sexta-feira, 23 de novembro de 2012

OS PETRODÓLARES DO GABÃO PROVOCAM AZIA NO DRAGÃO!

Na semana passada, após o Gabão Portugal, Pinto da Costa lançou-se ferozmente aos dirigentes da FPF e, em particular, a Paulo Bento, colocando em causa os métodos de trabalho bem como os critérios técnico-tácticos utilizados pelo seleccionador nesse jogo.
Depois de ler as declarações do presidente portista, tive a oportunidade de afirmar que concordava com parte das mesmas…
 
Na realidade, olhando para o que foi o jogo bem como a sua preparação, não restam muitas dúvidas que tudo isto foi um grande equívoco…ou talvez não!
 
Primeiro equívoco: quando a FPF pensou em preencher a data agendada pela FIFA para a realização de jogos amigáveis, escolheu como adversário uma selecção africana. Ora, é aqui que a “coisa” começa a inquinar. Se bem me lembro, estamos numa apertada fase de qualificação para o Mundial de 2014 que se realiza na zona europeia, onde já defrontamos e iremos defrontar selecções do continente europeu, com um futebol em tudo diferente do futebol africano.
 
Segundo equívoco: já que se deseja muito a realização de um jogo de futebol no continente africano, num país onde o petróleo “nasce” como ervas daninhas, há que o preparar com algum cuidado. Analisar o adversário, o momento em que o jogo se realiza, as condições do pais, da cidade, do estádio, a equipa de arbitragem, o estado do relvado, é elementar na preparação de um jogo de futebol.
 
Terceiro equívoco: retirando algumas selecções de menor expressão, apenas a selecção espanhola se obrigou a uma deslocação longa à Arabia Saudita para defrontar o Panamá. Todas as demais selecções europeias realizaram jogos contra as suas congéneres da europa, no continente europeu, não se sujeitando a várias horas de voo, para jogar em países com condições climatéricas completamente antagónicas aquelas que por cá se fazem sentir.
 
É verdade que todas as grandes selecções europeias e mundiais procuram hoje em dia os jogos amigáveis para amealhar mais alguns “tostões”, sejam eles para pagar prémios, sejam eles para pagar a dirigentes e/ou treinadores, sejam eles para…investir em depósitos a prazo! Numa primeira linha, surgem selecções como a espanhola, a argentina, a brasileira ou a alemã, com um cachet a variar entre os 1,2M€ e os 2M€; numa segunda linha, as selecções inglesa, francesa, italiana ou portuguesa, com um cachet entre os 8M€ e os 1,2M€.
O que me parece é que o país de destino poderia ter sido outro. Mas haveriam outros, com melhores condições?! Tirando os petrodólares africanos ou asiáticos, não vejo que outros países, “por dá cá aquela palha”, se disponibilizassem a pagar tão elevado cachet para receber uma selecção.
 
Pinto da Costa saiu imediatamente a terreiro disparando em todas as direcções, afirmando que realizar um jogo no Gabão era “absurdo”. Mas não se ficou por aqui. Insinuou, ainda, que Paulo Bento teria protegido alguns jogadores em detrimento de outros, nomeadamente em detrimento dos jogadores do FCP, colocando em causa o poder soberano de Paulo Bento na gestão desportiva dos seus jogadores.
 
Também eu entendo que ir jogar ao Gabão, naquelas condições, perante um campo de centeio, uma equipa de arbitragem dos “Apanhados” e uma Banda do Galo que meteu “Dó”, com todo o respeito que me merece essa agremiação de sonoridades do meu concelho, é desajustado e, como afirmou “Bimbo da Costa”, absurdo.
 
Além disso, é compreensível que os presidentes dos clubes que cedem jogadores às selecções se sintam desconfortáveis quando vêm os seus activos, a quem pagam um elevado salário, jogarem em circunstâncias que potenciam a ocorrência de lesões. O que não é compreensível ou sequer credível é que discurso de quem se sente prejudicado não seja coerente e não se tenha a capacidade de o fazer junto de outras federações. Jogar nos EUA, perante a selecção brasileira, valoriza os activos de um clube? Claro que sim; jogar no Gabão contra a selecção local, num campo em péssimas condições, num contexto de insignificante mediatização não beneficia os activos de um clube? Claro que não!
 
Pois é! É aqui que reside o problema. Pinto da Costa afrontou a FPF, não o fazendo igualmente com a Federação colombiana.
Pior! Pinto da Costa imiscuiu-se no trabalho de Paulo Bento, questionando as suas opções técnicas. Recebeu troco!
O seleccionador aproveitou o ensejo para delimitar o seu espaço de actuação e enviar um recadinho ao presidente portista pedindo para que este se preocupasse em defender os interesses do seu clube e não os da selecção. Apesar do recadinho, ainda assim, Paulo Bento não foi mal-educado ou desrespeitoso para com Pinto da Costa ou para com a estrutura portista.
 
A verdade é que Pinto da Costa, do alto dos seus bons costumes ditatoriais, não aceitando que lhe digam duas ou três verdades mesmo que ditas em bons modos…ripostou! E ripostou através de um lamentável comunicado!
O comunicado é ridículo, sem qualquer base de sustento, utilizando um discurso agressivo, hostil, brejeiro, cínico, entrando no ataque pessoal, deixando no ar a ideia que a instituição FCP não pode ser passível de quaisquer apontamentos seja eles mais ou menos assertivos.
 
O problema é querer ter sol na eira (EUA) e chuva no nabal (Gabão)! E isso não é eticamente admissível!

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