segunda-feira, 14 de novembro de 2011

MAIS UMA VEZ, DR. MADAÍL...!

Na passada 6.ª feira assistimos a mais um episódio, no mínimo caricaturesco, do que foram os sucessivos mandatos do Dr. Gilberto Madaíl à frente da Federação Portuguesa de Futebol, desde 1996.
Após a chegada a Zenica e um primeiro contacto com o relvado do estádio Bilino Polje, GM apressou-se a comunicar ao povo português, em geral, e ao país futebolístico, em particular, que a selecção portuguesa poderia jogar sob protesto.
A verdade é que não houve coragem para de imediato tomar uma decisão e a dúvida instalou-se sobre se a reclamação avançaria ou não.
À hora do jogo, ou pouco antes do seu início, GM lá se decidiu pelo protesto. Logo pensei que era desta que o Dr. Madaíl, em forma despedida e porque a última imagem é a que fica, se iria impor, demonstrando ao país ser um homem de fortes convicções.
Pois bem. Após o jogo, a minha esperança desvaneceu-se quando o presidente comunicou ao país que afinal o protesto não seguiria para Nyon, sede da UEFA.
Eis que, passadas apenas umas horas, GM dá o dito por não dito, desmente-se de forma categórica e tudo se passa como se por magia o relvado onde Portugal actuou fosse um tapete verdejante.
Caro Dr. GM deixe-me que lhe diga: a sua atitude revela, por um lado, falta de convicção nas suas decisões, o que o descredibiliza; e, por outro, fica a ideia que o que fez na véspera foi acautelar uma eventual falta de competência do seu treinador e jogadores.
Ora, se Portugal perdesse e realizasse uma exibição ao nível da que realizou em Copenhaga, o senhor seria o primeiro a saltar em defesa da sua honra, afirmando que a fatalidade se tinha ficado a dever a um relvado impraticável. Como tal não aconteceu, “não vamos chatear os nossos amigos…porque ficamos mal vistos!”. Não pode ser!
Isto mais não é do que o retracto do que foram os longos e, muitos deles, penosos anos da sua liderança à frente da FPF: uma presidência sem carácter, sem determinação, sem liderança, sem pulso, ao som de ventos e marés. Foi assim com a vergonhosa participação de Portugal no Mundial da Coreia/Japão e as retemperantes “férias” em solo asiático de António Oliveira e seus rapazes; foi assim com a falta de inoperância após lamentáveis cenas que Scolari protagonizou quando, para defender o seu “minino”, atacou o sérvio Dragutinovic; foi assim com a forma como a FPF permitiu que Scolari tratasse alguns “intocáveis” do nosso futebol, nomeadamente Vitor Baia e JVP; foi assim com a completa barafunda em torno da composição e tomada de decisões do Conselho de Justiça, sobretudo no processo Apito Dourado; foi assim com a trapalhada em torno do caso “Carlos Queirós”; foi assim em muitos outros casos. Em todos eles ficou a nítida sensação que o presidente da Federação Portuguesa de Futebol não teve estofo para dar a cara e, enquanto presidente, decidir.
Como tem sido hábito ao longo dos seus vários mandatos, as suas decisões sempre assentaram num rotundo “nim”.
Estamos fartos de conivências e lambe-botas, em Portugal. Temos que ser sérios nas nossas convicções. Se de facto o relvado estava impraticável, não é por um simples empate que tudo se altera. Não se admirem se, num futuro próximo, não nos derem ouvidos porque não somos credíveis.

Afinal, mais não somos que inocentes crianças a fazer queixinhas ao professor do colega de carteira, sem que, no entanto, nos chateemos com ele.

Sem comentários:

Enviar um comentário