No passado sábado jogou-se mais um Portugal Vs Espanha a contar para o Campeonato da Europa de Hóquei em Patins.
O pavilhão estava cheio, um ambiente fantástico, o
hino entoado repetidamente e a plenos pulmões, não sei se para apelar à pátria
se para apelar à troika…, cachecóis e bandeiras a drapejar. O palco estava
montado
No papel, uma hegemonia espanhola assustadora: nos
últimos 20 confrontos com os espanhóis, 17 vitórias para Espanha, 1 empate e 2
vitórias para Portugal, sendo que estas duas vitórias foram conquistadas no
torneio de Montreux, contra o refugo espanhol.
O jogo teve duas partes distintas. Se na primeira
parte Portugal esteve concentrado, rigoroso, com qualidade de passe, posse de
bola, discernimento e, sobretudo, confiança; na segunda parte, com o pressing da
selecção espanhola, tudo se alterou. A equipa amedrontou-se, os livres directos
e os penaltis começaram a não entrar e, a seis segundos do fim…golo de Bargalló
Após o jogo, tive a oportunidade de ler alguns comentários
sobre a partida e todos eles apontavam como factor determinante a falta de
sorte dos hoquistas lusos. Não concordo!!!
É verdade que Portugal se bateu de igual para igual
com os espanhóis, é verdade que sofremos o golo da derrota a escassos 6
segundos do fim mas invocar a falta de sorte como caminho do insucesso ao fim
de todos estes anos, já não me satisfaz.
Não ganhamos porque ainda não fomos melhores! A
superioridade de um colectivo não se resume a um grupo de bons jogadores que
jogam nas melhores equipas e disputam os melhores torneios. É um pouco mais do
que isso. É saber aguentar a pressão de ter que ganhar sem claudicar, seja a 6
minutos seja a 6 segundos do fim.
Portugal tem jogadores, tem colectivo, tem uma boa
equipa técnica, tem aficionados, tem títulos, tem história mas…não tem
capacidade mental para derrubar um estigma que nos persegue há 15 anos: derrotar
uma equipa que, aos olhos dos nossos jogadores, por melhores que eles sejam,
parece intransponível.
O facto de entrarmos em campo com a obrigação mental
de termos que ganhar a uma selecção que, por este ou aquele motivo, não
ganhamos há anos, deixa os jogadores tolhidos. Os últimos 10 minutos do jogo de
sábado são bem o espelho do que acabo de dizer: pouca bola, pouca astúcia,
pernas tremulas, olhares assutados, desconfiando que aquele golo de vantagem
não era suficiente.
E esta atmosfera passou para os próprios adeptos que,
por diversas vezes, durante a segunda parte, fizeram um silêncio sepulcral,
agoirando um fim “trágico”.
Todos sentimos, eu próprio, que a manter-se aquela
vantagem tangencial de um golo, o desfecho ia ser madrasto. Seria por culpa de
um ressalto, seria por culpa de um erro de arbitragem, seria por um erro
técnico?! Não sabíamos, mas sentia-se que isso era mais certo que a própria
morte porque assim tem acontecido, ano após ano.
A nossa deficiência é de carácter mental e não de
carácter técnico. E assim vamos continuar enquanto não surgir um “Mourinho
sobre rodas” que mentalize aqueles jogadores que nós somos melhores do que
eles! Que lhes diga “Em condições normais seremos campeões; e, em condições
anormais…também seremos campões!”
Mudam-se os palcos, mudam-se os ambientes, mudam-se
as regras, até os jogadores seleccionados mas o desfecho continua a ser o
mesmo. Se Gary Lineker me estivesse a ouvir diria: são cinco contra cinco e no
final ganha a Espanha.
Próxima paragem?! Angola 2013!
Até já!

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