sábado, 16 de junho de 2012

SERÁ ESTA UMA "LARANJA" DOCE?


Amanhã realiza-se mais um mata-mata, um Portugal Vs Holanda que tudo decidirá sobre o futuro da nossa selecção por terras Polacucranianas.

Numa primeira pincelada sobre o jogo, a memória, ainda que pouco mais que fotográfica, recua a 1988 e vislumbra bem lá no fundo uma fita de ouro no desporto holandês. A magia que saí-a dos pés de Rudd Gullit, Frank Rjikard ou Van Basten a cada pedaço de relva calcado deixou uma herança demasiado pesada em todos aqueles que, de quatro em quatro anos, sobem a um palco europeu para defender um passado brilhante.
As reminiscências de outrora são hoje um pesadelo que persegue todos aqueles que querem deixar nova página de glória no desporto holandês.

Desta feita, uma arreliadora egolândia a atacar o seio laranja. Nos bastidores da má-língua correm rumores de um balneário de candeias às avessas: Robben tem tiques de vedetismo; Afellay desespera por uma bola…que Robben não dá; Huntelar, “agrafado” ao banco de suplentes, inveja e apregoou-a o fracasso de Van Persie. Com se isto não bastasse, Mathijsen e Heitinga são frouxos, muito frouxos, Van Bommel…tem 35 anos!, Van Persie não resolve, Sneijder não tem batuta para alinhar os seus vértices e Martin van Marwijk é um homem sozinho, sem pós de perlim pim pim para fazer magia.

O que resta? Resta uma manta de retalhos que não tem outra alternativa que não, como diria Quinito, “colocar toda a carne no assador” e…rezar a Deus.

Esta Holanda, que tem jogado num inofensivo 4x2x3x1, provavelmente, irá operar uma mudança que terá tanto de inconsciente como de perigosa e traiçoeira.
O duplo pivot de meio campo será desfeito, com Van Bommel a dar o seu lugar a Van der Vaart; à sua frente jogarão Robben pela direita e Sneijder pela esquerda; na frente, a dupla de “inimigos” Huntelar/Van Persie.

Um primeiro olhar deixa transparecer uma Holanda de grande pendor ofensivo, com muitos artistas e poucos carregadores de piano, que Portugal deverá saber utilizar, aproveitando, não só as fragilidades defensivas do adversário, mas, sobretudo, as fragilidades psicológicas de uma laranja presa por arames que, ao mínimo afronto, entrará em desespero
Porém, não nos deixemos enganar. Um golo madrugador de uma selecção ferida no seu orgulho será o elixir perfeito para reerguer e acalentar a esperança dos quartos-de-final. A confiança é a âncora do sucesso!

Embora continue a ambicionar um 4x4x2 losangulo, com Custódio, Veloso, Meireles e Moutinho no meio e CR e Nani na frente, P. Bento não me irá conceder esse desejo, mantendo o seu habitual 4x3x3.
A não ser alterado o sistema táctico, P. Bento terá necessariamente que alterar o modelo de jogo.

Na partida com a Dinamarca, ficou claro que o triângulo de meio campo não consegue, durante 90 minutos, dar cobertura às subidas dos laterais contrários. Se tal não se consegue, há que mudar: ou se inverte o triângulo e se coloca Meireles ao lado de Veloso, descaindo um para a direita e outro para esquerda; ou se mexe no trio da frente, colocando CR à esquerda, quando Portugal atacar, e ao meio, quando Portugal defender. Ou seja, a atacar, CR deverá manter a sua posição como extremo esquerdo; a defender, para que não se desgaste com tarefas defensivas, deverá derivar para o meio, em troca com Postiga, que descairá para a faixa, estancando as subidas do defesa lateral adversário.

Outra questão que neste momento se impõe é saber se, dada a intensidade dos jogos de Portugal, conseguirá Veloso, Meireles e Moutinho aguentar o ritmo altíssimo que os próximos jogos irão exigir a quem pisar aquelas zonas do terreno? Não me parece e, a ser assim, estaremos em apuros!

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