terça-feira, 18 de setembro de 2012

AINDA NÃO FOI DESTA!



No passado sábado jogou-se mais um Portugal Vs Espanha a contar para o Campeonato da Europa de Hóquei em Patins.
O pavilhão estava cheio, um ambiente fantástico, o hino entoado repetidamente e a plenos pulmões, não sei se para apelar à pátria se para apelar à troika…, cachecóis e bandeiras a drapejar. O palco estava montado

No papel, uma hegemonia espanhola assustadora: nos últimos 20 confrontos com os espanhóis, 17 vitórias para Espanha, 1 empate e 2 vitórias para Portugal, sendo que estas duas vitórias foram conquistadas no torneio de Montreux, contra o refugo espanhol.

O jogo teve duas partes distintas. Se na primeira parte Portugal esteve concentrado, rigoroso, com qualidade de passe, posse de bola, discernimento e, sobretudo, confiança; na segunda parte, com o pressing da selecção espanhola, tudo se alterou. A equipa amedrontou-se, os livres directos e os penaltis começaram a não entrar e, a seis segundos do fim…golo de Bargalló

Após o jogo, tive a oportunidade de ler alguns comentários sobre a partida e todos eles apontavam como factor determinante a falta de sorte dos hoquistas lusos. Não concordo!!!
É verdade que Portugal se bateu de igual para igual com os espanhóis, é verdade que sofremos o golo da derrota a escassos 6 segundos do fim mas invocar a falta de sorte como caminho do insucesso ao fim de todos estes anos, já não me satisfaz.

Não ganhamos porque ainda não fomos melhores! A superioridade de um colectivo não se resume a um grupo de bons jogadores que jogam nas melhores equipas e disputam os melhores torneios. É um pouco mais do que isso. É saber aguentar a pressão de ter que ganhar sem claudicar, seja a 6 minutos seja a 6 segundos do fim.

Portugal tem jogadores, tem colectivo, tem uma boa equipa técnica, tem aficionados, tem títulos, tem história mas…não tem capacidade mental para derrubar um estigma que nos persegue há 15 anos: derrotar uma equipa que, aos olhos dos nossos jogadores, por melhores que eles sejam, parece intransponível.

O facto de entrarmos em campo com a obrigação mental de termos que ganhar a uma selecção que, por este ou aquele motivo, não ganhamos há anos, deixa os jogadores tolhidos. Os últimos 10 minutos do jogo de sábado são bem o espelho do que acabo de dizer: pouca bola, pouca astúcia, pernas tremulas, olhares assutados, desconfiando que aquele golo de vantagem não era suficiente.

E esta atmosfera passou para os próprios adeptos que, por diversas vezes, durante a segunda parte, fizeram um silêncio sepulcral, agoirando um fim “trágico”.
Todos sentimos, eu próprio, que a manter-se aquela vantagem tangencial de um golo, o desfecho ia ser madrasto. Seria por culpa de um ressalto, seria por culpa de um erro de arbitragem, seria por um erro técnico?! Não sabíamos, mas sentia-se que isso era mais certo que a própria morte porque assim tem acontecido, ano após ano.

A nossa deficiência é de carácter mental e não de carácter técnico. E assim vamos continuar enquanto não surgir um “Mourinho sobre rodas” que mentalize aqueles jogadores que nós somos melhores do que eles! Que lhes diga “Em condições normais seremos campeões; e, em condições anormais…também seremos campões!”

Mudam-se os palcos, mudam-se os ambientes, mudam-se as regras, até os jogadores seleccionados mas o desfecho continua a ser o mesmo. Se Gary Lineker me estivesse a ouvir diria: são cinco contra cinco e no final ganha a Espanha.

Próxima paragem?! Angola 2013!
Até já!

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