sábado, 9 de junho de 2012

“PORQUE NO TE CALLAS…MANOLO”!


O tema que hoje nos marca a agenda é, indiscutivelmente, a nossa selecção. Contudo, nem sempre a vertente estritamente desportiva tem tomado o lugar de destaque.
Manuel José avistou um microfone e não se fez rogado: falou em circo, em Big Brother, em charretes, em despudor…e o alarme suou. Como se diz na gíria, o timing foi inapropriado

Embora numa primeira análise possamos pensar que Manuel José disse “algumas verdades”, analisando com maior pormenor, as suas verdades esvaziam-se de sentido…

…não são de agora as visitas presidências, nas vésperas de um Europeu;

…não são de agora os agradecimentos públicos às gentes de Óbidos, que durante duas semanas tão bem trataram os jogadores;

…não são de agora as deslocações dos jogadores de futebol para tudo o que é lado em carros ostentadores de riqueza: assim o fazem Cristiano Ronaldo, Nani, Messi, L. Figo…assim o fazem Manuel José, Carlos Queiróz, assim o fazem todos aqueles que beneficiam deste fenómeno desportivo, gerador de riqueza.

Os bólides estacionados no centro de estágio serão uma ofensa à dignidade dos que lutam na ânsia de conseguirem manter-se pé?! Admito que sim! O que não admito é que sejamos hipócritas: qualquer um de nós sonha com um melhor carro, com uma melhor casa…sem se preocupar com o vizinho que ostenta apenas uma Famel Zundapp ou um humilde barraco em madeira.

Esta estória faz-me lembrar o típico português que está na paragem do autocarro e vê passar um topo de gama. O que pensa? “Um dia quero ter um igual?!”. Não! “Um dia havias de vir aqui parar”.

Não quero com isto dizer que aceito as barbaridades salariais que os jogadores de futebol, recebem, contudo, eles são os menos culpados. A culpa é de quem vê o futebol como uma indústria e não com uma paixão.

Se a isto acrescentarmos o facto de tudo ter sido feito numa só tarde, na tarde em que Portugal partiu para a Polónia, tendo treinado da parte da manhã, a conclusão a que se chega é só uma: “aquele circo” não pode justificar nada, nem sequer um jogo menos conseguido contra a Alemanha.
Alguém bem-intencionado acreditará que aquela tarde, a oito dias do jogo contra a Alemanha, prejudica a preparação e o desempenho dos jogadores portugueses durante o europeu?! Sejamos sérios!

Este frenesim só se coloca porque a selecção, mais preocupada com aspectos técnico-tácticos do que com resultados alegres e bem-parecidos, amealhou dois resultados frouxos e nada ambiciosos, que para nada contam, a não ser dar confiança e entusiasmo a quem não acredita.

Apesar do desconforto da entrevista de Manuel José, duas coisas disse com as quais terei que concordar: falta elevação e elegância na forma como se endereçam palavras de cortesia a sua Ex.a, Ex.mo Sr. Prof. Cavaco Silva; falta sensibilidade para impedir que interesses económicos comprem interesses desportivos. É verdade que os cozinhados, as massagens ou os tempos livres dos jogadores entretém os mais curiosos, é verdade que as imagens foram gravadas e editadas pela FPF e só depois vendidas à SIC, porém, é preciso perceber que toda aquela exposição descredibiliza e desconsidera uma selecção, sobretudo, se a glória não for o desfecho final.

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