Na passada segunda-feira, Portugal jogou e perdeu
contra a Bielorrússia em mais um jogo do Grupo F de apuramento para o
EuroBasket 2013, a realizar na Eslovénia.
Em quatro jogos, Portugal averbou a sua quarta derrota!,
num jogo em que defrontou uma selecção bielorrussa com visíveis fragilidades
técnicas.
No final do jogo, Mário Palma, seleccionador
nacional, afirmou que “quem pensava que nos poderíamos apurar percebe pouco de
basquetebol”. Ora, até aqui, tudo bem. De facto, o nosso basquetebol não tem,
hoje em dia, estrutura ou sequer bases suficientemente sólidas que permitam
sustentar a modalidade.
Com o que não concordo é com o que diz no seguimento
dessa declaração: “Boa parte dos nossos atletas nem sequer joga nos seus
clubes”. Falso, Mister.
Eu, que sou apenas um espectador atento da modalidade,
dei-me ao trabalho de consultar alguns dados estatísticas e facilmente concluí
que 80% dos jogadores por si convocados, durante a época transacta, jogaram 20
ou mais partidas em cada um dos seus clubes, o que significa que não foi por
falta de ritmo que Portugal claudicou diante dos seus adversários.
Não quero com isto dizer que o insucesso do nosso
basquetebol se deve ao seu treinador. Pelo contrário, Mário Palma é um técnico
de inegável competência, que durante os anos 90 fez brilhar um Benfica do
futebol na europa do basket; que levou Angola à conquista do Campeonato
Africano de Basquetebol; que marcou presença em Jogos Olímpicos, em Campeonatos
do Mundo de Basquetebol.
Porém, Mário Palma não tocou na ferida, numa ferida
que tem anos, para a qual não existe receita para a sua cura.
Com a crise económica instalada, o país deixou de
investir nas modalidades ditas amadoras e o basquetebol não fugiu à regra. Tudo
é pensado pelos dirigentes desportivos em função do seu ente querido, o futebol,
relegando para a gaveta da secretária os projectos de desenvolvimento das modalidades.
Sem investimento, sem aposta no desenvolvimento e na promoção
da modalidade, não há resultados, nem desportivos nem financeiros, sem
resultados escasseiam as receitas, sem receitas surgem salários em atraso,
surgem clubes a fechar portas antes do final da época, ainda que apuradas para
o play-off, surgem clubes com enormes responsabilidades no desporto nacional a anunciar
a sua retirada temporária da modalidade, surge o buraco negro, quando todos
procurávamos a luz ao fundo do túnel.
Depois de anos de enorme competitividade, com equipas
como a Portugal Telecom, o Estrelas da Avenida, a AD Ovarense ou o próprio
Queluz a intrometerem-se na luta pelas tabelas de campeão nacional, eis que
esta linha aparente sucesso repentinamente entra numa curva descendente.
Desaparecem algumas destas equipas, a própria AD Ovarense cai numa profunda
crise financeira, vendo-se obrigada a reduzir drasticamente o seu orçamento
anual, caindo por isso na tabela da competitividade.
A luta ficou, então, entregue a Porto e Benfica que
durante os últimos 4/5 anos travaram uma saudável discussão pela conquista do
título nacional, albergando o núcleo duro da selecção nacional.
A desistência do FCP e tudo o que a mesma implica, constituiu
a estocada final no reerguer da modalidade.
Enquanto adepto de basquetebol, não posso estar mais
desagradado com esta situação. Por mais que os benfiquistas se possam regozijar
com a “queda” do eterno rival, ficando a conquista do título aparentemente mais
fácil, o futuro encarregar-se-á de demonstrar o contrário.
Desta desistência resultará menor investimento,
resultado da menor concorrência, perder-se-á emotividade, competitividade,
receitas, perder-se-á a possibilidade de surgirem novos valores, perder-se-á prestígio,
perder-se-á a réstia de esperança que nos fazia crer num futuro melhor.
E desta vez a culpa não poderá ser assacada há
comunicação social, que muito tem feito para que a modalidade não cai no
esquecimento, com transmissões semanais dos jogos da LBP bem como com a
transmissão dos jogos mais importantes na selecção nacional.

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