terça-feira, 14 de junho de 2011

O FUTURO DE NUNO GOMES



Depois do que se disse e escreveu sobre o futuro de Nuno Miguel Soares Pereira Ribeiro, mais conhecido no mundo do futebol por Nuno Gomes, não podia deixar de emitir a minha opinião.
  
Desde há vários meses a esta parte se tem falado com insistência sobre o destino do camisola 23 do Benfica, contudo, tal novela conheceu recentemente o seu apogeu.
Primeiro, com a imprensa a proclamar justiça sobre o avançado do Benfica; depois, alguns jogadores e dirigentes do nosso futebol a vestirem a capa de justiceiros, apontando o dedo a direcção do SLB e sobretudo a JJ.
Todo este alarido deve-se ao facto de correr na pena dos “jornaleiros” deste país o boato que Nuno Gomes terá sido convidado a integrar um cargo na estrutura de futebol do clube em detrimento do prosseguimento da sua já longa carreira de jogador de futebol. Contudo, tais iluminados não concretizam nem especificam os referidos boatos.
Que os jornais especulem, não me espanta. O que me espanta é que colegas de profissão, e sobretudo, dirigentes do nosso futebol, o façam sem qualquer conhecimento “in casu”, de forma totalmente gratuita.
Primeiro, foi Bock, jogador de 35 anos do Freamunde, confesso benfiquista, a reagir, afirmando que “é uma vergonha o que o Benfica está a fazer ao Nuno Gomes. Ele merecia outro tratamento, é um grande jogador e acima de tudo um grande homem e um grande benfiquista”.
E eu pergunto: Mas afinal o que sabe este senhor para afirmar tal coisa?!
Depois, foi a vez de António Joaquim, mais conhecido por Quim, actual guarda-redes do SCB, ex-atleta do SLBenfica, vir a terreiro exprimir também ele a sua opinião, afirmando a respeito de Nuno Gomes o seguinte: “ (…) acho que não merece o que está a passar no Benfica por tudo o que deu ao clube (…)”.
Mas não merece, o quê?? O que é que ele sabe que mais ninguém sabe? Fica claro que Quim aproveitou a ocasião para se fazer “ladrão”, ou seja, aproveitou o ensejo para, mais do que solidarizar-se com um colega de profissão, dar uma alfinetada no treinador que na época passada o dispensou, em pleno Trio d’Ataque;
Para fim de festa, só faltava Joaquim Evangelista, esse profeta das causas perdidas, deixar a sua opinião “ (…) no futebol português há jogadores que, pelo estatuto que adquiriram junto dos adeptos, causam muitas reservas e muitos medos a alguns dirigentes. Tenho pena que esteja a ter este tratamento. Até admito que no Benfica achem que este é o comportamento adequado, mas eu, enquanto adepto, gostava que o Nuno tivesse outra defesa da sua honra e do seu profissionalismo, que muitas vezes não tem.”
Uii! Que medo! Andam por aí, à solta, o mafarrico das sete cabeças.
Não acham estas afirmações inadmissíveis?! Já não é a primeira vez que o Sr. Evangelista tem este tipo de tiradas verdadeiramente inacreditáveis que mais não servem senão para acicatar as relações entre os vários agentes desportivos e criar verdadeiros cavalos-de-batalha, nada contribuindo para o apaziguamento das tensões que se vivem no futebol português, e que são reflexo do nosso Estado Social.
Se admito compreender as motivações dos companheiros de profissão de Nuno Gomes, o mesmo já não se passa com o presidente do SJPF (Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol), homem com responsabilidades de elevada patente no dirigismo desportivo português.
Onde é que JJ ou a direcção do SLBenfica erraram em todo este processo? A meu ver em parte nenhuma.
Nos últimos dois anos, Nuno Gomes praticamente não jogou pelo Benfica. Durante esse período chegou a demonstrar por diversas vezes o seu descontentamento pelo facto de ser pouco utilizado por JJ. Contudo, o técnico entendeu, à época, que o jogador era importante para o grupo e manifestou-lhe essa vontade. Acontece que, este ano, a conjuntura alterou-se, o jogador tem mais dois anos, o técnico precisa urgentemente de apetrechar a equipa com novas soluções tentando devolver o título nacional ao clube, e como tal, entendeu que Nuno Gomes, enquanto jogador, já não seria importante para a equipa, podendo o ser enquanto elemento da estrutura técnica ou directiva, estando próximo dos jogadores e transmitindo-lhes toda a sua experiência.
Não foi assim que aconteceu com Vítor Baía, com Pedro Emanuel…e com tantos outros?!
Pois foi! Mas com o Benfica é diferente! O que vende jornais é a especulação e para tal é necessário pintar as capas dos periódicos com títulos a letras gordas onde se possa ler “Ingratidão do SLBenfica”.
Ora, eu não tenho memória curta, como tal, vou ser directo e, se necessário, caustico.
Primeira questão importante a ser abordada: quanto ganha mensalmente Nuno Gomes?
€ 50.000? € 100.000? € 125.000? Não sei com rigor, mas garanto-vos que não deverá andar muito longe da centena de milhar de euros. No final do ano vejam o gasto mensal que um clube despende com um jogador que, representa a mística do Benfica…mas é pouco utilizado. Hoje, as SAD’S estão cotadas em bolsa e como tal têm uma perspectiva economicista do futebol que não tinham antes. Antigamente havia mais amor ao clube mas menos dinheiro investido em salários e contratações. É preciso perceber que o futebol mudou.
A segunda questão prende-se como passado de Nuno Gomes.
Estaremos todos de acordo que os 12 anos que o jogador leva de clube constituem, nos dias de hoje, marco importante, quer na vida da instituição quer na vida do próprio jogador mas…convínhamos! Aqueles que hoje se colocam na fila da frente a defender a honra e o respeito por Nuno Gomes foram os mesmos que durante anos disseram e escreveram cobras e lagartos sobre o seu desempenho dentro de campo. Aliás, falavam incessantemente na necessidade de o Benfica contratar um avançado com créditos firmados na Europa visto Nuno Gomes não ser a solução para o futuro.
Será que já se esqueceram das parcas exibições que durante várias temporadas Nuno Gomes produziu?! Lembro-me bem da quantidade de impropérios que insinuava sempre que assistia aos jogos do Benfica e via um Nuno Gomes perdulário e pouco assertivo no passe. Isto aconteceu muitas vezes.
Épocas houve em que, jogo após jogo, era sistematicamente vaiado e assobiado pelos sócios, fartos da sua falta de acerto.
O que mais me incomoda é que, até ver, ninguém sabe o que terá acontecido ou o que o Benfica terá proposto a Nuno Gomes. Apenas se especula: jornalistas, dirigentes, jogadores…todos. E o mais engraçado é que, até hoje, ainda não ouvi o jogador falar o que quer que fosse sobre o seu futuro.
Mas não tem problema! “ Os mensageiros da verdade” falam por ele…É que isto também vende jornais.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

O ADEUS DE UM VERDADEIRO FENÓMENO



Ronaldo Luís Nazário de Lima, também conhecido por Fenómeno, despediu-se esta madrugada, em pleno estádio Pacaembu, da selecção canarinha e do mundo do futebol.
Depois da magia de Maradona, o mundo do futebol ansiava por uma nova estrela, alguém que voltasse a despertar paixões e emoções. Esse clímax foi protagonizado com o aparecimento de Ronaldo.
Embora tenha visto jogar grandes portentos do futebol mundial, como Romário, Stoichkov, Van Basten, Klisman, Zamorano, Cantona, Roberto Baggio, Maradona, George Weah, Batistuta, entre muitos outros, nenhum comparável com R9. Nem o mítico Van Basten, por muitos considerado o melhor avançado da história do futebol, se sobrepõe a ele.
A sua capacidade física, aliada a uma capacidade técnica estonteante, faziam dele um verdadeiro fenómeno, alcunha adquirida em Itália quando ao serviço do Inter de Milão.
Possuía duas enormes qualidades: por um lado, a velocidade com que” metia” o drible; e por outro, a rapidez de arranque, comummente designado, “pick”.
Expoente máximo do que acabo de dizer foi “aquele” golo apontado, em 1997, ao Celta de Vigo, em que agarra a bola no seu meio campo, dribla vários adversários, inclusive, o guarda-redes e só termina com a bola no fundo das redes. Fabuloso!
Foi distinguido como melhor jogador do mundo por três ocasiões: 1996, 1997 e 2002
Iniciou-se o seu percurso profissional no Cruzeiro de Belo Horizonte.
Aos 17 decide dar o salto para a Europa, transferindo-se para o PSV Eindhoven. Por aí permanece durante dois, até despertar a cobiça dos “olheiros” do Barcelona, transferindo-se então para o clube de Bobby Robson e Mourinho.
É no clube culé que Ronaldo explode, demonstrando toda a sua classe, todos os seus recursos técnicos. Municiado na perfeição por um trio de luxo, composto por Luís Figo, Ivan De La Peña e Luís Enrique, acabaria por apontar 47 golos em 49 partidas!
Após uma época arrebatadora em Espanha, divergências com Josep Lluis Nuñez, à data presidente do Barcelona, motivadas por questões salariais, haveriam de precipitar a sua saída do clube blaugrana, levando-o assinar pelo Inter de Milão, por “módicos” 32 milhões de dólares.
 Quando sai de Barcelona, R9 é um fenómeno em todos os sentidos, não só dentro de campo mas também fora dele. Um “produto bastante apetecível”, uma vez que o retorno financeiro proveniente, quer do merchandising quer da publicidade, permitiam financiar o seu custo.
Como era rápido, hábil e possuidor de uma capacidade técnica invejável, os italianos entenderam que, com um maior desenvolvimento muscular, Ronaldo tornar-se-ia uma máquina, um ser nunca visto no mundo do futebol.
A verdade é que esta decisão haveria de constituir um verdadeiro “toque de midas” no percurso de R9.
Se na sua primeira época em Itália Ronaldo ainda se aguentou, daí em diante tudo se desvaneceu.
Começou o calvário das lesões com sucessivas cirurgias ao joelho, implicando paragens bastante prolongadas.
Os preparadores físicos italianos não perceberam que o exagerado desenvolvimento muscular de R9 lhe poderia trazer complicadas lesões ligamentares. E de facto trouxe.
O desenvolvimento muscular a que foi sujeito foi de tal forma intenso e agressivo que o corpo de R9 reagiu da pior forma. Aliás, há quem use uma expressão que personifica na perfeição o que aconteceu a R9 na sua passagem por Itália: “Ronaldo rebentou”. Ou por outra, rebentaram com ele.
Como se já não bastassem às constantes lesões, R9 começa a ganhar peso, passando para o exterior a imagem de um jogador desleixado, o que levanta muita desconfiança junto dos adeptos nerazzurri. Além disso, começam a surgir rumores e boatos sobre a sua vida privada, notícias sobre relações extraconjugais.
Com o intuito de tentar dar um novo rumo à sua vida, em 2002 R9 decide mudar-se para o Real Madrid onde permanece durante cinco anos.
Aí, já a chama de Ronaldo se tinha apagado, ora porque as suas exibições eram bastante discretas (era mais o tempo a recuperar de lesões do que a treinar) ora porque outros pequenos fenómenos do mundo do futebol se levantavam, nomeadamente Figo, Zidane ou Ronaldinho Gaúcho.
Na capital espanhola, a onde de lesões continuou e R9 apenas aparecia a espaços, deixando aqui e ali alguns “rasgos” do seu futebol
Os problemas associados ao excesso de peso permanecem, muito por culpa do tempo que se encontrava inactivo – mais tarde haveria de confidenciar que o seu excesso de peso estava associado a um problema de saúde (tiróidismo!).
Ora, perante este cenário, a imprensa espanhola não se coibiu a utilizar R9 como autêntico chamariz para vender jornais e revistas. Diariamente saíam notícias sobre a sua condição física, sobre os seus amores…e desamores. Aliás, nos últimos tempos em Madrid, tal como havia acontecido nos últimos anos em Milão, era já alvo do humor e ironia dos tablóides espanhóis.
Em 2007, farto desta situação, decide mudar novamente de ares e opta, nesta nova fase da sua vida, por regressar ao local do “crime”, o mesmo é dizer, regressar novamente a Itália e à cidade de Milão mas desta vês ao ACMilan.
Por aí fica apenas um ano, onde marca apenas 9 golos em 20 jogos disputados. O único facto assinalar nesta segunda passagem por Itália é uma célebre noite em que R9 decide convidar duas senhoras para passarem a noite consigo num quarto de hotel. Durante a noite descobre que afinal são…dois homens (travestis).
Veja-se ao ponto que chegou a vida de R9.
No final da época, e já numa fase terminal da sua carreira, decide regressar ao Brasil, ao conceituado Corinthians. Esteve dois anos no “Timão”, contudo, o regresso às origens não foi muito feliz. O seu problema com o excesso de peso continuou, sendo raras as aparições na “quadra”.
No dia 14 de Fevereiro deste ano decide colocar um ponto final na sua brilhante carreira. Esta noite, despediu-se da canarinha e arrumou de vez as chuteiras.


terça-feira, 7 de junho de 2011

ORGULHO EM SER PORTUGUÊS!



No passado sábado a selecção nacional de futebol jogou mais uma importante cartada rumo ao objectivo final: alcançar o apuramento directo para a fase final EURO’2012. Portugal não comprometeu, batendo a Noruega, líder do grupo, por uma bola a zero.

Contudo, no decorrer do jogo, e bem ao estilo latino, a selecção nacional foi várias vezes vaiada e assobiada pelos adeptos presentes no estádio.
É bem verdade que a exibição foi frouxa, a roçar a mediocridade, contudo, mais do que uma bela exibição, o que se exigia a Portugal era uma vitória e esse objectivo foi alcançado.
Não nos podemos esquecer que há cerca de 8 meses Portugal estava no 3.º lugar do grupo, com pé e meio fora do “comboio” que, em Junho de 2012, levará 16 equipas à Polónia e à Ucrânia. Hoje, passado o cabo das tormentas, Portugal está já dentro da carruagem, à procura de um lugar onde se sentar.
É impressionante como os adeptos rapidamente esquecem a depressão em que a nossa selecção caiu no pós-mundial e o trabalho anti-depressivo que Paulo Bento realizou de então para cá.

Num momento tão decisivo quanto o de sábado, o que preferiam os portugueses no final dos 90 minutos: que Portugal tivesse obtido uma grandiosa vitória moral ou apenas uma humilde vitória, com uma exibição cinzenta e sem brilho mas que valeu “ouro”?!
Eu defendo a segunda e faço-o porque não tenho memória curta e não me esqueço que fomos durante anos os líderes das vitórias morais. Tendência que haveria de começar a ser contrariada no reinado de Scolari.
Além disso, daqui a cerca de um ano, quando estivermos a caminho da fase final, como espero e desejo, já ninguém se lembrará, estou certo, desta medíocre exibição que, não esqueçamos, valeu três valiosos pontos.
Tenho a certeza que motiva mais uma vitória descolorida do que uma derrota esfuziante e luzidia

Analisemos os factos…

Um aspecto determinante para a falta de rendimento apresentado pela equipa das quinas foi o facto de grande parte dos seus jogadores se encontrarem sem competir á já várias semanas. Casos de João Pereira, Fábio Coentrão, Pepe, Carlos Martins ou Hélder Postiga. Notou-se alguma falta de ritmo por parte da zona intermediária portuguesa, com pressão baixa e muita lentidão na circulação de bola, permitindo à Noruega, com um bloco baixo, anular com relativa facilidade as nossas linhas de passe.
A verdade é que Paulo Bento não tinha nem tem escolha, uma vez o leque de opções é, fruto da desastrosa política de contratações dos clubes nacionais, muito curto, e os melhores são, com uma ou outra excepção pontual, os que jogaram.
Em suma, parece-me que o mais importante foi a vitória, independentemente da exibição. À que incutir na mentalidade portuguesa algum pragmatismo britânico.

Outra situação que me incomodou profundamente foi ver a falta de reconhecimento e de gratidão de que padecem os portugueses e que é potenciada por uma coisa tão nossa…a inveja!
Temos actualmente um dos dois ou três maiores embaixadores de Portugal no mundo, e no entanto, continuamos a desprezar o que de melhor temos: refiro-me obviamente a C. Ronaldo. Não podemos tratar “daquela” maneira uma pessoa, uma figura que em Portugal é criticado por muitos e no exterior aclamado por quase todos. Só Mourinho e talvez Eusébio têm a projecção mediática de CR7. Mais nenhum (estou obviamente a cingir-me às figuras que despontam no desporto).
Quão bonito seria dar-mos valor ao que é nosso, termos orgulho em “possuir” um jogador daquela dimensão, figura ímpar no futebol inglês e espanhol, com recordes sucessivos nesses dois países. Isso não significa que teremos que idolatrar CR7, não gosto de histerismos…não é a isso que me refiro. Apenas um pouco de carinho por quem nos representa de forma tão prestigiante.
Se Portugal, um pequeno país à beira mar plantado, é reconhecido e identificado nos países mais recônditos do globo, muito o devem a CR7. Caso contrário, nunca saberiam que Portugal existe.
Incomoda-me que a generalidade dos comentários sobre notícias de CR7, publicadas nos jornais desportivos online, sejam tendencialmente de carácter depreciativo, em benefício do que não é nosso. Aborrece-me solenemente esta mentalidade tacanha dos portugueses.
Olhemos para outros exemplos e para a forma como são tratados pelas suas “gentes”. Só a título de exemplo, e porque a figura em causa é em muito semelhante a CR7: reparem no tratamento que durante anos, e ainda hoje, os ingleses dão a David Beckam sempre que regressa ao seu país?!

Acho que é elucidativo!

sexta-feira, 3 de junho de 2011

"NÃO HAVIA NECESSIDADE"


Está marcada para este sábado a realização da última jornada do Campeonato Nacional de Hóquei Patins, onde se realizam, entre outros, os jogos Benfica - Porto Santo SAD e o FCPorto – Oliveirense.

Avistando a classificação, constatamos que FCPorto e SLBenfica partilham a liderança da tabela classificativa, com vantagem para o FCPorto devido ao desempate pelo confronto directo. Isto significa que estas duas partidas são decisivas para que se encontre o próximo campeão nacional, até porque, apenas estes dois clubes podem ambicionar tal desiderato, visto os demais estarem, à muito, arredados da conquista pelo título
Até aqui, tudo normal. Porém…

…nos bastidores do hóquei patinado português circula a informação de que o próximo treinador dos azuis-e-brancos será Tó Neves, actual jogador/treinador da…Oliveirense, próximo adversário do FCPorto.
Não compreendo como o dirigismo desportivo português se presta a este tipo de especulação.

Não seria bem mais saudável que se evitassem este tipo de situações?! A mim parece-me que sim. De que forma? Simples. No caso em concreto, bastava que o actual treinador do FCPorto, Franklim Pais, esperasse pelo final da época para anunciar que não iria continuar aos comandos do clube nortenho, em vez de o ter feito à já algumas semanas.
Se assim fosse, não surgia a notícia, ou pelo menos, a especulação não seria tão credível. Mas não, à boa maneira portuguesa, gostamos de uma boa fofoca…de preferência, pública.

E esta não é uma situação sem exemplo. Nos mais diversos quadrantes do desporto nacional, são inúmeros os casos em que a especulação corrói a verdade desportiva.

Estarão por certo lembrados do que se disse e escreveu sobre o guarda-redes Beto quando, ainda ao serviço do Leixões, defrontou o FCPorto no Estádio do Mar, tendo realizado uma exibição muito infeliz, e semanas depois estava assinar pelo clube azul-e-branco; ou o que se disse e escreveu sobre Jorge Ribeiro quando, ao serviço do Boavista, falhou um penalty num jogo contra Benfica e semanas depois haveria de assinar pelo clube encarnado.

A este propósito, vejamos o que, ainda há bem pouco tempo, aconteceu com Domingos Paciência.
Durante semanas afirmou que nada dizia sobre o seu futuro. Dias antes do decisivo encontro entre SCBraga – SportingCP, para apuramento do 3.º classificado da Superliga, decide comunicar ao país que na próxima época não continuaria ao leme da equipa arsenalista. Eu pergunto: não poderia esperar pelo final da época para o fazer? Sorte teve em não ter sido vítima de todo o tipo de especulações, que não seriam, de todo, descabidas.

Existe, no nosso país, muita falta de sensatez por parte dos agentes desportivos.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

MANCHA NEGRA NA HEGEMONIA AZUL-E-BRANCA


Terminada mais uma época desportiva e depois dos feitos alcançados, não poderia deixar de demonstrar o meu fair-play, retirar os óculos vermelhos que me acompanharam durante grande parte da época e felicitar o FCPorto pelos êxitos obtidos, tão importantes não só para o clube mas também para Portugal
  
Ao título nacional, juntar uma Supertaça Cândido de Oliveira, uma Taça de Portugal e, sobretudo, um título europeu, é algo que está apenas ao alcance dos melhores, dos mais bem organizados e rigorosos.
Como devem calcular, custa-me mais assumir isto do que “comer malaguetas cruas”, contudo, não poderia deixar de o fazer. É assim que gosto de viver o futebol.

Porém, e apesar de todo o sucesso, continua persistir no brilho das conquistas portistas uma eterna “mancha negra”
Não, não me refiro às famigeradas escutas colocadas no you tube ou aos múltiplos jogos de bastidores de Pinto da Costa, que durante anos dominaram o panorama futebolístico nacional. Refiro-me à falta de capacidade estratégica do presidente do FCPorto para fazer deste um clube nacional.
Se não vejamos…

No comando directivo do emblema azul-e-branco, desde 1982, Pinto da costa conquistou, em praticamente 30 anos, 53 títulos, entre os quais se destacam, além de inúmeros títulos nacionais, 2 Ligas dos Campeões Europeus, 2 Taças UEFA, 2 Taças Intercontinentais e uma Supertaça Europeia. Só apenas por uma época (88-89), em 30 anos de glória, ficou em “branco”, sem alcançar qualquer título.

Depois deste impressionante palmarés, o FCPorto teria que se afirmar como o clube com a maior massa adepta do país.
A verdade é que tal desígnio não se tem verificado no actual panorama futebolístico nacional…e muito se deve ao modelo estratégico que Pinto da Costa tem adoptado na “construção” do clube.

Na minha opinião, três factores têm sido decisivos para que se verifique, actualmente, esta situação:
¨      Desde logo, o discurso permanentemente inflamado e, simultaneamente, irónico de Pinto da Costa sobre os seus mais directos rivais. Na realidade, a ironia, mais do que agressividade das palavras, provoca, nas pessoas em geral, um sentimento de reprovação, uma vez que se sentem gozadas (…cuidado com as interpretações brasileiras desta palavra!). Ora, isto tem levado a que se acumulem ódios e rancores pela sua pessoa.

¨      Depois, a guerra aberta ao clube que mais se faz representar em Portugal, o Benfica, e que tem levado a que os adeptos desse clube se insurjam contra o próprio Pinto da Costa, chegando ao ridículo de lhe desejarem a morte num programa televisivo

¨      Por último, o ódio que destila sobre sul do pais, o que implica que uma questão eminentemente futebolística se transfira para a esfera social. O que implica que, mesmo as pessoas que não seguem o futebol, nutram alguma antipatia por Pinto da Costa visto “agredir” constantemente as “gentes” do seu país.

É inegável o seu amor ao FCPorto e a forma guerreira como o tem defendido ao longo dos seus inúmeros mandatos, porém, esse amor cego tem-no impedido de consolidar uma estratégia que cative Portugal.
Não digo com isto que o FCPorto, pela hegemonia apresentada, teria que ser estimado por todos, porém, deveria ser uma clube mais abrangente e ainda não o é. Digo, ainda, porque, se o rumo continuar a ser este, acabará fatalmente por o ser.