Na passada 6.ª feira o SLB elegeu um novo presidente para comandar e
dirigir o clube durante os próximo os quatro anos.
A campanha foi muito pobre, quer quanto ao conteúdo quer quanto à
forma. Ambas as listas utilizaram o tempo de antena concedido pelo nos órgãos
sociais para se atacarem mutuamente. Aliás, o despique a que assistimos entre Rui
Rangel e LFV foi ridículo e roçou o insulto. Não houve respeito, não houve boas
maneiras, não houve um debate esclarecedor e, por isso, útil para os sócios.
Muitos paineleiros criticaram fortemente o facto de LFV se ter negado
a aceitar um frente-a-frente com Rangel. Por mais anti-democrático que a
decisão possa parecer, eu compreendo-a e respeito-a enquanto “estratégia de jogo”:
LFV perderia no confronto directo para Rangel, uma vez que o magistrado tem
outro poder de argumentação que LFV não apresenta. A oratória não é, como
sabemos, o que mais sobressai em LFV.
Além disso, e se bem me recordo, em cerca de 30 anos de poder, quer Pinto
da Costa quer Alberto João Jardim sempre se desviaram de confrontos directos e
pessoais.
Quanto às campanhas propriamente ditas…
LFV optou por se manter na zona de conforto, utilizando um discurso já
várias vezes repetido e que para a grande maioria dos benfiquistas está gasto:
“sabemos o que estamos a fazer”; “sabemos o caminho que queremos percorrer”;
“não nos vamos desviar do que caminho que traçamos”; “vamos lutar pela verdade
desportiva”; “queremos um futebol limpo”, são frases que se vão repetindo a
cada nova campanha eleitoral, a cada novo fracasso, que descredibilizam e
desgastam a imagem de LFV.
Por outro lado, LFV continua a cometer erros crassos no seu discurso:
prometer 3 títulos nacionais e a presença numa final europeia, tudo isto nos
próximos 4 anos, é uma promessa que os sócios sabem ser demagoga, servindo apenas
como arma de arremesso a utilizar pelos nossos rivais dentro de poucos meses.
Além disso, o facto de ter recrutado no movimento “Vencer, Vencer”
Varandas Fernandes e José Eduardo Moniz fragiliza não só a posição dos próprios,
que antes atacavam e criticavam LFV, como enfraquece a posição do próprio LFV.
Admitir na sua lista um homem que nas últimas eleições o atacou
contundentemente revela em LFV fraqueza, insegurança, receio de que os sócios
possam não acreditar no seu projecto.
Por sua vez, Rui Rangel surge em pleno campo de batalha acompanhado por
soldados que, outrora, ajudaram a descredibilizar o clube: Olavo Pitta e Cunha,
Fernando Tavares, Cunha Leal, Ribeiro e Castro, José Veiga, são alguns dos
nomes associados ao passado negro do SLB. Apostar nestes elementos para a composição
dos órgãos sociais do clube é retornar ao passado e isso os adeptos e sócios do
SLB, tenho a certeza, não querem novamente.
Sinceramente, ainda hoje tenho sérias dúvidas sobre se a continuidade
de LFV será a melhor solução para o SLB. Contudo, olhando para a que foi a candidatura
de Rangel, para a falta de ideias, para a falta de soluções, não discutindo os
reais problemas do clube, perdendo 80% do tempo da sua campanha com questões de
menor importância, admito que a eleição de LFV seja um mal menor para o futuro
do clube.
Sabendo hoje que a lista eleita foi a de LFV, três questões me suscitam
enormes dúvidas e incertezas: qual o papel de José Eduardo Moniz na estrutura
da SAD? Quais consequências que as palavras proferidas por Moniz sobre a pessoa
de Rui Costa terão no seio do clube? Quais as consequências que o rompimento
das negociações com a Olivedesportos poderão ter sobre a estrutura financeira
do clube?
Nenhuma destas três questões tem resposta óbvia.
Como homem para o futebol, tenho para mim que José Eduardo Moniz será uma
nulidade. A experiência dele na área do futebol é-me totalmente desconhecida.
Por isso, apenas compreendo a sua contratação se a mesma visar uma mudança nas políticas
de comunicação e negociação levadas a cabo pelo clube: quer junto da
Olivedesportos, tentando renegociar os direitos televisivos; quer junto dos
actuais e novos sponsors, tentando obter novos contratos mediante melhores
condições; quer junto do mercado internacional, tentando potenciar ainda mais a
marca Benfica; quer junto da banca, tentando a obtenção ou mesmo a renegociação
dos empréstimos bancários já existentes, no intuito de alcançar melhores
condições de pagamento a taxas de juro mais baixas.
O que mais me inquieta na eleição de José Eduardo de Moniz é o facto
de este ter afirmado, poucas horas após ter sido eleito, que ainda não sabia que
funções que iria exercer no clube. Convida-se uma pessoa para integrar a estrutura
directiva de um clube com a grandeza, a história, a riqueza, a dimensão do Benfica
sem que o mesmo saiba qual vai ser o seu papel dentro dessa mesma estrutura?!
Saberá esta gente o que significa a palavra “planificação”?! Não compreendo!
Outra questão de enorme melindre está relacionada com o papel de Rui
Costa dentro do clube depois das palavras proferidas por Moniz durante a
campanha eleitoral. Não irá Rui Costa ser relegado para um papel ainda mais
secundário dentro do próprio clube, desmotivando-se e sentindo-se cada vez
menos útil? É que, no espaço de dois anos, o SLB contratou António Carraça para
director de todo o futebol encarnado, cargo até então desempenhado por Rui
Costa, e elegeu José Eduardo Moniz para número 2 da estrutura directiva, posição
que deve ser ocupada por quem ambiciona chegar à liderança do clube.
O fim das negociações com a Olivedesportos sobre à venda dos direitos
televisivos foi outra questão que foi decidida de forma pouco racional.
Vejamos: a empresa de Joaquim Oliveira ofereceu ao Benfica cerca de €
22.000.00,00/época.
Ora, rejeitando o Benfica € 111.000.000,00 por cinco épocas, tal
significa que o Benfica estará, ao que parece e contra todas as notícias,
endinheirado e que os 15 jogos que o clube irá realizar esta época como
visitado passarão a ser transmitidos na Benfica TV sem qualquer tipo de retorno
financeiro!…a não ser que a Benfica TV seja transformada num canal Premium,
obrigando os seus sócios e simpatizantes a pagar o mesmo, tal como já acontece
com a Sportv.
Depois desta fuga para a frente sem que se tenham medido
convenientemente as suas consequências, só vislumbro uma solução: Moniz justificar
a sua contratação, retomando as negociações com a Olivedesportos, assegurando
um encaixe financeiro que de outro modo o Benfica não vai conseguir obter.
O impacto que esta decisão de não aceitar as verbas oferecidas por
Joaquim Oliveira irá causar não é significativo, uma vez que os jogos realizados
fora do Estádio da Luz continuam a ser transmitidos pela Sportv. Que são,
provavelmente, os que mais interesse despertam não só nos benfiquistas mas
também nos demais adeptos de futebol, visto tratarem-se dos jogos em que a
probabilidade de o Benfica perder pontos é maior do que nos jogos realizados em
casa.

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