quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

AS CAMBIANTES TÁCTICAS DE JJ NA PEDREIRA!


No passado sábado realizou-se mais um empolgante Benfica – Braga, a contar para a Liga Portuguesa de Futebol.
Como vem sendo hábito, a equipa encarnada foi recebida na cidade dos arcebispos com eno...rme animosidade, ambiente típico dos grandes rivais de longa data…embora, na realidade, ainda não o sejam!

A cidade que durante anos acolheu milhares de benfiquistas passou, abruptamente, a destilar ódio sobre os mesmos. Os sócios e simpatizantes do “Enorme Braga” vivem, hoje, abnegados por tentar desprestigiar o clube encarnado em tudo quanto é espaço publico de informação e opinião. Dizem os mais afoitos que para tal desiderato muito terão contribuído os tristes episódios ocorridos à entrada do túnel do Estádio Axa, na pretérita época 2009/2010. Tal facto não colhe a minha total aprovação. Este arreganhar de dentes por parte do clube e adeptos de SCB aumentou na mesma proporção que cresceu a aproximação do FCP ao clube minhoto.

Mas, vamos ao jogo e às mudanças tácticas de JJ…

JJ montou uma equipa ligeiramente diferente do habitual, reposicionando os seus jogadores num modelo táctico alternativo, mantendo, ainda assim, o seu habitual sistema táctico 4x1x3x2.
A grande alteração resultou na entrada de um médio ofensivo, Gaitan, em detrimento de um avançado, Cardozo. O argentino não é um avançado nem sequer um segundo avançado mas sabe ter bola, sabe criar desequilíbrios, joga um futebol mais apoiado e com maior qualidade na posse, sabe reter a bola quando o jogo se pretende pausado, sabe jogar ao primeiro toque quando a nota artística assim o exige. Isso permite que a equipa, a defender, fique com mais um elemento no meio campo, equilibrando a luta no miolo do terreno.

A talhe de foiço, aproveito para dizer que Gaitan veio rotulado da Argentina, do grande Boca Juniors, como um prometedor número dez e não como um médio ala/extremo. A necessidade aguça o engenho e JJ, porque nem sempre compõe planteis equilibrados, viu-se obrigado a renegar o médio argentino para a ala esquerda, por lá o mantendo durante todo este tempo.

O SCB, à semelhança das demais equipas da nossa Liga, joga com quatro médios, ora num 4x3x3 quando Alan descai para a faixa, ora num 4x4x2 losango quando o mesmo Alan aparece em zonas mais interiores do terreno, próximo de Éder.
Não é preciso perceber muito de bola para se concluir que o Benfica, apresentando apenas dois médios centro, jogaria em inferioridade numérica nessa zona do terreno. E se na primeira parte o clube encarnado conseguiu algum ascendente sobre a equipa da casa, impondo um ritmo altíssimo; na segunda metade, os dois médios decaíram em termos físicos e a equipa deixou de ter bola, não a conseguindo fazer circular. JJ correu enormes riscos e o segundo golo do SCB só não surgiu porque faltou algum discernimento aos seus jogadores.

Assim aconteceu com o SCB, assim aconteceu e tem acontecido nos jogos contra o FCP, assim tem acontecido nos jogos contra as equipas mais poderosas da LC ou da LE. E porquê? Porque todas estas equipas, salvo raras excepções, jogam em 4x3x3 ou em 4x4x2 losango. Sistemas tácticas que implicam a utilizam de 3 ou 4 médios.

Se atentarmos nos jogos mais recentes, percebemos que Enzo Perez e Matic constituem artilharia escassa para batalhas tão intensas. Sálvio e Ola Jonh (ou Gaitan, quando joga nessa posição) fecham nas alas, impedindo que o lateral contrário suba, mas não fecham no meio. Sempre que o clube encarnado enfrenta um meio campo com três ou quatro elementos obriga a que os seus dois médios centro corram muito, com e sem bola. Esta intensidade de jogo aliada ao desequilíbrio numérico existente no centro do terreno deixa sequelas físicas por demais evidentes durante, sobretudo, as segundas partes das partidas. E se este sistema táctico é eficaz contra equipas mais modestas, já não o será contra adversários de maior pendor técnico.

Assim vem jogando JJ desde que chegou ao Benfica, com uma determinante diferença: no ano que se sagrou campeão, no meio campo encarnado jogavam Javi Garcia e Pablo Aimar (alternando com Carlos Martins ou Ruben Amorim), nas alas jogavam Di Maria, um extremo puro, e Ramirez. Ora, era o brasileiro que dava o equilíbrio e balanço certo à equipa, que fazia as devidas compensações no meio… sobretudo a defender. Sempre que o Benfica perdia a bola, ocupava zonas mais interiores da faixa direita e ajuda a dupla de médios a pressionar a saída de bola do adversário. Um trabalho desgastante mas que era repartido por três…e não por dois, como agora acontece.

A única forma de contornar este handicap passaria, a meu ver, por alterar o sistema de jogo, transformando o velho e rompido 4x1x3x2 num 4x3x3 ou 4x4x2 losango. Porém, dado o adiantado da época não haverá espaço para ensaios ou experiências tácticas.
Daí que a mudança deva passar, neste momento, apenas por uma alteração cirúrgica no modelo de jogo da equipa, retirando o segundo ponta de lança e colocando no seu lugar um médio ofensivo que, a atacar, se aproxime do avançado e, a defender, se aproxime dos médios, fechando no centro. Penso que foi isto que JJ idealizou quando decidiu lançar Gaitan no jogo da Pedreira.

E se Gaitan é uma solução viável, não é ainda assim a melhor. Talvez um jogador mais próximo das características de Pablo Aimar representasse na perfeição esse papel. Não este Aimar de condição física periclitante mas aquele Aimar que gosta de ter bola, que sai em drible, que mete na esquerda e na direita, que cria o desequilíbrio com um simples toque de classe, que serve a bola numa bandeja ao ponta de lança e, simultaneamente, aquele Aimar que ajuda a defender, raçudo, com espirito de luta.
Talvez esse Aimar não volte mais…e não voltando mais, a melhor alternativa passará por Gaitan. E neste contexto, a opção de JJ para Braga foi acertada.

Quanto à arbitragem…existem dois erros objectivos e um erro subjectivo.
Os dois foras-de-jogo assinalados ao SCB foram, efectivamente, mal marcados, embora apenas o primeiro tenha impedido a que a equipa bracarense tivesse criado uma situação de iminente perigo.

O lance da expulsão de Haas, que ocorre ao minuto 85’!!!, não é claro uma vez que as imagens televisivas não foram suficientemente esclarecedoras e, portanto, não se percebe se o central alemão chega a tocar no avançado benfiquista. De qualquer forma, não me parece lance para vermelho directo uma vez que Lima ainda estava consideravelmente longe da baliza e tinha um jogador bracarense a sua ilharga. Contudo, e convém referir, o lance é precedido de uma falta cometida por Luisão sobre o jogador Móssoró.


RECORDAÇÕES DE UM...DAKAR!


Durante anos foi presença assídua nas nossas televisões. Pouco antes de se completar mais um ano civil, a “caravana do Dakar” partia rumo à descoberta do desconhecido.

A magia do deserto africano; as etapas long...as e bem madrastas em plena Mauritânia; os percalços de um abismo escondido na duna aparentemente inofensiva; o terreno empedrado inimigo da velocidade tantas vezes causador de desistências inesperadas; os sempre afoitos Tuaregues pilhando os poucos pertences que os mais desafortunados, perdidos na imensidão do deserto, aguardando a chegada do carro de assistência, ainda guardavam; as vidas dolorosamente perdidas de pilotos, jornalistas, mecânicos ou simples nómadas; o abrupto desaparecimento daquele que é considerado o pai do Rali Dakar, Thierry Sabine, num acidente de helicóptero ocorrido no Mali; a queda mortal de um dos meus “ídolos” Fabrizio Meoni, foram motivos mais do que suficientes para me apaixonar por esta aventura e por tornar o Dakar a prova de todo-o-terreno mais empolgante do desporto automóvel e uma das mais emblemáticas do desporto mundial.

Pois bem.
Hoje, que qualidade portuguesa se faz notar de forma expressiva, não existe uma única televisão em Portugal que perca trinta minutos do seu prime-time…ou de outro qualquer para mostrar ao nosso pequeno país que quem lidera o Rali Dakar na categoria de motos é um português, um tal de Ruben Faria; que o sétimo classificado também é português e dá pelo nome de Hélder Rodrigues (campeão do mundo de todo-o-terreno); que nos automóveis segue Carlos Sousa integrado no Top 10.

Temos quatro canais de desporto pagos e não existe um que apresente um pequeno resumo do que aqueles valentões andam a fazer pela Argentina, Chile ou Peru.

Há espaço para transmitir de forma exaustiva o Campeonato do Mundo de Andebol; há espaço para transmitir desportos radicais; há espaço para transmitir um desporto parvo, totalmente encenado, praticado dentro de uma arena; há espaço para mostrar imensos jogos dos campeonatos americanos de futebol, basquetebol ou hóquei no gelo; há espaço para mais, muito mais…mas depois não existem 20 ou 30 minutos de atenção para mostrar o que é nosso.

Quem viu os duelos protagonizados por Jean-Louis Schlesser e Jutta Kleinshmidt, as vitórias consecutivas de Peterhansel, a loucura de Jordi Arcarons, a mestria de Ari Vatanen ou Pierre Lartigue colado ao televisor todos as noites aguardando com frenesim aquele bloco de imagens repletas de emoção, não pode deixar de estar triste com a forma como Portugal tem tratado o seu desporto.


AS ENTRANHAS DO CLÁSSICO!!!


Ontem jogou-se mais um clássico do nosso futebol.

Vitor Pereira iniciou o pre-match manifestamente ao ataque. O facto de JJ, dias antes, ter afirmado que o Benfica estava ainda em quatro competições não era motivo suficiente para despertar no técnico portista um discurso ressabiado, num tom agressivo e pouco elegante, quer para com o seu colega de trabalho quer para com o seu grande rival.

Em momento algum JJ ou outro técnico ou dirigente benfiquista falou de um “grande Benfica” ou do “clube com o melhor ataque ou com a melhor equipa do campeonato”. Contudo e ainda assim, VP tomou essas expressões como proferidas por representantes do Benfica quando na realidade as mesmas, a terem sido proferidas, foram-no por aspirantes a paineleiros, eventuais jornalistas ou simples adeptos/simpatizantes do clube encarnado.

Se prestarmos alguma atenção, percebemos que foi VP quem fez a festa, lançou os foguetes e apanhou as canas, tentando, no meio desta confusão, passar a ideia que foi o Benfica, enquanto clube, quem acicatou ânimos e despoletou polémicas. E não foi!

Um treinador não se pode deixar embarcar por cantigas do bandido só porque o seu presidente as tem. Não deve papaguear da mesma gaiola. Tem o dever intelectual e moral de demonstrar alguma independência e elevação na resposta à análise dos jogos e declarações dos seus adversários.

Mas este discurso agressivo do treinador portista tem sido recorrente em todos os técnicos que têm passado pelo clube azul-e-branco. Se o fazem para justificar a dedicação e entrega ao clube, tal não faz sentido porque assiduamente todos eles apresentam resultados e conquistas.

JOGO JOGADO…

Quanto ao jogo jogado, embora entendesse antes do mesmo que as equipas se equilibravam nos vários sectores, um havia relativamente ao qual levantava grande dúvidas: seriam Matic e Enzo Pérez capazes de equilibrar a luta a meio-campo com Fernando, Moutinho, Lucho e, a espaços Defour? Não seria mais ajustado deixar Lima no banco e colocar P. Aimar atrás do ponta-de-lança, dando maior consistência ao “miolo” do terreno? Mas isso não retiraria expressão ao ataque? Eram dúvidas que cabia a JJ resolver.

Na primeira parte, este meu receio não se concretizou uma vez que a capacidade física e técnico-táctica de Matic foi escondendo e derrubando a natural supremacia que os números deixavam a nu. Os golos surgiram em catadupa, com as respectivas defesas a entregarem os seus últimos presentes de Natal. Terminadas as ofertas e um grande golo de Matic, o jogo escorreu sem grandes motivos de interesse para o intervalo.

Na segunda parte, o ascendente do meio campo portista foi efectivo, JJ demorou a mexer na zona intermediária e o Porto assumiu definitivamente as despesas do jogo, sem, ainda assim, materializar em oportunidades de golo esse mesmo ascendente, cabendo, inclusive, a Cardozo a grande oportunidade de golo da segunda parte.

Embora a segunda parte possa revelar um maior ascendente por parte do FCP, a verdade é que as estatísticas finais dizem-nos que o SLB foi um pouco mais em tudo: em remates, em remates à baliza, em cantos, em roubos de bola, em oportunidades de golo. Aliás, a posse de cada uma das equipas é reveladora do equilíbrio que a disputa dentro das quatro linhas e o resultado espelham.

HOMENS DO JOGO…

Matic (SLB) e Mangala/Alex Sandro (FCP)

CASOS DO JOGO…

Entendo que o lance de Maxi não é para vermelho directo. Maxi não entra com os pitons na frente, às pernas do jogador portista. A entrada é dura mas não foi mais do que uma rasteira as pernas de Moutinho...bem longe de uma agressão ao peito como Vitor Pereira, em plena conferência de imprensa, ferozmente tentou fazer querer.

Afirmar repetidas vezes que Maxi deveria ter sido expulso nem por isso torna obrigatória ou verdadeira a sua expulsão.

Alguns amarelos ficaram por mostrar a jogadores portistas: lembro os lances de Mangala, Lucho, Fernando ou Moutinho; lembro as cargas duríssimas sobre a cabeça e o pescoço dos jogadores encarnados nos duelos aéreos; lembro o excesso de agressividade dos jogadores portistas com os braços e cotovelos; lembro o amarelo a Moutinho, ao minuto 82’, depois de um chorrilho de faltas; lembro a duríssima entrada de Fernando sobre o pé de Gaitan que nada fica a dever à entrada de Maxi.

O segundo amarelo a Matic deveria ter sido, efectivamente, exibido bem como o respectivo vermelho. A falta cometida pelo jogador sérvio cortou uma potencial jogada de perigo do FCP, logo, é cartão amarelo. Como era o segundo, deveria ter ido para a rua.

A conversa do fora-de-jogo é fiada uma vez que este tipo de lances são recorrentes todos os fins-de-semana nos vários campeonatos nacionais por essa europa fora. Além disso, só me recordo de um fora-de-jogo mal assinalado no clássico: o fora-de-jogo não assinalado a Maicon…

Agora, de forma séria. Embora possam existir três foras-de-jogo mal assinalados ao ataque portista, saliento apenas dois que terão impedido, efectivamente, que o FCP criasse eventuais oportunidades de golo.

DECLARAÇÕES DE VP E PC…

As declarações de VP, no final do encontro, continuaram, tal como na antevisão, ridículas! A forma desenfreada como se atirou ao estilo de jogo do Benfica é patética. Caro VP, a “bola longa para o Cardozo”, “as segundas bolas” ou “o pontapé para a frente” ficaram expressos nos dois golos marcados pelo Benfica, especialmente no primeiro golo.

Também Pinto da Costa, como é seu apanágio sempre que não ganha, decidiu colocar a boca no trombone e dar música, música habitual, de um CD com excesso de uso, bastante riscado!

Para além de tentar fazer do equívoco do site da Liga um caso, afirmou que o FCP teve mais oportunidades de golo e por isso merecia ter vencido, quando foi precisamente o Cardozo a ter a única oportunidade de golo na segunda parte.

Estava esperançado que volta-se a repetir “vozes de burro não chegam há UEFA”. Contudo, como o golo fantasma não surgiu ao minuto 90, teve que atacar a equipa de arbitragem.

DECLARAÇÕES DE LPV…

Registo ainda as declarações de LFV que, agora sim, começa a perceber de que forma deve responder a PC: com ironia e sarcasmo! O resto é conversa!