quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

O RENASCER DO BASQUETEBOL PORTUGUÊS!


ACTUALIDADE…

Benfica obteve, ontem, um importante apuramento para os oitavos-de-final da Taça Eurochallenge, segunda maior competição europeia de basquetebol, logo a seguir à Euroliga.
Embora tenha perdido o seu último jogo, beneficiou da vitória do Lukoil Academic sobre o Lugano Basket, permitindo assim aos comandados de Henrique Vieira, passar a fase seguinte, em 2.º lugar, com três vitórias.
Trata-se de uma importante feito para o basquetebol português e de um momento marcante para o basquetebol encarnado que revive, assim, e novamente, momentos de glória como já não vivia à mais de 15 anos. É um regresso às grandes competições europeias, embora esta não seja a prova de excelência do basquetebol europeu.

Para este pequeno sucesso muito contribuíram as apostas em Carlos Lisboa, para director geral das modalidades, e Henrique Vieira, para treinador…dois homens da casa, está bom de ver.
A juntar a esta aposta na formação técnica, foi feito um esforço orçamental para a contratação de jogadores com classe e nível competitivo elevado.

Senão vejamos:

• na época 2008/2009, que culminou com a conquista do título após tantos anos de interregno, o clube contratou: Ben Reed, um ex-Ovarense, Sérgio Ramos, o regressa do menino da casa, e Seth Doliboa, o jogador mais valioso da equipa e que mais contribuiu, em pontos, em ressaltos, em desarmes para a conquista do título após tantos anos de interregno.
A estes, poderão ainda acrescentar-se jogadores como Miguel Minhava, João Santos, António Tavares, Diogo Carreira ou Elvis Évora.

• na época seguinte, 2009/2010, o Benfica manteve o núcleo duro, sofrendo apenas um baixa: a inevitável saída de Seth Doliboa para um campeonato e uma equipa mais competitiva e que lhe oferecesse melhores condições salariais – Deutsche Bank Skyliners.
Contudo a direcção técnica da secção de basquetebol teve a sensibilidade de colmatar esta baixa com a contratação de um jogador de qualidade semelhante à do norte-americano, recaindo a opção em Heshimu Evans, mais um ex- Ovarense, de enorme qualidade, que, diga-se, tem espalhando magia pelos pavilhões portugueses. Um outro jogador que contribuiu para a revalidação do título foi Will Frisby.

• na época em curso, foram contratados mais alguns bons valores, casos de Cordell Henry, outro ex-Ovarense, Rodrigo Mascarenhas ou Greg Jenkins, registando-se apenas a saída de Will Frisby.

RESENHA HISTÓRICA…

Após uma breve análise do percurso recente do basquetebol encarnado, que o haveria de levar à qualificação para a fase de grupos da Eurochallenge, não poderei deixar de dar uma pincelada pelos momentos de glória que o basquetebol encarnado viveu no final dos anos 80 e inicio dos anos 90.
Foram vários os jogos a que assisti na RTP 2, nas saudosas quartas-feiras europeias de basquetebol. Jogos contra Real Madrid, Partizan Belgrado, Panathinaikos, Joventut Badalona, foram momentos memoráveis, que deixaram uma grande nostalgia.
Ainda miúdo, lembro-me de vibrar com jogadores como…

CARLOS LISBOA, o melhor jogador de sempre do basquetebol português. Um jogador que lançava como ninguém ao cesto. Quem não se lembra do seu inconfundível lançamento: travagem brusca, rotação para trás e lançamento de três pontos, com o defensor em cima;

MIKE PLOWDEN, jogador já falecido, que demonstrava em todos os jogos uma grande raça, espírito de luta e enorme eficácia debaixo das tabelas...um poste de excelência que os aficionados do basket português tiveram a honra de ver jogador. Após deixar o clube não mais regressou aos pavilhões da Luz porque dizia ter receio de não aguentar a emoção que iria sentir quando entrasse na Luz.

PEDRO MIGUEL, o pequeno/grande base, que sustentava toda a equipa e a fazia jogar. Terminou, prematuramente, a sua carreira, aos 31 anos, devido a uma grave lesão. Corria o ano de 2000 e era capitão da equipa encarnada.

JEAN JACQUES, irreverente posto, que afundava como ninguém na cara do adversário, com alguma arrogância à mistura. Nada o intimidava, adorava ambientes escaldantes.

JOSÉ CARLOS GUIMARÃES, base/extremo de origem, fez praticamente todas as posições possíveis dentro de um pavilhão. Era um jogador tipicamente do colectivo, com grande serenidade em campo. Foi internacional pela selecção portuguesa e tem como grande pecha ter representado o FC Porto.

Embora estes tenham sido os nomes mais sonantes, não posso esquecer jogadores como Steve Rocha, Carlos Seixas, Flávio Nascimento, Alexandre Pires, ou até mesmo, Luís Silva.
A comandar todos estes talentos estavam dois Srs. do basquetebol: Mário Palma e Mário Gomes.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

MISTER JORGE JESUS SOFRE DO SÍDROME "JESUALDO FERREIRA"


(…antes de fazer uma apreciação ao clássico, começo por partilhar convosco um desabafo – para que não digo que só escrevo quando o Benfica ganha…)

Ontem, vimos, em pleno estádio do dragão, a raça do Norte impor-se à fidalguice e presunção lisboeta. Pois é, meus amigos, Lisboa só é capital no mapa, no Norte…trabalha-se!!!
O meu título vem a grande a-propósito, uma vez que, ontem, JJ demonstrou sofrer do síndrome que durante épocas acompanhou Jesualdo Ferreira, no Porto: porquê inventar quando se defrontam adversários fortes.
Foi assim com JF, sempre que defrontou as grandes equipas na CL, ou quando defrontou adversários mais fortes na nossa Liga; é assim com JJ, sempre que defronta adversários de elevado calibre
Esse rótulo de mestre da táctica tira-lhe algum discernimento e obriga-o a ter que tirar um coelho da cartola sempre que o jogo é decisivo, para que possa manter, no mundo da bola, esse tique vaidoso. Exemplos? Liverpool – Benfica, para a Liga Europa, na época passada; Porto – Benfica, para a Supertaça, este ano; o jogo de ontem…entre outros.
Sr. JJ, quando entramos no cenário de guerra (atenção! Nem a tropa fui!) a nossa demonstração de medo é a grande arma do inimigo. Ora, foi isso que demonstrou no jogo de ontem…MEDO!!! Porque se preocupou em demasia com o adversário, dando-lhe sinais claros dessa preocupação, ao ter mexido, como mexeu, no eixo defensivo

Para mim, que não percebo nada disto, a primeira grande qualidade de um treinador de futebol é não inventar…parece-me fundamental para que um treinador tenha sucesso.
Aliás, acho que essa é a grande qualidade de AVB, até porque não acho que esteja ali um grande técnico de futebol. Se não vejamos: no jogo de ontem qualquer treinador de bancada tinha colocado o mesmo onze que AVB colocou…colocou o óbvio e deixou que a qualidade dos jogadores resolvessem. Esta é a grande arma do Porto de AVB: qualidade, muita qualidade dos seus jogadores.
Não pensem que está ali algum Mourinho. Não está! Mourinho, nos dois anos em que esteve no Porto, teve a sua disposição um plantel com muita menor qualidade…e fez milagres.
Vejamos se o tempo me dá ou não razão.

O Benfica, que vinha ganhando rotinas de jogo, como o jogo era de extrema importância, JJ, o que faz?! Ah, inventa! Mas porquê???
Eu pergunto: qual será o jogador da defesa benfiquista mais capacitado para travar o drible e a velocidade de Hulk? Parece-me óbvio: Fábio Coentrão. Na minha opinião um dos cinco melhores laterais esquerdos da Europa. E porquê? Porque é rápido, joga na antecipação, apresenta grande frescura física ao longo de todo o jogo, tem raça e consegue criar grande dinâmica ofensiva - o que obrigaria Hulk a jogar mais recuado, mais próximo de Álvaro Pereira.
O que fez JJ?!
Inventou! Desviou David Luiz para a esquerda e colocou Sidnei no eixo defensivo. Resultado: David Luiz jogou contrariado, sem vontade de jogar naquela posição e com isto perderam-se várias rotinas de jogo.
Costumo ouvir os entendidos falar sobre a vertente táctica do futebol e o que normalmente dizem é que o que importa não são os sistemas mas as suas variantes/rotinas. Ora, JJ manteve o sistema mas...alterou a rotina.
Aquilo que estou a dizer, qualquer treinador de “vau de escada” o dizia. É tão óbvio que custa a perceber.

Quanto ao jogo jogado...
...o FCPorto, apresentou-se muito solto, com dois médios-centro de grande qualidade e muita posse de bola; com dois extremos bem abertos criando espaços no reduto benfiquista, para que pudessem “meter” o drible em velocidade. Aliás, a superioridade portista espelha-se neste pormenor: Gaurin pareceu ser aquilo que, indiscutivelmente, não é, um grande trinco.
Na frente um grande avançado, Falcão, dos melhores da Europa. Não tenho pejo em o dizer!
Imaginem, por exemplo, o Real Madrid com este Falcão, servido por Ronaldo e Di Maria.
Falei em Di Maria??? Que saudades…e dizia eu que ele era um amarrado à bola!

...o Benfica, por sua vez, entrou em campo muito pressionado, devido à importância do jogo, com a sua ala esquerda de "folga" – porque David Luiz não queria jogar na lateral e porque, mais à frente, Coentrão estava indeciso entre ajudar David Luiz e desequilibrar na frente, não fazendo bem, nem uma coisa nem outra.
Este desequilíbrio na esquerda, como se manifestou tão precocemente no jogo, transmitiu duas coisas: por um lado, inquietação em todo a equipa benfiquista e, por outro, deixou a nu, e aos olhos de Hulk e companhia, onde estava a galinha dos ovos de ouro: na esquerda!.
Tudo o que se passou daqui em diante foram pouco mais que consequências da teimosia de JJ. E o pouco mais foi a diferença de qualidade entre alguns jogadores das duas equipas. Um Porto muito mais equipa.
Se continuar a jogar assim será um justo vencedor da nossa Liga

Queria deixar ainda algumas apontamentos:

Primeiro: não gosto de exageros e como tal continuo acreditar que JJ é um bom treinador mas não um fora-de-série, como alguns benfiquistas apregoam;

Segundo: a expulsão de Luisão é inadmissível. Um jogador com a sua experiência e que capitaneia a equipa não pode cair naquele engodo. É óbvio que a abordagem ao lance por parte de Guarin foi provocatória e agressiva, tendo o colombiano se queixado da cara quando o brasileiro “apenas” lhe roçou com o cotovelo no pescoço, mas Luisão não podia responder daquela maneira, sobretudo porque a equipa estava a tentar limpar a má imagem deixada na primeira parte. Porém, para que não restem dúvidas, a expulsão é justíssima, quanto mais não seja, pela atitude: agressão!;

Terceiro: valha-nos o Andebol. Dos três clássicos realizados durante o fim-de-semana (Futebol, Hóquei Patins e Andebol), restou-nos a vitória neste último;

Quarto: as bolas de golf lançadas para o relvado. Uma bola daquelas que acerte na cabeça de um jogador pode matar.

Até breve!

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

AFINAL ERA UMA BOA IDEIA!


Em Setembro de 2009, o SLB recebeu autorização da CMVM para a criação de um fundo de investimento designado de “BENFICA STARS FUND – Fundo Especial de Investimento Mobiliário Fechado”, sob gerência da “ESAF – Espírito Santo Fundos de Investimento Mobiliário”.

Na altura, os mais entendidos economistas do país vieram a terreiro afirmar que se tratava de uma politica enganadora, desonesta e comprometedora:

  • enganadora, porque permitiria bons resultados desportivos no imediato mas que não se sustentariam no futuro;
  • desonesta, porque, por um lado, apenas alguns clubes poderiam recorrer a estas engenharias económico-financeiras, acentuando a clivagem entre pequenos e grandes e, por outro lado, tal recurso permitiria a clubes sem recursos tornarem-se competitivos;
  • comprometedora, porque iria implicar o endividamento presente e futuro dos clubes, com grandes repercussões na gestão económica dos mesmos. A administração passaria a ser feita com dinheiro da banca, algo demasiado perigoso para qualquer empresa.
 Aliás, o próprio presidente do Sporting, JEB, três dias após a oficialização do projecto de investimento do Benfica, criticou-o violentamente: " O fundo de investimento do Benfica é uma vergonha, em que se avaliam jogadores, como o Javi García, em 17 milhões de euros, e juniores que ninguém conhece em cinco milhões", disse, então, JEB aos sócios, na casa do Sporting de Vendas Novas.

O curioso é que, após estas sábias palavras, o DN tenha publicado uma notícia, em Agosto deste ano, com o seguinte título: “ CMVM JÁ ANALISA FUNDO DE JOGADORES DO SPORTING” e onde podia ler-se: “ A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) está a analisar a proposta leonina, podendo a mesma ter luz verde até final do próximo mês de Outubro. "Confirmamos que estamos a analisar um projecto do Sporting com essa finalidade", disse ao DN fonte oficial da CMVM. Um passo que não foi seguido pelo Sporting, que preferiu não comentar.
Segundo informações recolhidas pelo DN, o projecto tem vários pontos semelhantes com o fundo constituído pelo Benfica, a 1 de Outubro de 2009, também em parceria com o Grupo Espírito Santo”
  
Para completar a hipocrisia, no dia 15 de Outubro de 2010, foi a vez de o FCPorto emitiu um comunicado onde informa que “ alienou, em regime de associação económica, as seguintes partes dos direitos económicos de três atletas contratados no início da época:
  
• 37,5% dos direitos desportivos do jogador João Moutinho por 4.125.000€ à Mamers B.V.;

• 35% dos direitos desportivos do jogador James Rodriguez por 2.550.000€ à Gol Football Luxembourg;

• 25% dos direitos desportivos do jogador Walter por 2.125.000€ à Pearl Design Holding Ltd;”
  
Pois é. Enquanto se conseguiu fazer render o dinheiro da CL, não foi necessária criar fundos de investimento, criticando quem os fazia…quando a galinha dos ovos de ouro fez pause…foi necessário plagiar os outros.

Afinal a ideia de LFV não era assim tão descabida.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

UM PEQUENO GRANDE JOGADOR


Após ler a notícia de que Allen Iverson estaria de saída da NBA, senti-me na obrigação de escrever algumas palavras sobre este pequeno génio.
Se hoje sou um grande aficionado da NBA e da sua inigualável magia, em parte o deve a este formidável jogador.
Embora tenha sido Michael Jordan quem mais me encheu as medidas, foi este jogador quem me viciou na NBA.
Durante anos fui adepto dos Philadelphia 76ers apenas e somente porque lá militava o grande n.º 3.

Iniciou a sua já longa carreira nos Philadelphia 76ers, em 1996, tendo sido a primeira escolha do draft.
Por lá permaneceu durante 10 anos, onde se destacou como um jogador de eleição.
Conseguiu transformar uma equipa mediana numa das equipas de topo da NBA, tendo atingido o seu ponto mais alto quando na temporada 2000/2001 comandou Aaron Mckie, Eric Snow, Tony Kukoc, Theo Ratliff, entre outros, ao titulo de campeões da Conferência Leste, tendo disputada a final com os poderosos L.A. Lakers.
Nessa final, embora tenha obtido apenas uma vitória, registou uns impressionantes 31 pontos de média, o que contribui para a eleição de MVP da temporada.

Na temporada 2006/2007 muda-se para os Denver Nuggets, fazendo uma excelente dupla com Carmelo Anthony, em 2008/2009 segue para Detroit, para representar os Pistons, em 2009/2010 sai para os Memphis, contudo, em Dezembro de 2009, regressa a Philadelphia.
O seu carácter temperamental e indisciplinado e a incapacidade de se adaptar aos vários clubes por onde passou, desde que saiu de Philadelphia, ofuscaram a sua magia e provocaram um declive na sua carreira.

Como jogador, Iverson foi dos mais espectaculares e empolgantes que alguma vez vi jogar. De drible fácil e com uma eficácia da linha de três pontos bastante respeitável, era um jogador repentino, que investia para o cesto a todo o momento. Embora medisse apenas 1,83metros (?), serpenteava entre os adversários com uma subtileza só ao alcance dos maiores e melhores jogadores.
Conseguia lances espectaculares devido à sua baixa estatura mas, sobretudo, devido à sua enorme capacidade atlética. Quando o jogo se complicava, já sabíamos que o pequeno Iverson iria tirar um coelho da cartola e provocar uma standing ovation.
Com uma média de pontos por jogo das mais altas da história da NBA (27,1), marcou uma época brilhante nesta competição.

Se tivesse conquistado títulos colectivos, por certo teriam surgido mais reconhecimentos individuais e hoje, provavelmente, estaríamos a falar de um dos mais importantes jogadores da história da NBA.

É com alguma pena que o vejo partir para um campeonato de menor dimensão, quando comparado com a NBA, contudo, é a consequência natural dos seus já 35 anos.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

AS ESCUTAS EXISTEM, SR. MIGUEL SOUSA TAVARES!!!

"Escutas reaparecem por causa do FC Porto - Benfica", Miguel Sousa Tavares in jornal A Bola.


É esta a frase que se pode ler na capa da edição de hoje do jornal "A Bola".
Sr. Miguel Sousa Tavares, está equivocado com tal afirmação. E explico porque...
As escutas reapareceram não porque estamos próximos de um Porto - Benfica mas porque...existem! Ainda que possam parecer mentira, tal o tamanho da intrujice, a verdade é que não o são. É a realidade dos factos.

O mais hilariante não são as escutas por si só mas o facto de o Porto usar de um preciosismo legal para impedir a sua utilização em julgamento. Nunca se preocuparam em rebater o seu conteúdo, o que pressupõe aceitarem a sua existência.

O quadro de sucessos do FC Porto, sobretudo os anos 90, ficará para sempre ligado a uma história de corrupção, falcatruas e vigarices. Jamais essa "impressão" será apagada da memória de todos.

A vantagem das escutas, quando comparadas com aquilo que dizem ter sido “o clube do regime” e o "caso calabote", é que as primeiras podem ser guardadas num pequeno suporte informático e mostradas às gerações vindouras; já os segundos….um dia destes conto-vos o que de facto aconteceu no final da época de 1958/1959, tendo como protagonista Inocêncio João Teixeira Calabote, e como uma mentira contada muitas vezes se torna verdade.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

TRI-CAMPEÕES!!!


Terminou ontem a 17.ª edição do Campeonato do Mundo de Voleibol, que decorreu em Itália.

Embora não tenha acompanhado como gostaria esta competição, conheço, em virtude do visionamento de grande parte dos jogos da edição 2010 da Liga Mundial de Volei, algumas das principais equipas desta modalidade, nomeadamente o Brasil, a Rússia, a Sérvia, a Itália, Cuba, a Argentina ou os EUA.

À partida, o principal candidato à vitória final era o Brasil. Não só porque ocupava o primeiro lugar do ranking da FIVB mas também porque havia ganho as duas últimas edições da prova, bem como havia vencido a última Liga Mundial de Voleibol, prova onde participam as melhores equipas de voleibol do mundo.
Tal previsão veio a confirmar-se, tendo o Brasil passeado toda a sua classe durante a prova, tendo “despachado” a selecção cubana, na final, por uns esclarecedores 3-0. Murilo, jogador brasileiro, foi considerado o melhor jogador do torneio.
A equipa brasileira apresentou, durante o campeonato do mundo, em regra, a seguinte equipa base:

Bruno, um excelente passador, filho do seleccionador brasileiro, Bernardinho (Bernardo Rezende);
Murilo, um magnífico servidor, que ataca a rede com grande agressividade;
Dante, uns dos melhores atacantes do mundo. Toda a estratégia atacante passa por este jogador;
Vissoto, o gigante da equipa, com uns imponentes 2,12 metros de altura, bloca a 3, 45 metros. Um portentoso bloqueador;
Rodrigão, também ele um possante bloqueador;
Mário, o libero da equipa, um grande receptor, assim como o seu colega de posição, Marlon. Aliás, alternam com frequência a sua presença na equipa.
Outros nomes como Théo, Lucas ou Sidão, foram presenças habituais no decorrer das partidas.

Uma palavra ainda para Giba, que, apesar de já pouco utilizado, ainda integra esta selecção. É considerado, pelos entendidos, um dos melhores jogadores de sempre do voleibol mundial e um dos que mais gostei de ver jogar nos últimos anos, pela sua espectacularidade, excelência no serviço e potência no remate. Um jogador completíssimo, como vi poucos.

Para terminar, deixo aqui algumas das grandes vedetas que passeiam classe nesta modalidade e que, embora possam não integrar os lugares cimeiros das estatísticas, são aqueles que mais me impressionam:

na selecção de CUBA: Leon, um jovem promissor de apenas 16 anos que vi jogar pela primeira vez este ano, na Liga Mundial, e que é considerado a maior promessa do vólei mundial. Tratasse de um excelente atacante.

na selecção de ITÁLIA: Mastrangelo, o patrão desta selecção, com grande experiência e excelente sentido posicional na rede. Um magnifico bloqueador;

na selecção da SÉRVIA, Miljkovic, excelente atacante, pauta-se sempre como o melhor ou um dos melhores pontuadores da selecção servia. Foi campeão olímpico em Sydnei 2000;

na selecção da ARGENTINA, Rodrigo Quiroga, grande jogador. É o posso de energia da selecção argentina...representa a raça e irreverência sul-americana Excelente no serviço e no ataque. Sem ele a Argentina não seria tão capaz e tão forte…valeria uns pontos menos.

na selecção do BRASIL, Murilo, um tremendo atacante e um fortíssimo servidor, que não tem mais notoriedade apenas porque integra uma selecção fortíssima, recheada de grandes valores;

na selecção da EUA, Clayton Stanley, considerado o melhor jogador de vólei, nos jogos Olímpicos de Pequim. Um grande, grande servidor.

na selecção da RÚSSIA, Mikhaylov, um atleta ainda muito novo, que apresenta como principal arma o seu fortíssimo remate. É no meu entendimento, o melhor, mais espectacular e promissor jogador russo.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

FC PORTO FEZ "ALL IN"...E PERDEU!!


Esta semana assistimos a uma das piores “jogadas” de que há memória, lá para os lados do Dragão.

Depois de terem sido reveladas mais seis escutas que envolvem directamente o Sr. Pinto da Costa na negociata de árbitros, na sua pontuação e no serviço de jantares que, ficamos a saber, se trata de porrada encomendada para os árbitros menos simpáticos com o clube azul e branco, eis que André Vilas Boas (AVB) se lembra de tirar um coelho da cartola, sempre acompanhado ao palio pelo seu Chefe.

Aliás, a cena em que ele afirma, no dia do Guimarães – Porto, uma verdade absoluta, com testemunhas oculares (leia-se, os seus jogadores) e no dia seguinte a desmente, desmentindo todos os seus pupilos, é de…NelMagazine!

Vamos aos factos…antes que o Sr. Rui Moreira se vá embora…

Relativamente à arbitragem de Carlos Xistra, no Guimarães – Porto, de segunda-feira, existe apenas um lance, em todo o encontro, que prejudicou decisivamente o FCP, e não uma dúzia deles, como fez parecer AVB: estou a referir-me ao fora de jogo mal assinalado a Falcão, já no final da partida, em que Hulk, com um excelente passe, isola o colombiano na cara de Nilson. Acrescento a este, um ou dois amarelos que ficaram por mostrar aos jogadores do Guimarães.

Tudo o resto são erros que prejudicaram o Guimarães: penalty claro cometido por Fucile sobre Edgar e entrada violentíssima do mesmo Fucile sobre Faouzi, que seria para cartão vermelho…lembro que foi com uma entrada semelhante que o grande Marc Van Basten deixou, prematuramente, os relvados.

O papel a que AVB se prestou entre segunda e terça-feira desta semana é algo que não me recordo ter assistido no FCP, nos últimos 20 anos. Ao tentar ridicularizar o manifesto benfiquista contra a arbitragem, ridicularizou-se a si próprio.

A imagem que o FCP tentou passar, ao insurgisse contra a arbitragem, da necessidade de um golpe palaciano, na comissão de arbitragem da liga, visa escamotear e descredibilizar uma verdade indesmentível: a Liga passou novamente para as hostes portistas.

Com a manifestação, diga-se, exagerada, de descontentamento com a arbitragem, levada a cabo pelo Benfica, o FCP passaria a ter, por uma questão de igualdade, também ele, uma oportunidade de, a seu tempo, vir a terreiro criticar fortemente a arbitragem. O problema é que o FCP já gastou, e de uma forma caricaturesca, esse cartada.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

O VERDADEIRO TÚNEL!

 
        Numa cerimónia, realizada no passado domingo, de homenagem aos atletas e treinadores campeões nacionais pelo FCP, referente à época passada, Jorge Nuno Pinto da Costa, teve mais uma vez o desplante de falar no campeonato dos túneis, afirmando que o FCP só não ganhou o “campeonato dos túneis”.

        Sr. Jorge Nuno, talvez pelo avançar da idade, a clubite e a raiva que nutre pelo SLB tem-lhe tolhido a memoria….o que é pena. Contudo, cá estão os mais novos para, com alguma isenção e dignidade, lha avivarem.
        Caso esteja amnésico, ou a padecer de alguma doença degenerativa do foro psíquico, queria lembrar-lhe que existiu, em tempos, um túnel demasiado conhecido e corrompido, no antigo Estádio das Antas, e esse sim com um rosto bem visível.

        Nos idos anos 90, um tal de Abel Gomes, à época agente da PSP e que a história o conhecerá para sempre como Guarda Abel, era presença assídua no túnel das Antas.
        Ao que consta, este Sr. liderava um grupo de guarda-costas que tinha por objectivo exerceu coacção física e moral sobre todos aqueles que visassem “enfrentar” o FCP ou o Sr. Pinto da Costa.
        O cartão de visita deste grupo era a exibição de metralhadoras que traziam debaixo das gabardinas, para intimidar quem os enfrentasse, sobretudo nas deslocações do FCP a Lisboa. Aliás, segundo João Santos, à data, presidente do SLB, tais armas “eram armas da polícia, requisitadas à sexta-feira, antes dos jogos, e devolvidas na segunda-feira”.
        Inclusive, este grupo possuía cartões de livre-trânsito emitidos pela FPF, que lhes franqueavam o acesso a zonas restritas dos estádios…o próprio Guarda Abel era presença assídua no autocarro do FCP.
        Actuavam, não só no túnel das Antas, mas também em outros estádios ou pavilhões onde as equipas do FCP se deslocavam. Existem estórias que narram desacatos provocados por este grupo, nomeadamente em Barcelos, num Óquei de Barcelos Vs FCP; ou em Braga, no pavilhão Flávio Sá Leite, num ABC Vs FCP.
       Contudo, os casos mais conhecidos ocorreram no futebol. E deixo aqui duas estórias, todas elas ocorridas no início dos anos 90:
  • Nas vésperas de um FCP Vs SLB, que se realizou em 1991 e que a equipa encarnada ganhou com dois golos de César Brito e permitiu a conquista do título nacional, João Santos, à época presidente do Benfica, foi convidado para, em representação do clube, presenciar a cerimónia de tomada de posse dos órgãos sociais do Salgueiros. Durante a cerimónia entrou na sala um indivíduo que o injuriou e ameaçou de morte. Esse indivíduo era Guarda Abel.
          No dia do jogo, a equipa de futebol do Benfica foi obrigada a equipar-se no corredor porque colocaram um produto tóxico no balneário. Tal momento foi capturado por um repórter fotográfico que de imediato entregou o rolo aos dirigentes do clube encarnado. Quando de lá saiu, foi agredido e roubaram-lhe a máquina.
          Após o jogo, Guarda Abel e sua comandita agrediram, em pelo túnel de acesso aos balneários, os dirigentes do Benfica, tendo inclusive vice-presidente Jorge de Brito abandonado o estádio numa carrinha Ford Transit.
          No dia seguinte havia imagens do sucedido.
  • Por último, num Belenenses Vs FCP, de onde resultou um relatório elaborado pela direcção do Belenenses, que relatava terem sido vistas armas no estádio do Restelo, levadas por guarda Abel e sua comitiva.


        Dos actos deste grupo organizado chegou a ser elaborado um relatório pelo então ministro da administração interna, Dias Loureiro, tendo o mesmo relatório concluído a existência de um grupo liderado por Guarda Abel, associando-o a Pinto da Costa e ao FCP.
        Porém, este relatório embora tenha sido publicado em 1992 e dele constassem várias fotografias cedidas, quer pelo Belenenses quer pelo SLB, que mostravam o agente Guarda Abel de arma em punho, nunca as mesmas implicaram quaisquer punições. Tudo foi sido abafado devido ao poder desportivo e politico de Pinto da Costa.
  
        O Sr. Pinto da Costa sempre negou publicamente qualquer relação, de qualquer ordem, com o agente Abel Gomes, contudo e a corroborar a tese de que Pinto da Costa tinha ligações a grupos organizados e, nomeadamente ao Guarda Abel, está o facto de em Janeiro de 1992 o Diário de Noticias ter publicado uma noticia onde informava que dois agentes da PSP haviam sido condenados a 7 anos de prisão por tráfico de droga, um dos quais Tomé Mau (António Barbosa), antigo elemento da segurança do presidente do FCP – é o que pode ler-se no jornal.
        Aliás, ainda há poucos anos, Guarda Abel foi fotografado a “guardar” a Sra. Carolina Salgado, alternadeira de profissão, que se deslocou ao Estádio da Luz para apoiar a equipa presidida pelo seu, à altura, namorado.
        Mais recentemente, foi o próprio Pinto da Costa a ser fotografado ao lado deste ex-agente da PSP.

        Segundo informações da Direcção Nacional da PSP, após a ocorrência de todos estes factos e de que a PSP teve conhecimento, a Divisão de Trânsito da PSP puniu disciplinarmente Guarda Abel, tendo sido posteriormente relegado para o exercício de funções administrativas.
        Hoje, embora já aposentado e na penumbra, ainda efectua alguns serviços de segurança para o Sr. Pinto da Costa, como o documenta a imagem:
  
        Depois de tudo isto ainda tem a desfaçatez de vir falar em túneis?!
        Haja paciência…
        Sr. Jorge Nuno, vá-se catar!

Nota:
Por último, deixo-vos as declarações sobre a pessoa de Guarda Abel, prestadas por HERNÂNI GONÇALVES, um antigo dirigente portista e amigo pessoal de Pinto da Costa: “O guarda Abel é um polícia muito competente e um portista ferrenho, do qual tenho o prazer de ser amigo. Há uns anos, em Alvalade, houve um diferendo entre o Branco e um jogador do Sporting. A polícia quis entrar no balneário e ele disse-lhes: “Alto que aqui ninguém entra. Isto é um santuário fora da autoridade policial”. E eles não entraram”.


sexta-feira, 24 de setembro de 2010

ENTREVISTA SAUDÁVEL


Numa visita ao Agrupamento Vertical das Escolas de Baguim, em Gondomar, Vítor Baia falou de vários temas…

…falou da sua estranha saída do FCP, afirmando que a estrutura do clube não tinha lugar para si;

…falou do assinalável trabalho desenvolvido, até ao momento, por André Vilas Boas, no FCP

…falou da homenagem prometida por Pinto da Costa mas ainda não cumprida;

…falou de Roberto, salientando que para estar no Benfica teria que ter qualidade;

…falou como adepto do FCP; mas, sobretudo,

...falou de uma forma sã, sensata, equilibrada, despido de qualquer pudor ou clubite, falou como nunca poderia falar se ainda estivesse ao serviço do FCP.

Um homem que enquanto jogador nos parecia arrogante e altivo (talvez em virtude dos muitos títulos conquistados), hoje aparece com uma postura respeitável, mentalmente saudável. É deste tipo de “intervenientes” que o futebol português precisa.

Aliás, foi neste campo que Carlos Queiroz teve um papel fundamental na selecção nacional, quando em 89 fez nascer não só um grupo de grandes talentos mas, sobretudo, um grupo de homens bem formados. São vários os exemplos: V. Baia, J. Pinto, F. Couto, Rui Costa, L. Figo, entre outros.

Como faz bem aos Homens desprenderem-se dos clubes, sobretudo de clubes com regime monárquico.

Um Bem-Haja!



quinta-feira, 23 de setembro de 2010

APOSTA ARRISCADA!

Depois de muito se ter feito, dito e escrito, o Sr. Madaíl utilizou a sua última cartada com vista a uma mais do que certa recandidatura à presidência da FPF, contratando o treinador Paulo Bento.

Antes deste, tinha tentado contratar José Mourinho. Todos sabiam, até o próprio Madaíl, que José Mourinho não vinha, caso contrário teria falado primeiro com o presidente do Real Madrid e só depois com o Special One. Em qualquer relação laboral, primeiro falasse com o patrão e só depois com o empregado…mas afinal quem é que paga ao empregado?!
Aliás, a própria “figura” de José Mourinho nas conferências de imprensa que mediaram este assunto suou a patético e ridículo.
Foi o momento cómico do ano…daria uma bela rábula para a minha NelMagazine!

No meu modesto entendimento, Paulo Bento não será a melhor solução para orientar a selecção nacional…foi claramente uma opção de recurso.
Encontrando-se a selecção num momento tão conturbado e, simultaneamente, decisivo, seria sensato contratar um seleccionador com maior experiência e maturidade. Nomes como Humberto Coelho ou Manuel José seriam soluções bem mais adequadas para o momento da selecção. Porém, tal não aconteceu. E não aconteceu porque, o primeiro, saiu em litígio com selecção, após o Euro 2000, e o segundo, sempre foi um mal amado para Gilberto Madaíl.

Importa referir que, durante os quatros anos em que Paulo Bento dirigiu a equipa principal do Sporting, embora tentasse impor rigor e disciplina – o que se pretende na selecção – criou muitos conflitos e animosidades com vários jogadores – que é o que não se pretende na selecção.
Aguardo serenamente, na esperança de estar redondamente enganado, porém parece-me não ter sido a melhor escolha.

 
Percurso cronológico do cidadão PAULO JORGE GOMES BENTO ...

... como jogador profissional :

            • 1988-1989 - iniciou o seu percurso no Futebol Clube Benfica ;

            • 1989-1991 - segue - se o Estrela da Amadora;


            • 1991-1994 - Vitória de Guimarães

            • 1994-1996 - SLBenfica


            • 1996-2000 - Real Oviedo;

             
            • 2000-2004 - termina a sua carreira no Sporting


... como selecionado:

            • 1995-2003 - realizou 35 jogos, nao tendo marcado qualquer golo



... como treinador :

            • 2004 - inicia a sua curta carreira de treinador em 2004, como técnico da equipa de juniores do Sporting, tendo sido campeão nesse ano ;

            • 2005 - após a saida de José Peseiro , ocupa o carga de treinador principal da equipa sénior do SCP, onde esteve até 2009.

domingo, 19 de setembro de 2010

TACUARA RESOLVE!


O Sr. Paulo Sérgio não deve ter estado no Estádio da Luz. Dizer que o Benfica foi apenas mais feliz do que a sua equipa, é tentar ver o impossível.
Não foi apenas a sorte que desequilibrou…
…desequilibrou a melhor organização táctica do Benfica;
…desequilibrou um maior pressing da equipa encarnado;
…desequilibrou, sobretudo, uma melhor qualidade técnica dos pupilos de JJ.

Num jogo nem sempre bem jogado, com muitas faltas, quer de uma equipa quer de outra, com alguma agressividade, embora nunca excedendo os limites, o Benfica foi melhor.

E foi melhor porque, na 1.ª parte, entrou muito forte, com um bloco defensivo muito alto, com a equipa a pressionar a todo o campo, sobretudo, a saída de bola do Sporting…daí os recorrentes passes em profundidade dos centrais do Sporting.

Foi melhor porque criou várias oportunidades de golo, sendo exemplo disso, a bola ao poste, num remate de Cardozo, aos 5 minutos.

Foi melhor porque a equipa leonina nunca conseguiu estabilizar o seu jogo, com um Liedson muito apagado e os alas (Valdês e Yannick) muito lentos nas transições ofensivas, nunca conseguindo criar desequilíbrios, sobretudo, pelas faixas…prova disso é a inexistência de remates á baliza de Roberto, nos primeiros 45 minutos.

Foi melhor porque, na 2.ª parte, a equipa voltou a entrar forte, conseguindo materializar em golos o seu maior ascendente, tendo, a partir de então, jogado mais em contenção, com a sua estrutura mais recuada, à espera do Sporting.

Foi, ainda, melhor porque o engodo saiu na perfeição uma vez que o Sporting subiu no terreno mas, embora conseguindo uma grande oportunidade de golo, desperdiçada por Liedson, provocou muitos espaços nas costas da sua defesa. Como peixe na água, e com as transições ofensivas a saíram ao jeito da época passada, o Benfica foi desferindo vários contra ataques que lhe poderiam ter valido o terceiro ou quarto golos.
O resultado final parece-me justo, num jogo, a espaços, bem jogado.
No que diz respeito ao trabalho do Sr. Carlos Xistra e seus assistentes, embora com falhas, não influenciou o resultado final.
Ora vejamos:

• fora de jogo tirado a Jaime Valdés, na 1.ª parte, que na realidade não existe; e um outro a Liedson, na 2.ª parte, também ele inexistente – este sim um lance que poderia ter criado grande perigo para a baliza de Roberto;

• entrada muito perigosa de Javi Garcia sobre Liedson, aliás em tudo semelhante ao lance da expulsão de João Pereira, ocorrido o ano passado na meia-final da Taça da Liga, no estádio da Luz.
Embora aceite que o árbitro poderia ter expulso o jogador do Benfica, visto tratar-se de uma entrada que colocou em causa a integridade física do jogador leonino, na minha perspectiva em nenhum dos casos é lance para cartão vermelho directo…aliás, a entrada de Javi Garcia é lateral e não por trás, logo não se trata de um tackle. Contudo, e voltando a repetir, aceito que o árbitro expulsa-se Javi Garcia;

• entrada dura de Maniche sobre a canela de David Luiz, na 2.ª parte;

• mão na bola de R. Amorim que lhe poderia ter valido a expulsão, contudo e segundo a lei, um lance de braço na bola só pode dar origem a cartão amarelo se o mesmo cortar um lance de perigo, o que não foi o caso, até porque a bola ia para fora;

• cartão amarelo muito mal mostrado a Fábio Coentrão, num lance em que Liedson simula, como só ele sabe, falta.

sábado, 18 de setembro de 2010

SR. MADAÍL, VÁ-SE EMBORA!!!






A ida de Gilberto Madaíl, a Madrid, para tentar resgatar José Mourinho a Florentino Perez, é ridícula.

E por vários motivos…




Primeiro, porque já toda a gente sabia qual seria a resposta, quer de Mourinho quer de Florentino Perez…o primeiro, por cortesia, diria que sim; o segundo, por uma questão de estratégia, diria que não…E foi o que aconteceu;

Segundo, porque a imagem que passa para o exterior é a de um país que, para além de um défice e uma taxa de desemprego altíssimas, não tem capacidade para, serenamente, encontrar um técnico livre e desimpedido, que possa pensar apenas na equipa nacional.

Terceiro, porque a atitude, em termos directivos, é desastrosa. Não se compreende que, estando a selecção desde a sua base até topo sem uma linha de orientação, se tente contratar um seleccionador para…dois jogos.
Quando todos pensavam que o mais sensato era tentar encontrar um seleccionador que trouxesse organização e disciplina, novas ideias, novos métodos de treino, uma nova disciplina táctica e pensa-se na selecção como um todo e a longo prazo, o Sr. Madail pensou numa solução para dois jogos, de forma a que, daqui a um mês, tudo tenha que ser mudado novamente
Além do mais, só se compreenderia uma solução deste calibre se a mesma coloca-se a selecção nacional no Euro 2012...o que está longe de ser verdade.

Sr. Madaíl, o desespero é muito grande…mas não se preocupe porque o Sr. Lourenço Pinto, presidente da Associação de Futebol do Porto, já veio descansar as hostes…terá o apoio da “corja” que preside as associações de futebol do país para que possa continuar no poleiro.

É caso para dizer: o rei vai nu…mas sem vergonha!!!

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

"RAÇA" NADAL


Rafael Nadal conquistou, na passada 2.ª feira, o único Grand Slam que lhe faltava: o US Open

Em pleno Artur Ashe Stadium, no complexo de Flushing Meadows, e perante mais de 22.000 espectadores, Nadal demonstrou de que fibra são feitos os campeões, arrebatando o seu 9.º Grand Slam.
Aliás, depois de: Fred Perry (1935); Don Budge (1938); Roy Emerson (1964); Rod Laver (1969); Andre Agassi (1989); e Roger Federer (2009), foi a vez de Rafael Nadal se tornar no mais jovem de sempre a conquistar o Grand Slam de Carreira (conquista dos quatro torneios do Grand Slam – Open da Austrália, Wimbledon, Roland Garros e US Open ).

No que diz respeito ao jogo, Nadal entrou muito forte na partida, bastante concentrado, tendo arrebatado o primeiro set sem dificuldades. Contudo, Djokovic ripostou, subiu o seu nível de jogo, aproveitou alguma apatia de Nadal e acabou por vencer o segundo set. No terceiro e quarto set’s, o maiorquino voltou à carga, voltou a “meter” os seus primeiros serviços e fechou a partida, vencendo por três sets a um, ao cabo de quase quatro horas de encontro.

Na minha modesta opinião, R. Nadal é, hoje, o melhor tenista da actualidade. E só não é n.º 1 mundial há mais tempo porque apanhou, na sua era, um super R. Federer – considerado o melhor tenista de sempre, em virtude dos seus 16 títulos de Grand Slam, já conquistados.
Para quem acompanha o mundo do ténis, sobretudo torneios do Grand Slam, verifica uma evolução permanente no ténis praticado pelo espanhol.
Ao seu já conhecido e poderoso jogo de fundo de court, com uma direita pesadíssima e muito topspin, Nadal aliou um serviço mais chapado e menos spinado, o que o torna um jogador mais completo, visto que a sua grande lacuna era o serviço, o que permitia muitos winners aos adversários.
Porém, Nadal tem um grande handicap: a sua compleição física. Embora seja uma vantagem no seu fortíssimo jogo de fundo do court, sempre desgastante para os adversários, a verdade é que, segundo alguns especialistas, a sua carreira não será tão longa como a de outros grandes tenistas visto que um corpo com grande quantidade de massa muscular é mais propicio a lesões. Aliás, elas já se vão fazendo sentir com alguma assiduidade, aos 24 anos.

Hoje, R. Nadal apresenta-se como n.º 1 mundial e não o fica a dever a ninguém.
Embora R. Federer continue a ser o melhor ou um dos melhores de sempre, com um serviço terrivelmente eficaz e uma esquerda a uma mão, como só ele sabe executar, a verdade é que Nadal desenvolveu e aperfeiçoou imenso o seu ténis, apresentando-se um jogador mais completo que o jogador suíço. Alia à técnica uma grande combatividade, força mental e espírito de luta, algo de que R. Federer não dispõem na mesma quantidade/qualidade. E essa é a virtude que, hoje, faz pesar a balança a favor de R. Nadal.
Estou certo que ultrapassará os 16 títulos R. Federer…a não ser que as lesões o tramem.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

SR. PRESIDENTE, NÃO CONCORDO!


    
Queria expressar o meu descontentamento relativamente as medidas ontem tomadas, em Plenário dos Órgãos Sociais do Benfica.




Vamos por partes:
    
      Primeiro, não pactuo com boicotes.
      Embora o clube tenha razões de queixa da arbitragem, não nos iludam com jogadas de bastidores: a equipa tem demonstrado um nível exibicional bastante sofrível, não se vislumbrando uma ideia de jogo, um fio condutor. Boicotar os jogos fora parece-me uma medida, no mínimo, desastrosa: agora que o grupo mais precisa do apoio dos adeptos é que se vai coarctar esse apoio?! Não entendo...
      Além disso, não jogar uma, embora desinteressante, Taça da Liga implica, por um lado, prescindir de uma competição que poderia dar ritmo competitivo e entrosamento aos atletas menos utilizados e, por outro lado, não assumir as responsabilidades que a grandeza e os pergaminhos do clube a isso obrigam.
     
       Segundo, este tipo de medidas fazem lembrar “outros” tempos.
      Aceitar esta politica dos Órgãos Sociais, significa estar conivente com outras políticas semelhantes, praticadas, outrora, por outros clubes.
      Se fui critico em relação à postura do FCP que durante anos coagiu e manipulou o sistema de arbitragem em Portugal, quer na Liga quer na Federação, não posso aceitar que o meu clube descarregue nos árbitros toda a frustração do que não conseguem fazer em campo. Este tipo de atitudes “cheira” sempre a desculpas de mau perdedor e acabam por surgir, no futuro, como tema de chacota para os clubes rivais.
      Posto isto, acho que devemos estar atentos as arbitragens…o que não devemos é criar uma onda de ruído que incite à contestação e instabilidade e que esconda outros males.
     
       Terceiro e único ponto onde estou de acordo com a Direcção.
      Os ataques de violência com o arremesso de pedras e bolas de golf sobre o autocarro do Benfica, sempre que passa pela cidade do Porto, são a todos os títulos repugnáveis
      Há por isso que assacar responsabilidades a quem as tem…e o Sr. Pinto da Costa tem-nas mais do que os outros, já que se presta, constantemente, ao incitamento da violência entre Norte e Sul, provocando um mar de ódio entre estas duas regiões do país, pelo menos no que ao futebol diz respeito. Como tal, concordo que se convoque uma audiência com o ministro da administração interna, Rui Pereira para que sejam tomadas medidas.
      No meu modesto entendimento, este problema concreto do arremesso de objectos para os autocarros seria resolvido com a colocação de 2/3 agentes de autoridade sobre cada um dos viadutos por onde passem os autocarros. Isto, obviamente, apenas nos centros e imediações das cidades dos clubes rivais.
     Quero ainda que fique claro que o problema da violência no desporto não é da exclusiva responsabilidade de um só clube mas de todos.

sábado, 11 de setembro de 2010

A NEBLINA QUE PAIRA SOBRE O HOQUEI PATINS PORTUGUÊS!


Está a decorrer o 49.º Campeonato da Europa de Hóquei Patins, em Wuppertal, na Alemanha.
Portugal iniciou o campeonato vencendo, a outrora poderosa, selecção da Itália, por 4-1. Seguiram-se as vitórias sobre a Inglaterra (14-1), a Alemanha (5-1), a Áustria (23-0), nos quartos-final, e, novamente, a Alemanha (6-1), na meia-final.

A Selecção tem hoje um jogo que poderá devolver o hóquei patins português ao patamar de excelência do desporto nacional…por onde andou durante muitos e bons anos. Para tal é necessária que derrote a hexacampeã, Espanha, e reconquiste um título que já lhe foge desde 1998.

Em Portugal, a modalidade padece de um mal que a vai corroendo lentamente.
Do meu ponto de vista, o principal culpado desta morte anunciado, que, esperamos, não se concretize, foram/são os meios de comunicação social, devido ao seu absoluto desinteresse pela modalidade. Convém destacar aqui a televisão, que tem deixado ao abandono este desporto…situação que não se verifica em mais nenhuma modalidade, daquelas que arrecadaram prestigio para Portugal.
A consequência desse desinvestimento televisivo foi a falência e as dificuldades económicas por que passaram e continuam a passar alguns clubes, outrora, gigantes. As suas direcções deixaram de ter “este” suporte financeiro, o que implicou gestões ruinosas, com os clubes a viverem acima das suas possibilidades.
O primeiro sinal deste divórcio, entre os portugueses e o hóquei patins, é o provável desconhecimento que todos temos sobre as novas regras implementadas nesta modalidade.
Senão vejamos:

• os cartões amarelos deixaram de constar do bolso dos senhores árbitros;

• um jogador pode ver três cartões amarelos, sendo que ao terceiro verá cartão vermelho;

• a amostragem de um cartão amarelo origina a suspensão do jogador admoestado, pelo período de 2 minutos;

• a exibição de um cartão azul dá origem à suspensão do jogador admoestado, pelo período de 4 minutos;

• sempre que dois jogadores de diferentes equipas são sancionados com cartão azul, as equipas não ficam, cada uma delas, com menos um jogador, durante dois minutos. O jogador expulso em cada equipa poderá ser substituído por um colega de equipa;

• sempre que um jogador vê cartão azul e a sua equipa fica reduzida a quatro elementos, a restituição da equipa será efectuada ou quando terminem os dois minutos de suspensão ou quando a equipa reduzida a quatro elementos sofra um golo (tal como no Futsal);

• sempre que uma equipa é reduzida a quatro elementos, se sofrer um golo, poderá entrar de imediato um quinto jogador, sendo certo que esse jogador nunca poderá ser o jogador suspenso, porque esse terá que cumprir os dois minutos até ao fim;

• passou a existir um terceiro arbitro, acrescentar aos dois de campo (como já acontece no futebol);

• sempre que é assinalada uma grande penalidade, o árbitro não apita para a sua marcação. Coloca a mão no ar e faz a contagem decrescente de cinco segundos;

• embora continue a existir a linha de anti-jogo, esta pode ser ultrapassada desde que a mesma não seja violada mais do que cinco vezes por jogo e, em cada violação, não ultrapasse o período continuo de 5 segundos;

• a equipa que ataca não poderá estar sem “atacar” a baliza adversária mais do que quarenta e cinco segundos, sob pena de incorrer em jogo passivo (tal como já acontece no andebol);

• cada equipa não pode cometer mais de nove faltas durante todo o jogo, sob pena de à décima falta, a equipa que a cometer, ser penalizada com um livre directo;

• a partir da décima falta, a cada cinco faltas será assinalado um livre directo;

• sempre que uma equipa esteja na eminência de atingir a décima falta, é colocada uma bandeira encarnada na mesa do terceiro árbitro, assinalando a situação;

• o penalty tem que ser batido directamente.

Espero que o Hóquei em Patins volte a ser uma modalidade acarinha por todos os portugueses…como já o foi.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

O meu cartão ao Benfica e à Arbitragem!


Queria deixar aqui um pequeno comentário relativo as primeiras quatro jornadas do nosso Campeonato Nacional de Futebol.

Para que não restem dúvidas acerca da minha idoneidade e imparcialidade sobre o tema, vou começar por analisar o futebol praticado pelo meu clube – Benfica – neste inicio de campeonato.
O futebol praticado pelo Benfica está longe daquele que foi praticado durante grande parte da época passada.
Parece-me que a presente época foi preparada com alguma sobranceria e com demasiada confiança – típico dos adeptos benfiquistas, que têm um mau costume: embandeirar em arco quando ainda pouco conquistaram.
Quando falo que a época foi mal preparada, estou a referir a duas coisas: politica de contratações e sistema táctico.

1) Politica de contratações
JJ e R. Costa não conseguiram colmatar as saídas de Ramires e Di Maria. Os jogadores que entraram não têm necessariamente as mesmas características dos que saíram. Dá ideia que se comprou em função da oportunidade de negócio e não em função das necessidades da equipa.
A equipa perdeu velocidade e pressing a meio campo, o que a torna presa fácil para os adversários.

2) Sistema táctico
É um erro crasso JJ continuar a insistir no sistema táctico 4-4-2.
Durante grande parte da pré-época foi testado o 4-3-3, e com ele surgiram resultados bastante aceitáveis e exibições bem conseguidas. Contudo no primeiro jogo oficial da época JJ voltou ao 4-4-2. Resultado?! Levamos um banho de bola do Porto.
E nada aprendeu com essa derrota, uma vez que continuou e continua a insistir num desgastado (em função dos jogadores que tem) 4-4-2.
Sr. JJ, se lê o meu espaço de informação e opinião, deixo-lhe uma sugestão: porque não experimentar J. Garcia, C. Martins e Aimar, no meio; e Jara, Cardozo e Salvio/Saviola, no ataque. Parecia-me uma equipa mais equilibrada e bem mais adequada aos jogadores de que dispõe no plantel.

Quanto aos jogos já disputados, no presente campeonato, tenho que reconhecer que o futebol do Benfica tem sido, na grande maioria das vezes, desinteressante, sem ideias, onde não existe pressão colectiva e em que os passes errados são mais do que muitos, como se viu hoje, em Guimarães.
Sobretudo nos últimos 25 minutos de jogo, a equipa não conseguiu construir uma jogada clara de golo. Existe muito passe bombeado para o ataque sem que lhe seja associada uma ideia, uma estratégia.
Não vi a equipa a deixar tudo em campo, e quando assim é, alguma coisa vai mal.

Contudo, e apesar de reconhecer o défice de qualidade do futebol jogado, não posso esquecer as arbitragens nos jogos do Benfica, nestas primeiras quatro jornadas. E faço-o apenas por um motivo: durante toda a época passada, fomos (nós, benfiquistas) bombardeados com as expressões como “colo”, “colinho”, “túneis”, “roubo”, etc.
Queria dizer aos autores de tais expressões que os tenho visto bastante calados…
As arbitragens dos jogos do Benfica têm sido muito pobres, quase sempre em prejuízo do Benfica (excepção feita a uma ou duas expulsões, sobretudo Cardozo, que tem revelado bastante dureza nos lances que divide com os adversários). Pelo contrário, os jogos dos rivais, principalmente Porto e Sporting, têm sido um fartote de penalties contra, por assinalar, golos em fora de jogo, enfim…

Dou tudo isto de barato, a excepção do jogo de ontem a noite, em Guimarães.
Foi mau de mais para ser verdade. São dois penalties claros por marcar a favor do Benfica; um fora de jogo tirado ao Saviola, que o colocaria isolada na cara de Nilson, segundo cartão amarelo que ficou por mostrar a Alex, aos 69min, já para não falar nos sete cartões amarelos mostrados a jogadores do Benfica, alguns deles ridículos (casos de J. Garcia e D. Luiz). São todos eles lances evidentes que só um arbitro medíocre e presumivelmente tendencioso não vê.

Parece-me que a entrada do Sr. Fernando Gomes, na Liga, começa a dar os seus frutos.
O mais ridículo de tudo isto é que o Sr. Vieira foi dar o seu abraço de conforto e coragem ao actual líder da Liga, na altura da sua candidatura.
Só tem o que pediu…





quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O FUTEBOL PORTUGUÊS NO SEU MELHOR...




A parafernália de acontecimentos que têm envolvido a FPF e o seleccionador nacional, Carlos Queiroz, nos últimos meses, levaram-me a deixar aqui alguns considerandos.

E começo pelo início…

A 11 de Julho de 2008, Carlos Queiroz foi contratado para ocupar o cargo de seleccionador nacional, substituindo Luiz Felipe Scolari.
As exibições durante a fase de apuramento para o Mundial, na África do Sul, sempre revelaram um seleccionador parco de ideias, com uma equipa a jogar um futebol demasiado defensivo e muito cinzento, sendo clara a falta de um líder, aliás, bastante patente, dentro de campo embora menos evidente, fora dele.
A verdade é que tudo ficou esquecido quando Portugal afastou a Bósnia, no play-off, de apuramento para o mundial.
Porém, voltamos à “vaca fria” com a divulgação da lista de convocados para o Mundial.
Ora vejamos:

Como foi possível convocar o jovem Daniel Fernandes, que ninguém conhecia, em detrimento do internacionalíssimo Quim?
Aliás, a este propósito deixava aqui uma nota: se o critério para afastar o Quim da baliza da nossa selecção foi o facto de ter sofrido 6 golos contra o Brasil, em Novembro de 2008, pergunto: quem irá suceder a Eduardo? É que na terça-feira sofreu 4 golos contra os modestíssimos noruegueses.
O argumento de Carlos Queiroz para não convocar Quim foi o facto de este apenas ter presente na selecção e não futuro. E eu volto a perguntar: e Deco, Paulo Ferreira, Ricardo Carvalho que futuro tinham/têm na selecção?

Como foi possível convocar Miguel, do Valência, um jogador extremamente conflituoso e demasiado “pesado” para o futebol de alta competição, em detrimento de um jogador como João Pereira, do SCBraga, que tinha feito uma primeira parte de campeonato espectacular?

Como foi possível convocar Pepe, do Real Madrid, um jogador que estava à 5 meses lesionado e que integrou o estágio, na Covilhã, ainda lesionado, em detrimento de um jogador como João Moutinho (convocado para todos os jogos da fase de apuramento para o mundial) ou como Ruben Amorim ou até mesmo como Carlos Martins?
Aliás, Pepe a estar em condições seria pagar jogar a defesa central e nunca a trinco, isto porque com Pepe a trinco não se ganha um bom trinco mas perde-se um grande central.

Como foi possível convocar jogadores como Duda ou Ricardo Costa, quando tínhamos soluções dentro dos convocados para ocupar esses lugares, em detrimento de opções mais atacantes?
Não se compreende…

Embora tivéssemos sido afastados do mundial pela poderosa selecção espanhola, a verdade é que o futebol demonstrado durante o torneio foi pouco mais que medíocre.
Ficou provado que o seleccionador não é treinador de banco, não sabe mexer com a equipa durante o jogo quando as adversidades a isso o obrigam, não consegue impulsionar e entusiasmar os seus jogadores e, o mas mais importante, não tem perfil de líder – isso foi patente com os inúmeros casos de indisciplina que assolaram o grupo, ao longo do mundial.
O desnorte continuou patente nestes dois últimos jogos, cujos resultados nos colocam praticamente afastados da fase final do Europeu 2012.
Quer no jogo contra Chipre quer no jogo contra a Noruega, como é possível que dois jogadores – Manuel Fernandes e R. Quaresma – passem de não seleccionáveis a titulares, no espaço de dois meses.
Pior ainda, como é possível que apresentemos um meio campo composto por M. Fernandes, R. Meireles e Tiago que praticamente ainda não jogaram esta época, ou ainda, que se continue a insistir em Miguel, na lateral direita.

Para fim de festa, faltava um “Caso Queiroz”, mesmo à boa moda portuguesa.
Tudo se desenvolveu de forma errada: desde a forma matreira como decorreu o inquérito ao indesculpável vocabulário arruaceiro de Carlos Queiroz.
É bem verdade que a forma como o seleccionador se insurgiu contra a ADoP e, mais concretamente, contra o seu presidente não é admissível mas também não é menos verdade que os senhores da ADoP não são nenhuns meninos de coro…
Veja-se a perseguição de que foi alvo o jogador Nuno Assis, à altura atleta do Benfica: o jogador acusou nandrolona, num controlo antidoping efectuado em Dezembro de 2005, tendo a Comissão Disciplinar da Liga suspendido de imediato o jogador por seis meses. O Benfica recorreu para a FPF que suspendeu a pena. Ora, foi o Conselho Nacional Antidopagem (órgão consultor da ADoP) quem impulsionou o envio do caso para o Tribunal Arbitral do Desporto, que aumentou a pena para um ano.
Na resolução deste caso, a FPF demonstrou existirem dois pesos e duas medidas.
Pense-se na forma como foi resolvida a agressão de Luiz Scolari ao jogador da Sérvia, Dragutinovic. Foi apenas advertido e penalizado com uma multa de € 35.000,00.
O que terá sido mais grave: os insultos a Luís Horta ou a agressão ao jogador sérvio? Deixo à vossa consideração…
Para mim a situação é simples: a grande maioria da estrutura directiva da FPF não quer, como nunca quis, Carlos Queiroz no comando da nossa selecção. Hoje, querem correr com ele mas para o fazerem têm que pagar perto de € 5.000.000,00 de indemnização. Como não querem despender desta verba, estão a recorrer a estratagemas jurídicos que o “obriguem sair. A via escolhida foi a mais desastrosa.
Aliás, o Dr. Gilberto Madaíl tem se prestado a um papel ridículo: se hoje sai a terreiro para defender que, quer ele quer a FPF, apoiam Carlos Queiroz, amanhã vem instaurar um inquérito ao seleccionador por uma entrevista dada ao expresso. Sr. Presidente, decida-se.
Aquilo que me parece é que alguns dos elementos que compõem o corpo directivo da FPF já lá estão há demasiado tempo…está na hora de saírem: Carlos Queiroz, Gilberto Madaíl, Amândio de Carvalho, todos! Eu sei que o tacho é bom mas…já chega de mamar!
Porém, não acredito que isso vá acontecer.
O bode expiatório de tudo isto será, por certo, Carlos Queiroz que sairá pela porta pequena. Tudo o resto manter-se-á igual, ou não estivesse a FPF envolvida numa engalanada candidatura ibérica à organização do Mundial de 2018, cuja imagem não pode ser beliscada por uma Federação que demonstre instabilidade directiva. Tudo tem que parecer saudável para os senhores da UEFA.
Avizinham-se, por isso, tempos difíceis…

Falta apenas uma palavrinha para o Sr. Laurentino Dias.
O Sr. Secretario de Estado da Juventude e do Desporto, tem tido um comportamento deplorável ao imiscuir-se num processo perante o qual deveria ter uma postura isenta, embora preocupada e atenta.
Não só não o fez, como marcou uma conferência para tomar posição sobre questões que não são da sua directa competência.
É notória a tentativa de vingança do governo sobre o Prof. Carlos Queiroz, visto este não ser um confesso socialista…pelo contrário.
Além disso, a ausência no funeral do “Bom Gigante”, José Torres foi apenas mais uma mancha negra num percurso titubeante e desastroso enquanto representante governativo do desporto.
Sr. (recuso-me a tratá-lo por Dr.) Laurentino Dias, sabe uma coisa? Vá trabalhar…já não o faz à muito!!! E tenha vergonha!!!

Nota: visto que a saída de Carlos Queiroz está eminente, eu avanço um nome: Humberto Coelho. Que saudades do futebol praticado no Euro 2000.
Bons tempos!!!