Era suposto escrever algumas palavras sobre o jogo que o meu clube
disputou ontem, ao final da tarde, em Moscovo…porém, o que vi poucas horas depois,
em Manchester, obriga-me a alterar o discurso.
MAGNÍFICO BRAGA.
É assim que me apetece começar este pequeno apontamento sobre a equipa
que ontem à noite silenciou Old Trafford durante largos minutos.
Na antecâmara do jogo vislumbravam-se algumas contrariedades: um
pequeno David tentaria derrotar um gigante Golias, onde os milhões árabes tentariam
esmagar as engenharias financeiras e o olho para o negócio de Salvador; a ala
esquerda, sem Ismaily, exigia um Elderson concentrado, ele que quando em vez
entrega o ouro ao bandido; o banco arsenalista estava despido de soluções para refrescar
o meio-campo; o pressing alto e tão recorrente no futebol britânico, exigia
qualidade na recepção e no passe; as dificuldades eram muitas mas o palco era...o
palco dos “Sonhos”.
Era imperioso sonhar mas…sonhar em grupo, porque sonhar de forma
isolada torna os jogadores demasiado egoístas e poucos solidários.
Mas só sonhar não chegava. Era necessário encontrar uma estratégia
devidamente pensada, que permitisse retirar a bola ao adversário, que
permitisse posicionar convenientemente os jogadores para, não só fechar os
espaços, mas sobretudo fazer circular a bola ao primeiro toque evitando o
pressing contrário. Era necessário afrontar o adversário sem o desrespeitar.
Estas seriam as “cores” com que José Peseiro tentaria pintar o relvado
do Teatro dos Sonhos!
À medida que o jogo foi avançando, percebeu-se que a obra poderia ser
prima. A forma desinibida como os jogadores do SCB entraram em campo, sem medo
de errarem, sem o receio de terem a bola, fazendo-a circular, obrigando o
adversário a correr, banalizou uma das 3/4 melhores equipas do mundo. A forma
como, com segurança, conseguiram esconder a bola, deixando os minutos correrem
em direcção ao intervalo é a demonstração cabal da dimensão que o SCB atingiu
no futebol europeu.
Vi uma equipa adulta, madura, inteligente, astuta, como não me recordo
de ter visto em Old Trafford. Nem mesmo o FCP de Mourinho, que alcançou um
empate em 2004, me impressionou tanto como a primeira parte deste SCB.
Na segunda metade, o elevadíssimo ritmo de jogo que as equipas inglesas sabem impor e para o qual as equipas portuguesas não estão habituadas nem preparadas; a falta de soluções para refrescar o miolo; a incapacidade de Peseiro para arriscar, atrasando excessivamente a entrada de jogadores como Mossoró, bem como o resultado final, descoloriu um pouco o brilho demonstrado durante a primeira parte.
Ainda assim, fico satisfeito por ver uma equipa portuguesa dar uma lição de “boas maneiras” a uns ingleses burgueses e com alguma soberba.

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