Ontem jogou-se mais um clássico do nosso futebol.
Vitor Pereira iniciou o pre-match manifestamente ao
ataque. O facto de JJ, dias antes, ter afirmado que o Benfica estava ainda em
quatro competições não era motivo suficiente para despertar no técnico portista
um discurso ressabiado, num tom agressivo e pouco elegante, quer para com o seu
colega de trabalho quer para com o seu grande rival.
Em momento algum JJ ou outro técnico ou dirigente
benfiquista falou de um “grande Benfica” ou do “clube com o melhor ataque ou
com a melhor equipa do campeonato”. Contudo e ainda assim, VP tomou essas
expressões como proferidas por representantes do Benfica quando na realidade as
mesmas, a terem sido proferidas, foram-no por aspirantes a paineleiros,
eventuais jornalistas ou simples adeptos/simpatizantes do clube encarnado.
Se prestarmos alguma atenção, percebemos que foi VP
quem fez a festa, lançou os foguetes e apanhou as canas, tentando, no meio
desta confusão, passar a ideia que foi o Benfica, enquanto clube, quem acicatou
ânimos e despoletou polémicas. E não foi!
Um treinador não se pode deixar embarcar por cantigas
do bandido só porque o seu presidente as tem. Não deve papaguear da mesma
gaiola. Tem o dever intelectual e moral de demonstrar alguma independência e
elevação na resposta à análise dos jogos e declarações dos seus adversários.
Mas este discurso agressivo do treinador portista tem
sido recorrente em todos os técnicos que têm passado pelo clube azul-e-branco.
Se o fazem para justificar a dedicação e entrega ao clube, tal não faz sentido
porque assiduamente todos eles apresentam resultados e conquistas.
JOGO JOGADO…
Quanto ao jogo jogado, embora entendesse antes do
mesmo que as equipas se equilibravam nos vários sectores, um havia
relativamente ao qual levantava grande dúvidas: seriam Matic e Enzo Pérez
capazes de equilibrar a luta a meio-campo com Fernando, Moutinho, Lucho e, a
espaços Defour? Não seria mais ajustado deixar Lima no banco e colocar P. Aimar
atrás do ponta-de-lança, dando maior consistência ao “miolo” do terreno? Mas
isso não retiraria expressão ao ataque? Eram dúvidas que cabia a JJ resolver.
Na primeira parte, este meu receio não se concretizou
uma vez que a capacidade física e técnico-táctica de Matic foi escondendo e
derrubando a natural supremacia que os números deixavam a nu. Os golos surgiram
em catadupa, com as respectivas defesas a entregarem os seus últimos presentes
de Natal. Terminadas as ofertas e um grande golo de Matic, o jogo escorreu sem
grandes motivos de interesse para o intervalo.
Na segunda parte, o ascendente do meio campo portista
foi efectivo, JJ demorou a mexer na zona intermediária e o Porto assumiu
definitivamente as despesas do jogo, sem, ainda assim, materializar em
oportunidades de golo esse mesmo ascendente, cabendo, inclusive, a Cardozo a
grande oportunidade de golo da segunda parte.
Embora a segunda parte possa revelar um maior ascendente
por parte do FCP, a verdade é que as estatísticas finais dizem-nos que o SLB
foi um pouco mais em tudo: em remates, em remates à baliza, em cantos, em
roubos de bola, em oportunidades de golo. Aliás, a posse de cada uma das
equipas é reveladora do equilíbrio que a disputa dentro das quatro linhas e o
resultado espelham.
HOMENS DO JOGO…
Matic (SLB) e Mangala/Alex Sandro (FCP)
CASOS DO JOGO…
Entendo que o lance de Maxi não é para vermelho
directo. Maxi não entra com os pitons na frente, às pernas do jogador portista.
A entrada é dura mas não foi mais do que uma rasteira as pernas de
Moutinho...bem longe de uma agressão ao peito como Vitor Pereira, em plena
conferência de imprensa, ferozmente tentou fazer querer.
Afirmar repetidas vezes que Maxi deveria ter sido
expulso nem por isso torna obrigatória ou verdadeira a sua expulsão.
Alguns amarelos ficaram por mostrar a jogadores
portistas: lembro os lances de Mangala, Lucho, Fernando ou Moutinho; lembro as
cargas duríssimas sobre a cabeça e o pescoço dos jogadores encarnados nos duelos
aéreos; lembro o excesso de agressividade dos jogadores portistas com os braços
e cotovelos; lembro o amarelo a Moutinho, ao minuto 82’, depois de um chorrilho
de faltas; lembro a duríssima entrada de Fernando sobre o pé de Gaitan que nada
fica a dever à entrada de Maxi.
O segundo amarelo a Matic deveria ter sido, efectivamente,
exibido bem como o respectivo vermelho. A falta cometida pelo jogador sérvio cortou
uma potencial jogada de perigo do FCP, logo, é cartão amarelo. Como era o
segundo, deveria ter ido para a rua.
A conversa do fora-de-jogo é fiada uma vez que este
tipo de lances são recorrentes todos os fins-de-semana nos vários campeonatos nacionais
por essa europa fora. Além disso, só me recordo de um fora-de-jogo mal
assinalado no clássico: o fora-de-jogo não assinalado a Maicon…
Agora, de forma séria. Embora possam existir três
foras-de-jogo mal assinalados ao ataque portista, saliento apenas dois que terão
impedido, efectivamente, que o FCP criasse eventuais oportunidades de golo.
DECLARAÇÕES DE VP E PC…
As declarações de VP, no final do encontro,
continuaram, tal como na antevisão, ridículas! A forma desenfreada como se
atirou ao estilo de jogo do Benfica é patética. Caro VP, a “bola longa para o
Cardozo”, “as segundas bolas” ou “o pontapé para a frente” ficaram expressos nos
dois golos marcados pelo Benfica, especialmente no primeiro golo.
Também Pinto da Costa, como é seu apanágio sempre que
não ganha, decidiu colocar a boca no trombone e dar música, música habitual, de
um CD com excesso de uso, bastante riscado!
Para além de tentar fazer do equívoco do site da Liga
um caso, afirmou que o FCP teve mais oportunidades de golo e por isso merecia
ter vencido, quando foi precisamente o Cardozo a ter a única oportunidade de
golo na segunda parte.
Estava esperançado que volta-se a repetir “vozes de
burro não chegam há UEFA”. Contudo, como o golo fantasma não surgiu ao minuto
90, teve que atacar a equipa de arbitragem.
DECLARAÇÕES DE LPV…
Registo ainda as declarações de LFV que, agora sim,
começa a perceber de que forma deve responder a PC: com ironia e sarcasmo! O
resto é conversa!

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