Apesar de, hoje, esta
ser a minha, a nossa selecção, os 23 eleitos por Paulo Bento não são, por
certo, os meus 23: na minha convocatória não caberiam Beto; Rolando; Rubén
Micael; Varela; Hugo Viana e N. Oliveira.
Os primeiros quatro,
porque, durante a época, não justificaram a chamada; H. Viana, porque não cabe
no sistema táctico de Paulo Bento; e Nelson Oliveira, porque pouco ou nada
jogará, visto ser a terceira opção para o ataque.
Para os seus lugares?!
Quim, porque seria um
prémio de carreira; Nuno André Coelho, porque fez uma excelente segunda volta
ao serviço do SCB; Vieirinha, porque é um magnífico extremo, hoje com outra
maturidade; e Nuno Gomes, porque sabe o que é jogar um europeu, porque sabe
como marcar golos decisivos numa fase final de um europeu, porque a sua
experiência beneficiaria o espirito de grupo da selecção.
O jogo contra a “Mannschaft”…
Se tivesse a meu cargo a
orientação da selecção nacional, no jogo de hoje não utilizaria o velhinho
4x3x3.
O 4x4x2 losangulo que
Paulo Bento tanto gosta poderia ter sido treinado e hoje colocado em prática,
surpreendendo dessa forma a selecção germânica.
Custódio na posição
seis, M. Veloso no vértice esquerdo, R. Meireles no vértice direito, J.
Moutinho no vértice mais adiantado, com Nani e CR na frente. Perdem-se alguns
automatismos?!
É um facto, mas só se
perdem porque nunca se treinou um modelo alternativo. Desde os tempos de LFScolari
que Portugal vai para os grandes certames internacionais sem um plano B.
Esta seria uma equipa
mais musculada, mais equilibrada, que permitiria “controlar” o meio campo
alemão com Khedira, Ozil, Schweinsteiger e deixar um jogador livre para ter bola e pensar o jogo, lançando Nani e CR em
velocidade na frente, desbaratando a lenta dupla de centrais alemã.
Sendo certo que o
modelo a utilizar é o4x3x3, eis a minha selecção: Rui Patrício, Miguel Lopes,
Pepe, Bruno Alves, Fábio Coentrão, Custódio, R. Meireles, J. Moutinho, Nani, C.
Ronaldo e Hélder Postiga.
Rui Patrício, Pepe, B.
Alves, R. Meireles, J. Moutinho, Nani e C. Ronaldo são incontestáveis e só não
jogarão por impossibilidade física ou disciplinar;
Miguel Lopes em
detrimento de J. Pereira!
J. Pereira é rápido,
hábil, raçudo, mas bastante franzino e de estatura baixa; M. Lopes, por sua
vez, é mais alto e com maior capacidade física, importante para os embates
individuais com o poderio físico alemão. As alas com J. Pereira e F. Coentrão
“tiram” centímetros a uma defesa que necessita ser forte nas bolas paradas.
Custódio em detrimento
M. Veloso!
Tendo em conta a
estampa fica e a forma agressiva como a Alemanha jogo, é crucial colocar no
tabuleiro Custódio. O bracarense é mais posicional, mais cerebral, mais forte
fisicamente, melhor a cobrir os espaços, melhor a dobrar os defesas laterais,
melhor no jogo aéreo, mais agressivo a atacar a bola…menos exuberante; Miguel
Veloso, para além de denotar alguma lentidão na saída da bola e no desarme,
quando em vez empolga-se e arrisca passes de média longa distância que se podem
revelar fatais contra selecções fortíssimas como a alemã. A zona seis, face à
esperada pressão alemã, terá que jogar ao primeiro toque, sem rodriguinhos ou floreados.
H. Postiga em
detrimento H. Almeida!
Na posição nove,
dependendo da forma como Portugal pretenda jogar, a aposta poderá recair sobre H.
Postiga ou sobre H. Almeida. O “espanhol” joga melhor de costas para a baliza,
importante se Portugal pretender jogar um futebol mais apoiado, com maior posse
de bola. Se a estratégia passar por sair em transição, jogando com Nani e CR bem
abertos nas alas, explorando os dribles e os cruzamentos a partir da linha de
fundo, o nome de referência deverá ser H. almeida.
Falta um
10…
Após o
abandono de Rui Costa e mais tarde de Deco, Portugal não mais teve um playmaker
digno desse nome. Carlos Martins era quem poderia disfarçar este problema,
contudo, a sua lesão e, sobretudo, a cura do seu filho, muito mais importante
do que qualquer europeu, de qualquer jogo de futebol, deixaram a selecção nacional órfão de
magia e virtuosismo.
Não temos, actualmente,
um médio que consiga ter bola, que crie os desequilíbrios tão importantes para a
conquista de superioridade numérica, com passes a “rasgar“ a defesa adversária,
alguém que “meta” um ou dois dribles e sai-a em velocidade.
C. Martins era o único
que nos fazia sonhar com essa possibilidade. Como não está, vamos à luta com os
que temos.
Perspectivas…
Depois de tudo o que se
disse e escreveu por estes dias sobre Portugal, dúvidas não tenho que o onze
que hoje entrar em campo tudo vai fazer para que a bofetada de luva branca seja
certeira e sentida
O facto de Portugal ter
sido espicaçado com as atoardas proferias por alguns ilustres do nosso futebol
poderão ter ferido o orgulho dos jogadores, contribuindo para fortalecer o espirito
de grupo.
Além disso, a
sobranceria com que a imprensa alemã tratou Portugal, logo após a derrota com a
Turquia, afirmando que “este Portugal não mete medo”, poderão induzir a
selecção germânica num facilitismo que deverá ser aproveitado por Portugal
Revelação do Europeu…
A minha aposta recairá
sobre a selecção russa: os dois centrais jogam juntos há muitos anos, o trio de
meio campo, bem conhecido dos portugueses, trata a bola com enorme qualidade, a
fazer lembrar Costinha, Maniche e Deco em 2004, os avançados são de excelência,
quer os que jogam quer os que estão no banco prontos para entrar.
É uma selecção dirigida
por Dick Advocat que, à imagem da escola holandesa, privilegia os movimentos
ofensivos. Daqui resulta um futebol ao primeiro toque, com magia e velocidade.

Sem comentários:
Enviar um comentário