quarta-feira, 8 de junho de 2011

O ADEUS DE UM VERDADEIRO FENÓMENO



Ronaldo Luís Nazário de Lima, também conhecido por Fenómeno, despediu-se esta madrugada, em pleno estádio Pacaembu, da selecção canarinha e do mundo do futebol.
Depois da magia de Maradona, o mundo do futebol ansiava por uma nova estrela, alguém que voltasse a despertar paixões e emoções. Esse clímax foi protagonizado com o aparecimento de Ronaldo.
Embora tenha visto jogar grandes portentos do futebol mundial, como Romário, Stoichkov, Van Basten, Klisman, Zamorano, Cantona, Roberto Baggio, Maradona, George Weah, Batistuta, entre muitos outros, nenhum comparável com R9. Nem o mítico Van Basten, por muitos considerado o melhor avançado da história do futebol, se sobrepõe a ele.
A sua capacidade física, aliada a uma capacidade técnica estonteante, faziam dele um verdadeiro fenómeno, alcunha adquirida em Itália quando ao serviço do Inter de Milão.
Possuía duas enormes qualidades: por um lado, a velocidade com que” metia” o drible; e por outro, a rapidez de arranque, comummente designado, “pick”.
Expoente máximo do que acabo de dizer foi “aquele” golo apontado, em 1997, ao Celta de Vigo, em que agarra a bola no seu meio campo, dribla vários adversários, inclusive, o guarda-redes e só termina com a bola no fundo das redes. Fabuloso!
Foi distinguido como melhor jogador do mundo por três ocasiões: 1996, 1997 e 2002
Iniciou-se o seu percurso profissional no Cruzeiro de Belo Horizonte.
Aos 17 decide dar o salto para a Europa, transferindo-se para o PSV Eindhoven. Por aí permanece durante dois, até despertar a cobiça dos “olheiros” do Barcelona, transferindo-se então para o clube de Bobby Robson e Mourinho.
É no clube culé que Ronaldo explode, demonstrando toda a sua classe, todos os seus recursos técnicos. Municiado na perfeição por um trio de luxo, composto por Luís Figo, Ivan De La Peña e Luís Enrique, acabaria por apontar 47 golos em 49 partidas!
Após uma época arrebatadora em Espanha, divergências com Josep Lluis Nuñez, à data presidente do Barcelona, motivadas por questões salariais, haveriam de precipitar a sua saída do clube blaugrana, levando-o assinar pelo Inter de Milão, por “módicos” 32 milhões de dólares.
 Quando sai de Barcelona, R9 é um fenómeno em todos os sentidos, não só dentro de campo mas também fora dele. Um “produto bastante apetecível”, uma vez que o retorno financeiro proveniente, quer do merchandising quer da publicidade, permitiam financiar o seu custo.
Como era rápido, hábil e possuidor de uma capacidade técnica invejável, os italianos entenderam que, com um maior desenvolvimento muscular, Ronaldo tornar-se-ia uma máquina, um ser nunca visto no mundo do futebol.
A verdade é que esta decisão haveria de constituir um verdadeiro “toque de midas” no percurso de R9.
Se na sua primeira época em Itália Ronaldo ainda se aguentou, daí em diante tudo se desvaneceu.
Começou o calvário das lesões com sucessivas cirurgias ao joelho, implicando paragens bastante prolongadas.
Os preparadores físicos italianos não perceberam que o exagerado desenvolvimento muscular de R9 lhe poderia trazer complicadas lesões ligamentares. E de facto trouxe.
O desenvolvimento muscular a que foi sujeito foi de tal forma intenso e agressivo que o corpo de R9 reagiu da pior forma. Aliás, há quem use uma expressão que personifica na perfeição o que aconteceu a R9 na sua passagem por Itália: “Ronaldo rebentou”. Ou por outra, rebentaram com ele.
Como se já não bastassem às constantes lesões, R9 começa a ganhar peso, passando para o exterior a imagem de um jogador desleixado, o que levanta muita desconfiança junto dos adeptos nerazzurri. Além disso, começam a surgir rumores e boatos sobre a sua vida privada, notícias sobre relações extraconjugais.
Com o intuito de tentar dar um novo rumo à sua vida, em 2002 R9 decide mudar-se para o Real Madrid onde permanece durante cinco anos.
Aí, já a chama de Ronaldo se tinha apagado, ora porque as suas exibições eram bastante discretas (era mais o tempo a recuperar de lesões do que a treinar) ora porque outros pequenos fenómenos do mundo do futebol se levantavam, nomeadamente Figo, Zidane ou Ronaldinho Gaúcho.
Na capital espanhola, a onde de lesões continuou e R9 apenas aparecia a espaços, deixando aqui e ali alguns “rasgos” do seu futebol
Os problemas associados ao excesso de peso permanecem, muito por culpa do tempo que se encontrava inactivo – mais tarde haveria de confidenciar que o seu excesso de peso estava associado a um problema de saúde (tiróidismo!).
Ora, perante este cenário, a imprensa espanhola não se coibiu a utilizar R9 como autêntico chamariz para vender jornais e revistas. Diariamente saíam notícias sobre a sua condição física, sobre os seus amores…e desamores. Aliás, nos últimos tempos em Madrid, tal como havia acontecido nos últimos anos em Milão, era já alvo do humor e ironia dos tablóides espanhóis.
Em 2007, farto desta situação, decide mudar novamente de ares e opta, nesta nova fase da sua vida, por regressar ao local do “crime”, o mesmo é dizer, regressar novamente a Itália e à cidade de Milão mas desta vês ao ACMilan.
Por aí fica apenas um ano, onde marca apenas 9 golos em 20 jogos disputados. O único facto assinalar nesta segunda passagem por Itália é uma célebre noite em que R9 decide convidar duas senhoras para passarem a noite consigo num quarto de hotel. Durante a noite descobre que afinal são…dois homens (travestis).
Veja-se ao ponto que chegou a vida de R9.
No final da época, e já numa fase terminal da sua carreira, decide regressar ao Brasil, ao conceituado Corinthians. Esteve dois anos no “Timão”, contudo, o regresso às origens não foi muito feliz. O seu problema com o excesso de peso continuou, sendo raras as aparições na “quadra”.
No dia 14 de Fevereiro deste ano decide colocar um ponto final na sua brilhante carreira. Esta noite, despediu-se da canarinha e arrumou de vez as chuteiras.


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