quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O FUTEBOL PORTUGUÊS NO SEU MELHOR...




A parafernália de acontecimentos que têm envolvido a FPF e o seleccionador nacional, Carlos Queiroz, nos últimos meses, levaram-me a deixar aqui alguns considerandos.

E começo pelo início…

A 11 de Julho de 2008, Carlos Queiroz foi contratado para ocupar o cargo de seleccionador nacional, substituindo Luiz Felipe Scolari.
As exibições durante a fase de apuramento para o Mundial, na África do Sul, sempre revelaram um seleccionador parco de ideias, com uma equipa a jogar um futebol demasiado defensivo e muito cinzento, sendo clara a falta de um líder, aliás, bastante patente, dentro de campo embora menos evidente, fora dele.
A verdade é que tudo ficou esquecido quando Portugal afastou a Bósnia, no play-off, de apuramento para o mundial.
Porém, voltamos à “vaca fria” com a divulgação da lista de convocados para o Mundial.
Ora vejamos:

Como foi possível convocar o jovem Daniel Fernandes, que ninguém conhecia, em detrimento do internacionalíssimo Quim?
Aliás, a este propósito deixava aqui uma nota: se o critério para afastar o Quim da baliza da nossa selecção foi o facto de ter sofrido 6 golos contra o Brasil, em Novembro de 2008, pergunto: quem irá suceder a Eduardo? É que na terça-feira sofreu 4 golos contra os modestíssimos noruegueses.
O argumento de Carlos Queiroz para não convocar Quim foi o facto de este apenas ter presente na selecção e não futuro. E eu volto a perguntar: e Deco, Paulo Ferreira, Ricardo Carvalho que futuro tinham/têm na selecção?

Como foi possível convocar Miguel, do Valência, um jogador extremamente conflituoso e demasiado “pesado” para o futebol de alta competição, em detrimento de um jogador como João Pereira, do SCBraga, que tinha feito uma primeira parte de campeonato espectacular?

Como foi possível convocar Pepe, do Real Madrid, um jogador que estava à 5 meses lesionado e que integrou o estágio, na Covilhã, ainda lesionado, em detrimento de um jogador como João Moutinho (convocado para todos os jogos da fase de apuramento para o mundial) ou como Ruben Amorim ou até mesmo como Carlos Martins?
Aliás, Pepe a estar em condições seria pagar jogar a defesa central e nunca a trinco, isto porque com Pepe a trinco não se ganha um bom trinco mas perde-se um grande central.

Como foi possível convocar jogadores como Duda ou Ricardo Costa, quando tínhamos soluções dentro dos convocados para ocupar esses lugares, em detrimento de opções mais atacantes?
Não se compreende…

Embora tivéssemos sido afastados do mundial pela poderosa selecção espanhola, a verdade é que o futebol demonstrado durante o torneio foi pouco mais que medíocre.
Ficou provado que o seleccionador não é treinador de banco, não sabe mexer com a equipa durante o jogo quando as adversidades a isso o obrigam, não consegue impulsionar e entusiasmar os seus jogadores e, o mas mais importante, não tem perfil de líder – isso foi patente com os inúmeros casos de indisciplina que assolaram o grupo, ao longo do mundial.
O desnorte continuou patente nestes dois últimos jogos, cujos resultados nos colocam praticamente afastados da fase final do Europeu 2012.
Quer no jogo contra Chipre quer no jogo contra a Noruega, como é possível que dois jogadores – Manuel Fernandes e R. Quaresma – passem de não seleccionáveis a titulares, no espaço de dois meses.
Pior ainda, como é possível que apresentemos um meio campo composto por M. Fernandes, R. Meireles e Tiago que praticamente ainda não jogaram esta época, ou ainda, que se continue a insistir em Miguel, na lateral direita.

Para fim de festa, faltava um “Caso Queiroz”, mesmo à boa moda portuguesa.
Tudo se desenvolveu de forma errada: desde a forma matreira como decorreu o inquérito ao indesculpável vocabulário arruaceiro de Carlos Queiroz.
É bem verdade que a forma como o seleccionador se insurgiu contra a ADoP e, mais concretamente, contra o seu presidente não é admissível mas também não é menos verdade que os senhores da ADoP não são nenhuns meninos de coro…
Veja-se a perseguição de que foi alvo o jogador Nuno Assis, à altura atleta do Benfica: o jogador acusou nandrolona, num controlo antidoping efectuado em Dezembro de 2005, tendo a Comissão Disciplinar da Liga suspendido de imediato o jogador por seis meses. O Benfica recorreu para a FPF que suspendeu a pena. Ora, foi o Conselho Nacional Antidopagem (órgão consultor da ADoP) quem impulsionou o envio do caso para o Tribunal Arbitral do Desporto, que aumentou a pena para um ano.
Na resolução deste caso, a FPF demonstrou existirem dois pesos e duas medidas.
Pense-se na forma como foi resolvida a agressão de Luiz Scolari ao jogador da Sérvia, Dragutinovic. Foi apenas advertido e penalizado com uma multa de € 35.000,00.
O que terá sido mais grave: os insultos a Luís Horta ou a agressão ao jogador sérvio? Deixo à vossa consideração…
Para mim a situação é simples: a grande maioria da estrutura directiva da FPF não quer, como nunca quis, Carlos Queiroz no comando da nossa selecção. Hoje, querem correr com ele mas para o fazerem têm que pagar perto de € 5.000.000,00 de indemnização. Como não querem despender desta verba, estão a recorrer a estratagemas jurídicos que o “obriguem sair. A via escolhida foi a mais desastrosa.
Aliás, o Dr. Gilberto Madaíl tem se prestado a um papel ridículo: se hoje sai a terreiro para defender que, quer ele quer a FPF, apoiam Carlos Queiroz, amanhã vem instaurar um inquérito ao seleccionador por uma entrevista dada ao expresso. Sr. Presidente, decida-se.
Aquilo que me parece é que alguns dos elementos que compõem o corpo directivo da FPF já lá estão há demasiado tempo…está na hora de saírem: Carlos Queiroz, Gilberto Madaíl, Amândio de Carvalho, todos! Eu sei que o tacho é bom mas…já chega de mamar!
Porém, não acredito que isso vá acontecer.
O bode expiatório de tudo isto será, por certo, Carlos Queiroz que sairá pela porta pequena. Tudo o resto manter-se-á igual, ou não estivesse a FPF envolvida numa engalanada candidatura ibérica à organização do Mundial de 2018, cuja imagem não pode ser beliscada por uma Federação que demonstre instabilidade directiva. Tudo tem que parecer saudável para os senhores da UEFA.
Avizinham-se, por isso, tempos difíceis…

Falta apenas uma palavrinha para o Sr. Laurentino Dias.
O Sr. Secretario de Estado da Juventude e do Desporto, tem tido um comportamento deplorável ao imiscuir-se num processo perante o qual deveria ter uma postura isenta, embora preocupada e atenta.
Não só não o fez, como marcou uma conferência para tomar posição sobre questões que não são da sua directa competência.
É notória a tentativa de vingança do governo sobre o Prof. Carlos Queiroz, visto este não ser um confesso socialista…pelo contrário.
Além disso, a ausência no funeral do “Bom Gigante”, José Torres foi apenas mais uma mancha negra num percurso titubeante e desastroso enquanto representante governativo do desporto.
Sr. (recuso-me a tratá-lo por Dr.) Laurentino Dias, sabe uma coisa? Vá trabalhar…já não o faz à muito!!! E tenha vergonha!!!

Nota: visto que a saída de Carlos Queiroz está eminente, eu avanço um nome: Humberto Coelho. Que saudades do futebol praticado no Euro 2000.
Bons tempos!!!


Sem comentários:

Enviar um comentário