No passado sábado a selecção nacional de futebol jogou mais uma importante cartada rumo ao objectivo final: alcançar o apuramento directo para a fase final EURO’2012. Portugal não comprometeu, batendo a Noruega, líder do grupo, por uma bola a zero.
Contudo, no decorrer do jogo, e bem ao estilo latino, a selecção nacional foi várias vezes vaiada e assobiada pelos adeptos presentes no estádio.
É bem verdade que a exibição foi frouxa, a roçar a mediocridade, contudo, mais do que uma bela exibição, o que se exigia a Portugal era uma vitória e esse objectivo foi alcançado.
Não nos podemos esquecer que há cerca de 8 meses Portugal estava no 3.º lugar do grupo, com pé e meio fora do “comboio” que, em Junho de 2012, levará 16 equipas à Polónia e à Ucrânia. Hoje, passado o cabo das tormentas, Portugal está já dentro da carruagem, à procura de um lugar onde se sentar.
É impressionante como os adeptos rapidamente esquecem a depressão em que a nossa selecção caiu no pós-mundial e o trabalho anti-depressivo que Paulo Bento realizou de então para cá.
Num momento tão decisivo quanto o de sábado, o que preferiam os portugueses no final dos 90 minutos: que Portugal tivesse obtido uma grandiosa vitória moral ou apenas uma humilde vitória, com uma exibição cinzenta e sem brilho mas que valeu “ouro”?!
Eu defendo a segunda e faço-o porque não tenho memória curta e não me esqueço que fomos durante anos os líderes das vitórias morais. Tendência que haveria de começar a ser contrariada no reinado de Scolari.
Além disso, daqui a cerca de um ano, quando estivermos a caminho da fase final, como espero e desejo, já ninguém se lembrará, estou certo, desta medíocre exibição que, não esqueçamos, valeu três valiosos pontos.
Tenho a certeza que motiva mais uma vitória descolorida do que uma derrota esfuziante e luzidia
Analisemos os factos…
Um aspecto determinante para a falta de rendimento apresentado pela equipa das quinas foi o facto de grande parte dos seus jogadores se encontrarem sem competir á já várias semanas. Casos de João Pereira, Fábio Coentrão, Pepe, Carlos Martins ou Hélder Postiga. Notou-se alguma falta de ritmo por parte da zona intermediária portuguesa, com pressão baixa e muita lentidão na circulação de bola, permitindo à Noruega, com um bloco baixo, anular com relativa facilidade as nossas linhas de passe.
A verdade é que Paulo Bento não tinha nem tem escolha, uma vez o leque de opções é, fruto da desastrosa política de contratações dos clubes nacionais, muito curto, e os melhores são, com uma ou outra excepção pontual, os que jogaram.
Em suma, parece-me que o mais importante foi a vitória, independentemente da exibição. À que incutir na mentalidade portuguesa algum pragmatismo britânico.
Outra situação que me incomodou profundamente foi ver a falta de reconhecimento e de gratidão de que padecem os portugueses e que é potenciada por uma coisa tão nossa…a inveja!
Temos actualmente um dos dois ou três maiores embaixadores de Portugal no mundo, e no entanto, continuamos a desprezar o que de melhor temos: refiro-me obviamente a C. Ronaldo. Não podemos tratar “daquela” maneira uma pessoa, uma figura que em Portugal é criticado por muitos e no exterior aclamado por quase todos. Só Mourinho e talvez Eusébio têm a projecção mediática de CR7. Mais nenhum (estou obviamente a cingir-me às figuras que despontam no desporto).
Quão bonito seria dar-mos valor ao que é nosso, termos orgulho em “possuir” um jogador daquela dimensão, figura ímpar no futebol inglês e espanhol, com recordes sucessivos nesses dois países. Isso não significa que teremos que idolatrar CR7, não gosto de histerismos…não é a isso que me refiro. Apenas um pouco de carinho por quem nos representa de forma tão prestigiante.
Se Portugal, um pequeno país à beira mar plantado, é reconhecido e identificado nos países mais recônditos do globo, muito o devem a CR7. Caso contrário, nunca saberiam que Portugal existe.
Incomoda-me que a generalidade dos comentários sobre notícias de CR7, publicadas nos jornais desportivos online, sejam tendencialmente de carácter depreciativo, em benefício do que não é nosso. Aborrece-me solenemente esta mentalidade tacanha dos portugueses.
Olhemos para outros exemplos e para a forma como são tratados pelas suas “gentes”. Só a título de exemplo, e porque a figura em causa é em muito semelhante a CR7: reparem no tratamento que durante anos, e ainda hoje, os ingleses dão a David Beckam sempre que regressa ao seu país?!
Acho que é elucidativo!

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