quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
RECORDAÇÕES DE UM...DAKAR!
Durante anos foi presença assídua nas nossas televisões. Pouco antes de se completar mais um ano civil, a “caravana do Dakar” partia rumo à descoberta do desconhecido.
A magia do deserto africano; as etapas long...as e bem madrastas em plena Mauritânia; os percalços de um abismo escondido na duna aparentemente inofensiva; o terreno empedrado inimigo da velocidade tantas vezes causador de desistências inesperadas; os sempre afoitos Tuaregues pilhando os poucos pertences que os mais desafortunados, perdidos na imensidão do deserto, aguardando a chegada do carro de assistência, ainda guardavam; as vidas dolorosamente perdidas de pilotos, jornalistas, mecânicos ou simples nómadas; o abrupto desaparecimento daquele que é considerado o pai do Rali Dakar, Thierry Sabine, num acidente de helicóptero ocorrido no Mali; a queda mortal de um dos meus “ídolos” Fabrizio Meoni, foram motivos mais do que suficientes para me apaixonar por esta aventura e por tornar o Dakar a prova de todo-o-terreno mais empolgante do desporto automóvel e uma das mais emblemáticas do desporto mundial.
Pois bem.
Hoje, que qualidade portuguesa se faz notar de forma expressiva, não existe uma única televisão em Portugal que perca trinta minutos do seu prime-time…ou de outro qualquer para mostrar ao nosso pequeno país que quem lidera o Rali Dakar na categoria de motos é um português, um tal de Ruben Faria; que o sétimo classificado também é português e dá pelo nome de Hélder Rodrigues (campeão do mundo de todo-o-terreno); que nos automóveis segue Carlos Sousa integrado no Top 10.
Temos quatro canais de desporto pagos e não existe um que apresente um pequeno resumo do que aqueles valentões andam a fazer pela Argentina, Chile ou Peru.
Há espaço para transmitir de forma exaustiva o Campeonato do Mundo de Andebol; há espaço para transmitir desportos radicais; há espaço para transmitir um desporto parvo, totalmente encenado, praticado dentro de uma arena; há espaço para mostrar imensos jogos dos campeonatos americanos de futebol, basquetebol ou hóquei no gelo; há espaço para mais, muito mais…mas depois não existem 20 ou 30 minutos de atenção para mostrar o que é nosso.
Quem viu os duelos protagonizados por Jean-Louis Schlesser e Jutta Kleinshmidt, as vitórias consecutivas de Peterhansel, a loucura de Jordi Arcarons, a mestria de Ari Vatanen ou Pierre Lartigue colado ao televisor todos as noites aguardando com frenesim aquele bloco de imagens repletas de emoção, não pode deixar de estar triste com a forma como Portugal tem tratado o seu desporto.
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