelência para, num terreno algo sinuoso, partir em busca de uma fuga. A cavalgada seria avassaladora, rapidamente passaria pelos homens da frente e fecharia a contagem do dia no primeiro lugar


O grupo, informado via rádio do que estava acontecer lá atrás, foi tentando manter a diferença para o Cazaque por forma a que a fuga chega-se com sucesso a Super-Besse Sancy (local que bem conheço e onde já tentei fazer sky, acabando por fazer apenas…sku).


A cerca de 5 km do final da etapa, Rui Costa, percebendo que o ritmo que o seu grupo levava acabaria apenas por servir de passadeira vermelha para que Vinokourov passasse, decide atacar, deixando para trás os seus companheiros.


Porém, o ataque do português não tinha, no imediato, surtido qualquer efeito desmoralizador em Vino, já que o tempo para o ciclista português continuava a cair.

Neste momento todos pensamos que o sonho do ciclista português terminava ali, bem no alto, perto da consagração…

Ora, nada mais errado!!

Inesperadamente, faltando pouco mais que um quilómetro para a meta, a diferença, como que por milagre, pára nos 15 segundos e por ai se mantém por alguns instantes. Informado deste facto pelo seu director desportivo, Rui Costa faz um forcing final, mantém a vantagem na “casa” dos 10/15 segundos e acaba por ser o primeiro a cortar a meta.


É verdade que os 37 anos de Vino terão pesado neste último assalto à conquista em Super-Besse, porém o talento e a juventude do ciclista poveiro ofuscaram a classe e maior experiência do velocipedista cazaque.


Apesar de um passado recente associado ao doping (controlou positivo nos Campeonatos Nacionais de Estrada, em 2010, juntamente com o seu irmão, Mário Costa,…vindo mais tarde a ser ilibado), o futuro de Rui Costa tem tudo para ser deslumbrante. Porém, apenas espero que o desejo feroz e voraz de rapidamente alcançar as luzes da ribalta não lhe tolhem o discernimento e o levem a cometer os mesmos erros que cometeram Roberto Heras, Floyd Landis, Michael Rasmunssen, Ricardo Riccò (uma das maiores promessas do ciclismo mundial), Óscar Sevilha, Francisco Mancebo, Alejandro Valverde, Tyler Hamilton, Jan Ullrich ou ate mesmo Nuno Ribeiro. Muitos e muitos nomes que ano após ano nos cortam mais um pedaço da ilusão que sentimos por esta modalidade.


Foi uma vitória do querer e da ambição.
Parabéns, Rui Costa!

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