sexta-feira, 23 de novembro de 2012

OS PETRODÓLARES DO GABÃO PROVOCAM AZIA NO DRAGÃO!

Na semana passada, após o Gabão Portugal, Pinto da Costa lançou-se ferozmente aos dirigentes da FPF e, em particular, a Paulo Bento, colocando em causa os métodos de trabalho bem como os critérios técnico-tácticos utilizados pelo seleccionador nesse jogo.
Depois de ler as declarações do presidente portista, tive a oportunidade de afirmar que concordava com parte das mesmas…
 
Na realidade, olhando para o que foi o jogo bem como a sua preparação, não restam muitas dúvidas que tudo isto foi um grande equívoco…ou talvez não!
 
Primeiro equívoco: quando a FPF pensou em preencher a data agendada pela FIFA para a realização de jogos amigáveis, escolheu como adversário uma selecção africana. Ora, é aqui que a “coisa” começa a inquinar. Se bem me lembro, estamos numa apertada fase de qualificação para o Mundial de 2014 que se realiza na zona europeia, onde já defrontamos e iremos defrontar selecções do continente europeu, com um futebol em tudo diferente do futebol africano.
 
Segundo equívoco: já que se deseja muito a realização de um jogo de futebol no continente africano, num país onde o petróleo “nasce” como ervas daninhas, há que o preparar com algum cuidado. Analisar o adversário, o momento em que o jogo se realiza, as condições do pais, da cidade, do estádio, a equipa de arbitragem, o estado do relvado, é elementar na preparação de um jogo de futebol.
 
Terceiro equívoco: retirando algumas selecções de menor expressão, apenas a selecção espanhola se obrigou a uma deslocação longa à Arabia Saudita para defrontar o Panamá. Todas as demais selecções europeias realizaram jogos contra as suas congéneres da europa, no continente europeu, não se sujeitando a várias horas de voo, para jogar em países com condições climatéricas completamente antagónicas aquelas que por cá se fazem sentir.
 
É verdade que todas as grandes selecções europeias e mundiais procuram hoje em dia os jogos amigáveis para amealhar mais alguns “tostões”, sejam eles para pagar prémios, sejam eles para pagar a dirigentes e/ou treinadores, sejam eles para…investir em depósitos a prazo! Numa primeira linha, surgem selecções como a espanhola, a argentina, a brasileira ou a alemã, com um cachet a variar entre os 1,2M€ e os 2M€; numa segunda linha, as selecções inglesa, francesa, italiana ou portuguesa, com um cachet entre os 8M€ e os 1,2M€.
O que me parece é que o país de destino poderia ter sido outro. Mas haveriam outros, com melhores condições?! Tirando os petrodólares africanos ou asiáticos, não vejo que outros países, “por dá cá aquela palha”, se disponibilizassem a pagar tão elevado cachet para receber uma selecção.
 
Pinto da Costa saiu imediatamente a terreiro disparando em todas as direcções, afirmando que realizar um jogo no Gabão era “absurdo”. Mas não se ficou por aqui. Insinuou, ainda, que Paulo Bento teria protegido alguns jogadores em detrimento de outros, nomeadamente em detrimento dos jogadores do FCP, colocando em causa o poder soberano de Paulo Bento na gestão desportiva dos seus jogadores.
 
Também eu entendo que ir jogar ao Gabão, naquelas condições, perante um campo de centeio, uma equipa de arbitragem dos “Apanhados” e uma Banda do Galo que meteu “Dó”, com todo o respeito que me merece essa agremiação de sonoridades do meu concelho, é desajustado e, como afirmou “Bimbo da Costa”, absurdo.
 
Além disso, é compreensível que os presidentes dos clubes que cedem jogadores às selecções se sintam desconfortáveis quando vêm os seus activos, a quem pagam um elevado salário, jogarem em circunstâncias que potenciam a ocorrência de lesões. O que não é compreensível ou sequer credível é que discurso de quem se sente prejudicado não seja coerente e não se tenha a capacidade de o fazer junto de outras federações. Jogar nos EUA, perante a selecção brasileira, valoriza os activos de um clube? Claro que sim; jogar no Gabão contra a selecção local, num campo em péssimas condições, num contexto de insignificante mediatização não beneficia os activos de um clube? Claro que não!
 
Pois é! É aqui que reside o problema. Pinto da Costa afrontou a FPF, não o fazendo igualmente com a Federação colombiana.
Pior! Pinto da Costa imiscuiu-se no trabalho de Paulo Bento, questionando as suas opções técnicas. Recebeu troco!
O seleccionador aproveitou o ensejo para delimitar o seu espaço de actuação e enviar um recadinho ao presidente portista pedindo para que este se preocupasse em defender os interesses do seu clube e não os da selecção. Apesar do recadinho, ainda assim, Paulo Bento não foi mal-educado ou desrespeitoso para com Pinto da Costa ou para com a estrutura portista.
 
A verdade é que Pinto da Costa, do alto dos seus bons costumes ditatoriais, não aceitando que lhe digam duas ou três verdades mesmo que ditas em bons modos…ripostou! E ripostou através de um lamentável comunicado!
O comunicado é ridículo, sem qualquer base de sustento, utilizando um discurso agressivo, hostil, brejeiro, cínico, entrando no ataque pessoal, deixando no ar a ideia que a instituição FCP não pode ser passível de quaisquer apontamentos seja eles mais ou menos assertivos.
 
O problema é querer ter sol na eira (EUA) e chuva no nabal (Gabão)! E isso não é eticamente admissível!

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

MAIS DO MESMO?! VEREMOS!

Na passada 6.ª feira o SLB elegeu um novo presidente para comandar e dirigir o clube durante os próximo os quatro anos.
A campanha foi muito pobre, quer quanto ao conteúdo quer quanto à forma. Ambas as listas utilizaram o tempo de antena concedido pelo nos órgãos sociais para se atacarem mutuamente. Aliás, o despique a que assistimos entre Rui Rangel e LFV foi ridículo e roçou o insulto. Não houve respeito, não houve boas maneiras, não houve um debate esclarecedor e, por isso, útil para os sócios.
 
Muitos paineleiros criticaram fortemente o facto de LFV se ter negado a aceitar um frente-a-frente com Rangel. Por mais anti-democrático que a decisão possa parecer, eu compreendo-a e respeito-a enquanto “estratégia de jogo”: LFV perderia no confronto directo para Rangel, uma vez que o magistrado tem outro poder de argumentação que LFV não apresenta. A oratória não é, como sabemos, o que mais sobressai em LFV.
Além disso, e se bem me recordo, em cerca de 30 anos de poder, quer Pinto da Costa quer Alberto João Jardim sempre se desviaram de confrontos directos e pessoais.
 
Quanto às campanhas propriamente ditas…
 
LFV optou por se manter na zona de conforto, utilizando um discurso já várias vezes repetido e que para a grande maioria dos benfiquistas está gasto: “sabemos o que estamos a fazer”; “sabemos o caminho que queremos percorrer”; “não nos vamos desviar do que caminho que traçamos”; “vamos lutar pela verdade desportiva”; “queremos um futebol limpo”, são frases que se vão repetindo a cada nova campanha eleitoral, a cada novo fracasso, que descredibilizam e desgastam a imagem de LFV.
 
Por outro lado, LFV continua a cometer erros crassos no seu discurso: prometer 3 títulos nacionais e a presença numa final europeia, tudo isto nos próximos 4 anos, é uma promessa que os sócios sabem ser demagoga, servindo apenas como arma de arremesso a utilizar pelos nossos rivais dentro de poucos meses.
 
Além disso, o facto de ter recrutado no movimento “Vencer, Vencer” Varandas Fernandes e José Eduardo Moniz fragiliza não só a posição dos próprios, que antes atacavam e criticavam LFV, como enfraquece a posição do próprio LFV. Admitir na sua lista um homem que nas últimas eleições o atacou contundentemente revela em LFV fraqueza, insegurança, receio de que os sócios possam não acreditar no seu projecto.
 
Por sua vez, Rui Rangel surge em pleno campo de batalha acompanhado por soldados que, outrora, ajudaram a descredibilizar o clube: Olavo Pitta e Cunha, Fernando Tavares, Cunha Leal, Ribeiro e Castro, José Veiga, são alguns dos nomes associados ao passado negro do SLB. Apostar nestes elementos para a composição dos órgãos sociais do clube é retornar ao passado e isso os adeptos e sócios do SLB, tenho a certeza, não querem novamente.
 
Sinceramente, ainda hoje tenho sérias dúvidas sobre se a continuidade de LFV será a melhor solução para o SLB. Contudo, olhando para a que foi a candidatura de Rangel, para a falta de ideias, para a falta de soluções, não discutindo os reais problemas do clube, perdendo 80% do tempo da sua campanha com questões de menor importância, admito que a eleição de LFV seja um mal menor para o futuro do clube.
 
Sabendo hoje que a lista eleita foi a de LFV, três questões me suscitam enormes dúvidas e incertezas: qual o papel de José Eduardo Moniz na estrutura da SAD? Quais consequências que as palavras proferidas por Moniz sobre a pessoa de Rui Costa terão no seio do clube? Quais as consequências que o rompimento das negociações com a Olivedesportos poderão ter sobre a estrutura financeira do clube?
Nenhuma destas três questões tem resposta óbvia.
 
Como homem para o futebol, tenho para mim que José Eduardo Moniz será uma nulidade. A experiência dele na área do futebol é-me totalmente desconhecida. Por isso, apenas compreendo a sua contratação se a mesma visar uma mudança nas políticas de comunicação e negociação levadas a cabo pelo clube: quer junto da Olivedesportos, tentando renegociar os direitos televisivos; quer junto dos actuais e novos sponsors, tentando obter novos contratos mediante melhores condições; quer junto do mercado internacional, tentando potenciar ainda mais a marca Benfica; quer junto da banca, tentando a obtenção ou mesmo a renegociação dos empréstimos bancários já existentes, no intuito de alcançar melhores condições de pagamento a taxas de juro mais baixas.
O que mais me inquieta na eleição de José Eduardo de Moniz é o facto de este ter afirmado, poucas horas após ter sido eleito, que ainda não sabia que funções que iria exercer no clube. Convida-se uma pessoa para integrar a estrutura directiva de um clube com a grandeza, a história, a riqueza, a dimensão do Benfica sem que o mesmo saiba qual vai ser o seu papel dentro dessa mesma estrutura?! Saberá esta gente o que significa a palavra “planificação”?! Não compreendo!
 
Outra questão de enorme melindre está relacionada com o papel de Rui Costa dentro do clube depois das palavras proferidas por Moniz durante a campanha eleitoral. Não irá Rui Costa ser relegado para um papel ainda mais secundário dentro do próprio clube, desmotivando-se e sentindo-se cada vez menos útil? É que, no espaço de dois anos, o SLB contratou António Carraça para director de todo o futebol encarnado, cargo até então desempenhado por Rui Costa, e elegeu José Eduardo Moniz para número 2 da estrutura directiva, posição que deve ser ocupada por quem ambiciona chegar à liderança do clube.
 
O fim das negociações com a Olivedesportos sobre à venda dos direitos televisivos foi outra questão que foi decidida de forma pouco racional. Vejamos: a empresa de Joaquim Oliveira ofereceu ao Benfica cerca de € 22.000.00,00/época.
Ora, rejeitando o Benfica € 111.000.000,00 por cinco épocas, tal significa que o Benfica estará, ao que parece e contra todas as notícias, endinheirado e que os 15 jogos que o clube irá realizar esta época como visitado passarão a ser transmitidos na Benfica TV sem qualquer tipo de retorno financeiro!…a não ser que a Benfica TV seja transformada num canal Premium, obrigando os seus sócios e simpatizantes a pagar o mesmo, tal como já acontece com a Sportv.
Depois desta fuga para a frente sem que se tenham medido convenientemente as suas consequências, só vislumbro uma solução: Moniz justificar a sua contratação, retomando as negociações com a Olivedesportos, assegurando um encaixe financeiro que de outro modo o Benfica não vai conseguir obter.
O impacto que esta decisão de não aceitar as verbas oferecidas por Joaquim Oliveira irá causar não é significativo, uma vez que os jogos realizados fora do Estádio da Luz continuam a ser transmitidos pela Sportv. Que são, provavelmente, os que mais interesse despertam não só nos benfiquistas mas também nos demais adeptos de futebol, visto tratarem-se dos jogos em que a probabilidade de o Benfica perder pontos é maior do que nos jogos realizados em casa.
 
Eu compreendo a lógica de actuação do clube ao rejeitar a Olivedesportos, contudo, a mesma só teria algum efeito prático se os principais clubes do nosso futebol rejeitassem também eles negociar com Joaquim Oliveira. O que não é o caso. E tal não acontece porque hoje em dia os clubes precisam de dinheiro como pão para a boca e as suas principais receitas advém dos direitos de transmissão.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

1000 JOGOS TEM UM...PRESIDENTE!

1000 jogos tem um Presidente…que um dia, um dia bem longínquo,  ganhou o seu primeiro jogo como presidente de um clube que, dizem os mais velhos, se assemelhava ao Vitória do Sado...bem atrás dos três grandes de Lisboa. Passados 30 anos dizem ser o maior de Portugal, um dos maiores do mundo.
 
Sou jovem, bem jovem ainda. Levo uma quinzena de anos e começo agora a compreender o fenómeno do futebol. Questiono-me: o que terá acontecido durante 30 anos?!
Não me recordo, não consigo imaginar como foram os idos 80 ou sequer os mais aconchegados 90, apenas estes mais recentes 2000. E como não me recordo recorro ao baú das reminiscências e corro a fita atrás num processo de rewind.
 
A cassete dispara, está pronta a arrancar. Quero ver este filme e por isso disparo o play. A páginas tantas a fita encrava, novo play e volta a encravar e assim acontece vezes sem conta. A cada interrupção, a imagem que surge é obscura e cinzenta.
Não percebo, quero muito decifrar aquelas imagens pouco ou nada claras que, compreendo mais tarde, a indecência e o indecoro não me deixam descodificar.
 
Tenho tenra idade mas a já suficiente para entender que o que a minha cassete me pede estará no parapeito da janela que nos liga ao mundo, ao mundo virtual, onde a verdade se encontra nua e crua.
Faço um clique e surgem imagens, vídeos, sons, sons que os mais velhos teimam em apelidar de “escutas”. Surgem verdades, aquelas verdades que clareiam a minha fita.
Retorno ao play e, agora sim, a fita desenrola suavemente, sem paragens, sem interrupções. O que antes era obscuro e cinzento é agora claro, bem claro.
 
Na tela surge um homem, um homem com poder, com muito poder, que soube arquitectar o seu percurso dentro e fora do futebol.
Um homem que soube controlar quem controla o futebol, que soube coagir e corromper quem decide no futebol, que soube fugir quando a justiça o pedia, que soube mandar para o Brasil quem o ajudou na pantominaria, que soube intimidar quem frequentava a sua casa, que soube usar o poder político para erigir o seu castelo, um castelo ventoso, é certo, mas ainda assim vistoso.
 
Sem votos, sem eleições, foi galgando décadas no poder, escudando-se no sucesso desportivo que alcançou, na massa adepta que o idolatrou, fazendo com isso esquecer os 60 mil que sempre ganhou, as comissões e as luvas que desviou.
 
Mas…seria redutor e injusto não contar tudo o que vi. Vi mais, vi muito mais.
 
Vi um homem, embora de rosto fechado, óculos antepassados e cabelo parco, inteligente, apaixonado, apaixonado por uma cidade, por clube, um clube que nunca abandonou, que sempre defendeu com unhas e dentes, contra tudo e contra todos, sem nunca virar a cara à luta.
 
Vi a glória de Viena, de Tóquio, de Sevilha, do Mónaco, de Gelsenkirchen, de Portugal. Sim de Portugal, de vários pedaços deste Portugal.
 
Vi um homem de grandes conquistas, que soube escolher os melhores, os melhores treinadores, os melhores jogadores, os melhores aliados, com poucos escrúpulos, é certo, mas leais ao seu líder, defendendo uma ideologia, um projecto, festejando no fim, sempre no fim, nunca no início!
 
Vi um homem que nunca se deixou intimidar pela glória dos Violinos, pela grandeza de Rei Eusébio, por um regime que censurava, declarando guerra ao sul do país.
 
Vi um homem que já deixou, que deixará a sua marca no mundo do futebol, no dirigismo desportivo, que como qualquer ídolo será odiado por muitos mas amado por muitos mais.
 
Tal como Berlusconi, Gil y Gil ou Tapie também ele abalroou o decoro, a honradez, a rectidão, em busca de um sonho, o sonho de tornar o seu clube, um clube grande.
 
…E termina a fita mas uma dúvida persiste: não haveria outro caminho, menos sombrio, menos tenebroso, menos ensombrado para chegar ao sucesso?! Talvez houvesse mas a estória também seria outra!

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

MAGNÍFICO BRAGA!

Era suposto escrever algumas palavras sobre o jogo que o meu clube disputou ontem, ao final da tarde, em Moscovo…porém, o que vi poucas horas depois, em Manchester, obriga-me a alterar o discurso.
 
MAGNÍFICO BRAGA.
É assim que me apetece começar este pequeno apontamento sobre a equipa que ontem à noite silenciou Old Trafford durante largos minutos.
 
Na antecâmara do jogo vislumbravam-se algumas contrariedades: um pequeno David tentaria derrotar um gigante Golias, onde os milhões árabes tentariam esmagar as engenharias financeiras e o olho para o negócio de Salvador; a ala esquerda, sem Ismaily, exigia um Elderson concentrado, ele que quando em vez entrega o ouro ao bandido; o banco arsenalista estava despido de soluções para refrescar o meio-campo; o pressing alto e tão recorrente no futebol britânico, exigia qualidade na recepção e no passe; as dificuldades eram muitas mas o palco era...o palco dos “Sonhos”.
 
Era imperioso sonhar mas…sonhar em grupo, porque sonhar de forma isolada torna os jogadores demasiado egoístas e poucos solidários.
Mas só sonhar não chegava. Era necessário encontrar uma estratégia devidamente pensada, que permitisse retirar a bola ao adversário, que permitisse posicionar convenientemente os jogadores para, não só fechar os espaços, mas sobretudo fazer circular a bola ao primeiro toque evitando o pressing contrário. Era necessário afrontar o adversário sem o desrespeitar.
 
Estas seriam as “cores” com que José Peseiro tentaria pintar o relvado do Teatro dos Sonhos!
À medida que o jogo foi avançando, percebeu-se que a obra poderia ser prima. A forma desinibida como os jogadores do SCB entraram em campo, sem medo de errarem, sem o receio de terem a bola, fazendo-a circular, obrigando o adversário a correr, banalizou uma das 3/4 melhores equipas do mundo. A forma como, com segurança, conseguiram esconder a bola, deixando os minutos correrem em direcção ao intervalo é a demonstração cabal da dimensão que o SCB atingiu no futebol europeu.
 
Vi uma equipa adulta, madura, inteligente, astuta, como não me recordo de ter visto em Old Trafford. Nem mesmo o FCP de Mourinho, que alcançou um empate em 2004, me impressionou tanto como a primeira parte deste SCB.

Na segunda metade, o elevadíssimo ritmo de jogo que as equipas inglesas sabem impor e para o qual as equipas portuguesas não estão habituadas nem preparadas; a falta de soluções para refrescar o miolo; a incapacidade de Peseiro para arriscar, atrasando excessivamente a entrada de jogadores como Mossoró, bem como o resultado final, descoloriu um pouco o brilho demonstrado durante a primeira parte.

Ainda assim, fico satisfeito por ver uma equipa portuguesa dar uma lição de “boas maneiras” a uns ingleses burgueses e com alguma soberba.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

RESPEITO MAS NÃO APRECIO!


Ontem à noite, no final do jogo Dinamo de Zagreb Vs FCPorto, foi veiculada a notícia que o pai do jogador Lucho Gonzalez havia falecido. Foi adiantado, ainda, que o jogador soube da notícia poucas horas antes do encontro e, ainda assim, aceitou jogar. Já CR7 havia feito o mesmo em Setembro de 2005, nas vésperas de um Rússia Vs Portugal

Após ter conhecimento da notícia, fiz zapping por alguns meios de informação desportiva e o sentimento era unanime: enorme jogador, grande profissional, um exemplo de entrega e dedicação. Estou certo que, 95% das pessoas, se não mais, apreciaram o gesto e enalteceram-no.

Se querem que vos diga, não compreendo nem aprecio este tipo de comportamentos com tiques de heroísmo e amor à camisola.
Respeito este desejo de em campo homenagear o seu progenitor mas não compreendo. E esta opinião nada tem que ver com o ser humano Lucho Gonzalez mas tão só com o seu gesto olhado de forma isolada. O que me incomoda é a atitude. Não sei…não aprecio!

Estarei a ser demasiado cáustico?! Talvez! Mas façam este exercício mental: imaginem que um dos vossos progenitores faleceu e vocês estão no local de trabalho quando recebem a notícia. O que fazem? Imagino que continuem a trabalhar como se nada tivesse acontecido… E, a correr bem, no dia seguinte voltam para terminar o que não acabaram no dia anterior.

Pois é…!
Coloco-me na posição do jogador portista e não consigo imaginar como se pode enfrentar o que quer que seja, horas depois de sabermos que uma das pessoa mais importantes na nossa vida acabou de partir.
Mas não jogar resolve alguma coisa?! Não, não resolve. Mas o comboio da vida só passa uma vez e o desgosto é tão grande que tolhe o discernimento, a lucidez, a vontade de falar quanto mais a vontade de enfrentar um jogo de futebol.
Conseguir esquecer, durante hora e meia, tamanha fatalidade é algo que me ultrapassa.

Não acho que se deva criticar a atitude do jogador portista pois só ele sabe as suas motivações. E isso, eu respeito e respeito de verdade. Só não consigo é ter admiração e louvar o acto.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

AINDA NÃO FOI DESTA!



No passado sábado jogou-se mais um Portugal Vs Espanha a contar para o Campeonato da Europa de Hóquei em Patins.
O pavilhão estava cheio, um ambiente fantástico, o hino entoado repetidamente e a plenos pulmões, não sei se para apelar à pátria se para apelar à troika…, cachecóis e bandeiras a drapejar. O palco estava montado

No papel, uma hegemonia espanhola assustadora: nos últimos 20 confrontos com os espanhóis, 17 vitórias para Espanha, 1 empate e 2 vitórias para Portugal, sendo que estas duas vitórias foram conquistadas no torneio de Montreux, contra o refugo espanhol.

O jogo teve duas partes distintas. Se na primeira parte Portugal esteve concentrado, rigoroso, com qualidade de passe, posse de bola, discernimento e, sobretudo, confiança; na segunda parte, com o pressing da selecção espanhola, tudo se alterou. A equipa amedrontou-se, os livres directos e os penaltis começaram a não entrar e, a seis segundos do fim…golo de Bargalló

Após o jogo, tive a oportunidade de ler alguns comentários sobre a partida e todos eles apontavam como factor determinante a falta de sorte dos hoquistas lusos. Não concordo!!!
É verdade que Portugal se bateu de igual para igual com os espanhóis, é verdade que sofremos o golo da derrota a escassos 6 segundos do fim mas invocar a falta de sorte como caminho do insucesso ao fim de todos estes anos, já não me satisfaz.

Não ganhamos porque ainda não fomos melhores! A superioridade de um colectivo não se resume a um grupo de bons jogadores que jogam nas melhores equipas e disputam os melhores torneios. É um pouco mais do que isso. É saber aguentar a pressão de ter que ganhar sem claudicar, seja a 6 minutos seja a 6 segundos do fim.

Portugal tem jogadores, tem colectivo, tem uma boa equipa técnica, tem aficionados, tem títulos, tem história mas…não tem capacidade mental para derrubar um estigma que nos persegue há 15 anos: derrotar uma equipa que, aos olhos dos nossos jogadores, por melhores que eles sejam, parece intransponível.

O facto de entrarmos em campo com a obrigação mental de termos que ganhar a uma selecção que, por este ou aquele motivo, não ganhamos há anos, deixa os jogadores tolhidos. Os últimos 10 minutos do jogo de sábado são bem o espelho do que acabo de dizer: pouca bola, pouca astúcia, pernas tremulas, olhares assutados, desconfiando que aquele golo de vantagem não era suficiente.

E esta atmosfera passou para os próprios adeptos que, por diversas vezes, durante a segunda parte, fizeram um silêncio sepulcral, agoirando um fim “trágico”.
Todos sentimos, eu próprio, que a manter-se aquela vantagem tangencial de um golo, o desfecho ia ser madrasto. Seria por culpa de um ressalto, seria por culpa de um erro de arbitragem, seria por um erro técnico?! Não sabíamos, mas sentia-se que isso era mais certo que a própria morte porque assim tem acontecido, ano após ano.

A nossa deficiência é de carácter mental e não de carácter técnico. E assim vamos continuar enquanto não surgir um “Mourinho sobre rodas” que mentalize aqueles jogadores que nós somos melhores do que eles! Que lhes diga “Em condições normais seremos campeões; e, em condições anormais…também seremos campões!”

Mudam-se os palcos, mudam-se os ambientes, mudam-se as regras, até os jogadores seleccionados mas o desfecho continua a ser o mesmo. Se Gary Lineker me estivesse a ouvir diria: são cinco contra cinco e no final ganha a Espanha.

Próxima paragem?! Angola 2013!
Até já!

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

O REGABOFE NA JUSTIÇA DESPORTIVA!

 
Sempre que se proporciona e a disponibilidade permite, tenho emitido a minha opinião sobre alguns dos temas do futebol nacional não escondendo, contudo, a minha simpatia clubística, o clube que defendo e pelo qual me habituei a gostar. Ainda assim, tento que esse sentimento não me condicione nas análises que faço…ou tento fazer.
Após tomar conhecimento do castigo aplicado a Jorge Jesus, não pude deixar de manifestar a minha opinião pese embora a mesma esteja, estou certo, em pleno desacordo com o que pensam muitos dos meus amigos benfiquistas.
 
No dia 5 de Fevereiro foi conhecido o castigo aplicado ao treinador Jorge Jesus na sequência das declarações proferidas no final do SLBenfica – FCPorto do dia 02 de Março de 2011.
No final desse jogo, Jorge Jesus afirmou que o árbitro auxiliar, Ricardo Santos, “não marcou fora de jogo porque não viu, não marcou por não quis”.
Seis meses depois, o Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol castigou o técnico benfiquista com a aplicação de uma suspensão pelo período de 15 dias.
 
Todo este processo esteve inquinado desde o seu início: começou mal e mal foi ficando à medida que os factos foram acontecendo, terminando com um desfecho lamentável.
 
Comecemos pelas declarações de JJ…
As declarações de Jorge Jesus são inaceitáveis. Um clube que luta pela pacificação e verdade do futebol português não pode querer, simultaneamente, sol na eira e chuva no nabal. Aquilo que JJ fez mais não foi de que uma declaração de intenções, colocando em causa o carácter intelectual de um senhor que, para além de árbitro auxiliar, é ser humano e tem família. Com todos os prejuízos que o lance, efectivamente mal ajuizado, possa ter causado ao Benfica, há que ter capacidade de análise e discernimento, não se apontando o árbitro sistematicamente como primeiro e principal culpado pelos nossos insucessos.
 
Momentos houve em que o SLBenfica também foi beneficiado pela arbitragem e nem por isso se colocou em causa o carácter intelectual do árbitro. Há que não ter memória curta. Aceito que se aponte o dedo ao trabalho menos conseguido de um árbitro, que se critique o seu comportamento durante um jogo, não aceito é que se façam juízos de valor sobre a sua seriedade por “dá cá aquela palha”. Se existem indícios da existência de corrupção, há que denunciar nas instâncias próprias; se não existem, então, não levantemos suspeitas infundadas e gratuitas. É que errar, todos erram: erram os jogadores, erram os treinadores, erram os presidentes e nem por isso se afirma que o fizeram propositadamente. O passado recente, com apitos dourados, viagens ao Brasil e quinhentinhos, não pode permitir que se diga tudo.
 
Bem sei que Vitor Pereira teve um discurso em tudo semelhante ao de JJ após o Gil Vicente – FCPorto da época passada ao afirmar “entreguem já as faixas de campeão (ao Benfica)”. Também aqui houve uma declaração de intenções, também aqui se colocou em causa o carácter e seriedade da arbitragem portuguesa. Porém, não me quero refugiar num mau exemplo para desculpar comportamentos.
 
Momento de aplicação do castigo…
Pior que as declarações de Jorge Jesus foi, quanto a mim, o momento escolhido pelo CDFPF para aplicar os 15 dias de suspensão. Estando o futebol português, desde à vários anos a esta parte, sob uma acérrima suspeita como não há memória, aplicar 15 dias de suspensão a cumprirem-se durante a paragem das competições nacionais é RIDICULO! Enquanto benfiquista, não tenho pejo em afirmar a indecência.
 
Não se consegue credibilizar o futebol adoptando este tipo de medidas. Isto é chico-espertismo à moda das antas que eu não gostava de ver no meu clube mas que infelizmente a realidade me vai mostrando o contrário.
 
Voto de vencido de Herculano Lima…
O ponto alto de todo este imbróglio ficou reservado para o acórdão do referido CDFPF, tendo como protagonista o seu presidente, Herculano Lima.
Como é do conhecimento publico, Herculano Lima votou vencido relativamente ao castigo aplicado a JJ. Até aqui, tudo bem. O problema reside na declaração que justifica o voto de vencido: “Jesus limitou-se a contestar uma decisão real e inequívoca da arbitragem. Dessa falha grave e indiscutível resultou a vitória do clube visitante e consequente vitória do campeonato, por parte do clube que beneficiou do erro”; “(…)o árbitro em causa tinha todas as condições para ver a falta e a obrigação funcional de o fazer. Não fez por motivações que só ele sabe
 
Ora, não se pode permitir que o presidente de um órgão de justiça desportiva profira uma declaração tão parcial e condicionada quanto a que Herculano Lima proferiu, deixando nas entrelinhas a ideia de que houve da parte de Ricardo Santos a intenção de prejudicar o Benfica. Afirmar isto, é permitir que se levante a suspeição, é permitir o desassossego constante e permanente dos árbitros, sem lugar ao erro.
 
Isto não pode ser dito por quem faz justiça. Os juízes, sejam da justiça civil sejam da justiça desportiva, estão nos cargos que ocupam para julgar, não para opinar. Se o querem fazer, criem um blogue, arranjem um “padrinho” para fazerem parte de um painel de comentadores da TV, participem em fóruns, façam o que quiserem mas, primeiro, demitam-se dos cargos tão importantes que ocupam. Assim não vamos a lado nenhum.
 
E é natural que os adeptos dos demais clubes fiquem incomodados com este tipo de comportamento. Dá toda a ideia que o comportamento e, posterior declaração de Herculano Lima, foi encomendado, concerteza que dá. Caso contrário, a que propósito o presidente de um órgão de justiça tomas as dores de uma das partes.
É claro que o pode fazer, mas fica muito mal na fotografia e é associado a esquemas dúbios e nublosos, que nós, na voz dos que nos representam, tanto temos denunciado.
 
Alguns espaços de opinião têm afirmado que Herculano Lima, ao que parece, é presença assídua no camarote do Estádio do Dragão, afirmando-se adepto do clube azul-e-branco. Não possuo informações que me permitam confirmar esta suspeita nem tão pouco credibilizar tamanha insinuação
Mas, a ser verdade, então a declaração de vencido de Herculano Lima exigia da direcção do meu clube um comunicado, demarcando-se categoricamente deste senhor e denunciando a sua ligação ao FCP bem como o embuste montado para “inglês ver”.
Como nada disto foi feito, permite-se todo o tipo de especulações que me incomodam.
 
Exijo um clube “limpo”, onde não exista tráfico de influências, onde a lei se cumpra, seja para penalizar seja para absolver.
 
Estou muito longe da verdade?! Sim, eu sei!

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

POBRE BASQUETEBOL, PARA ONDE CAMINHAS TU?

 
Na passada segunda-feira, Portugal jogou e perdeu contra a Bielorrússia em mais um jogo do Grupo F de apuramento para o EuroBasket 2013, a realizar na Eslovénia.
Em quatro jogos, Portugal averbou a sua quarta derrota!, num jogo em que defrontou uma selecção bielorrussa com visíveis fragilidades técnicas.
 
No final do jogo, Mário Palma, seleccionador nacional, afirmou que “quem pensava que nos poderíamos apurar percebe pouco de basquetebol”. Ora, até aqui, tudo bem. De facto, o nosso basquetebol não tem, hoje em dia, estrutura ou sequer bases suficientemente sólidas que permitam sustentar a modalidade.
Com o que não concordo é com o que diz no seguimento dessa declaração: “Boa parte dos nossos atletas nem sequer joga nos seus clubes”. Falso, Mister.
 
Eu, que sou apenas um espectador atento da modalidade, dei-me ao trabalho de consultar alguns dados estatísticas e facilmente concluí que 80% dos jogadores por si convocados, durante a época transacta, jogaram 20 ou mais partidas em cada um dos seus clubes, o que significa que não foi por falta de ritmo que Portugal claudicou diante dos seus adversários.
 
Não quero com isto dizer que o insucesso do nosso basquetebol se deve ao seu treinador. Pelo contrário, Mário Palma é um técnico de inegável competência, que durante os anos 90 fez brilhar um Benfica do futebol na europa do basket; que levou Angola à conquista do Campeonato Africano de Basquetebol; que marcou presença em Jogos Olímpicos, em Campeonatos do Mundo de Basquetebol.
 
Porém, Mário Palma não tocou na ferida, numa ferida que tem anos, para a qual não existe receita para a sua cura.
Com a crise económica instalada, o país deixou de investir nas modalidades ditas amadoras e o basquetebol não fugiu à regra. Tudo é pensado pelos dirigentes desportivos em função do seu ente querido, o futebol, relegando para a gaveta da secretária os projectos de desenvolvimento das modalidades.
 
Sem investimento, sem aposta no desenvolvimento e na promoção da modalidade, não há resultados, nem desportivos nem financeiros, sem resultados escasseiam as receitas, sem receitas surgem salários em atraso, surgem clubes a fechar portas antes do final da época, ainda que apuradas para o play-off, surgem clubes com enormes responsabilidades no desporto nacional a anunciar a sua retirada temporária da modalidade, surge o buraco negro, quando todos procurávamos a luz ao fundo do túnel.
 
Depois de anos de enorme competitividade, com equipas como a Portugal Telecom, o Estrelas da Avenida, a AD Ovarense ou o próprio Queluz a intrometerem-se na luta pelas tabelas de campeão nacional, eis que esta linha aparente sucesso repentinamente entra numa curva descendente. Desaparecem algumas destas equipas, a própria AD Ovarense cai numa profunda crise financeira, vendo-se obrigada a reduzir drasticamente o seu orçamento anual, caindo por isso na tabela da competitividade.
A luta ficou, então, entregue a Porto e Benfica que durante os últimos 4/5 anos travaram uma saudável discussão pela conquista do título nacional, albergando o núcleo duro da selecção nacional.
 
A desistência do FCP e tudo o que a mesma implica, constituiu a estocada final no reerguer da modalidade.
Enquanto adepto de basquetebol, não posso estar mais desagradado com esta situação. Por mais que os benfiquistas se possam regozijar com a “queda” do eterno rival, ficando a conquista do título aparentemente mais fácil, o futuro encarregar-se-á de demonstrar o contrário.
 
Desta desistência resultará menor investimento, resultado da menor concorrência, perder-se-á emotividade, competitividade, receitas, perder-se-á a possibilidade de surgirem novos valores, perder-se-á prestígio, perder-se-á a réstia de esperança que nos fazia crer num futuro melhor.
E desta vez a culpa não poderá ser assacada há comunicação social, que muito tem feito para que a modalidade não cai no esquecimento, com transmissões semanais dos jogos da LBP bem como com a transmissão dos jogos mais importantes na selecção nacional.
 
Se o passado recente foi madrasto, o futuro será pai incógnito.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

XEQUE(A)-MATE!



Na passada 5.º feira Portugal foi um verdadeiro “coiffeur”, desfazendo a barba a uma R. Checa que não soube rivalizar com a glória que outrora nos trouxeram Smicer, Patrick Berger, Poborsky ou Pavel Nedved.

Uma equipa que no arranque para este europeu havia sido derrotada de forma copiosa por uns russos “à lá Perestroika”, acabaria, bem feitas as contas, por sacar o primeiro lugar do grupo, deixando um bilhete de despedida a Rússia e Polónia e um convite a Portugal.

Apesar das nítidas dificuldades reveladas durante a fase de grupos, a passagem à fase seguinte transformava uma selecção pouco mais que discreta numa selecção ameaçadora que, com o apuramento, já tinha erguido a sua taça e nada tinha a perder. Operava-se aquele conhecido fenómeno futebolístico que não admite o meio termo: a derrota torna-nos bestas, a vitória bestiais...e os checos tornavam-se subitamente bestiais.

As equipas subiram ao relvado quando o relógio apontava um quarto para as 8 da noite. Portugal, esse, entrava em campo com o pensamento ainda cravado num fabuloso chapéu de abras bem largas com que Karel Poborsky brindara Vitor Baia em 1996, deixando-o a mirar “el cielo”, apreciando a beleza de uma bola que transpunha os limites da improbabilidade.

A somar a tudo isto, o receio de tudo se decidir num só jogo e a sorte ou a falta dela nos poder fazer regressar a casa, depois de termos mostrado a nossa barba (?) a alemães, holandeses e dinamarqueses e tanta mágoa termos deixado no coração camorriano de um tal de Platini.

Embora inicialmente expectante e, sobretudo, apreensivo com o excesso de contenção e cautela, à medida que o tempo foi avançando, a ideia de que, afinal, esta poderia não ser uma letargia bacoca mas tão só a estratégia que Paulo Bento montara para o jogo, foi me deixando mais clamo e convicto de que seriamos capazes de ultrapassar uma equipa ainda à procura da sua identidade.

Após uma primeira parte em que os Checos tudo emprestaram ao jogo mas do qual nada retiraram a não ser um enorme desgaste físico, veio o intervalo para dar descanso mas, sobretudo, tempo para que o “homem do penteado difícil” altera-se o chip dos seus “rapazes” e lhes mostrasse o plano para resgatar um golo que fosse da baliza de Petr Che. Para tal, nada melhor do que deixar essa incumbência a um madeirense que tantos disparates nos fez dizer.

Arrancou a segunda parte e logo, logo se percebeu que os jogadores portugueses não estavam ali para fazer horas extra, pelo que a história da primeira parte não era para repetir na segunda.

Porém, à medida que o tempo foi avançando, o tic tac do ponteiro era cada vez mais audível e acelerado, a bola tinha um pacto com o diabo…e com Petr Che que ostentava um barrete que não era nosso, os jogadores checos, esses, começavam já a suplicar aos seus pulmões que aguentasse só mais um bocadinho assim…, o medo de mais uma vez trazermos para casa uma vitória moral, bem ao jeito do nosso triste fado, parecia sobrepor-se a um optimismo que não sabemos ter.

Quando já nos preparávamos para mais trinta minutos de sofrimento e uma mais do que provável taluda de 10 penalties, aparece, para além de um Cristiano que não é apenas Ronaldo mas o melhor do mundo, um pequenino que era maça podre e hoje fruta de excelência, rasgando pela direita e cruzando com conta peso e medida para o voou do “nosso orgulho”.

Saltava Paulo Bento, saltava Postiga, que por momentos esqueceu aquela picada, saltava Luís Figo abraçado a uma pantera que foi Rei em Inglaterra, saltavam os portugueses abraçados a cachecóis e bandeiras testemunhas da alegria dos seus corações.

Agora, seguem-se as meias-finais e pela frente uma Espanha que tem sede em Madrid mas o seu perfume na Catalunha. Na bancada estará Manolo, “El Bombo de España”, marcando o ritmo de uma equipa que se espera desafinada!

sábado, 16 de junho de 2012

SERÁ ESTA UMA "LARANJA" DOCE?


Amanhã realiza-se mais um mata-mata, um Portugal Vs Holanda que tudo decidirá sobre o futuro da nossa selecção por terras Polacucranianas.

Numa primeira pincelada sobre o jogo, a memória, ainda que pouco mais que fotográfica, recua a 1988 e vislumbra bem lá no fundo uma fita de ouro no desporto holandês. A magia que saí-a dos pés de Rudd Gullit, Frank Rjikard ou Van Basten a cada pedaço de relva calcado deixou uma herança demasiado pesada em todos aqueles que, de quatro em quatro anos, sobem a um palco europeu para defender um passado brilhante.
As reminiscências de outrora são hoje um pesadelo que persegue todos aqueles que querem deixar nova página de glória no desporto holandês.

Desta feita, uma arreliadora egolândia a atacar o seio laranja. Nos bastidores da má-língua correm rumores de um balneário de candeias às avessas: Robben tem tiques de vedetismo; Afellay desespera por uma bola…que Robben não dá; Huntelar, “agrafado” ao banco de suplentes, inveja e apregoou-a o fracasso de Van Persie. Com se isto não bastasse, Mathijsen e Heitinga são frouxos, muito frouxos, Van Bommel…tem 35 anos!, Van Persie não resolve, Sneijder não tem batuta para alinhar os seus vértices e Martin van Marwijk é um homem sozinho, sem pós de perlim pim pim para fazer magia.

O que resta? Resta uma manta de retalhos que não tem outra alternativa que não, como diria Quinito, “colocar toda a carne no assador” e…rezar a Deus.

Esta Holanda, que tem jogado num inofensivo 4x2x3x1, provavelmente, irá operar uma mudança que terá tanto de inconsciente como de perigosa e traiçoeira.
O duplo pivot de meio campo será desfeito, com Van Bommel a dar o seu lugar a Van der Vaart; à sua frente jogarão Robben pela direita e Sneijder pela esquerda; na frente, a dupla de “inimigos” Huntelar/Van Persie.

Um primeiro olhar deixa transparecer uma Holanda de grande pendor ofensivo, com muitos artistas e poucos carregadores de piano, que Portugal deverá saber utilizar, aproveitando, não só as fragilidades defensivas do adversário, mas, sobretudo, as fragilidades psicológicas de uma laranja presa por arames que, ao mínimo afronto, entrará em desespero
Porém, não nos deixemos enganar. Um golo madrugador de uma selecção ferida no seu orgulho será o elixir perfeito para reerguer e acalentar a esperança dos quartos-de-final. A confiança é a âncora do sucesso!

Embora continue a ambicionar um 4x4x2 losangulo, com Custódio, Veloso, Meireles e Moutinho no meio e CR e Nani na frente, P. Bento não me irá conceder esse desejo, mantendo o seu habitual 4x3x3.
A não ser alterado o sistema táctico, P. Bento terá necessariamente que alterar o modelo de jogo.

Na partida com a Dinamarca, ficou claro que o triângulo de meio campo não consegue, durante 90 minutos, dar cobertura às subidas dos laterais contrários. Se tal não se consegue, há que mudar: ou se inverte o triângulo e se coloca Meireles ao lado de Veloso, descaindo um para a direita e outro para esquerda; ou se mexe no trio da frente, colocando CR à esquerda, quando Portugal atacar, e ao meio, quando Portugal defender. Ou seja, a atacar, CR deverá manter a sua posição como extremo esquerdo; a defender, para que não se desgaste com tarefas defensivas, deverá derivar para o meio, em troca com Postiga, que descairá para a faixa, estancando as subidas do defesa lateral adversário.

Outra questão que neste momento se impõe é saber se, dada a intensidade dos jogos de Portugal, conseguirá Veloso, Meireles e Moutinho aguentar o ritmo altíssimo que os próximos jogos irão exigir a quem pisar aquelas zonas do terreno? Não me parece e, a ser assim, estaremos em apuros!

quinta-feira, 14 de junho de 2012

UFA!!!


Ontem, mais uma vez, como é nosso triste fado, “sofremos” a bom sofrer…e sofremos porque P. Bento não soube mexer e CR não soube defender.

Todos percebemos que, a partir dos 60 minutos, o meio campo português tinha estoirado. Explicação?! Parece-me simples: o meio campo luso não conseguia ter bola, fazê-la circular em posse era o cabo dos trabalhos. Como se isto não chegasse, CR não dava cobertura às subidas do lateral direito dinamarquês, o que obrigava o trio de meio campo a correr desmesuradamente, quer para pressionar na frente quer para fechar nas alas quando o adversário saí-a em transição. Isto cansa, mói, desgasta e não permite durar os 90 minutos.

Impunha-se uma, talvez duas, substituições. Mas quem??
R. Micael, que pouco jogou durante a época, não tem ritmo competitivo, pelo menos o necessário para entrar num jogo de grande rotação; H. Viana é um médio posicional, que gosta de ter bola mas que não gosta de correr atrás dela, que não vai ao choque; Custódio, embora desse consistência à intermediária, significava medo e temor, além de retirar profundidade e obrigar a uma alteração do sistema táctico.

P. Bento, receando estes handicaps, teve medo que a equipa, mais do que perder intensidade, perde-se equilíbrios e automatismos numa fase crucial do encontro…E não mexeu!

Até aí, tudo bem! O que eu não percebo é que não se tenha coragem para retirar Ronaldo e colocar Varela no seu lugar, um jogador com outra cultura táctica e com outro espirito de sacrifício, que ajuda o colectivo. Mas, se não existe esta coragem, por que não trocar os médios alas, colocando Nani à esquerda e a CR à direita?!

Por mais que goste de Ronaldo, por mais que no seu clube marque golos em catadupa, não há meio de engatar na selecção. Provavelmente, ontem, esteve a minutos de perder a Bola de Ouro, se é que ainda vai a tempo dela.

Os seus desperdícios foram displicentes e revoltantes, porém, o que mais me colocou os cabelos em pé foi a forma sobranceira e desinteressada como, a escassos 15 minutos do fim, não foi capaz de perceber que o seu colega de retaguarda se ia desfazendo em fanicos para chegar a todos os fogos.

Mais me revolta quando esta situação aconteceu uma, duas, três…as vezes que a bola chegou ao ala direito dinamarquês.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

FORÇA PORTUGAL!


À entrada para este europeu, a Dinamarca era catalogada como a selecção outsider do apelidado grupo da morte. Uma jornada volvida e os nórdicos perfilam-se como uma selecção temível da qual todos receiam.

É um facto que a selecção dinamarquesa tem uma das melhores defesas do europeu; é um facto que o duplo pivot de meio-campo é assertivo mas nada arrisca; é um facto que na frente joga um tal de n.º 9, que é Krohn-Dehli, um 10 a cair de maduro e um 11 que é Niklas e tem faro pelo golo. É um facto que “eles” são fortes…mas não mais do que nós!

São Vikings?! Sim, é o que reza a história. E nós o que somos?? Somos a força de uma nação que bem cedo mostrou ao mundo quem foi Bartolomeu Dias, quem foi Vasco da Gama, quem foi Pedro Álvares Cabral, quem foi D. Afonso Henrique, quem foi, quem são, o que são os portugueses.

Não necessitamos que Morten Olsen nos alicie com um favoritismo envenenado ou traiçoeiro. Se essa estratégia resultara outrora, hoje é inócua. Não nos resta outra alternativa que não a certeza de uma vitória, seja ela com a mão de Deus, seja ela com o pé ou a cabeça do “Diabo”.

Esta não é a selecção dos Magriços, dos Patrícios, dos Lusitanos ou sequer, dos pálidos Infantes de Saltillo, dos Tugas de Macau ou dos Navegantes do Sul.

Mas, hoje, esta é a nossa SELECÇÃO!!!
FORÇA PORTUGAL!!!

sábado, 9 de junho de 2012

SOU PORTUGAL!





Apesar de, hoje, esta ser a minha, a nossa selecção, os 23 eleitos por Paulo Bento não são, por certo, os meus 23: na minha convocatória não caberiam Beto; Rolando; Rubén Micael; Varela; Hugo Viana e N. Oliveira.

Os primeiros quatro, porque, durante a época, não justificaram a chamada; H. Viana, porque não cabe no sistema táctico de Paulo Bento; e Nelson Oliveira, porque pouco ou nada jogará, visto ser a terceira opção para o ataque.

Para os seus lugares?!

Quim, porque seria um prémio de carreira; Nuno André Coelho, porque fez uma excelente segunda volta ao serviço do SCB; Vieirinha, porque é um magnífico extremo, hoje com outra maturidade; e Nuno Gomes, porque sabe o que é jogar um europeu, porque sabe como marcar golos decisivos numa fase final de um europeu, porque a sua experiência beneficiaria o espirito de grupo da selecção.

 O jogo contra a “Mannschaft”…

Se tivesse a meu cargo a orientação da selecção nacional, no jogo de hoje não utilizaria o velhinho 4x3x3.

O 4x4x2 losangulo que Paulo Bento tanto gosta poderia ter sido treinado e hoje colocado em prática, surpreendendo dessa forma a selecção germânica.

Custódio na posição seis, M. Veloso no vértice esquerdo, R. Meireles no vértice direito, J. Moutinho no vértice mais adiantado, com Nani e CR na frente. Perdem-se alguns automatismos?!

É um facto, mas só se perdem porque nunca se treinou um modelo alternativo. Desde os tempos de LFScolari que Portugal vai para os grandes certames internacionais sem um plano B.

Esta seria uma equipa mais musculada, mais equilibrada, que permitiria “controlar” o meio campo alemão com Khedira, Ozil, Schweinsteiger e deixar um jogador livre para ter bola e pensar o jogo, lançando Nani e CR em velocidade na frente, desbaratando a lenta dupla de centrais alemã.

Sendo certo que o modelo a utilizar é o4x3x3, eis a minha selecção: Rui Patrício, Miguel Lopes, Pepe, Bruno Alves, Fábio Coentrão, Custódio, R. Meireles, J. Moutinho, Nani, C. Ronaldo e Hélder Postiga.

Rui Patrício, Pepe, B. Alves, R. Meireles, J. Moutinho, Nani e C. Ronaldo são incontestáveis e só não jogarão por impossibilidade física ou disciplinar;

Miguel Lopes em detrimento de J. Pereira!

J. Pereira é rápido, hábil, raçudo, mas bastante franzino e de estatura baixa; M. Lopes, por sua vez, é mais alto e com maior capacidade física, importante para os embates individuais com o poderio físico alemão. As alas com J. Pereira e F. Coentrão “tiram” centímetros a uma defesa que necessita ser forte nas bolas paradas.

Custódio em detrimento M. Veloso!

Tendo em conta a estampa fica e a forma agressiva como a Alemanha jogo, é crucial colocar no tabuleiro Custódio. O bracarense é mais posicional, mais cerebral, mais forte fisicamente, melhor a cobrir os espaços, melhor a dobrar os defesas laterais, melhor no jogo aéreo, mais agressivo a atacar a bola…menos exuberante; Miguel Veloso, para além de denotar alguma lentidão na saída da bola e no desarme, quando em vez empolga-se e arrisca passes de média longa distância que se podem revelar fatais contra selecções fortíssimas como a alemã. A zona seis, face à esperada pressão alemã, terá que jogar ao primeiro toque, sem rodriguinhos ou floreados.

H. Postiga em detrimento H. Almeida!

Na posição nove, dependendo da forma como Portugal pretenda jogar, a aposta poderá recair sobre H. Postiga ou sobre H. Almeida. O “espanhol” joga melhor de costas para a baliza, importante se Portugal pretender jogar um futebol mais apoiado, com maior posse de bola. Se a estratégia passar por sair em transição, jogando com Nani e CR bem abertos nas alas, explorando os dribles e os cruzamentos a partir da linha de fundo, o nome de referência deverá ser H. almeida.

Falta um 10…

Após o abandono de Rui Costa e mais tarde de Deco, Portugal não mais teve um playmaker digno desse nome. Carlos Martins era quem poderia disfarçar este problema, contudo, a sua lesão e, sobretudo, a cura do seu filho, muito mais importante do que qualquer europeu, de qualquer jogo de futebol, deixaram a selecção nacional órfão de magia e virtuosismo.

Não temos, actualmente, um médio que consiga ter bola, que crie os desequilíbrios tão importantes para a conquista de superioridade numérica, com passes a “rasgar“ a defesa adversária, alguém que “meta” um ou dois dribles e sai-a em velocidade.

C. Martins era o único que nos fazia sonhar com essa possibilidade. Como não está, vamos à luta com os que temos.

Perspectivas…

Depois de tudo o que se disse e escreveu por estes dias sobre Portugal, dúvidas não tenho que o onze que hoje entrar em campo tudo vai fazer para que a bofetada de luva branca seja certeira e sentida

O facto de Portugal ter sido espicaçado com as atoardas proferias por alguns ilustres do nosso futebol poderão ter ferido o orgulho dos jogadores, contribuindo para fortalecer o espirito de grupo.

Além disso, a sobranceria com que a imprensa alemã tratou Portugal, logo após a derrota com a Turquia, afirmando que “este Portugal não mete medo”, poderão induzir a selecção germânica num facilitismo que deverá ser aproveitado por Portugal

Revelação do Europeu…
A minha aposta recairá sobre a selecção russa: os dois centrais jogam juntos há muitos anos, o trio de meio campo, bem conhecido dos portugueses, trata a bola com enorme qualidade, a fazer lembrar Costinha, Maniche e Deco em 2004, os avançados são de excelência, quer os que jogam quer os que estão no banco prontos para entrar.

É uma selecção dirigida por Dick Advocat que, à imagem da escola holandesa, privilegia os movimentos ofensivos. Daqui resulta um futebol ao primeiro toque, com magia e velocidade.