segunda-feira, 25 de junho de 2012

XEQUE(A)-MATE!



Na passada 5.º feira Portugal foi um verdadeiro “coiffeur”, desfazendo a barba a uma R. Checa que não soube rivalizar com a glória que outrora nos trouxeram Smicer, Patrick Berger, Poborsky ou Pavel Nedved.

Uma equipa que no arranque para este europeu havia sido derrotada de forma copiosa por uns russos “à lá Perestroika”, acabaria, bem feitas as contas, por sacar o primeiro lugar do grupo, deixando um bilhete de despedida a Rússia e Polónia e um convite a Portugal.

Apesar das nítidas dificuldades reveladas durante a fase de grupos, a passagem à fase seguinte transformava uma selecção pouco mais que discreta numa selecção ameaçadora que, com o apuramento, já tinha erguido a sua taça e nada tinha a perder. Operava-se aquele conhecido fenómeno futebolístico que não admite o meio termo: a derrota torna-nos bestas, a vitória bestiais...e os checos tornavam-se subitamente bestiais.

As equipas subiram ao relvado quando o relógio apontava um quarto para as 8 da noite. Portugal, esse, entrava em campo com o pensamento ainda cravado num fabuloso chapéu de abras bem largas com que Karel Poborsky brindara Vitor Baia em 1996, deixando-o a mirar “el cielo”, apreciando a beleza de uma bola que transpunha os limites da improbabilidade.

A somar a tudo isto, o receio de tudo se decidir num só jogo e a sorte ou a falta dela nos poder fazer regressar a casa, depois de termos mostrado a nossa barba (?) a alemães, holandeses e dinamarqueses e tanta mágoa termos deixado no coração camorriano de um tal de Platini.

Embora inicialmente expectante e, sobretudo, apreensivo com o excesso de contenção e cautela, à medida que o tempo foi avançando, a ideia de que, afinal, esta poderia não ser uma letargia bacoca mas tão só a estratégia que Paulo Bento montara para o jogo, foi me deixando mais clamo e convicto de que seriamos capazes de ultrapassar uma equipa ainda à procura da sua identidade.

Após uma primeira parte em que os Checos tudo emprestaram ao jogo mas do qual nada retiraram a não ser um enorme desgaste físico, veio o intervalo para dar descanso mas, sobretudo, tempo para que o “homem do penteado difícil” altera-se o chip dos seus “rapazes” e lhes mostrasse o plano para resgatar um golo que fosse da baliza de Petr Che. Para tal, nada melhor do que deixar essa incumbência a um madeirense que tantos disparates nos fez dizer.

Arrancou a segunda parte e logo, logo se percebeu que os jogadores portugueses não estavam ali para fazer horas extra, pelo que a história da primeira parte não era para repetir na segunda.

Porém, à medida que o tempo foi avançando, o tic tac do ponteiro era cada vez mais audível e acelerado, a bola tinha um pacto com o diabo…e com Petr Che que ostentava um barrete que não era nosso, os jogadores checos, esses, começavam já a suplicar aos seus pulmões que aguentasse só mais um bocadinho assim…, o medo de mais uma vez trazermos para casa uma vitória moral, bem ao jeito do nosso triste fado, parecia sobrepor-se a um optimismo que não sabemos ter.

Quando já nos preparávamos para mais trinta minutos de sofrimento e uma mais do que provável taluda de 10 penalties, aparece, para além de um Cristiano que não é apenas Ronaldo mas o melhor do mundo, um pequenino que era maça podre e hoje fruta de excelência, rasgando pela direita e cruzando com conta peso e medida para o voou do “nosso orgulho”.

Saltava Paulo Bento, saltava Postiga, que por momentos esqueceu aquela picada, saltava Luís Figo abraçado a uma pantera que foi Rei em Inglaterra, saltavam os portugueses abraçados a cachecóis e bandeiras testemunhas da alegria dos seus corações.

Agora, seguem-se as meias-finais e pela frente uma Espanha que tem sede em Madrid mas o seu perfume na Catalunha. Na bancada estará Manolo, “El Bombo de España”, marcando o ritmo de uma equipa que se espera desafinada!

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