Terminada mais uma época desportiva e depois dos feitos alcançados, não poderia deixar de demonstrar o meu fair-play, retirar os óculos vermelhos que me acompanharam durante grande parte da época e felicitar o FCPorto pelos êxitos obtidos, tão importantes não só para o clube mas também para Portugal
Ao título nacional, juntar uma Supertaça Cândido de Oliveira, uma Taça de Portugal e, sobretudo, um título europeu, é algo que está apenas ao alcance dos melhores, dos mais bem organizados e rigorosos.
Como devem calcular, custa-me mais assumir isto do que “comer malaguetas cruas”, contudo, não poderia deixar de o fazer. É assim que gosto de viver o futebol.
Porém, e apesar de todo o sucesso, continua persistir no brilho das conquistas portistas uma eterna “mancha negra”
Não, não me refiro às famigeradas escutas colocadas no you tube ou aos múltiplos jogos de bastidores de Pinto da Costa, que durante anos dominaram o panorama futebolístico nacional. Refiro-me à falta de capacidade estratégica do presidente do FCPorto para fazer deste um clube nacional.
Se não vejamos…
No comando directivo do emblema azul-e-branco, desde 1982, Pinto da costa conquistou, em praticamente 30 anos, 53 títulos, entre os quais se destacam, além de inúmeros títulos nacionais, 2 Ligas dos Campeões Europeus, 2 Taças UEFA, 2 Taças Intercontinentais e uma Supertaça Europeia. Só apenas por uma época (88-89), em 30 anos de glória, ficou em “branco”, sem alcançar qualquer título.
Depois deste impressionante palmarés, o FCPorto teria que se afirmar como o clube com a maior massa adepta do país.
A verdade é que tal desígnio não se tem verificado no actual panorama futebolístico nacional…e muito se deve ao modelo estratégico que Pinto da Costa tem adoptado na “construção” do clube.
Na minha opinião, três factores têm sido decisivos para que se verifique, actualmente, esta situação:
¨ Desde logo, o discurso permanentemente inflamado e, simultaneamente, irónico de Pinto da Costa sobre os seus mais directos rivais. Na realidade, a ironia, mais do que agressividade das palavras, provoca, nas pessoas em geral, um sentimento de reprovação, uma vez que se sentem gozadas (…cuidado com as interpretações brasileiras desta palavra!). Ora, isto tem levado a que se acumulem ódios e rancores pela sua pessoa.
¨ Depois, a guerra aberta ao clube que mais se faz representar em Portugal, o Benfica, e que tem levado a que os adeptos desse clube se insurjam contra o próprio Pinto da Costa, chegando ao ridículo de lhe desejarem a morte num programa televisivo
¨ Por último, o ódio que destila sobre sul do pais, o que implica que uma questão eminentemente futebolística se transfira para a esfera social. O que implica que, mesmo as pessoas que não seguem o futebol, nutram alguma antipatia por Pinto da Costa visto “agredir” constantemente as “gentes” do seu país.
É inegável o seu amor ao FCPorto e a forma guerreira como o tem defendido ao longo dos seus inúmeros mandatos, porém, esse amor cego tem-no impedido de consolidar uma estratégia que cative Portugal.
Não digo com isto que o FCPorto, pela hegemonia apresentada, teria que ser estimado por todos, porém, deveria ser uma clube mais abrangente e ainda não o é. Digo, ainda, porque, se o rumo continuar a ser este, acabará fatalmente por o ser.

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