Sempre que se proporciona e a disponibilidade permite, tenho emitido a
minha opinião sobre alguns dos temas do futebol nacional não escondendo,
contudo, a minha simpatia clubística, o clube que defendo e pelo qual me habituei
a gostar. Ainda assim, tento que esse sentimento não me condicione nas análises
que faço…ou tento fazer.
Após tomar conhecimento do castigo aplicado a Jorge Jesus, não pude
deixar de manifestar a minha opinião pese embora a mesma esteja, estou certo,
em pleno desacordo com o que pensam muitos dos meus amigos benfiquistas.
No dia 5 de Fevereiro foi conhecido o castigo aplicado ao treinador Jorge
Jesus na sequência das declarações proferidas no final do SLBenfica – FCPorto
do dia 02 de Março de 2011.
No final desse jogo, Jorge Jesus afirmou que o árbitro auxiliar,
Ricardo Santos, “não marcou fora de jogo porque não viu, não marcou por não
quis”.
Seis meses depois, o Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de
Futebol castigou o técnico benfiquista com a aplicação de uma suspensão pelo
período de 15 dias.
Todo este processo esteve inquinado desde o seu início: começou mal e
mal foi ficando à medida que os factos foram acontecendo, terminando com um
desfecho lamentável.
Comecemos pelas declarações de JJ…
As declarações de Jorge Jesus são inaceitáveis. Um clube que luta pela
pacificação e verdade do futebol português não pode querer, simultaneamente,
sol na eira e chuva no nabal. Aquilo que JJ fez mais não foi de que uma
declaração de intenções, colocando em causa o carácter intelectual de um senhor
que, para além de árbitro auxiliar, é ser humano e tem família. Com todos os
prejuízos que o lance, efectivamente mal ajuizado, possa ter causado ao
Benfica, há que ter capacidade de análise e discernimento, não se apontando o
árbitro sistematicamente como primeiro e principal culpado pelos nossos
insucessos.
Momentos houve em que o SLBenfica também foi beneficiado pela
arbitragem e nem por isso se colocou em causa o carácter intelectual do
árbitro. Há que não ter memória curta. Aceito que se aponte o dedo ao trabalho
menos conseguido de um árbitro, que se critique o seu comportamento durante um
jogo, não aceito é que se façam juízos de valor sobre a sua seriedade por “dá
cá aquela palha”. Se existem indícios da existência de corrupção, há que
denunciar nas instâncias próprias; se não existem, então, não levantemos
suspeitas infundadas e gratuitas. É que errar, todos erram: erram os jogadores,
erram os treinadores, erram os presidentes e nem por isso se afirma que o
fizeram propositadamente. O passado recente, com apitos dourados, viagens ao
Brasil e quinhentinhos, não pode permitir que se diga tudo.
Bem sei que Vitor Pereira teve um discurso em tudo semelhante ao de JJ
após o Gil Vicente – FCPorto da época passada ao afirmar “entreguem já as faixas de campeão (ao Benfica)”. Também
aqui houve uma declaração de intenções, também aqui se colocou em causa o
carácter e seriedade da arbitragem portuguesa. Porém, não me quero refugiar num
mau exemplo para desculpar comportamentos.
Momento de aplicação do castigo…
Pior que as declarações de Jorge Jesus foi, quanto a mim, o momento
escolhido pelo CDFPF para aplicar os 15 dias de suspensão. Estando o futebol
português, desde à vários anos a esta parte, sob uma acérrima suspeita como não
há memória, aplicar 15 dias de suspensão a cumprirem-se durante a paragem das
competições nacionais é RIDICULO! Enquanto benfiquista, não tenho pejo em
afirmar a indecência.
Não se consegue credibilizar o futebol adoptando este tipo de medidas.
Isto é chico-espertismo à moda das antas que eu não gostava de ver no meu clube
mas que infelizmente a realidade me vai mostrando o contrário.
Voto de vencido de Herculano Lima…
O ponto alto de todo este imbróglio ficou reservado para o acórdão do
referido CDFPF, tendo como protagonista o seu presidente, Herculano Lima.
Como é do conhecimento publico, Herculano Lima votou vencido
relativamente ao castigo aplicado a JJ. Até aqui, tudo bem. O problema reside
na declaração que justifica o voto de vencido: “Jesus limitou-se a contestar uma decisão real e inequívoca da
arbitragem. Dessa falha grave e indiscutível resultou a vitória do clube
visitante e consequente vitória do campeonato, por parte do clube que
beneficiou do erro”; “(…)o árbitro em
causa tinha todas as condições para ver a falta e a obrigação funcional de o
fazer. Não fez por motivações que só ele sabe”
Ora, não se pode permitir que o presidente de um órgão de justiça
desportiva profira uma declaração tão parcial e condicionada quanto a que
Herculano Lima proferiu, deixando nas entrelinhas a ideia de que houve da parte
de Ricardo Santos a intenção de prejudicar o Benfica. Afirmar isto, é permitir
que se levante a suspeição, é permitir o desassossego constante e permanente
dos árbitros, sem lugar ao erro.
Isto não pode ser dito por quem faz justiça. Os juízes, sejam da
justiça civil sejam da justiça desportiva, estão nos cargos que ocupam para
julgar, não para opinar. Se o querem fazer, criem um blogue, arranjem um “padrinho”
para fazerem parte de um painel de comentadores da TV, participem em fóruns,
façam o que quiserem mas, primeiro, demitam-se dos cargos tão importantes que ocupam.
Assim não vamos a lado nenhum.
E é natural que os adeptos dos demais clubes fiquem incomodados com este
tipo de comportamento. Dá toda a ideia que o comportamento e, posterior
declaração de Herculano Lima, foi encomendado, concerteza que dá. Caso
contrário, a que propósito o presidente de um órgão de justiça tomas as dores
de uma das partes.
É claro que o pode fazer, mas fica muito mal na fotografia e é
associado a esquemas dúbios e nublosos, que nós, na voz dos que nos
representam, tanto temos denunciado.
Alguns espaços de opinião têm afirmado que Herculano Lima, ao que parece,
é presença assídua no camarote do Estádio do Dragão, afirmando-se adepto do
clube azul-e-branco. Não possuo informações que me permitam confirmar esta
suspeita nem tão pouco credibilizar tamanha insinuação
Mas, a ser verdade, então a declaração de vencido de Herculano Lima exigia
da direcção do meu clube um comunicado, demarcando-se categoricamente deste
senhor e denunciando a sua ligação ao FCP bem como o embuste montado para
“inglês ver”.
Como nada disto foi feito, permite-se todo o tipo de especulações que
me incomodam.
Exijo um clube “limpo”, onde não exista tráfico de influências, onde a
lei se cumpra, seja para penalizar seja para absolver.
Estou muito longe da verdade?! Sim, eu sei!