quarta-feira, 24 de outubro de 2012

MAGNÍFICO BRAGA!

Era suposto escrever algumas palavras sobre o jogo que o meu clube disputou ontem, ao final da tarde, em Moscovo…porém, o que vi poucas horas depois, em Manchester, obriga-me a alterar o discurso.
 
MAGNÍFICO BRAGA.
É assim que me apetece começar este pequeno apontamento sobre a equipa que ontem à noite silenciou Old Trafford durante largos minutos.
 
Na antecâmara do jogo vislumbravam-se algumas contrariedades: um pequeno David tentaria derrotar um gigante Golias, onde os milhões árabes tentariam esmagar as engenharias financeiras e o olho para o negócio de Salvador; a ala esquerda, sem Ismaily, exigia um Elderson concentrado, ele que quando em vez entrega o ouro ao bandido; o banco arsenalista estava despido de soluções para refrescar o meio-campo; o pressing alto e tão recorrente no futebol britânico, exigia qualidade na recepção e no passe; as dificuldades eram muitas mas o palco era...o palco dos “Sonhos”.
 
Era imperioso sonhar mas…sonhar em grupo, porque sonhar de forma isolada torna os jogadores demasiado egoístas e poucos solidários.
Mas só sonhar não chegava. Era necessário encontrar uma estratégia devidamente pensada, que permitisse retirar a bola ao adversário, que permitisse posicionar convenientemente os jogadores para, não só fechar os espaços, mas sobretudo fazer circular a bola ao primeiro toque evitando o pressing contrário. Era necessário afrontar o adversário sem o desrespeitar.
 
Estas seriam as “cores” com que José Peseiro tentaria pintar o relvado do Teatro dos Sonhos!
À medida que o jogo foi avançando, percebeu-se que a obra poderia ser prima. A forma desinibida como os jogadores do SCB entraram em campo, sem medo de errarem, sem o receio de terem a bola, fazendo-a circular, obrigando o adversário a correr, banalizou uma das 3/4 melhores equipas do mundo. A forma como, com segurança, conseguiram esconder a bola, deixando os minutos correrem em direcção ao intervalo é a demonstração cabal da dimensão que o SCB atingiu no futebol europeu.
 
Vi uma equipa adulta, madura, inteligente, astuta, como não me recordo de ter visto em Old Trafford. Nem mesmo o FCP de Mourinho, que alcançou um empate em 2004, me impressionou tanto como a primeira parte deste SCB.

Na segunda metade, o elevadíssimo ritmo de jogo que as equipas inglesas sabem impor e para o qual as equipas portuguesas não estão habituadas nem preparadas; a falta de soluções para refrescar o miolo; a incapacidade de Peseiro para arriscar, atrasando excessivamente a entrada de jogadores como Mossoró, bem como o resultado final, descoloriu um pouco o brilho demonstrado durante a primeira parte.

Ainda assim, fico satisfeito por ver uma equipa portuguesa dar uma lição de “boas maneiras” a uns ingleses burgueses e com alguma soberba.

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