quarta-feira, 19 de setembro de 2012

RESPEITO MAS NÃO APRECIO!


Ontem à noite, no final do jogo Dinamo de Zagreb Vs FCPorto, foi veiculada a notícia que o pai do jogador Lucho Gonzalez havia falecido. Foi adiantado, ainda, que o jogador soube da notícia poucas horas antes do encontro e, ainda assim, aceitou jogar. Já CR7 havia feito o mesmo em Setembro de 2005, nas vésperas de um Rússia Vs Portugal

Após ter conhecimento da notícia, fiz zapping por alguns meios de informação desportiva e o sentimento era unanime: enorme jogador, grande profissional, um exemplo de entrega e dedicação. Estou certo que, 95% das pessoas, se não mais, apreciaram o gesto e enalteceram-no.

Se querem que vos diga, não compreendo nem aprecio este tipo de comportamentos com tiques de heroísmo e amor à camisola.
Respeito este desejo de em campo homenagear o seu progenitor mas não compreendo. E esta opinião nada tem que ver com o ser humano Lucho Gonzalez mas tão só com o seu gesto olhado de forma isolada. O que me incomoda é a atitude. Não sei…não aprecio!

Estarei a ser demasiado cáustico?! Talvez! Mas façam este exercício mental: imaginem que um dos vossos progenitores faleceu e vocês estão no local de trabalho quando recebem a notícia. O que fazem? Imagino que continuem a trabalhar como se nada tivesse acontecido… E, a correr bem, no dia seguinte voltam para terminar o que não acabaram no dia anterior.

Pois é…!
Coloco-me na posição do jogador portista e não consigo imaginar como se pode enfrentar o que quer que seja, horas depois de sabermos que uma das pessoa mais importantes na nossa vida acabou de partir.
Mas não jogar resolve alguma coisa?! Não, não resolve. Mas o comboio da vida só passa uma vez e o desgosto é tão grande que tolhe o discernimento, a lucidez, a vontade de falar quanto mais a vontade de enfrentar um jogo de futebol.
Conseguir esquecer, durante hora e meia, tamanha fatalidade é algo que me ultrapassa.

Não acho que se deva criticar a atitude do jogador portista pois só ele sabe as suas motivações. E isso, eu respeito e respeito de verdade. Só não consigo é ter admiração e louvar o acto.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

AINDA NÃO FOI DESTA!



No passado sábado jogou-se mais um Portugal Vs Espanha a contar para o Campeonato da Europa de Hóquei em Patins.
O pavilhão estava cheio, um ambiente fantástico, o hino entoado repetidamente e a plenos pulmões, não sei se para apelar à pátria se para apelar à troika…, cachecóis e bandeiras a drapejar. O palco estava montado

No papel, uma hegemonia espanhola assustadora: nos últimos 20 confrontos com os espanhóis, 17 vitórias para Espanha, 1 empate e 2 vitórias para Portugal, sendo que estas duas vitórias foram conquistadas no torneio de Montreux, contra o refugo espanhol.

O jogo teve duas partes distintas. Se na primeira parte Portugal esteve concentrado, rigoroso, com qualidade de passe, posse de bola, discernimento e, sobretudo, confiança; na segunda parte, com o pressing da selecção espanhola, tudo se alterou. A equipa amedrontou-se, os livres directos e os penaltis começaram a não entrar e, a seis segundos do fim…golo de Bargalló

Após o jogo, tive a oportunidade de ler alguns comentários sobre a partida e todos eles apontavam como factor determinante a falta de sorte dos hoquistas lusos. Não concordo!!!
É verdade que Portugal se bateu de igual para igual com os espanhóis, é verdade que sofremos o golo da derrota a escassos 6 segundos do fim mas invocar a falta de sorte como caminho do insucesso ao fim de todos estes anos, já não me satisfaz.

Não ganhamos porque ainda não fomos melhores! A superioridade de um colectivo não se resume a um grupo de bons jogadores que jogam nas melhores equipas e disputam os melhores torneios. É um pouco mais do que isso. É saber aguentar a pressão de ter que ganhar sem claudicar, seja a 6 minutos seja a 6 segundos do fim.

Portugal tem jogadores, tem colectivo, tem uma boa equipa técnica, tem aficionados, tem títulos, tem história mas…não tem capacidade mental para derrubar um estigma que nos persegue há 15 anos: derrotar uma equipa que, aos olhos dos nossos jogadores, por melhores que eles sejam, parece intransponível.

O facto de entrarmos em campo com a obrigação mental de termos que ganhar a uma selecção que, por este ou aquele motivo, não ganhamos há anos, deixa os jogadores tolhidos. Os últimos 10 minutos do jogo de sábado são bem o espelho do que acabo de dizer: pouca bola, pouca astúcia, pernas tremulas, olhares assutados, desconfiando que aquele golo de vantagem não era suficiente.

E esta atmosfera passou para os próprios adeptos que, por diversas vezes, durante a segunda parte, fizeram um silêncio sepulcral, agoirando um fim “trágico”.
Todos sentimos, eu próprio, que a manter-se aquela vantagem tangencial de um golo, o desfecho ia ser madrasto. Seria por culpa de um ressalto, seria por culpa de um erro de arbitragem, seria por um erro técnico?! Não sabíamos, mas sentia-se que isso era mais certo que a própria morte porque assim tem acontecido, ano após ano.

A nossa deficiência é de carácter mental e não de carácter técnico. E assim vamos continuar enquanto não surgir um “Mourinho sobre rodas” que mentalize aqueles jogadores que nós somos melhores do que eles! Que lhes diga “Em condições normais seremos campeões; e, em condições anormais…também seremos campões!”

Mudam-se os palcos, mudam-se os ambientes, mudam-se as regras, até os jogadores seleccionados mas o desfecho continua a ser o mesmo. Se Gary Lineker me estivesse a ouvir diria: são cinco contra cinco e no final ganha a Espanha.

Próxima paragem?! Angola 2013!
Até já!

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

O REGABOFE NA JUSTIÇA DESPORTIVA!

 
Sempre que se proporciona e a disponibilidade permite, tenho emitido a minha opinião sobre alguns dos temas do futebol nacional não escondendo, contudo, a minha simpatia clubística, o clube que defendo e pelo qual me habituei a gostar. Ainda assim, tento que esse sentimento não me condicione nas análises que faço…ou tento fazer.
Após tomar conhecimento do castigo aplicado a Jorge Jesus, não pude deixar de manifestar a minha opinião pese embora a mesma esteja, estou certo, em pleno desacordo com o que pensam muitos dos meus amigos benfiquistas.
 
No dia 5 de Fevereiro foi conhecido o castigo aplicado ao treinador Jorge Jesus na sequência das declarações proferidas no final do SLBenfica – FCPorto do dia 02 de Março de 2011.
No final desse jogo, Jorge Jesus afirmou que o árbitro auxiliar, Ricardo Santos, “não marcou fora de jogo porque não viu, não marcou por não quis”.
Seis meses depois, o Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol castigou o técnico benfiquista com a aplicação de uma suspensão pelo período de 15 dias.
 
Todo este processo esteve inquinado desde o seu início: começou mal e mal foi ficando à medida que os factos foram acontecendo, terminando com um desfecho lamentável.
 
Comecemos pelas declarações de JJ…
As declarações de Jorge Jesus são inaceitáveis. Um clube que luta pela pacificação e verdade do futebol português não pode querer, simultaneamente, sol na eira e chuva no nabal. Aquilo que JJ fez mais não foi de que uma declaração de intenções, colocando em causa o carácter intelectual de um senhor que, para além de árbitro auxiliar, é ser humano e tem família. Com todos os prejuízos que o lance, efectivamente mal ajuizado, possa ter causado ao Benfica, há que ter capacidade de análise e discernimento, não se apontando o árbitro sistematicamente como primeiro e principal culpado pelos nossos insucessos.
 
Momentos houve em que o SLBenfica também foi beneficiado pela arbitragem e nem por isso se colocou em causa o carácter intelectual do árbitro. Há que não ter memória curta. Aceito que se aponte o dedo ao trabalho menos conseguido de um árbitro, que se critique o seu comportamento durante um jogo, não aceito é que se façam juízos de valor sobre a sua seriedade por “dá cá aquela palha”. Se existem indícios da existência de corrupção, há que denunciar nas instâncias próprias; se não existem, então, não levantemos suspeitas infundadas e gratuitas. É que errar, todos erram: erram os jogadores, erram os treinadores, erram os presidentes e nem por isso se afirma que o fizeram propositadamente. O passado recente, com apitos dourados, viagens ao Brasil e quinhentinhos, não pode permitir que se diga tudo.
 
Bem sei que Vitor Pereira teve um discurso em tudo semelhante ao de JJ após o Gil Vicente – FCPorto da época passada ao afirmar “entreguem já as faixas de campeão (ao Benfica)”. Também aqui houve uma declaração de intenções, também aqui se colocou em causa o carácter e seriedade da arbitragem portuguesa. Porém, não me quero refugiar num mau exemplo para desculpar comportamentos.
 
Momento de aplicação do castigo…
Pior que as declarações de Jorge Jesus foi, quanto a mim, o momento escolhido pelo CDFPF para aplicar os 15 dias de suspensão. Estando o futebol português, desde à vários anos a esta parte, sob uma acérrima suspeita como não há memória, aplicar 15 dias de suspensão a cumprirem-se durante a paragem das competições nacionais é RIDICULO! Enquanto benfiquista, não tenho pejo em afirmar a indecência.
 
Não se consegue credibilizar o futebol adoptando este tipo de medidas. Isto é chico-espertismo à moda das antas que eu não gostava de ver no meu clube mas que infelizmente a realidade me vai mostrando o contrário.
 
Voto de vencido de Herculano Lima…
O ponto alto de todo este imbróglio ficou reservado para o acórdão do referido CDFPF, tendo como protagonista o seu presidente, Herculano Lima.
Como é do conhecimento publico, Herculano Lima votou vencido relativamente ao castigo aplicado a JJ. Até aqui, tudo bem. O problema reside na declaração que justifica o voto de vencido: “Jesus limitou-se a contestar uma decisão real e inequívoca da arbitragem. Dessa falha grave e indiscutível resultou a vitória do clube visitante e consequente vitória do campeonato, por parte do clube que beneficiou do erro”; “(…)o árbitro em causa tinha todas as condições para ver a falta e a obrigação funcional de o fazer. Não fez por motivações que só ele sabe
 
Ora, não se pode permitir que o presidente de um órgão de justiça desportiva profira uma declaração tão parcial e condicionada quanto a que Herculano Lima proferiu, deixando nas entrelinhas a ideia de que houve da parte de Ricardo Santos a intenção de prejudicar o Benfica. Afirmar isto, é permitir que se levante a suspeição, é permitir o desassossego constante e permanente dos árbitros, sem lugar ao erro.
 
Isto não pode ser dito por quem faz justiça. Os juízes, sejam da justiça civil sejam da justiça desportiva, estão nos cargos que ocupam para julgar, não para opinar. Se o querem fazer, criem um blogue, arranjem um “padrinho” para fazerem parte de um painel de comentadores da TV, participem em fóruns, façam o que quiserem mas, primeiro, demitam-se dos cargos tão importantes que ocupam. Assim não vamos a lado nenhum.
 
E é natural que os adeptos dos demais clubes fiquem incomodados com este tipo de comportamento. Dá toda a ideia que o comportamento e, posterior declaração de Herculano Lima, foi encomendado, concerteza que dá. Caso contrário, a que propósito o presidente de um órgão de justiça tomas as dores de uma das partes.
É claro que o pode fazer, mas fica muito mal na fotografia e é associado a esquemas dúbios e nublosos, que nós, na voz dos que nos representam, tanto temos denunciado.
 
Alguns espaços de opinião têm afirmado que Herculano Lima, ao que parece, é presença assídua no camarote do Estádio do Dragão, afirmando-se adepto do clube azul-e-branco. Não possuo informações que me permitam confirmar esta suspeita nem tão pouco credibilizar tamanha insinuação
Mas, a ser verdade, então a declaração de vencido de Herculano Lima exigia da direcção do meu clube um comunicado, demarcando-se categoricamente deste senhor e denunciando a sua ligação ao FCP bem como o embuste montado para “inglês ver”.
Como nada disto foi feito, permite-se todo o tipo de especulações que me incomodam.
 
Exijo um clube “limpo”, onde não exista tráfico de influências, onde a lei se cumpra, seja para penalizar seja para absolver.
 
Estou muito longe da verdade?! Sim, eu sei!