sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

O TRIO ESTÁ COXO!


Não é meu apanágio utilizar este espaço para falar de pessoas que não intervenientes directos no rectângulo de jogo. Contudo, desta vez não posso deixar de o fazer.

Semanalmente assisto ao programa “Trio d’Ataque”, transmitido pela RTPInformação. Trata-se de um programa televisivo com um painel de comentadores que visa analisar as incidências futebolísticas da semana.
Nele participam como comentadores, Rui Oliveira e Costa (Sporting), Júlio Machado Vaz (SLB) e Miguel Guedes (FCP).

Rui Oliveira e Costa é um homem da política que há já vários anos participa nestas andanças. Embora apresente um discurso nem sempre assertivo, procurando quando em vez ser o homem dos grandes raciocínios e das soluções iluminadas, é flexível, o que permite uma discussão sã.
Júlio Machado Vaz, que veio substituir, e bem, António Pedro Vasconcelos, trouxe para o programa aquilo que gosto neste tipo de debates: serenidade, lucidez, clarividência mas também perspicácia, sagacidade e algum sarcasmo, típico de um homem inteligente.
Por último, Miguel Guedes, o teenager do Trio, que veio substituir a vaga deixada em aberto por Rui Moreira – anterior representante do FCP.

Para os menos atentos lembro que, a quando da saída de Rui Moreira do programa, o FCPorto boicotou ou tentou boicotar a continuidade da representação portista no mesmo. Porém, Miguel Guedes aceitou o convite endereçado pela RTP, o que se revelou uma tremenda “desautorização” ao seu próprio clube. Como forma de compensar esta pequena facada, Miguel Guedes decidiu adoptar uma postura arrogante, com um discurso birrento, pouco cordial, permanentemente incendiário, com o objectivo claro de atacar e tentar menosprezar o SLB.

As suas intervenções visam apenas e tão só dois aspectos: o ataque permanente ao SLB, ressuscitando lances do passado, não assinalados ou mal assinalados, que hipoteticamente beneficiaram o Benfica; e a defesa sega e, por vezes, patética de todas as intervenções de Pinto de Costa e posições do FCP.

Esta pose vingativa e rancorosa deve-se, em muito, ao facto de Rui Moreira ter abandonado o programa em guerra aberta com António Pedro Vasconcelos. De facto, e tenho que o reconhecer, a postura do cineasta no programa era completamente contrário aquilo que penso dever ser a comportamento de um comentador desportivo.
Sempre que o Benfica perdia, “atirava-se” ao processo Apito Dourado e às suas incidências, não conseguindo desprender-se dos seus óculos vermelhos.
É verdade que não me esqueço, nem me posso esquecer, do passado recente do nosso futebol, sobretudo dos nebulosos anos 90, com agências de viagem, árbitros, chocolates e fruta à mistura. Contudo, são “águas” que o mar já levou, que embora tenham deixado um sabor de injustiça, não devem ser evocadas permanentemente para justificar tudo.

Sr. Miguel Guedes, infelizmente, não conseguiu perceber o que um programa de elevado nível quanto este exigia e por isso tem-se prestado a um papel ridículo. Embora represente oficiosamente o seu clube, não deve ser o seu porta-voz.

Não tente ser o novo António Pedro Vasconcelos porque a imitação é ainda pior que a criação.

sábado, 26 de novembro de 2011

A "JAULA" DA DISCÓRDIA!


Para quem acompanha o fenómeno futebolístico percebe que o que tem alimentado, nos últimos dias, o empolgante “derby dos derby’s” não é tanto, ou nem sequer, se joga Cardozo ou Rodrigo, se joga Carrillo ou Matias, mas o momento escolhido para a inauguração de uma caixa de segurança, à muito existente nos principais palcos do futebol europeu.
Segundo os responsáveis do SLB, este projecto está pensado desde o início da época e visa resguardar a integridade física de todos os adeptos, nomeadamente dos adeptos visitantes.
Contudo, nos últimos dias, o supra-sumo do dirigismo sportinguista veio a terreiro afirmar que tal medida constitui um vitupério, uma afronta à dignidade humana dos seus adeptos. Ora, se pensarmos que nos jogos fora a equipa visitante faz-se acompanhar, na sua grande maioria, por elementos de claques de futebol, concluímos que este projecto não foi pensado para reprimir compreensíveis e recatados adeptos de futebol mas para impedir que frustrados com a vida prejudiquem a vida do futebol.
Admito que o timing escolhido não seja o mais feliz e possa revelar nas entrelinhas uma pequena provocação ao adversário, contudo, a intenção máxima do SLB, não tenho dúvidas, passa por acautelar lamentos futuros, lamentos esses bem à medida do povo português: “Casa arrombada, trancas à porta”.
O que será preferível ou mais aconselhável: duas placas em fibra e uma rede ou a necessidade de um destacamento de polícias que crie uma caixa de segurança e impeça confrontos entre adeptos visitantes e visitados?
Disse, quem esteve no Portugal – Bósnia (já o espaço de segurança estava montado), que não se deu pela presença da caixa de segurança. Significa isto que aquele espaço, para além de proteger a integridade física dos adeptos, não constitui qualquer prejuízo visual para quem se encontra no seu alcance.
Aliás, a dissimulada indignação sportinguista esbarra num fervoroso e até embirrento desejo leonino de obter mais bilhetes que os exigidos por regulamento.
Ora, se a criação da jaula é do conhecimento de todos à já vários dias, tendo o SCP vindo a terreiro manifestar a intenção de não comparecer, nem no camarote presidencial nem no jantar de confraternização que antecede o jogo, como forma de protesto, a que se deve esta insistente vontade de mais bilhetes do que os permitidos por lei?!
A zona de segurança criada é de tal modo eficaz que os próprios dirigentes leoninos já fizeram saber que assistirão ao derby no referido espaço…o que significa que se sentem mais seguros nessa zona do que no próprio camarote presidencial, cordialmente cedido!
Não percebo, aliás, percebo mas não aceito que o nosso futebol continue afundado em contradições, falsos moralismos e ardilosos jogos de bastidores sobre dilemas que, simplesmente, não existem!

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

FIM DA LINHA PARA VITOR PEREIRA?


Depois do forte bac sofrido no passado sábado, em Coimbra, augurava-se um futuro difícil para Vitor Pereira no comando técnico dos Dragões.
Questionei se o jogo em Donetsk seria o fim da linha para o técnico portista, uma vez que o momento exibicional era péssimo e as probabilidades de sucesso jogavam todas contra ele. A verdade é que o técnico portista, apesar de mais uma vez ter inventado, insistindo no “barraco” Maicon à direita; em Defour, que pouco tem jogado, no meio; e em Djalma (?) na frente, conseguiu arrancar uma importante vitória, na Ucrânia.
Ora, estas coisas do futebol constituem um pau de dois bicos: a derrota afundava a nau portista; a vitória dava um balão de oxigénio e constituiria um ponto de viragem no que resta de temporada.
A verdade é que, quando a equipa já se encontrava a caminho do “cadafalso”, a vitória apareceu. E apareceu porque…[não imaginam o quanto me custa admitir isto] a estrutura portista é forte, tem um líder que, com todos os seu defeitos e manigâncias, sabe perceber quando o momento exige um toca a reunir, que agrupa as tropas e sai para a próxima batalha de cabeça erguida. Esta é a verdade nua e crua!
Assim aconteceu no tempo de Jesualdo Ferreira, quando o Porto se deslocou à Rússia para defrontar o CSKA, nenhuma situação em tudo semelhante a actual, e conseguiu vencer, arrancando para uma temporada premiada com o título nacional.
Receio bem que esta vitória constitua o tónico necessário para um perigoso despertar do Dragão. E receio-o porque este Porto, tal como na época passada, tem qualidade…só não tinha confiança e não tem um treinador competente. A confiança, recuperou-a ontem; o treinador…bem, é aí que reside a minha esperança de a máquina emperrar.
Estou certo que se o mesmo cenário se apresentasse sobre um dos outros dois grandes do nosso futebol, a probabilidade de um descalabro na Ucrânia e no que restasse de época, seria o mais previsível.
Parece-me que o SCB será vítima de tudo quanto acabo de dizer.
Oxalá esteja enganado!

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

MAIS UMA VEZ, DR. MADAÍL...!

Na passada 6.ª feira assistimos a mais um episódio, no mínimo caricaturesco, do que foram os sucessivos mandatos do Dr. Gilberto Madaíl à frente da Federação Portuguesa de Futebol, desde 1996.
Após a chegada a Zenica e um primeiro contacto com o relvado do estádio Bilino Polje, GM apressou-se a comunicar ao povo português, em geral, e ao país futebolístico, em particular, que a selecção portuguesa poderia jogar sob protesto.
A verdade é que não houve coragem para de imediato tomar uma decisão e a dúvida instalou-se sobre se a reclamação avançaria ou não.
À hora do jogo, ou pouco antes do seu início, GM lá se decidiu pelo protesto. Logo pensei que era desta que o Dr. Madaíl, em forma despedida e porque a última imagem é a que fica, se iria impor, demonstrando ao país ser um homem de fortes convicções.
Pois bem. Após o jogo, a minha esperança desvaneceu-se quando o presidente comunicou ao país que afinal o protesto não seguiria para Nyon, sede da UEFA.
Eis que, passadas apenas umas horas, GM dá o dito por não dito, desmente-se de forma categórica e tudo se passa como se por magia o relvado onde Portugal actuou fosse um tapete verdejante.
Caro Dr. GM deixe-me que lhe diga: a sua atitude revela, por um lado, falta de convicção nas suas decisões, o que o descredibiliza; e, por outro, fica a ideia que o que fez na véspera foi acautelar uma eventual falta de competência do seu treinador e jogadores.
Ora, se Portugal perdesse e realizasse uma exibição ao nível da que realizou em Copenhaga, o senhor seria o primeiro a saltar em defesa da sua honra, afirmando que a fatalidade se tinha ficado a dever a um relvado impraticável. Como tal não aconteceu, “não vamos chatear os nossos amigos…porque ficamos mal vistos!”. Não pode ser!
Isto mais não é do que o retracto do que foram os longos e, muitos deles, penosos anos da sua liderança à frente da FPF: uma presidência sem carácter, sem determinação, sem liderança, sem pulso, ao som de ventos e marés. Foi assim com a vergonhosa participação de Portugal no Mundial da Coreia/Japão e as retemperantes “férias” em solo asiático de António Oliveira e seus rapazes; foi assim com a falta de inoperância após lamentáveis cenas que Scolari protagonizou quando, para defender o seu “minino”, atacou o sérvio Dragutinovic; foi assim com a forma como a FPF permitiu que Scolari tratasse alguns “intocáveis” do nosso futebol, nomeadamente Vitor Baia e JVP; foi assim com a completa barafunda em torno da composição e tomada de decisões do Conselho de Justiça, sobretudo no processo Apito Dourado; foi assim com a trapalhada em torno do caso “Carlos Queirós”; foi assim em muitos outros casos. Em todos eles ficou a nítida sensação que o presidente da Federação Portuguesa de Futebol não teve estofo para dar a cara e, enquanto presidente, decidir.
Como tem sido hábito ao longo dos seus vários mandatos, as suas decisões sempre assentaram num rotundo “nim”.
Estamos fartos de conivências e lambe-botas, em Portugal. Temos que ser sérios nas nossas convicções. Se de facto o relvado estava impraticável, não é por um simples empate que tudo se altera. Não se admirem se, num futuro próximo, não nos derem ouvidos porque não somos credíveis.

Afinal, mais não somos que inocentes crianças a fazer queixinhas ao professor do colega de carteira, sem que, no entanto, nos chateemos com ele.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

APAGÃO DE JORGE JESUS!



Depois de um surpreendente e inesperado empate registado pelo FCPorto, em Olhão, esperava-se um Benfica, embora cauteloso, ambicioso e sedento de vitória.
Uma equipa confiante e autoritária, que assumisse, sem medos, a importância do momento e demonstrasse à saciedade, a vontade de ser líder, de ser cobiçado como o melhor, ou pelo menos, o primeiro de Portugal.
Um Benfica personalizado, capaz de deixar Vitor Pereira, qual Santo António, a pregar sozinho e falido de sentido...como o fazem as senhoras do mercado do Bolhão.
A não ser possível praticar um futebol empolgante e entusiasta, porque a história não vive disso, que se assegura-se, ao menos, um futebol eficaz e pragmático.

Pois bem. Perante tal cenário, JJ, decidiu puxar dos galões e inventar como tanto gosta e que tantos amargos de boca lhe têm trazido.
Apresentou-se no relvado da pedreira com uma equipa de marcha atrás, transmitindo, desde logo, quer para os seus jogadores quer para o adversário, medo, desconfiança e, sobretudo, incapacidade para se impor como equipa forte e determinada, capaz de assumir a liderança isolada do campeonato.
Após uma primeira parte que pouco mais teve que apagões, e esse pouco foi o penálti convertido por Lima, foi a vez de se dar um apagão, um valente apagão, na cabeça de JJ.

Em desvantagem no mercador e com a equipa parca de ideias, JJ sobe para a segunda parte com um meio campo de génio: Javi, Aimar, Ruben Amorim e Witsel. Um sem fim de médios centro, sem ideias, sem estratégia, perdidos no campo, a perguntarem ao treinador se os espaços a calcar eram mais à esquerda ou mais à direita. De uma assentada, JJ, fez de Witsel um médio-ala e de Aimar um trinco à Pirlo…mas em fraco!
Durante os primeiros 20 minutos da segunda parte, JJ desperdiçou tempo que, naquele momento, valia ouro.
Não pedia o jogo e o resultado, um início de segunda parte com Javi e Witsel no meio; B. Cesár e Nolito nas alas; e Aimar nas costas de Cardozo ou Rodrigo?!

Por mais que me custe, tenho que admiti-lo: este Benfica joga de forma demasiado previsível. Só Aimar desequilibra e consegue colocar a equipa a jogar de forma rápida e ao primeiro toque. Leonardo Jardim, percebeu-o, colocou um polícia na sua peugada, o argentino deixou de ter espaço para pensar e o Benfica deixou de jogar.

É verdade que o clube Bracarense tem enorme mérito em ter conseguido criar, nos últimos anos, a imagem de quarto grande de Portugal e com isso recear e preocupar os que se deslocam ao seu estádio, contudo e por mais ascendente que possa ter no panorama nacional, não pode obrigar um clube com a dimensão e aspirações do Benfica a jogar em Braga de forma diferente daquela que joga nos principais palcos de Portugal e da Europa.

Saudades, tenho, de ver o meu clube jogar um futebol de qualidade, em velocidade, com magia, empolgamento, com oportunidades de golo…com, imagine-se, maior posse de bola que o adversário! Um Benfica de classe!

Era chegado o momento de a Águia decapitar o Dragão e enviar condolências ao norte! JJ não conseguiu perceber a importância do momento e ponto de viragem que constituiria uma vitória em Braga.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

SEM COR, SEM BRILHO…ASSIM JOGA ESTE BENFICA!



Tinha dito na véspera do jogo Benfica – Basileia que o mesmo revestia carácter decisivo e por isso representava mais do que um simples jogo de futebol. Estava em causa não apenas o apuramento para os oitavos de final da Liga dos Campeões mas, mais do que isso, a projecção do brio e dignidade de um clube de identidade mundial.

À semelhança do que vem acontecendo nos últimos jogos, o Benfica entrou forte, a pressionar, com rápida circulação de bola e grande pendor atacante. O golo apareceu de forma natural e, tudo indicava, Artur teria uma noite descansada.

Puro engano! Mais uma vez, após a obtenção de um golo “prematuro”, a equipa relaxou, acomodou-se, adormeceu à sombra de uma vantagem importante mas muitas vezes perversa e permitiu que o Basileia subisse no terreno, ganhasse ascendente, criasse oportunidades de golo e…marcasse (golo que, diga-se, foi mais do que merecido por tudo o que os suíços fizeram).
Quando os encarnados “acordaram” já o jogo estava empatado e não haviam forças nem discernimento para reagir.

Ontem, confirmei aquilo que já venho vaticinando há vários jogos: um golo madrugador deixa o Benfica órfão de competitividade e empenho. A equipa não se consegue motivar nem empolgar sempre que os jogos se tornam aparentemente fáceis. Há um enorme desinteresse sobre o que está acontecer dentro do campo.
Assim aconteceu com o Beira-Mar, assim aconteceu com o Olhanense, assim aconteceu ontem.

Confirmei, ainda, que o principal problema deste Benfica continua a residir no meio campo, zona nevrálgica do terreno: funciona de forma lenta e sem chama, muito dependente do brilho de Aimar.
É verdade que Witsel é um jogador tacticamente evoluído, com grande sentido posicional, exímio a esconder a bola; é verdade que Matic ou Javi ocupam bem os espaços na zona 6; é verdade que Gaitán ou B. Cesár têm imprevisibilidade e toque de bola mas…uma equipa, uma grande equipa não é apenas isto! É…a magia de um n.º 10, com passes de ruptura, recepções orientadas, dribles em velocidade… técnica, classe, fantasia. Tudo isto, só Aimar o consegue fazer no actual Benfica.

Ainda ontem se viu que, após a saída de Aimar, não mais o Benfica conseguiu ter bola, organizar jogo, sair em ataque organizado.
Quando o momento pedia um assombro final à baliza da equipa suíça, porque jogávamos em casa e a vitória assumia contornos importantes, o Benfica simplesmente não conseguiu…e não conseguiu porque não foi capaz de ter bola…e não teve bola porque…já não tinha Aimar.

Com ou sem Cardozo, com ou sem Saviola, com ou sem Javi, a estrutura da equipa mantém-se estável, assim como o seu equilíbrio e qualidade de jogo, o problema agudiza-se quando não está Aimar.
E se na época passada havia C. Martins que, em forma, disfarçava este problema, este ano não existe ninguém. E não existe porque JJ, teimosamente, gosta de transformar médios ofensivos em médios-ala.

Ao contrário do que pensa a grande falange de benfiquistas espalhados pelo país, não acho o futebol praticado pelo Benfica de grande qualidade ou, sequer, muito superior ao do FCP, nosso eterno rival.
Parece-me que, isso sim, revelamos uma maior consistência no plano defensivo, o que transmite uma maior serenidade à equipa. Porém, a verdade é que, sem Aimar, este Benfica só joga em contenção…e jogar em contenção não vai chegar quando a equipa for obrigada assumir o jogo.

Espero e desejo estar rotundamente enganado mas…auguram-nos alguns amargos de boca!

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

DESCUIDO À ESQUERDA!


Embora o título possa ser enganador, não vou abordar a actualidade política e social do nosso país…deixo-o para os entendidos.
Falo, isso sim, do que tem acontecido desde o início da época, no SLB, com a posição de defesa esquerdo e que mais celeuma não tem levantado porque, simplesmente, o clube tem ganho. Caso contrário, o tema já teria sido objecto de grande indignação pública por parte dos adeptos benfiquistas

A questão começou a levantar-se quando JJ, no início de época, deu sinais claros que não contava com Capdevila, não o inscrevendo na Liga dos Campeões; agudizou-se com a expulsão de Emerson, no jogo de Basileia; e toma proporções preocupantes com as últimas declarações de JJ.

Na conferência imprensa de ontem, de antevisão ao jogo Benfica - Basileia, JJ deixou no ar a possibilidade de utilizar o miúdo Luís Martins como defesa lateral esquerdo.
Luís Martins é um defesa de apenas 19, a realizar seu primeiro ano de sénior, sem qualquer experiência no escalão maior do futebol nacional.
Por sua vez, o jogo desta noite é de cariz decisivo para o que falta da presente época encarnada. Uma vitória representa mais do que singelos três pontos: representa competência, representa visibilidade, representa dinheiro, representa estatuto europeu e, mais do que isso, representa uma bicada no seu principal rival, o FCPorto. Há anos que o Benfica não consegue ser o porta-estandarte de Portugal na Europa. Tem ficado eternamente na sombra azul e branca.

Ora, perante estes dados, não será um enorme contra-senso JJ utilizar Luís Martins num jogo tão decisivo quanto o de hoje?! Não é a sua utilização no jogo de hoje que me inquieta mas antes a falta de preparação da mesma
Não questiono, por um momento que seja, as aptidões técnico-tácticas do jovem jogador (pareceu-me muito assertivo no último Mundial Sub 20) mas se JJ acredita no potencial do jogador, porque não lhe deu alguns minutos em jogos de menor pressão mediática e competitiva?! Um Benfica - Olhanense não seria um jogo a preceito?
É bem verdade que são nestes jogos que se assumem os grandes jogadores, mas também são nestes jogos que se queimam carreiras promissoras. E se Luís Martins acusar a pressão do jogo? Não perdemos apenas um jovem promissor…perdemos muito mais do que isso.
A confirmar-se, a decisão de entregar a titularidade ao jovem jogador, até pode correr bem…mas tem tudo para correr mal.

Também não me apraz que a solução passe por Miguel Vítor ou Maxi. Não são jogadores rotinados nessa posição e por isso desequilibram a equipa nos seus processos de jogo.
A solução teria sempre que passar por um segundo defesa esquerdo, contratado para colmatar as eventuais ausências do primeiro. O problema é que o segundo veio a contra-gosto. Jogador de quem o treinador não gosta, que o treinador não escolheu e para quem não conta.
Já nem discute se Capdevila é melhor ou pior que Emerson, o que condeno é a forma como o jogador espanhol tem sido tratado
A não inscrição de Capdevila na Liga dos Campeões, quando existe apenas um defesa-esquerdo dotado dessa capacidade no plantel, é vergonhoso. A um ex-campeão da Europa e do Mundo, que não pediu para vir nem implorou que o contratassem, devia ser dada pelo menos uma oportunidade. Um ser humano, seja ele qual for, merece maior, muito maior respeito.
Estou certo, Capdevila, é uma mais valia que, a ser utilizado com regularidade, traria enormes vantagens e dividendos para o clube: para além da sua utilidade desportiva, contribuiria para a projecção do clube encarnado na europa e no mundo, visto ter sido até há bem pouco tempo um dos indiscutíveis da selecção de Del Bosque

Aqui tenho que condenar, mais do que JJ, LFV pois é ele o responsável máximo pelo clube, o timoneiro que decide em última instância.

Eu percebo que os “abutres” da classe dirigente, quando em vez, necessitem do futebol para acertar as suas negociatas…mas, por favor, não desprezem nem brinquem com a dignidade humana.

[Porque é fácil prognosticar no fim, eu faço-o antes do jogo.]

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

AS QUINAS GELARAM NO FRIO DE COPENHAGA!

Portugal defrontou, ao final da tarde de ontem, a selecção dinamarquesa e acabou por perder o jogo e a qualificação directa para o Europeu de 2012, a realizar na Polónia e na Ucrânia.

Após a chegada de P. Bento ao comando técnico da selecção portuguesa, cinco vitórias em outros tantos jogos colocaram a nossa selecção a um passo do Euro 2012. Esse passo seria dado ontem.

Num jogo semelhante ao de Oslo, no arranque da qualificação, Portugal entrou desconcentrado e amorfo, a deixar jogar, sem pressing sobre o portador da bola. As oportunidades foram surgindo e os dinamarqueses acabaram por marcar.
Daí em diante, a Dinamarca abrandou (sem nunca se desconcentrar) e Portugal cresceu em termos territoriais, terminando a primeira parte junto da baliza de Sorensen. Quando todos pensávamos que Portugal entraria para a 2.ª parte com uma dinâmica forte, a pressionar e empurrar o adversário para o seu reduto, eis que, inexplicavelmente, baixamos os braços e deixamos de lutar. O jogo, terminou com os nórdicos a dispor de três flagrantes oportunidades de golo.
O que mais me incomodou, para além de uma frágil defesa, foi a apatia e resignação demonstrada pelos nossos jogadores. A falta de raça dos três homens da frente, Ronaldo, Nani e H. Postiga, foi confrangedora.
A aliar a isto, uma defesa passe-vite reveladora de uma enorme falta de qualidade: Rolando, o cabo-verdiano, e Eliseu, não são jogadores de selecção. A defesa não transmite serenidade e isso reflecte-se no meio-campo.

Numa equipa como a nossa, estruturada num rompidinho 4-3-3, é obrigatório que os alas apoiem os laterais. O problema é que, tanto Nani como Ronaldo, não gostam de correr sem bola.
Portugal foi uma equipa triste, sem ambição, entregue à teia táctica montada por Morten Olsen. Nunca conseguimos ser um colectivo organizado, rápido nas transições e esclarecido no ataque. O melhor de Portugal resultou de rasgos individuais de alguns dos seus jogadores. Como equipa, fomos zero!!! Levamos um banho táctico.

A dada altura do jogo dei por mim a pensar que o futebol é um reflexo da sociedade em que vivemos: tal como na vida social e política, os nórdicos foram arrumadinhos, disciplinados, bem posicionados no campo, cada um a fazer o que lhe competia e tinha sido ordenado pelo seu treinador, com muita garra e ambição; os latinos, foram burgueses, sobranceiros, convencidos que o favoritismo e o vedetismo ganham jogos.

Claro está que, enquanto os nórdicos fizeram o seu trabalho e estão directamente apurados para o Euro 2012, os portugueses, mais uma vez e também aqui, vão ter uma troika à perna
A verdade é que Portugal não garantiu os serviços mínimos e está em apuros.
Agora, resta-nos esperar pelo play-of e…rezar para que não nos calhe em sorte a fervorosa Turquia. Embora as selecções que estão na calha sejam da segunda linha europeia (Montenegro, Turquia, Bósnia e Estónia), não nos esqueçamos que, ontem, também nós fomos uma equipa de segunda linha.

Fatalmente voltamos a ser o país dos três F’s: Faltou carácter, Faltou responsabilidade e Faltou, sobretudo, qualidade!

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

"TRAVÃO" HELVÉTICO NOS PATINS LUSITANOS!

Terminou, na madrugado de sábado, mais uma edição do Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins, disputado na cidade de San Juan, Argentina, para muitos a capital mundial do hóquei patinado.
Portugal, mais uma vez, quedou-se por um modesto 3.º lugar, tal como havia acontecido há dois anos em Vigo…mas desta vez houve dedo da arbitragem.

Durante fase de grupos Portugal foi deixando aqui e ali mostras de que não teria equipa suficientemente competitiva para ombrear com os colossos mundiais. Porém, a verdade é que foi fazendo a sua obrigação: ganhou todos os jogos da fase de grupos. Aliás, os campeonatos do mundo de hóquei em patins começam a jogar-se, verdadeiramente, a partir das meias-finais.

Chegadas as meias-finais, tocou-nos em sorte a poderosa Argentina. A jogar em casa, num pavilhão que mais parece um estádio de futebol, com capacidade para 6 mil pessoas mas que, nos grandes jogos, alberga cerca de 9 mil pessoas, perspectivava-se um jogo muito difícil, com o público argentino a coagir e intimidar o adversário.

Portugal entrou muito bem, a pressionar o adversário, com rápida circulação de bola, tentando encontrar espaços na área argentina de forma a abrir o marcador, o que viria acontecer na conversão de um livre directo, executado por Caio, e que permitiria a Portugal sair para o intervalo na frente do marcador.
No segundo tempo, entraram para o ringue Portugal, a Argentina e um senhor suíço determinado em colocar a equipa da casa na final!
E foi o que de facto aconteceu! Esse senhor conseguiu: inventar um penalty na área portuguesa; não marcar um penalty na área argentina; mandar repetir um livre directo a favor da selecção argentina que resultou em golo (na primeira marcação, o jogador argentino falhou) e que deu a reviravolta no marcador; e anular um golo claro e limpinho a Portugal. Tudo isto apenas na 2.ª parte! Ufa!!! Foi mau de mais para não parecer propositado.
É curioso que, na 1.ª parte, esse senhor suíço praticamente não soprou no apito, deixando esse trabalho para o árbitro espanhol; na 2.ª parte, vestiu a capa de protagonista e fez o que lhe encomendaram. Vergonhoso!
Porquê convocar um árbitro suíço para uma meia-final tão empolgante e renhida quanto um Portugal – Argentina? Todos sabemos que os melhores árbitros de hóquei patins são portugueses, argentinos, espanhóis e italianos. Para quê um suíço? Não percebo. Ou melhor, percebo mas não aceito!
Este campeonato de mundo não teve verdade desportiva e como tal ficou ferido de justiça

A hegemonia que conquistamos no hóquei patins mundial, numa primeira era, com Jesus Correia, Cristiano Pereira, António Ramalhete ou António Livramento (para os grandes analistas internacionais o melhor jogador de hóquei de todos os tempos) e, numa segunda era, com Realista, Vítor Hugo, Luís Ferreira, Tó Neves, Pedro Alves, Paulo Alves, Rui Lopes, Vitor Fortunato, Guilherme Silva ou Paulo Almeida, que nos permitiu conquistar 15 Campeonatos Mundiais, tem-se esfumado.
Isto acontece porque nos últimos anos a Federação de Patinagem de Portugal, simplesmente, tem perdido influência junto da CIRH, federação internacional que tutela o hóquei em patins.
Só isto explica que, por exemplo, a federação argentina tenha alterado o horário dos jogos de 6.ª feira, nomeadamente o das meias-finais, sem que tenham consultado a federação internacional de hóquei e as várias delegações presentes no certame; ou que se tenha nomeado um árbitro suíço para uma meia-final.

O Hóquei Patins tem perdido visibilidade e protagonismo no panorama internacional e tal deve-se a quem o dirige. Como é possível a CIRH, principal órgão do hóquei mundial, não actualizar diariamente ou semanalmente o seu site?! Este é apenas um exemplo do desprezo com que se tem tratado esta modalidade.

Significa isto que quem dirige os destinos deste organismo só lá está pelo retorno económico e pelo tráfico de influências! Amor ao hóquei?! Não têm certamente!
Portugal, pelo seu percurso histórico, tem, estou certo, responsabilidades acrescidas na curva descendente em que entrou a modalidade e, como tal, está na hora de arrepiar caminho. Caso contrário, o hóquei acabará por “morrer” enquanto desporto de massas!

terça-feira, 27 de setembro de 2011

CLÁSSICO TERMINA EMPATADO!


Na passada 6.ª feira, disputou-se mais um clássico do futebol português.
À entrada para a 6.ª jornada da Liga Portuguesa, FCPorto e SLBenfica encontravam-se lado a lado, na frente da tabela classificativa.

O FCPorto entrou dominador, com muita posse de bola, assumindo as despesas do jogo; o SLBenfica, por sua vez, entrou, tal como tinha acontecido contra o MU, muito receoso do adversário, com uma postura demasiado expectante – parece-me que o excessivo receio demonstrado se deva ao facto de ano transacto a equipa ter revelado uma enorme permeabilidade no processo defensivo.
Resultado: no final do primeiro tempo, o FCPorto jogava um bom futebol, vencia por uma bola a zero e o SLBenfica…aplaudia.

Ao intervalo, JJ “sacudiu” os jogadores da inércia a que se tinham acomodado durante a 1.ª parte e corrigiu o posicionamento táctico de alguns de alguns dos seus pupilos, dando ordens para que a equipa pressionasse mais alto, impedindo dessa forma saída de bola do FCPorto.
Porém, o factor determinante para que a equipa tenha alcançado o empate residiu nas substituições operadas por JJ à passagem do quarto de hora. O treinador decide tirar Nolito e Aimar e lançar B. César e Saviola…e é aqui que JJ “ganha” a Vítor Pereira.

El Conejo, qual coelho tirado da cartola, acaba por mexer de forma decisiva no desenrolar da partida. E porquê? Porque cria dinâmica na equipa. Passa a vir buscar bola ao meio campo, fazendo a ligação com o ataque e apoiando mais Cardozo. Além disso, cria espaços no corredor central o que proporciona o aparecimento das tabelinhas.
O golo de Gaitán acaba por ser uma consequência natural de todas estas alterações. Até poderia ter surgido minutos antes, quando Cardozo falhou na cara de Helton o segundo da sua contenda pessoal.

Não acho nada que o FCPorto tenha feito um partidasso e dado um “sabonete” no Benfica. Aliás, em termos de oportunidades flagrantes de golo, para além dos golos marcados, o Porto teve duas grandes oportunidades e o Benfica uma.
Se analisarmos a primeira parte com algum discernimento, verificamos que o grande ascendente patenteado pelo FCPorto é, em parte, fruto da estratégia montada por JJ, é consentido pelo Benfica. O que não significa que eu concorde em absoluto com ela. Um bloco defensivo demasiado baixo permitiu ao FCPorto um grande domínio territorial, e quando assim é, as probabilidades que o adversário tem de alvejar a baliza contrária são maiores porque o bola circula predominantemente no meio campo do adversário.

Apesar do empate, este futebol encarnado não me entusiasma. Aliás, sou bastante cáustico em relação às últimas exibições do Benfica: acho que a equipa foi muito feliz na forma como empatou o jogo no Dragão, tendo apresentado uma qualidade de jogo muito sofrível. As críticas a essa mesma qualidade, ou falta dela, só não surgiram porque o Benfica conseguiu empatar na casa do seu maior rival. Caso contrário, todos teriam dito cobras e lagartos, quer da equipa quer de JJ.
Este não é o futebol da época 2009/2010. E não é porque, quanto a mim, o meio campo não funciona.
Já tive oportunidade de dizer que ao meio campo do Benfica falta um médio que faça circular a bola e imprima ritmo e velocidade ao jogo. Esse homem seria Aimar, o problema é que não é suficiente, sobretudo em jogos de montra, jogar apenas com ele e com Javi no meio. Daí a necessidade de JJ colocar Witsel.
É verdade que o belga dá ao futebol encarnado maior pressão, maior segurança e maior cobertura na circulação de bola; porém, também é verdade que o ex-Standard de Liège não consegue imprimir um ritmo de jogo alto.
E, paradoxalmente, é aqui que emperra o futebol espectáculo que o Benfica não consegue apresentar. Se por um lado, a equipa apresenta maior segurança e maior consistência defensiva; por outro lado, perde em velocidade e em espectáculo, que aparece a espaços nas transições ofensivas.

INCIDÊNCIAS…

No final do jogo, jogadores e técnico do FCPorto “atiraram-se” ao árbitro, afirmando ter sido o obreiro de tamanha “desgraça” – empatar em casa com o Benfica.
Porém, a postura é desnecessária. Tanto é que no único lance em que admito um erro grosseiro do árbitro, a maior parte dos especialistas entende não ser motivo para vermelho directo a Cardozo – argumentam que o gesto do paraguaio não foi uma agressão (punida com cartão vermelho), mas jogo perigoso, que a leia manda punir com cartão amarelo.
Tenho para mim que a escolha do árbitro como grande responsável pelo empate caseiro se deve ao facto de o FCPorto ter dominado o jogo de forma concludente e não ter conseguido vencer. Como o domínio portista foi tão claro durante a primeira parte, todos se convenceram que o jogo seriam favas contadas e que a vitória não escaparia. Assim não aconteceu e a frustração resultou em revolta…contra o árbitro!

A este respeito, lembro as declarações de alguns jogadores do FCPorto, no final do jogo. Otamendi e VP afirmaram que o árbitro condicionou desde muito cedo o jogo e os jogadores do Porto, ao amarelar os seus jogadores nos primeiros minutos do encontro. Eu recordo: amarelo a Otamendi aos 9 minutos; amarelo a Fucile aos 43 minutos; amarelo a Álvaro Pereira, aos 57 minutos; amarelo a Klébere Fernando, aos 78; e amarelo a J. Moutinho, aos 90 minutos.
Fucile, afirmou ter sido vítima de agressão, por suposto pontapé de Cardozo no…“culo”. Mas ele não se queixou da cara?! Pelo menos foi o que a TV mostrou.
Hulk, também estava muito indignado com o trabalho do árbitro. É curioso que nesse instante se esqueceu do gesto agressivo que teve para com Maxi, tentando dar uma cabeçada ao uruguaio. Segundo as regras, tentativa de agressão é punida com cartão vermelho directo.

Resumindo e concluindo: o FCPorto deixou-se empatar porque, no segundo tempo, Hulk e Álvaro Pereira não estiveram em campo, Moutinho não teve tanto espaço para fazer circular a bola e VP não soube mexer na equipa, enfraquecendo-a decisivamente na zona de pressão ao retirar Guarin e ao colocar Belluschi.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

DRAGÃO SEM CHAMA!



[Depois de uma humilde análise ao Reino do Leão, é chegado o momento de analisar a Chama do Dragão]

Após um início de época semelhante ao anterior, eis que o super favorito FCPorto tropeça à 5.ª jornada, cedendo um empate em Aveiro, diante do Feirense.
A vantagem pontual conquistada logo à 1.ª jornada, por força do empate cedido pelos encarnados, em Barcelos, fazia querer que o FCPorto embalaria para o clássico de amanhã com uma importante vantagem psicológica na bagagem.
Logo aí, os mais incautos, saíram a terreiro afirmando que teríamos mais do mesmo: um Porto arrebatador, a liderar a tabela classificativa desde bem cedo.

Ora, a verdade é que, volvidas quatro jornadas, o cenário alterou-se: o FCPorto escorregou em Aveiro, permitindo ao SLBenfica encostar na frente do campeonato. Motivos para a precoce perda de pontos do emblema azul-e-branco? Simples! Menos Roberto, mais Artur; menos Falcão…mais presunção
Se no final da época passada não hesitei em afirmar que o FCPorto foi a equipa mais competente da nossa Liga; este ano menos pejo tenho em dizer o contrário.
De facto, houve falta de humildade por parte de Pinto da Costa e seus pares na preparação da presente época: primeiro, com a escolha do treinador; depois, com o reforço do plantel; e, por último, na análise aos seus adversários.

ESCOLHA DO TREINADOR

Na época transacta, a escolha de AVB para o comando técnico do clube nortenho revelou-se determinante nas conquistas portistas. Numa primeira leitura, todos nós questionamos a competência e capacidade de liderança de AVB para comandar “tropas de elite”. A verdade é que, finda a época, no museu do Dragão passaram a constar três novos troféus. Pinto da Costa, ao contrário de todas as previsões, tinha apostado num técnico de grande competência.
Porém, o mundo do futebol, como dizem os entendidos, não é uma ciência exacta e como tal nem sempre as escolhas se revelam…as melhores escolhas.

Será que PC se convenceu que seria algum feiticeiro de Oz?! Que qualquer aposta seria de mão cheia?! Como pode um dirigente tão experimentado e conhecedor do fenómeno futebolístico quanto PC acreditar que possuiu o dão da infalibilidade, achando que tudo o que pesca é peixe graúdo?!
Só isso explica que a escolha para substituir AVB tenha recaído em Vítor Pereira. Quando o clube o anunciou, tive a oportunidade de escrever que se tratava da aposta mais arriscada de PC desde que assumiu a presidência do clube, sobretudo em ano de Liga dos Campeões.
O facto de VP ter acompanhado de perto o bom trabalho desenvolvido por AVB na época transacta, não significa necessariamente estar ali um novo fenómeno do futebol mundial, como aconteceu com Mourinho ou, a uma escala menor, com o próprio AVB
O que conquistou VP antes de chegar ao FCPorto?? Nada! Um medíocre técnico de futebol que orientou clubes de pequena dimensão como o Santa Clara ou o Sp. Espinho.

Tenho para mim que VP não tem competência, pelo menos para já, para orientar um clube com a dimensão do FCPorto. Ainda agora, no jogo com o Feirense, não foi apenas o nulo que saltou à vista. O FCPorto até poderia ter ganho, mas isso nunca iria apagar a falta de soluções que a equipa foi demonstrando dentro de campo e que o treinador não foi capaz de contrariar desde o banco. Foi nítida a inépcia de VP face às contrariedades, a incapacidade de mexer na equipa, a inexistência de variações de jogo, a falta de um plano B.

O modelo táctico, imagem e semelhança de AVB, continua a ser utilizado exactamente da mesma forma. O que significa que VP se acomodou ao que foi feito na época anterior…e descuidou a necessidade, premente no futebol, de inovar, por forma a surpreender a estratégia das equipas adversárias.
Não quero com isto dizer que o FCPorto não continuará a vencer e a conquistar títulos, o que se torna é bastante previsível para os adversários!

REFORÇO DO PLANTEL

A composição do plantel foi preenchida com jogadores de qualidade inegável mas…de forma pouco coerente. Não existe soluções do meio campo para a frente. E não existem porque se pensou que Kléber, Hulk e James eram o remédio para todos os males.

Onde está o substituto de Falcão?! Kléber?? Não é Falcão e não o será num futuro próximo! Não seria sensato terem comprado um avançado de área, um finalizador? Ou o dinheiro de Falcão só serviu para encher os bolsos dos administradores? Walter?! Custou 6ME, ainda não jogou no campeonato e não foi inscrito na Liga dos Campeões.

Onde está o substituto de Hulk?! Varela?? Só se for o do ano passado!

Onde estão os substitutos de Rolando ou Otamendi?! Mangala? Tem apenas 20 anos! Maicon? Como adepto benfiquista, agradeço!

Onde está o substituto de Álvaro Pereira?! Alex Sandro?? Eu bem avisei que se tratava de um negócio bastante arriscado. Já está no Olival desde meados de Agosto e a única coisa que deu ao FCPorto foi…despesa com tratamentos médicos. Não digo que não seja um valor de inquestionável qualidade, porém não será nunca um reforço para o presente. Neste momento estão 6,5ME a render tostões!

São incógnitas a mais para quem ambiciona revalidar o título e chegar longe na Liga dos Campeões.
A grande diferença entre este início de época e a anterior é que, no ano transacto, havia um super Varela, um Falcão matador, um Moutinho de grande pulmão, um Hulk supersónico, um Guarin a fazer o que não sabe...Este ano, não existem! Mas também não existem substitutos.
E para mim, é aqui que reside o principal problema!

ANÁLISE AOS SEUS ADVERSÀRIOS

A meu ver, Pinto da Costa, cometeu dois erros neste início de época: permitiu que LFVieira vendesse Roberto(!) J e convenceu-se que os seus rivais, mais uma vez, iriam claudicar.
A verdade é que, no que toca ao Benfica, comprou muito, e porque comprou muito a percentagem de contratar bons jogadores aumentou. Quero com isto dizer que, no meio de tantas contratações, LFV acabou por encontrara as soluções que JJ pretendia.
Além disso, nas primeiras quatro jornadas da época passada, em 12 pontos possíveis, Roberto havia oferecido 6 e Olegário Benquerença 3 (no jogo, em Guimarães).
Parece-me que o Benfica tem o plantel mais equilibrado da Liga, e isso será fundamental ao longo do campeonato, aliás, como se viu na jornada passada: o FCPorto, mexeu e empatou; o Benfica, mexeu e ganhou!

O Sporting, também comprou muito mas em menor qualidade. Daí os maus resultados neste início de época. Contudo, se Domingos se mantiver no clube, a equipa poderá crescer e ainda entrar a na corrida pelo título…embora não acredite muito nessa possibilidade.

Apesar de tudo, o FCPorto continua a ter uma forte equipa, bem capaz de revalidar o título nacional e chegar longe na LC. Muitas vezes, todas estas nuances retóricas se desfazem de sentido após três ou quatro jogos a vencer e a convencer, provocando um embalo psicológico capaz de empurrar uma equipa para uma onda de vitórias impossível de travar. Todos sabemos que a confiança, ou a falta dela, é determinante numa equipa de futebol.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

INTELECTUALISTAS DA TRETA!

Luís Filipe Soares Franco anunciou, na passada 4.ª feira, a intenção de candidatar-se à presidência da Federação Portuguesa de Futebol. De resto, não foi o primeiro a fazê-lo, já que em Agosto último, António Sequeira, antigo secretário-geral da Federação Portuguesa de Futebol e assessor pessoal de Gilberto Madaíl, tinha anunciado a sua candidatura.

Não estou, confesso, em condições de pormenorizar a capacidade (ou a falta dela) de liderança de Soares Franco para ocupar a cadeira de presidente da FPF. Nem é, de resto, o motivo deste apontamento. O pouco que conheço deste candidato, resulta do que oiço e leio, quer enquanto dirigente desportivo (dirigiu, entre outros, o Estoril Praia e o SCP) quer enquanto “empresário de capa de revista”.

O que me motiva neste comentário outros “quinhentos”: a falta de humildade e gentileza que enferma algumas figuras ilustres do nosso país.

Quando todos esperavam que o candidato, Soares Franco, aproveitasse a conferência de imprensa de apresentação da sua candidatura para, de forma muito objectiva e clara, revelar as linhas orientadoras do seu programa eleitoral, eis que este decide, de forma gratuita e ao desbarato, “atacar” um…candidato a candidato, afirmando o seguinte: “Eu não conheço o percurso desportivo do Fernando Seara, para além de ter estado ligado à Associação de Futebol de Lisboa e de ser comentador desportivo, não lhe reconheço outro currículo no futebol português. É de facto uma pessoa indecisa, e uma pessoa indecisa não tem grandes qualificações para decidir ser presidente de uma organização”.

E agora pergunto: para quê isto! Para quê toda esta deselegância! Fernando Seara nem sequer é candidato…Não compreendo!
Esta postura do ex-dirigente leonino só revela duas coisas: falta de confiança e medo. Não acredita nas suas potencialidades, na sua capacidade de liderança e, por isso, sente necessidade de tentar denegrir a imagem de quem não é candidato nem tão pouco está presente para se defender.

Ainda por cima o alvo escolhido foi, no mínimo, infeliz. Se há pessoa que merece todo o respeito e consideração, quer pelo cargo que ocupa quer por se tratar de um homem íntegro e de uma lisura e rectidão inexcedíveis, essa pessoa é Fernando Seara.

Já o Sr. Soares Franco, tem um passado algo titubeante, com o desempenho de importantes cargos de administração em grandes grupos económicos a deixarem-lhe, de presente, alguns processos-crime: foi constituído arguido no processo “Operação Furacão”, enquanto presidente da Opway; foi constituído arguido, por abuso de confiança e burla, no processo de venda de terrenos da família Borges Coutinho; etc. Significa isto que, Soares Franco, não é um homem acima de qualquer suspeita.

Digo isto, sem a intenção de denegrir a imagem pessoal do próprio, até porque não conheço em pormenor os processos e um arguido é suspeito e não criminoso. De qualquer forma, só o faço para demonstrar que não vale a pena atirar pedras quando o nosso telhado é, ou poderá ser, de vidro.

Melhor seria se Soares Franco, de uma forma calma e serena, apresentasse o seu projecto, definindo as linhas mestras do seu projecto: como vai combater o excesso de estrangeiros no nosso campeonato, que impede o recrutamento de jogadores nas selecções jovens; como vai funcionar o “seu” Conselho de Justiça, que tão pálida imagem tem dado nos últimos anos (recorde-se o que aconteceu no caso no túnel da Luz); quando será, finalmente, construída a casa das transferências, para que se acabe de uma vez por todas com a pouca vergonha que acontece em Portugal durante os defesos; se pretende retomar a selecção de Sub-23 ou mantê-la extinta; qual o seu projecto para o desqualificado Estádio Nacional. Tudo e isso e muito mais é o que pretendemos ouvir, quer do candidato Soares Franco quer de todos os outros que eventualmente venham assumir a sua candidatura…porque de malabarismos estamos nós abundantemente fartos!
Mas não! Soares Franco optou por adoptar uma postura de sobranceria e arrogância, impregnada de tiques patrícios e aristocratas.

Faz-me alguma espécie ver estes mensageiros do intelectualismo bacoco tentarem impor as suas ideias, não à custa das suas faculdades e competências mas à custa de eventuais fraquejos de supostos opositores. Mostram-se não pelo que conseguem mas pelo que os outros podem não conseguir.

Aliás, este intelectualismo de Soares Franco deverá decorrer dos tempos em que foi membro do Conselho de Administração da empresa…”Vista Alegre”.

Mais inacreditável ainda é o facto de horas após esta conferência de imprensa, Godinho Lopes, actual presidente do SPC, ter vindo a terreiro descredibilizar por completo a competência e capacidade de liderança de Soares Franco, afirmando que o candidato do SCP à liderança da FPF é…Hermínio Loureiro (ora, pelo que se sabe, Hermínio Loureiro não é, pelo menos por agora, candidato à Federação) e não um ex-presidente do clube.
Mas há mais!
O presidente do Benfica, LFV, deverá apoiar outro candidato que não Soares Franco. Muito provavelmente, Fernando Seara, caso este se candidate.
PC, por seu turno, já afirmou que não apoiará candidatos políticos, numa clara alusão a Fernando Seara, e mais não disse! Porém, é presumível que também não apoie Soares Franco. Ainda estão bem frescos os arrufos entre os dois: “o Papa está a morrer” ou “nunca vi uma girafa dizer coisas acertadas”.
Tenho para mim que PC estará aguardar que surja uma candidatura ao seu jeito, o mesmo é dizer, está à espera que surja na lista de candidatos alguém que possa eventualmente servir os seus interesses. Nos bastidores já se vai falando de Fernando Gomes, o actual presidente da Liga Portuguesa de Clubes…A ser verdade, é uma jogada de mão-cheia: “orientou” na Liga e agora “orienta” na FPF. Está bem visto. 

Significa isto que Soares Franco está sozinho nesta luta, ou pelo menos não terá o apoio de quem verdadeiramente manda no futebol português, nem sequer do seu anterior clube. Assim, é muito difícil ganhar eleições, caro Soares Franco. E já que estamos no arranque do período escolar, olhe, estudasse melhor a lição!

Minudências à parte, a Federação Portuguesa de Futebol, tal como os importantes organismos desportivos portugueses necessitam de um homem digno, sério, capaz de interagir com todos os agentes do futebol…sem que para isso tenha que baixar as calças a alguns.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

ALGO VAI MAL NO REINO DO LEÃO!


Fechou ontem mesmo o mercado de transferências em Portugal e as principais novidades registaram-se para os lados de Alvalade.

Na pré-temporada, tudo levava a querer que a época que se aproximava seria em tudo diferente da anterior: mudanças significativas na estrutura da SAD, no departamento médico, no comando técnico e no plantel. Abria-se, por isso, um novo horizonte...
Porém, três jornadas volvidas, a depressão regressou Alvalade: Domingos passo os jogos, sentado no banco, afagar o cabelo; a direcção parece não estar com o treinador e os jogadores, por sua vez, deambulam pelo campo sem saber ao que vão.

A época começou com um belo presente: a contratação de Domingos Paciência. Parecia ser a chave para o sucesso de um clube que durante anos falhou a contratação de um timoneiro que trouxesse serenidade e competência ao comando técnico da equipa.
Pelo trabalho desenvolvido na Académica e, sobretudo, em Braga, havia razões para acreditar que Domingos Paciência era o homem certo: capacidade de liderança, competência e sistema táctico bem pensado e maturado.

Passo seguinte: reforçar o investimento na equipa por forma a dotar o plantel de maior qualidade.
Compraram muito, de forma discreta e, a principio, com algum critério. Porém, a desconfiança em caras pouco conhecidas como Rinaudo, Schaars, Van Wolfswinkel ou Bojinov pôs alerta os sócios e simpatizantes do clube. Era, por isso, premente envolver os adeptos neste projecto de mudança. De que forma? Contratando dois ou três jogadores de craveira internacional, que trouxessem brilho a equipa. Compraram, então, Capel, Jeffrén e, mais recentemente, Elias. A verdade é que com tudo este turbilhão de contratações, o Sporting adquiriu 16! jogadores…2/3 de um plantel!

Contratados os jogadores, havia agora a necessidade de formar uma equipa que fosse, simultaneamente, competitiva e equilibrada. Ora, nada melhor do que a pré-época para o fazer, e de uma forma calma e pensada.

A verdade é que o campeonato começou, realizaram-se três jogos e o clube registou dois empates e uma derrota. Mas há mais! Para além dos péssimos resultados, a equipa não revelou fui de jogo, entrosamento, nem tão pouco, automatismos…e Domingos, nos seus onzes iniciais, apenas utilizou dois ou três reforços.
A defesa é um crivo, o meio campo não faz circular a bola em velocidade (Schaars tem um motorzinho a gasóleo) e a linha avançada revela um desacerto monstruoso.

Resultado: os adeptos começam a questionar as motivações do treinador para ter ordenado a contratação de um chorrilho de jogadores. Afinal, o técnico não os utiliza. Diferente seria se, durante a pré-época, o onze base do ano transacto tivesse dado garantias de sucesso. Aí, a integração poderia ser efectuada de forma ponderada e progressiva. Ora, não foi o caso.

O que mais salta à vista neste renovado Sporting é a fragilidade de uma defesa muito permeável, cujo reforço parece ter sido descuidado. Leva a querer que a equipa não foi pensada e construída de trás para a frente. Já a pré-época, ao que parece, serviu para coisa nenhuma!
O balão de oxigénio de Domingos começa a esvaziar-se e a margem de erro está atingir a linha vermelha.

O campeonato ainda agora começou e Domingos revela já alguns fraquejos:

por um lado, a pré-época serviu apenas e tão só para viajar pelos EUA e participar em torneios com algum prestigio, olvidando o essencial: integrar convenientemente os reforços;

por outro, não se compreende que, depois de ter apostado insistentemente em Postiga e Djaló os deixe sair para o estrangeiro a preços de saldo. Não foi certamente pelo encaixe financeiro. Aliás, o valor de venda de H. Postiga é…ridículo! E isto levanta muitas dúvidas: afinal, Domingos, contava ou não com os jogadores? Se contava, porque os deixou sair a preço de “rebajas”, ao desbarato? Se não contava, porque foram eles titulares nos primeiros jogos do campeonato? Ou será que cedeu aos assobios dos sócios?! (lembro que Postiga e Djaló eram, por estes dias, os mal amados da afficion leonina). Qualquer uma delas é demasiado má.

Além de tudo isto, o discurso do clube que, no seu todo, não é coerente: o presidente, atira-se sistematicamente aos árbitros, culpando-os pelos maus resultados do clube; o treinador, prefere, e bem, penalizar e criticar o desempenho dos seus jogadores.

Ajudar à festa, há que reconhecê-lo, estão arbitragens bastante infelizes e penalizadoras para o clube verde-branco.
Contudo, os dirigentes leoninos não se podem refugiar sistematicamente neste “bode expiatória”, pois, a ser assim, tal desresponsabilizará psicologicamente os jogadores, não se sentindo a raiz do problema mas antes as suas vítimas.
Lembro que esta estratégia foi utilizada pelo clube vizinho, com muito maus resultados: passou um terço do campeonato a desculpar os erros do Roberto com erros de arbitragem e quando acordou já era tarde.


A verdade é que algo vai mal reino do Leão!

terça-feira, 30 de agosto de 2011

MILHÕES DA TRETA!!!


No passado dia 18 de Agosto, o FCPorto confirmou a saída dos jogadores, Falcão e Ruben Micael, para o Atlético de Madrid, num espécie de pack, avaliado em 45ME: Falcão, por 40ME e R. Micael, por 5ME. Apregoou-se à boca farta que mais uma vez o FCPorto tinha feito um estrondoso negócio.
Não concordo!!! Aliás, existe uma expressão popular que ilustra na perfeição este tipo de negócios: “Nem tudo o que reluz é ouro!” Nem mais!

O presidente portista fartou-se de afirmar que os seus jogadores só saíam se os clubes interessados batessem as suas clausulas de rescisão.
Ora, se bem me lembro, à data das transferências, Falcão tinha uma cláusula de rescisão de 45 ME e R. Micael, uma cláusula de 30 ME. Significa isto que, nem um nem outro saíram pelas cifras máximas e de pagamento, dito, obrigatório. Logo, a veracidade dos factos começa já a inquinar…Mas há mais!
Alguém acredita que, a ser vendido individualmente, Falcão sairia pelos fabulosos 40ME?! Alguém acredita que o valor de mercado de um atleta com 24 anos de idade, uma razoável margem de progressão e uma cláusula de rescisão de 30ME seja de …5ME?! Sinceramente, não acredito!
O avançado colombiano só saiu pelos aparatosos 40 ME porque R. Micael foi vendido ao desbarato.
Analisando o mercado de transferências, facilmente percebemos que R. Micael é um jogador com um valor de mercado que rondará os 12ME. A ser assim, Falcão foi vendido por um valor real de 33ME e não por mentirosos 40ME.

O mercado português não permite que se vendam jogadores por cifras superiores a 30/35ME. E porquê? Simples! Quanto valeriam esses mesmos jogadores no mercado inglês, espanhol ou italiano?! Certamente, muito mais.
Um clube dos três grandes aspirar vender um jogador por 40/50 ou 60ME é o mesmo que um clube do fundo da tabela da nossa primeira liga ambicionar vender um seu qualquer jogador a um “grande” português por 15/20ME?! Não é possível! E não é possível em função do valor de mercado dos campeonatos e das equipas.

Contudo, quero deixar claro que este não é um negócio sem precedentes. Pelo contrário. À cerca de dois meses, Fábio Coentrão só saiu para o Real Madrid por 30 ME porque ficou acordado entre Benfica e Real Madrid que o clube português compraria metade do passe do defesa-central, Garay, por cerca de 5,5ME. Jogador adquirido pelo Real, dois anos antes, por 10ME, que pouco ou nada jogou durante esse período…e que saiu para o Benfica valorizado em cerca de 1ME!
Mas, a não ser assim, o Benfica também não fazia o encaixe financeiro tão premente a cada época. Além disso, adquiriu o jogador que se apresenta como uma grande mais valia e de que a equipa muito necessitava. Parece-me razoável.

Este tipo de negócios é recorrente no nosso mercado de transferências e terá que continuar a ser. Não temos margem competitiva para agir de outra forma. O nosso poder negocial é bem mais frágil que o poder negocial dos grandes campeonatos europeus.

Compreendo, na plenitude das suas necessidades, a razão dos clubes e seus dirigentes para recorrerem a este tipo de negócios. Porém, já não compreendo que, usando a comunicação social, tentem transparecer para os seus adeptos aquilo que os mais atentos sabem não ser verdade.

É o que temos!!!

terça-feira, 26 de julho de 2011

CONSAGRAÇÃO DE RUI COSTA!


Agora que o TOUR DE FRANCE 2011 terminou, com a consagração, nos Champs-Élysées, do australiano Cadel Evas, é oportuno e merecido um sentido tributo ao nosso Rui Costa.

Recordemos…

No passado dia 09 de Julho, assistimos há aparição de mais uma figura que ilustrará, estou certo, o álbum de memórias do desporto português – Rui Costa venceu uma etapa do prestigiado Tour de France.

Depois de Joaquim Agostinho, Paulo Ferreira, Acácio Silva e Sérgio Paulinho, foi agora a vez de Rui Costa, aos 24 anos, deixar a sua marca na maior prova velocipédica do mundo, tornando-se no mais novo ciclista português de sempre a conquistar uma etapa na Volta à França.


Estávamos à entrada dos Pirenéus, a etapa propunha-se a uma fuga, e desde bem cedo ela aconteceu, tal como é habitual neste tipo de percursos de média montanha, onde os ciclistas mais atrasados no pelotão têm a “permissão” do grupo para tentarem a sua sorte.

Rui Costa, sentindo ser o seu dia de glória, tentou e acabou por conseguir integrar a fuga do dia, composta por 9 ciclistas, que rapidamente alcançou uma confortável vantagem para o pelotão.


O grupo de Rui Costa foi rolando lá na frente, perante a indiferença e o ritmo de passeio do pelotão. Ao fim e ao cabo, nenhum dos ciclistas que integrava a fuga colocava em causa a liderança do Tour. Qualquer um deles estava já a imensos minutos da amarela.


À medida que os quilómetros foram sendo ultrapassados, as posições dentro do grupo de fugitivos foram-se definindo.

Pela forma de pedalar e se colocar na bicicleta, Rui Costa demonstrava ser um dos elementos que estaria mais fresco para atacar a ponta final da etapa. Ora, isto era, por si só, pronuncio de que o herói da 8.ª etapa do Tour deste ano poderia ser português.


Quando tudo fazia querer que a decisão da etapa estaria entregue aos homens da frente, onde se incluí-a Rui Costa, eis que a corrida sofre o volte-face: lá atrás no pelotão Vinokourov…havia atacado!

Faltavam 10 quilómetros para o final da etapa e tudo era ainda possível…para mais tratando-se de Vino.


Neste momento, todos aqueles que se encontravam, tal como eu, a seguir a etapa pela televisão, vibrando com a possibilidade de uma vez mais um português entrar na história do Tour, questionaram: seria Rui Costa capaz de impedir a aproximação do ciclista Astana?

Tudo o que de bom tinha sido feito até então poderia estar irremediavelmente comprometido. De todos os ciclistas presentes no pelotão, Vino era o que maior ameaça representava para o grupo da frente.

A etapa estava bem à sua medida. A capacidade de resistência, aliada à estrondosa compleição física, colocavam-no como o ciclista por excelência para, num terreno algo sinuoso, partir em busca de uma fuga. A cavalgada seria avassaladora, rapidamente passaria pelos homens da frente e fecharia a contagem do dia no primeiro lugar


O grupo, informado via rádio do que estava acontecer lá atrás, foi tentando manter a diferença para o Cazaque por forma a que a fuga chega-se com sucesso a Super-Besse Sancy (local que bem conheço e onde já tentei fazer sky, acabando por fazer apenas…sku).


A cerca de 5 km do final da etapa, Rui Costa, percebendo que o ritmo que o seu grupo levava acabaria apenas por servir de passadeira vermelha para que Vinokourov passasse, decide atacar, deixando para trás os seus companheiros.


Porém, o ataque do português não tinha, no imediato, surtido qualquer efeito desmoralizador em Vino, já que o tempo para o ciclista português continuava a cair.

Neste momento todos pensamos que o sonho do ciclista português terminava ali, bem no alto, perto da consagração…

Ora, nada mais errado!!

Inesperadamente, faltando pouco mais que um quilómetro para a meta, a diferença, como que por milagre, pára nos 15 segundos e por ai se mantém por alguns instantes. Informado deste facto pelo seu director desportivo, Rui Costa faz um forcing final, mantém a vantagem na “casa” dos 10/15 segundos e acaba por ser o primeiro a cortar a meta.


É verdade que os 37 anos de Vino terão pesado neste último assalto à conquista em Super-Besse, porém o talento e a juventude do ciclista poveiro ofuscaram a classe e maior experiência do velocipedista cazaque.


Apesar de um passado recente associado ao doping (controlou positivo nos Campeonatos Nacionais de Estrada, em 2010, juntamente com o seu irmão, Mário Costa,…vindo mais tarde a ser ilibado), o futuro de Rui Costa tem tudo para ser deslumbrante. Porém, apenas espero que o desejo feroz e voraz de rapidamente alcançar as luzes da ribalta não lhe tolhem o discernimento e o levem a cometer os mesmos erros que cometeram Roberto Heras, Floyd Landis, Michael Rasmunssen, Ricardo Riccò (uma das maiores promessas do ciclismo mundial), Óscar Sevilha, Francisco Mancebo, Alejandro Valverde, Tyler Hamilton, Jan Ullrich ou ate mesmo Nuno Ribeiro. Muitos e muitos nomes que ano após ano nos cortam mais um pedaço da ilusão que sentimos por esta modalidade.


Foi uma vitória do querer e da ambição.
Parabéns, Rui Costa!

sexta-feira, 22 de julho de 2011

FUGA PARA O DRAGÃO!



Na passada 4.ª feira, o FCPorto adquiriu mais um jogador que, dizem, estaria na mira do SLBenfica.
Como já bem sendo hábito, o FCPorto fez abanar os milhões e antecipou-se ao Benfica na aquisição de um jogador há muito referenciado pelo clube encarnado.
Assim aconteceu nos últimos anos com Prediger, Álvaro Pereira, Falcão e James Rodrigues. E a verdade é que, tirando o primeiro, todos os demais compensaram a aposta do clube azul-e-branco. Alias, o FCPorto tem-se dado muito bem com esta tipo de negócios: deixa o Benfica descobrir os talentos e depois, com um maior poder económico, fruto de continuas presenças na Liga dos Campeões e consequente rentabilização dos seus activos, entra a matar na negociação, arrebatando o jogador em causa por valores incomportáveis para o clube da Luz. Os agora “saqueados” foram Alex Sandro e Danilo.
Tive a oportunidade de os observar durante a última edição da Copa dos Libertadores da América.

 
Alex Sandro
 
Alex Sandro é um defesa-esquerdo moderno, tecnicamente evoluído, com grande pendor atacante, muito rápido a subir pela ala direita…embora algo permeável a defender. À semelhança de Danilo, é ainda muito jovem (tem apenas 20 anos) o que oferece uma grande margem de progressão, representando um potencial em bruto que necessitará ser moldado.

Contudo, durante a sua permanência na Vila Belmiro, Alex Sandro pouco jogou. Era o substituto natural de Léo, ex-jogador do Benfica, e como tal, apenas jogava só e quando o baixinho estava lesionado ou castigado. Significa isto que, o seu ritmo competitivo é muito baixo. Se a isto acrescentarmos o facto de o futebol europeu ser bem mais exigente que o futebol sul-americano, facilmente se conclui que o jovem brasileiro terá dificuldades de adaptação a um futebol bem mais rápido e agressivo que o canarinho.
Por outro lado, estará até final de Agosto, na Colômbia, a disputar o Mundial de Sub-20, ao serviço da selecção brasileira, o que significa que perderá toda a pré-época e início de época do FCPorto, o que também prejudicará a sua integração.

Portanto, os 9,5ME investidos pelo clube portista, representam uma enormidade dispendida por um jogador que, como tantos outros brasileiros, é habilidoso com bola, rápido atacar, mas uma incógnita quanto à consistência do seu futebol.
A pouca utilização deste jogador não permitiu uma avaliação completa da sua valia, daí afirmar tratar-se de um negócio arriscado.

 DANILO


Danilo, é um lateral que faz várias posições no corredor direito: pode jogar a defesa-direito, a médio direito e ate como n.º 8, no miolo do terreno. Foi um jogador bastante utilizado durante a época passada, fazendo da polivalência a sua principal arma.

Porém, se é importante a polivalência de um jogador, também é verdade que essa polivalência pode prejudicar a sua evolução e assimilação de rotinas de jogo. Este tipo de jogadores acaba por nunca se afirmar como imprescindíveis na sua posição de origem, não chegando nunca aprimorar rotinas próprias de quem joga sistematicamente no mesmo lugar.
Tal como Alex Sandro, necessitará de uma fase de adaptação ao futebol europeu, com a agravante de apenas ingressar, em definitivo, no FCPorto em Janeiro próximo, visto o Santos ter assegurado durante a negociação a sua estadia no Peixe ate Dezembro deste ano.

Na sua compra, o FCPorto investiu a “módica” quantia de 13 ME!
Só para terem uma ideia, Radamel Falcao custou ao FCPorto 5,4ME e já vinha rotulado de craque. Estamos a falar de um ponta-de-lança, sempre mais valorizado que os defesas, que à época era já apontado como um dos grandes valores em ascensão no mundo do futebol.
No caso de Danilo, é verdade que a sua utilização regular por Muricy Ramalho, na equipa do Santos, durante a época passada, permitiu uma análise mais cuidada sobre o seu real valor (embora esse trabalho de sapa nem sequer tenha sido realizado pelo FCPorto…), contudo, não mostrou ainda potencial para custar uns impensáveis 13ME.
Se a tudo isto acrescentarmos que Danilo vai disputar Mundial Sub-20, o Brasileirão e a Libertadores como jogador do FCPorto mas comodatado ao Santos, e só depois regressar ao Dragão, significa que, na pior das hipóteses, o FCPorto poderá ter em Janeiro do próximo ano um jogador bastante fatigado ou ate com uma grave lesão ligamentar…
Posto isto, continuo achar que 13ME por um jogador com as características de Danilo é um magnífico negócio para o…Santos! Pinto da Costa foi muito generoso com Luís Álvaro Ribeiro, presidente do Peixe.

Justificar-se-iam os valores dispendidos com os dois jogadores se qualquer um deles fosse visto pela imprensa internacional como um fenómeno emergente. Ora, não é o caso. Existem na equipa do Santos outros jogadores de qualidade semelhante à de estes dois.
Alias, no Brasil todos os anos nascem dezenas de novos “futuros do Brasil”. Lembram-se de Leandro Lima? E de Carlos Alberto? Pois bem, também eram o futuro do Brasil…!
E esta critica não é apenas extensível ao FCPorto!

 
POSIÇÃO NEGOCIAL DO S.L.BENFICA

Relativamente à posição do SLBenfica em todo este processo negocial, penso que LFV terá tomado a decisão correcta ao deixar cair o “negócio Danilo”.
Hoje percebemos como a negociação decorreu: o Benfica, negociou o jogador com um fundo de investimento, Grupo DIS, detentor de 37,50% do passe; o FCPorto, negociou com o Santos, detentor de iguais 37,50%.
O que acontece é que o Santos, forrado pelos milhões abanados pela árvore das patacas portista, exerceu o direito de preferência na compra dos 37,50%, que pertenciam ao fundo de investimento, passando a deter 75% da totalidade do passe de Danilo, sendo que os restantes 25% pertenciam ao América-MG, anterior clube do jogador.
Desta forma, o Santos passou a ser o detentor maioritário do passe do atleta, podendo negocia-lo com quem bem entende-se, de forma livre e independente, permitindo vender a quem oferecesse mais. E quem ofereceu mais foi o FCPorto.
Além disso, o Santos impunha como condição que o jogador ficasse no clube até Dezembro deste ano, por forma a jogar a Libertadores. Ora, este foi um dos motivos que levou o Benfica a desistir do negócio: pagar já um jogador mas só o ter disponível a partir de Janeiro de 2012. Em termos práticos, estaria a contratar no presente um jogador para a época…2012/2013.
Não faz sentido…sobretudo quando a compra do jogador implica um investimento tão avultado.

Já no caso de Alex Sandro, o processo foi bem mais simples: foi comprado directamente a um fundo de investimento, não existindo clubes na negociação. Aí, leva quem paga mais! E quem pagou mais foi novamente o FCPorto.

Tenho para mim que, se hoje PC pensar bem no negócio que fez e no dinheiro que dispensou nesta negociata “à lá Brasil”, concluirá não ter sido um dos melhores acordos que já fez desde que esta na presidência do clube. Provavelmente, terá deixado levar-se pela ambição de tentar humilhar o seu “ódio de estimação”, tendo esquecido por algumas horas a razoabilidade que deve imperar nestas situações.

De qualquer forma, e para que não restem duvidas, quer Danilo quer Alex Sandro, eram jogadores da minha preferência, os quais gostaria de ver no meu clube, embora por preços bem mais acessíveis.