O tema que hoje nos marca
a agenda é, indiscutivelmente, a nossa selecção. Contudo, nem sempre a vertente
estritamente desportiva tem tomado o lugar de destaque.
Manuel José avistou um
microfone e não se fez rogado: falou em circo, em Big Brother, em charretes, em
despudor…e o alarme suou. Como se diz na gíria, o timing foi inapropriado
Embora numa primeira
análise possamos pensar que Manuel José disse “algumas verdades”, analisando
com maior pormenor, as suas verdades esvaziam-se de sentido…
…não são de agora as visitas
presidências, nas vésperas de um Europeu;
…não são de agora os
agradecimentos públicos às gentes de Óbidos, que durante duas semanas tão bem trataram
os jogadores;
…não são de agora as
deslocações dos jogadores de futebol para tudo o que é lado em carros
ostentadores de riqueza: assim o fazem Cristiano Ronaldo, Nani, Messi, L. Figo…assim
o fazem Manuel José, Carlos Queiróz, assim o fazem todos aqueles que beneficiam
deste fenómeno desportivo, gerador de riqueza.
Os bólides estacionados
no centro de estágio serão uma ofensa à dignidade dos que lutam na ânsia de
conseguirem manter-se pé?! Admito que sim! O que não admito é que sejamos
hipócritas: qualquer um de nós sonha com um melhor carro, com uma melhor
casa…sem se preocupar com o vizinho que ostenta apenas uma Famel Zundapp ou um
humilde barraco em madeira.
Esta estória faz-me
lembrar o típico português que está na paragem do autocarro e vê passar um topo
de gama. O que pensa? “Um dia quero ter um igual?!”. Não! “Um dia havias de vir
aqui parar”.
Não quero com isto
dizer que aceito as barbaridades salariais que os jogadores de futebol, recebem,
contudo, eles são os menos culpados. A culpa é de quem vê o futebol como uma indústria
e não com uma paixão.
Se a isto
acrescentarmos o facto de tudo ter sido feito numa só tarde, na tarde em que
Portugal partiu para a Polónia, tendo treinado da parte da manhã, a conclusão a
que se chega é só uma: “aquele circo” não pode justificar nada, nem sequer um
jogo menos conseguido contra a Alemanha.
Alguém bem-intencionado
acreditará que aquela tarde, a oito dias do jogo contra a Alemanha, prejudica a
preparação e o desempenho dos jogadores portugueses durante o europeu?! Sejamos
sérios!
Este frenesim só se
coloca porque a selecção, mais preocupada com aspectos técnico-tácticos do que
com resultados alegres e bem-parecidos, amealhou dois resultados frouxos e nada
ambiciosos, que para nada contam, a não ser dar confiança e entusiasmo a quem
não acredita.
Apesar do desconforto
da entrevista de Manuel José, duas coisas disse com as quais terei que
concordar: falta elevação e elegância na forma como se endereçam palavras de
cortesia a sua Ex.a, Ex.mo Sr. Prof. Cavaco Silva; falta sensibilidade para
impedir que interesses económicos comprem interesses desportivos. É verdade que
os cozinhados, as massagens ou os tempos livres dos jogadores entretém os mais
curiosos, é verdade que as imagens foram gravadas e editadas pela FPF e só
depois vendidas à SIC, porém, é preciso perceber que toda aquela exposição
descredibiliza e desconsidera uma selecção, sobretudo, se a glória não for o desfecho
final.

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