sábado, 9 de junho de 2012

SOU PORTUGAL!





Apesar de, hoje, esta ser a minha, a nossa selecção, os 23 eleitos por Paulo Bento não são, por certo, os meus 23: na minha convocatória não caberiam Beto; Rolando; Rubén Micael; Varela; Hugo Viana e N. Oliveira.

Os primeiros quatro, porque, durante a época, não justificaram a chamada; H. Viana, porque não cabe no sistema táctico de Paulo Bento; e Nelson Oliveira, porque pouco ou nada jogará, visto ser a terceira opção para o ataque.

Para os seus lugares?!

Quim, porque seria um prémio de carreira; Nuno André Coelho, porque fez uma excelente segunda volta ao serviço do SCB; Vieirinha, porque é um magnífico extremo, hoje com outra maturidade; e Nuno Gomes, porque sabe o que é jogar um europeu, porque sabe como marcar golos decisivos numa fase final de um europeu, porque a sua experiência beneficiaria o espirito de grupo da selecção.

 O jogo contra a “Mannschaft”…

Se tivesse a meu cargo a orientação da selecção nacional, no jogo de hoje não utilizaria o velhinho 4x3x3.

O 4x4x2 losangulo que Paulo Bento tanto gosta poderia ter sido treinado e hoje colocado em prática, surpreendendo dessa forma a selecção germânica.

Custódio na posição seis, M. Veloso no vértice esquerdo, R. Meireles no vértice direito, J. Moutinho no vértice mais adiantado, com Nani e CR na frente. Perdem-se alguns automatismos?!

É um facto, mas só se perdem porque nunca se treinou um modelo alternativo. Desde os tempos de LFScolari que Portugal vai para os grandes certames internacionais sem um plano B.

Esta seria uma equipa mais musculada, mais equilibrada, que permitiria “controlar” o meio campo alemão com Khedira, Ozil, Schweinsteiger e deixar um jogador livre para ter bola e pensar o jogo, lançando Nani e CR em velocidade na frente, desbaratando a lenta dupla de centrais alemã.

Sendo certo que o modelo a utilizar é o4x3x3, eis a minha selecção: Rui Patrício, Miguel Lopes, Pepe, Bruno Alves, Fábio Coentrão, Custódio, R. Meireles, J. Moutinho, Nani, C. Ronaldo e Hélder Postiga.

Rui Patrício, Pepe, B. Alves, R. Meireles, J. Moutinho, Nani e C. Ronaldo são incontestáveis e só não jogarão por impossibilidade física ou disciplinar;

Miguel Lopes em detrimento de J. Pereira!

J. Pereira é rápido, hábil, raçudo, mas bastante franzino e de estatura baixa; M. Lopes, por sua vez, é mais alto e com maior capacidade física, importante para os embates individuais com o poderio físico alemão. As alas com J. Pereira e F. Coentrão “tiram” centímetros a uma defesa que necessita ser forte nas bolas paradas.

Custódio em detrimento M. Veloso!

Tendo em conta a estampa fica e a forma agressiva como a Alemanha jogo, é crucial colocar no tabuleiro Custódio. O bracarense é mais posicional, mais cerebral, mais forte fisicamente, melhor a cobrir os espaços, melhor a dobrar os defesas laterais, melhor no jogo aéreo, mais agressivo a atacar a bola…menos exuberante; Miguel Veloso, para além de denotar alguma lentidão na saída da bola e no desarme, quando em vez empolga-se e arrisca passes de média longa distância que se podem revelar fatais contra selecções fortíssimas como a alemã. A zona seis, face à esperada pressão alemã, terá que jogar ao primeiro toque, sem rodriguinhos ou floreados.

H. Postiga em detrimento H. Almeida!

Na posição nove, dependendo da forma como Portugal pretenda jogar, a aposta poderá recair sobre H. Postiga ou sobre H. Almeida. O “espanhol” joga melhor de costas para a baliza, importante se Portugal pretender jogar um futebol mais apoiado, com maior posse de bola. Se a estratégia passar por sair em transição, jogando com Nani e CR bem abertos nas alas, explorando os dribles e os cruzamentos a partir da linha de fundo, o nome de referência deverá ser H. almeida.

Falta um 10…

Após o abandono de Rui Costa e mais tarde de Deco, Portugal não mais teve um playmaker digno desse nome. Carlos Martins era quem poderia disfarçar este problema, contudo, a sua lesão e, sobretudo, a cura do seu filho, muito mais importante do que qualquer europeu, de qualquer jogo de futebol, deixaram a selecção nacional órfão de magia e virtuosismo.

Não temos, actualmente, um médio que consiga ter bola, que crie os desequilíbrios tão importantes para a conquista de superioridade numérica, com passes a “rasgar“ a defesa adversária, alguém que “meta” um ou dois dribles e sai-a em velocidade.

C. Martins era o único que nos fazia sonhar com essa possibilidade. Como não está, vamos à luta com os que temos.

Perspectivas…

Depois de tudo o que se disse e escreveu por estes dias sobre Portugal, dúvidas não tenho que o onze que hoje entrar em campo tudo vai fazer para que a bofetada de luva branca seja certeira e sentida

O facto de Portugal ter sido espicaçado com as atoardas proferias por alguns ilustres do nosso futebol poderão ter ferido o orgulho dos jogadores, contribuindo para fortalecer o espirito de grupo.

Além disso, a sobranceria com que a imprensa alemã tratou Portugal, logo após a derrota com a Turquia, afirmando que “este Portugal não mete medo”, poderão induzir a selecção germânica num facilitismo que deverá ser aproveitado por Portugal

Revelação do Europeu…
A minha aposta recairá sobre a selecção russa: os dois centrais jogam juntos há muitos anos, o trio de meio campo, bem conhecido dos portugueses, trata a bola com enorme qualidade, a fazer lembrar Costinha, Maniche e Deco em 2004, os avançados são de excelência, quer os que jogam quer os que estão no banco prontos para entrar.

É uma selecção dirigida por Dick Advocat que, à imagem da escola holandesa, privilegia os movimentos ofensivos. Daqui resulta um futebol ao primeiro toque, com magia e velocidade.

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