terça-feira, 30 de agosto de 2011

MILHÕES DA TRETA!!!


No passado dia 18 de Agosto, o FCPorto confirmou a saída dos jogadores, Falcão e Ruben Micael, para o Atlético de Madrid, num espécie de pack, avaliado em 45ME: Falcão, por 40ME e R. Micael, por 5ME. Apregoou-se à boca farta que mais uma vez o FCPorto tinha feito um estrondoso negócio.
Não concordo!!! Aliás, existe uma expressão popular que ilustra na perfeição este tipo de negócios: “Nem tudo o que reluz é ouro!” Nem mais!

O presidente portista fartou-se de afirmar que os seus jogadores só saíam se os clubes interessados batessem as suas clausulas de rescisão.
Ora, se bem me lembro, à data das transferências, Falcão tinha uma cláusula de rescisão de 45 ME e R. Micael, uma cláusula de 30 ME. Significa isto que, nem um nem outro saíram pelas cifras máximas e de pagamento, dito, obrigatório. Logo, a veracidade dos factos começa já a inquinar…Mas há mais!
Alguém acredita que, a ser vendido individualmente, Falcão sairia pelos fabulosos 40ME?! Alguém acredita que o valor de mercado de um atleta com 24 anos de idade, uma razoável margem de progressão e uma cláusula de rescisão de 30ME seja de …5ME?! Sinceramente, não acredito!
O avançado colombiano só saiu pelos aparatosos 40 ME porque R. Micael foi vendido ao desbarato.
Analisando o mercado de transferências, facilmente percebemos que R. Micael é um jogador com um valor de mercado que rondará os 12ME. A ser assim, Falcão foi vendido por um valor real de 33ME e não por mentirosos 40ME.

O mercado português não permite que se vendam jogadores por cifras superiores a 30/35ME. E porquê? Simples! Quanto valeriam esses mesmos jogadores no mercado inglês, espanhol ou italiano?! Certamente, muito mais.
Um clube dos três grandes aspirar vender um jogador por 40/50 ou 60ME é o mesmo que um clube do fundo da tabela da nossa primeira liga ambicionar vender um seu qualquer jogador a um “grande” português por 15/20ME?! Não é possível! E não é possível em função do valor de mercado dos campeonatos e das equipas.

Contudo, quero deixar claro que este não é um negócio sem precedentes. Pelo contrário. À cerca de dois meses, Fábio Coentrão só saiu para o Real Madrid por 30 ME porque ficou acordado entre Benfica e Real Madrid que o clube português compraria metade do passe do defesa-central, Garay, por cerca de 5,5ME. Jogador adquirido pelo Real, dois anos antes, por 10ME, que pouco ou nada jogou durante esse período…e que saiu para o Benfica valorizado em cerca de 1ME!
Mas, a não ser assim, o Benfica também não fazia o encaixe financeiro tão premente a cada época. Além disso, adquiriu o jogador que se apresenta como uma grande mais valia e de que a equipa muito necessitava. Parece-me razoável.

Este tipo de negócios é recorrente no nosso mercado de transferências e terá que continuar a ser. Não temos margem competitiva para agir de outra forma. O nosso poder negocial é bem mais frágil que o poder negocial dos grandes campeonatos europeus.

Compreendo, na plenitude das suas necessidades, a razão dos clubes e seus dirigentes para recorrerem a este tipo de negócios. Porém, já não compreendo que, usando a comunicação social, tentem transparecer para os seus adeptos aquilo que os mais atentos sabem não ser verdade.

É o que temos!!!

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